quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL ISBN: 9788581301273 GÊNERO: NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2014 PÁGINAS: 392 SKOOB

É provável que muitas pessoas já tenham feito a seguinte pergunta: “O que o Papa na época da Segunda Guerra Mundial fez em relação ao que os Nazistas faziam com os judeus?” Digo isso porque muitas pessoas sabem que sou apaixonado por História e, muitas delas, já me fizeram essa pergunta. Eu não sabia essa resposta até ler o livro Os judeus do Papa, de Gordon Thomas.

Faz sentido essa pergunta recorrer em nossas mentes. Embora alguns possam dizer que líderes católicos não necessariamente tem a obrigação de ajudar civis judeus, é comum achar que líderes religiosos de quaisquer religião tenham de se ajudar em momentos extraordinários, e cá entre nós, não é sempre que se acontece uma Guerra Mundial – embora os judeus venham sendo perseguidos durante milênios.

O livro Os judeus do Papa nos conta, com mínimos detalhes, tudo o que o papa Pio XII fez em relação à Segunda Guerra e aos judeus. Achei um livro bonito, com algumas partes que me emocionaram. Sabemos que a Igreja Católica foi antissemita durante a Inquisição, perseguindo e matando milhares de judeus durante séculos por toda a Europa. O livro trata bem esse assunto com o fato do que estava começando a acontecer no fim da década de 30, com Hitler no poder, e com o que aconteceria na década de 40, com a Segunda Guerra Mundial e o extermínio dos judeus por parte do partido Nazista.

Já ouvi muitas pessoas julgarem a igreja Católica por “ela não ter feito nada para ajudarem os judeus na época da Segunda Guerra”, e embora agora eu saiba que essas pessoas estão MUITO erradas ao dizer isso, sei que não posso julgá-las de forma aguda, porque o que o papa Pio XII fez, teve de ser feito de uma forma MUITO secreta; não podemos esquecer que Mussolini entrou na guerra em maio de 1941, apoiando a Alemanha e formando o eixo tão conhecido pelos alunos do ensino médio: o eixo ROBERTO (Roma; Berlim; Tóquio). Imaginem a situação de Pio XII: ele foi sucessor de um papa exemplar, que foi seu amigo íntimo, e que o encorajou no leito de morte a ser um defensor do povo judeu. Continue lendo »


Avaliação: 3/5
Editora: Novas Páginas, Cortesia
ISBN: 9788581635040
Gênero: Romance
Publicação: 2014
Páginas: 192
Skoob

A máquina de contar histórias, de Maurício Gomyde, conta-nos a história de Vinícius Becker que é o escritor brasileiro de maior destaque no país. Após nove livros lançados, tem muito sucesso, dinheiro, fãs pelo mundo inteiro e, a cada nova história, recebe inúmeras críticas positivas e se supera como escritor. É pai de duas meninas e tem uma mulher muito companheira, que esteve a seu lado em momentos bons e ruins. Teria tudo para ser o homem mais feliz do mundo, mas não é.

Em uma viagem a trabalho, após a festa de lançamento de seu último livro, ele recebe uma ligação que mudará toda a sua vida. Descobre que sua esposa, Viviana, após quatro anos lutando contra uma feroz leucemia, não resistiu. Quando volta para casa tem um choque ao ver o quanto se distanciou de sua família durante o tempo em que ela mais precisava de apoio e união e se entristece ao perceber que não se despediu da mulher de sua vida. Também percebe que não conhece quase nada da vida de suas filhas Valentina, de 16 anos, e Vida, de 4 anos.

Disposto a apagar os erros do passado e a reconstruir a sua relação Valentina e Vida, Vinícius desmarca todos os seus compromissos de trabalho e decide dar um tempo à meticulosa rotina que todos os dias, durante anos, realizou. Porém, sua filha Viviana não está disposta a deixá-lo esquecer de quão egoísta ele foi e que as deixou de lado quando elas mais precisavam para cuidar de sua carreira e de seu sucesso. O fato de escrever histórias perfeitas, que emocionam pessoas de todos os cantos do mundo, e afirmar que busca inspiração no dia a dia de sua família, é ainda pior, já que é bem diferente do que o que realmente acontece na família V. Agora, por conta das incontáveis viagens, das festas e de todo o distanciamento, Vinícius tem que encontrar uma maneira de reverter a situação, fazer com que as filhas percebam todo o amor que sente por elas e sentia por Viviana e buscar novamente seu lugar na família.

