quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

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AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: Companhia das Letras, Cortesia ISBN: 9788535906905 GÊNERO: Jornalismo Literário, Não Ficção PUBLICAÇÃO: 2005 PÁGINAS: 200 SKOOB

 A queda de um autocrata

O livro O Imperador, da coleção de Jornalismo Literário da Companhia das Letras, retrata o tempo de governo do imperador Hailé Selassié I, que passou 40 anos a frente da Etiópia.

A obra de Kapuscinski é uma junção de relatos daqueles que trabalharam no império e viram de perto a extravagância do imperador, enquanto milhares morriam de fome no país. Entre esses relatos, o jornalista inseriu alguns textos seus, contando o que acontecia no país, como forma de localizar o leitor. Dividido em três partes, o livro traz um panorama das três fases do governo.

Na primeira parte, foca principalmente na extravagância de Selassié, que mantinha funcionários até mesmo para colocar e tirar almofadas de seus pés. A segunda parte é voltada para o surgimento das primeiras revoltas no país, todas sem sucesso. Na terceira e última parte, o jornalista fala sobre a queda do imperador, que começou quando os problemas de dentro do país ganharam destaque na mídia internacional, chocando outros países. É aí que podemos ver com mais clareza o enorme contraste do império e da vida real.

O Imperador é um relato da Etiópia, mas que pode ser relacionado com muitos outros lugares e diversos tempos. Retrata a desigualdade que assola muitos países e o descaso dos governantes, que mais se preocupam com coisas supérfluas do que o que é realmente necessário. Outro ponto de destaque no livro é o medo, por parte do imperador, do raciocínio, do pensar. Para ele e tantos outros, é um perigo que as pessoas comecem a refletir sobre o que realmente está acontecendo. Uma ideologia é imposta e não é permitido pensar diferente. Quando as pessoas começam a refletir, é sinal de perigo, já que são identificados problemas e a necessidade de mudança.

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