Minhas expectativas para A máquina de contar histórias eram bastante altas. Além dos muitos comentários positivos que vi sobre o livro, no momento em que bati o olho na capa, me encantei. Todos os elementos dispostos, como a máquina de escrever, a roda gigante e o sorvete, têm sua importância na história. Mas é só lendo para entender. Apesar de ter gostado do livro, tenho também algumas ressalvas. Continue lendo »

domingo, 30 de novembro de 2014

Avaliação: 3/5 Editora: Geração Editorial, Cortesia ISBN: 9788581301259 Gênero: Guia, Infantojuvenil Publicação: 2014 Páginas: 52 Skoob

Pensando em trazer novas opiniões e apresentar para vocês novos olhares a partir de uma mesma obra, esta resenha seguirá um formato diferente. Logo abaixo, vocês encontrarão duas opiniões a respeito de “Deuses do Olimpo“, escrito por Dad Squarisi. O livro é voltado para o público infantojuvenil, mas nada impede que seja lido e apreciado por leitores mais velhos. Por isso, eu, Camila, de 21 anos, convidei a minha irmã Melissa, de 11, para ler a história junto comigo e compartilhar o que ela achou da obra.

Por Camila Tebet
Avaliação: 3/5

Para quem gosta de mitologia grega, “Deuses do Olimpo” é uma ótima pedida. Em formato de guia, o livro conta de maneira simplificada histórias dos deuses, seu surgimento, além de curiosidades a respeito. Cada página traz um relato diferente, começando pelo aparecimento de Zeus, que nasceu da união entre Gaia, a mãe terra, e Urano, o céu estrelado.

As outras páginas traçam um panorama do Olimpo e também falam da Guerra dos Titãs e de como Zeus assumiu o poder junto com os irmãos Poseidon e Hades. Além disso, trazem diversas curiosidades, falando, por exemplo, do surgimento de alguns signos do zodíaco. Eu não sabia que o meu signo, de gêmeos, tinha uma explicação mitológica. De acordo com a mitologia, os dois menininhos são Castor e Pólux. Sua mãe, Leda, era casada com Tíndaro, rei de Esparta. Uma tarde, Leda foi tomar banho em um rio e, no mesmo dia, Zeus estava passeando pela Terra. De longe, Zeus viu a bela moça e se apaixonou. Para seduzi-la, transformou-se em um cisne. Encantada com ele, ela cedeu. Um tempo depois, sentiu a dor do parto. De sua barriga saíram dois ovos. Do primeiro, os imortais Castor e Helena. Do segundo, Pólux e Clitemnestra, filhos de Tíndaro. Castor e Pólux tornaram-se tão amigos que pediram que Zeus nunca os separasse. Atendendo ao pedido, ele transformou os meninos em estrelas, que brilham no céu até hoje.

Foto: Camila Tebet / Viagens de Papel

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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Elas dominam as páginas da literatura e, com sua personalidade, encantam, cativam, divertem, e trazem uma série de questionamentos para o leitor. Algumas também são capazes de despedaçar o nosso coração e deixar marcas para o resto da vida. Hoje trago para vocês as cinco personagens femininas que mais admiro e mais me marcaram em minha trajetória como leitora:


1. Hermione Granger

“É Vingardium Leviosa e não Leviosá!”. Uma lista com personagens femininas marcantes não é válida se não mencionar Hermione Granger. Por sete livros e oito filmes, a bruxa de Harry Potter se tornou reconhecida e adorada pelos fãs por ter um jeitinho bem singular. Quem nunca se identificou com ela?! Um pouquinho mandona, Hermione ensinou a milhões de crianças (inclusive a mim), diversos valores éticos. Mostrou que inteligência é, sim, importante, mas que não é tudo. É preciso valorizar seus amigos e família e apoiá-los nos momentos difíceis, ser leal a eles. Além disso, lutou pelo direito dos oprimidos com todas as garras. O F.A.L.E – Fundo de Apoio à Liberação dos Elfos-Domésticos, começou pequenininho e logo ganhou força (Dobby agradece). Pelo visto, a personagem influenciou também a sua intérprete Emma Watson, que também luta pela igualdade.







2. Becky Bloom


Quem adora chick-lits, assim como eu, sabe bem de quem eu estou falando. Se não sabe, procure saber mais sobre esta personagem, porque ela é sensacional! Dona de um consumismo que ultrapassa limites, a britânica Becky Bloom entra em qualquer confusão para conseguir a bolsa ou o sapato perfeito. Pode ser também uma linda echarpe verde, que, com certeza, tornaria Becky uma pessoa muito melhor. Essa mulher é muito engraçada e em qualquer livro que estiver vai arrancar muitas, muitas risadas. Apesar de aparentar ser fútil e só se preocupar com coisas supérfluas e desnecessárias, Becky é dona de um imenso coração e caráter, e, mesmo sendo um pouco atrapalhada, não mede esforços para ver quem ama feliz e longe de problemas.




3. Elizabeth Bennet


Completamente diferente dos padrões da época, na qual as moças faziam de tudo para arranjar um bom casamento, pensava Elizabeth Bennet. Considerada a filha mais inteligente dos Bennets, Elizabeth traz, em “Orgulho e Preconceito”, uma série de críticas à sociedade da época. Ela valorizava o conhecimento, possuía uma forte opinião própria, preferia livros a vestidos pomposos, e desejava se casar por amor, e não por conveniência. Elizabeth é uma personagem muito forte, e isso é evidenciado na obra de Jane Austen pelos ótimos diálogos protagonizados por ela, que é capaz de deixar o outro sem resposta. Além disso, enxerga além das possibilidades, defende a diversas causas e faz de tudo para ver seus entes queridos felizes.




4. Katniss Everdeen


Assim como Elizabeth, Katniss é uma personagem que possui uma personalidade forte, do mesmo modo como são as suas convicções. Além de valorizar a família, Katniss marca pelo fato de evitar o conformismo e buscar libertar o povo de Panem da tirania, opressão e coerção do governo. Mesmo após ter a sua vida e a vida de sua família ameaçadas, ela age com altruísmo e coragem e luta pelo bem de seu povo, tornando-se o símbolo da liberdade e esperança.



5. Hanna Berg


Acredito que pouca gente conheça ou tenha lido este livro. Hanna Berg é a protagonista de “O Leitor”, também adaptado para o cinema. O livro se tornou um dos meus favoritos, assim como a produção cinematográfica, e Hanna é uma das personagens femininas que mais me marcaram. Mais fechada, introspectiva, ela vive sua rotina sem grandes surpresas, já que é sozinha e não se aproxima de ninguém. Para não falar que ninguém faz parte de sua vida, Hanna mantém um caso com o adolescente Michael, 20 anos mais novo. Os encontros entre os amantes são marcados por algo além da sensualidade: a literatura. Michael sempre lia para Hanna e isso tornou-se um hábito entre os dois. Misteriosa, Hanna fecha-se em uma máscara, que esconde uma vida sofrida e melancólica.


Menção Honrosa


Escolher cinco personagens foi uma tarefa difícil. A princípio, achei que iria ser fácil, já que não é sempre que temos a felicidade de conhecer personagens tão singulares e especiais. Entretanto, ao repassar os livros que li, percebi que muitas das personagens me ensinaram coisas diferentes, geraram questionamentos e marcaram minha vida de alguma maneira. Portanto, selecionei algumas, mas seria impossível falar sobre todas, já que cada uma possui sua importância. Entretanto, a seguir falo de alguém que também merece um espacinho neste post:



Hazel Grace


“A culpa é das estrelas” passa longe de ser o meu livro favorito, e nem o considero uma obra prima. Porém, tenho que reconhecer que o autor criou uma personagem principal incrível para o livro. Hazel Grace, apesar dos infortúnios que cercam sua vida, está conformada pelos rumos que irá tomar e não deixa isso consumir a sua existência. Com isso, é irônica e traz umas tiradas sensacionais, que fazem o leitor refletir bastante acerca de diversos assuntos. O sarcasmo da personagem é um ponto muito forte da história, assim como a sua própria bravura ao enfrentar a situação. 

E aí, o que acharam das minhas indicações?! Quero saber também a opinião de vocês, se vocês acharam uma boa e justa seleção, ou se colocariam ou tirariam alguém. Deixem aqui nos comentários e até a próxima 🙂

domingo, 23 de novembro de 2014


Depois de um longo e tenebroso inverno, pois é meus caros, o nossa cantinho de poesia aqui no blog está de volta com tudo! Para nossa volta, gostaria de conversar um pouco sobre um poema de Manuel Bandeira que fala muito sobre o próprio ato de escrever poemas, o que achei bastante adequado para o nosso momento, espero que gostem!

Poética
“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. Diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”
Para contextualizar, este poema está inserido no quarto livro de Bandeira, Libertinagem, considerado por muitos sua melhor obra e momento de grande maturidade de sua produção.


Manuel, com sua simplicidade e manejo da linguagem incomparáveis, aqui faz uma crítica ao modo de escrever dos parnasianos, com seu rigor formal e palavras dicionarizadas, poesia considerada nada natural, completamente plástica. Podemos, inclusive, remeter a crítica que muitos anos atrás D. Dinis fez aos provenciais, que escreviam pelo costume na época da primavera, mas que o amor ali escrito nunca fora realmente sentido, não compondo uma poesia de fato, verdadeira, e sim pela conveniência e/ou obrigação de escrever. (você pode conferir o poema aqui)

 Manuel começa em tom de confissão, dizendo estar cansado daquele lirismo cauteloso e comedido, que não tem frescor, novidade e é repleto de burocracias. Está cansado daquela poesia que, quando está sendo escrita, procura no dicionário a palavra mais rebuscada para provar elocução. Cheio daquele lirismo usado para abarcar os corações das moças, ou lirismo de auto ajuda (como vemos na sexta estrofe a lista de livros de auto ajuda lidos na época).

 Na quinta estrofe, ao falar do lirismo político, raquítico, sifilítico, usa palavras proparoxítonas assim como os parnasianos, porém feias e incômodas, tanto em som quanto significado, provocando o leitor, e seus alvos. Ah, os recursos e genialidade de Bandeira!

 Na sétima estrofe chegamos no ápice da Libertinagem de fato, o tom do poema fica ameno, vemos o que o lirismo realmente deve ser. Livre. Pessoal. Simples.

 Quer-se no Modernismo a poesia espontânea, sendo este um poema, para Mário de Andrade, muito importante ao movimento. Manuel aqui não coloca regras, se não, não falaria em tom de confissão, e sim em imperativos, mas mostra o que acredita, acredita na poesia do sujeito, acredita que ela vem da livre experiência e não está ali para instrumento de ego, provação, convenção. Ela não deve ser forçada.

 Finalizando com a belíssima frase “Não quero mais saber do lirismo que não é libertação”, podemos também finalizar nosso breve texto com uma passagem de Hegel em sua Estética. A poesia é acreditada como um meio de fuga, uma mera evasão, por isso também é constantemente subestimada e não compreendida, porém não, em Hegel vemos que a poesia vê a si mesma como obra de arte, na linguagem tem consciência de si. Sua missão não é libertar o sujeito do sentimento, mas sim libertá-lo no sentimento.


 O que é poesia para você? Para mim também é libertação. Vem conversar comigo, deixe seu comentário! Até a próxima (:

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


O ano está acabando e apesar de eu ter conseguido ler bastante coisa, percebi que poucos desses livros foram clássicos. Notei que geralmente clássicos me marcam bastante, pela sua atemporalidade, escrita sublime e temas que trazem diversos questionamentos. Quase sempre, esse tipo de literatura me deixa pensando sobre a obra por dias e faz com que eu termine a leitura admirada. Pensando nisso, e unindo a vontade de ler mais clássicos em 2015, eu criei este projeto.


Este ano termino a faculdade, então acho que também terei mais tempo para me dedicar às obras. Estabeleci 12 títulos para ler ano que vem, muitos dos quais já tenho em casa. Como alguns são mais extensos do que outros, não estabeleci tempo para a leitura de cada livro. Irei lendo conforme a minha vontade, sem correr contra o tempo. Conforme eu for terminando a leitura, postarei resenha aqui no blog. Os mais extensos pensei em realizar diários de leitura, a cada 100 ou 200 páginas. Ainda não estou tão certa quanto a isso, por isso gostaria de ouvir a opinião de vocês também.

1. Os Miseráveis
2. Dom Casmurro
3. Nada de Novo no Front
4. David Copperfield
5. O Mágico de Oz
6. O Diário de Anne Frank
7. A Abadia de Northanger
8. Persuasão
9. A Sangue Frio
10. Cartas a um Jovem Poeta
11. Mrs. Dalloway
12. Capitães da Areia

Bônus: Por que ler os clássicos – Ítalo Calvino


A maioria dos títulos que escolhi estavam na minha lista de “Quero ler” há muito tempo. “Dom Casmurro”, por exemplo, tenho na estante desde o ensino médio, quando eu deveria ter lido para um trabalho. Tentei ler na época, mas acho que não era o momento certo. Mais madura, espero desfrutar da leitura agora. Já “A Sangue Frio”, é um clássico do jornalismo literário, gênero pelo qual sou apaixonada. Apesar de já ter lido outros livros da coleção, passei os quatro anos da faculdade desejando ler a obra prima de Truman Capote e o tempo foi passando, passando, e cá estou eu terminando a graduação. Coloquei na lista também dois livros de Jane Austen. No ano passado, li “Orgulho e Preconceito” e me apaixonei. Jurei que leria outros livros da autora este ano, mas quem disse que cumpri a minha promessa? Também pretendo mudar isso em 2015.

Estabeleci a lista e tenho o objetivo de terminar o ano que vem com as 12 leituras finalizadas. Porém, não vou me obrigar a ler esses exatos 12 títulos. Caso alguma leitura não esteja fluindo, substituirei algum dos clássicos por outro fora da lista. Também não vou ficar me cobrando ou estabelecendo prazos mais específicos, afinal a leitura deve ser prazerosa e resultar em uma boa experiência.

O que vocês acharam dos títulos que escolhi? Se já leram algum, comentem aqui embaixo falando o que acharam da leitura e como foi a sua experiência! Também falem se vocês tirariam algum livro da lista e quais colocariam no lugar. Por fim, convido todos a participar desse desafio comigo. Vocês podem seguir os mesmos títulos, ou elaborar outra lista. Se forem participar, deixem aqui nos comentários os livros escolhidos. Ficarei feliz em acompanhar suas leituras o

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Avaliação: 3/5 Editora: Geração Editorial, Cortesia ISBN: 9788581302485 Gênero: Romance Publicação: 2014 Páginas: 240 Skoob

É dia de jogo do Brasil, em meados de 1950, quando durante a missa em louvor à Santa Rita dos Impossíveis, ouviu-se um barulho de explosão em Todavia, um “pipoco” muito alto, mas que de início não causou espanto, afinal era dia de jogo, devia ser só o barulho da comemoração da vitória. Pena que não era. Mais uma fábrica de fogos de artifício foi pelos ares em Todavia. E o culpado pela explosão?! Mas é claro que era o porco do enfermeiro! Não se engane, era o porco mesmo!

Assim começa uma história hilariante, na qual vários “causos” serão contados sobre os moradores de Todavia, uma cidade baiana onde tudo acontece ao mesmo tempo.

A partir da explosão da fábrica de fogos de artifício, o narrador nos introduz a este cenário totalmente novo, uma cidade cheia de peculiaridades e personagens tão malucos, que nos fazem passar a história inteira enrolados em suas loucuras, e rindo muito de tudo isso. Em meio a essa multidão, nos é apresentada a história de Noé, um senhor que resolveu fazer seu próprio helicóptero, no quintal de sua casa, após ter um sonho maluco em que seu helicóptero salva a cidade de uma determinada situação. Ele começa sua empreitada no quintal de casa, e até data ele já marcou para a sua máquina cruzar o céu da cidade.

A repercussão da notícia do “avião de Noé” se espalha na cidade com uma rapidez absurda, todo mundo quer saber se vai dar certo e se o avião realmente vai voar. É muito bacana a maneira como o autor usou essa base da história para nos contar tantas outras histórias sobre os personagens, os moradores de Todavia, cada um tem um gancho, uma peça de quebra cabeça que no final vai se encaixando na história.

É quase impossível não comparar a história do Noé do avião, com o Noé da arca. Ambos estão construindo algo que salvará de certa maneira seu povo, e nesta obra temos a visão do povo, o que eles pensam sobre essa doideira, e se eles acreditam ou não que vai dar certo.

Mas, como já citei, o avião é só uma parte da história, o autor nos apresenta com riqueza um cenário cheio de boas histórias, pessoas que têm muito o que que contar, e que renderiam com certeza bons livros solos. Além disso, a obra traz algumas críticas. Em meio a todo o humor da história, podemos notar assuntos mais sérios, como as fábricas de fogos clandestinas, que causam muitos acidentes, e como no livro causam muitas mortes, além de produção de bebidas, política etc.

Enfim, é um universo totalmente novo pra mim, cheio de inventores, malucos e escritores (como diz a capa do livro). Tive certa dificuldade com a leitura, pois não estou acostumada com alguns termos utilizados pelo autor, o que me fez ler mais devagar e com atenção redobrada. Além disso, o autor traz muitas informações, às vezes em uma única frase, o que me fazia reler tudo para conseguir entender. A história em si é muito boa, e vale a pena dar uma chance, confesso que esperava outra coisa do livro e me surpreendi bastante, é como se o autor estivesse presente contando suas lembranças e histórias, e acho bacana quando um livro transmite essa sensação. É uma ótima pedida para quem gosta de livros nacionais!


 


Avaliação: 4/5 Editora: Arqueiro, Cortesia ISBN: 9788580413212 Gênero: Romance de época, Romance Publicação: 2014 Páginas: 288 Skoob

Avaliação: 4/5
Editora: Arqueiro, Cortesia
Gênero: Romance de época, Romance
ISBN: 9788580413212
Publicação: 2014
Páginas: 288
Skoob

Quem gosta de romances de época vai adorar o novo lançamento da Editora Arqueiro: Ligeiramente Casados. O livro, da autora Mary Balogh, faz parte de uma série de seis volumes, mas, como em outras séries do gênero da editora, traz histórias com começo, meio e fim. Esta obra nos apresenta Eve Morris. Após a morte do pai e a ida do irmão para o exército, ela precisa cuidar sozinha da fazenda da família. Além de administrar a propriedade, Eve abriga em sua casa diversas pessoas consideradas “incapazes” e rejeitadas pela sociedade, que não teriam para onde ir se não fosse a chance dada por ela.

Antes de morrer, o pai de Eve tinha o desejo de ver a filha casada. Para isso, apresentou diversos pretendentes a ela, que rejeitou um por um. Até depois de sua morte o pai insistiu nisso. Se não estivesse casada em um ano, a propriedade seria tirada do nome dela e passada para o irmão Percival. Cinco dias antes de Percy herdar o Solar Ringwood, conforme o acordo estabelecido pelo pai, Eve recebe em sua casa o coronel lorde Aidan Bedwyn, que tem a triste tarefa de informar a ela que Percy, seu subordinado, havia morrido em batalha.

Antes de morrer, o capitão Percival fez um último pedido ao coronel Bedwyn: que desse a notícia à sua irmã e que a protegesse, não importando o que fosse preciso. Depois de chegar em Ringwood e transmitir a notícia à Eve, Bedwyn fica sabendo do acordo que faria com que ela perdesse a sua casa em poucos dias para o terrível primo Cecil. Além de ficar sem um lugar para morar, ela ainda deixaria muitas pessoas, inclusive seus dois filhos adotivos, na rua.

Conhecido pela sua honra e pelo seu senso de dever, o coronel faz uma proposta à Eve. Se ela se casasse com ele dentro do prazo estipulado, ainda teria a sua propriedade e nunca mais precisaria se preocupar com a questão. Além disso, ele também cumpriria a promessa que fez à Percy. Depois da celebração, os dois seguiriam seus caminhos e nunca mais tornariam a se ver. Parecia a solução perfeita para ambos e é essa a ideia que seguem adiante e que dá início ao livro.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Avaliação: 5/5 Editora: Rocco ISBN: 9788532511713 Gênero: Romance histórico, Romance Publicação: 2000 Páginas: 372 Skoob

Uma história de terror na inquisição

O último judeu foi escrito pelo jornalista americano Noah Gordon e publicado em meados de 2000. O livro é narrado em uma das épocas mais terríveis da história da humanidade, a época da contra reforma, ou simplesmente, Inquisição. Sei que o conceito de Holocausto se aplica para a morte dos 6 milhões de judeus que foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial, mas acho que essa seria a palavra perfeita para descrever o que aconteceu, não só com os judeus, mas também com os muçulmanos e com qualquer outra pessoa não ligada à religião católica, na Europa durante a Inquisição, que começou no fim do século XV e matou todo não católico.

Antes de tudo esse livro é uma aula de História para aqueles que querem se aprofundar nesse assunto. É uma magnífica aula para se ter noção de como eram feitas as matanças, de como os não cristãos sobreviviam – se é que sobreviviam – e de como era o contexto social da época também. Por exemplo, foi através dele que eu soube que a cerimônia de casamento de Isabel de Castela, 18, com Fernão de Aragão, 17, foi clandestina. Clandestina porque desafiou o rei Henrique IV de Castela. Ele queria que a meia-irmã de Isabel se casasse com o rei Afonso de Portugal.

Para quem não sabe, Henrique IV não tinha filhos, por isso era chamado de Henrique, o Impotente. Existiam boatos de que ele tinha uma filha ilegítima, mas, quando ele tentou nomeá-la como herdeira, irrompeu uma guerra civil. Todos deixaram de apoiá-lo, principalmente os nobres. Quando Henrique morreu em 1474, Isabel se proclamou, com êxito, rainha de Castela. Em 1479, o rei João II de Aragão morreu, deixando o trono para seu filho, marido de Isabel de Castela, Fernão. Foi ai que ambos que se juntaram para repelir as invasões de Portugal e França. Quando enfim conseguiram o triunfo, se concentraram na guerra contra os mouros, e adivinhem? Foram eles que conseguiram vencer os mouros, que estavam tentando dominar a Ibéria desde 711 d.C.

Foi nessa época que houve a Reforma Protestante e, consequentemente, a Contrarreforma alguns anos depois. A Contrarreforma era resumidamente isso: matar todo não católico, ou seja, herege. Continue lendo »


Avaliação:: 3/5 Editora: #Irado, Cortesia
ISBN: 9788581635033
Gênero: Juvenil
Publicação: 2014
Páginas: 288
Skoob

Pensando em trazer novas opiniões e apresentar para vocês novos olhares a partir de uma mesma obra, esta resenha seguirá um formato diferente. Logo abaixo, vocês encontrarão duas opiniões a respeito de “Minha vez de brilhar“, escrito por Erin E. Moulton. O livro é voltado para o público infantojuvenil, mas nada impede que seja lido e apreciado por leitores mais velhos. Por isso, eu, Camila, de 21 anos, convidei a minha irmã Melissa, de 11, para ler a história junto comigo e compartilhar o que ela achou da obra.

Camila

Avaliação: 3/5

Indie Lee Chickory é um pouco diferente de outras garotas. Fascinada por animais marítimos, ela sabe imitá-los como ninguém e possui até uma lagosta dourada como bicho de estimação. Todas as suas peculiaridades tornam Indie motivo de zombaria na escola. Além disso, ela não leva muito em conta fatores como a aparência, o que faz com que acabe se distanciando de sua melhor amiga, a irmã Bibi. As coisas começam a piorar quando, acidentalmente, ela deixa a lagosta Monty Cola, o tesouro da família, escapar. Pensando ser uma decepção para os pais e a irmã, mais do que nunca ela deseja se tornar uma pessoa melhor.

Para isso, ela busca se reaproximar da irmã tornando-se mais parecida com ela. Até mesmo encontra uma vaga nos bastidores da escola de teatro em que a Bibi estuda. Ao mesmo tempo em que coloca este plano em prática, ela desenvolve outro paralelamente: o de recapturar Monty Cola, que havia voltado para o oceano. Em suas buscas, Indie conhece o garoto Owen, que está lá pelo mesmo motivo, já que deseja ver, ao vivo, uma lagosta daquela rara espécie.  Continue lendo »