AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: ARQUEIRO, CORTESIA
ISBN: 9788580416459
GÊNERO: ROMANCE DE ÉPOCA, ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 304
SKOOB

Dentre todos os Bedwyns, o que eu mais estava curiosa para conhecer a história era Wulfric, o duque de Bewcastle. Nos outros livros da série, pudemos conhecer um pouco sobre o personagem, sempre muito frio e sério, sem demonstrar muitas emoções. Ao contrário de seus irmãos, até os 35 anos ele não tinha dado nenhum indício de buscar uma esposa, muito menos de encontrar o amor. Por isso, quando recebi Ligeiramente perigosos para ler e resenhar, eu estava bastante ansiosa. Será que ele finalmente iria dar uma chance para a sua felicidade?

Comecei a leitura com muitas expectativas e de cara já gostei da nossa protagonista:  a viúva Christine Derrick, que parecia se envolver em milhares de confusões, mas sem perder sua essência e sem se curvar perante a sociedade. Claro que o par perfeito de Wulfric só poderia ser uma mulher que o desafiasse, o enfrentasse e o fizesse querer se tornar uma pessoa melhor. Ela é impulsiva e foge completamente aos moldes do que deveria ser uma duquesa. Seu jeito, aliado ao fato dela ser muito atraente, chama a atenção do duque.

Aos poucos, os dois vão se aproximando e passam a construir uma relação de amor e ódio. Nem Christine nem Wulfric percebem que em todos os momentos que passam juntos, algo bem maior do que atração está surgindo. Entretanto, como os dois são teimosos, não será nada fácil aceitar esse sentimento e dar uma chance para o que está por vir. Apesar de ter gostado muito do desenrolar da trama, confesso que achei que essa parte foi um pouco arrastada, o que me fez demorar bastante para engrenar na leitura e concluir o livro.

Apesar de algumas partes serem um pouco enroladas, é incrível ver a forma como Wulfric se transforma no decorrer do livro. Acho que “se transforma” não é bem a expressão, mas sim como ele “se redescobre” ao encontrar Christine. Ela fala que ele é tudo o que não busca em um marido – frio, sem coração. Para provar o contrário, ele se lembra que antes de ser o duque de Bewcastle, ele é Wulfric Bedwyn, uma pessoa que já teve muitos sonhos e que possui sim muitos sentimentos. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: V&R EDITORAS, CORTESIA ISBN: 9788576839811 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE ERÓTICO, ADULTO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 300 SKOOB

Apesar de gostar bastante dessa série, Homens marcados“, confesso que não crio expectativas muito altas com relação aos livros, pois, apesar de serem bons, eles nos trazem histórias que são bem previsíveis e, em alguns casos, clichês. Todavia, fui surpreendida com esse livro e ele acabou se tornando o meu favorito – até o momento – da série, mexeu comigo de forma incrível.

Chamas do passado nos traz a história de Nash que, assim como seus amigos, é muito mais do que seu exterior tatuado aparenta. Apesar de seu passado como um adolescente até cruel, hoje em dia ele é um cara bem decente e gentil, o pretendente perfeito para qualquer mulher. Mas, assim como todos os protagonistas da série, ele tem seus próprios conflitos pra lidar com uma mãe que, por mais que ele se esforçasse pra ser o filho perfeito, ela não dava a mínima pra ele e um padrasto que o odeia, além do pai verdadeiro que está com um câncer terminal.

Como que por obra do destino, ao acompanhar seu pai no hospital, Nash acaba se reencontrando com seu passado na forma de uma enfermeira bem bonita: Saint. Acontece que nem sempre foi assim, na época da escola Saint era uma menina bem fora dos padrões: gordinha e com cabelo mais armado, ela sempre foi alvo de bullying. Embora sempre tivesse sofrido com as brincadeiras de mal gosto, o que a marcou para vida inteira foi a crueldade vinda do seu amor de escola: Nash. Com isso ela acabou se tornando uma mulher insegura, que não se permitia se entregar completamente em um relacionamento e não se achava bonita. Mas seu reencontro com Nash vem para mudar tudo.

Esse livro quase – mas quase mesmo – desbancou meus queridinhos Rule e Shaw, do primeiro livro. Fiquei apaixonada pelo casal, o relacionamento se desenvolveu de uma forma muito fofa, mas o que eu mais gostei mesmo foi do tema e o modo como a autora o abordou. O bullying, infelizmente, ainda é uma coisa que acontece com frequência e que mesmo quando achamos ser uma brincadeira inocente pode deixar marcas profundas numa pessoa e mudar a vida dela toda, o que foi exatamente o que aconteceu com Saint. Ela se tornou uma pessoa insegura, que sentia medo de se relacionar, que não se achava bonita e que tinha vergonha de si mesma. Através dela a autora conseguiu transmitir com bastante realidade o que é sofrer bullying e, por isso, é impossível não se emocionar, não se identificar e não se sentir um pouquinho que seja de coração partido pela protagonista. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: PLATAFORMA 21, CORTESIA ISBN: 9788550700403 GÊNERO: FANTASIA, ROMANCE, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 360 SKOOB

Atenção: essa resenha pode conter spoilers do volume anterior!

Após os eventos surpreendentes que se passaram em “A maldição do vencedor“, Marie Rutkoski retorna com mais uma trama extremamente bem elaborada feita para surpreender o leitor ainda mais. Confesso que estava bem ansiosa pela leitura e com as expectativas bem altas e fico feliz em dizer que a autora não me decepcionou nem um pouco. Apesar de não ter me conectado de todo com a história no primeiro livro, ainda assim me apaixonei pelo enredo e a habilidade da autora em desenvolver a trama tão bem intrincada e devo mencionar que fiquei surpresa com a autora por ter se superado ainda mais nesse volume.

O crime do vencedor se inicia logo após os acontecimentos finais de “A maldição do vencedor“: Kestrel concordou em casar com o herdeiro do império valoriano e agora sua vida está resumida em jantares e a corte. Mas isso não é Kestrel e logo ela se vê em meio a intrigas e jogos de poder ao tentar ajudar o povo que, há pouco tempo atrás, achava ser seu antigo inimigo: os herranis.

Após o acordo de Kestrel com o império, Arin se tornou líder de Herran e está, mais do que nunca, empenhado em fazer o que estiver ao seu alcance pelo bem do povo dele, mesmo que com o coração partido por não saber as verdadeiras intenções de Kestrel, não saber por qual lado ela realmente luta.

As guerras e as resistências ainda acontecem por todo o território e o jogo político que se iniciou no primeiro volume da série, agora alcança um novo nível. O cenário é outro, os adversários são outros e o jogo está muito mais perigoso – e à altura – do que Kestrel imaginava. Suas habilidades de estrategista serão infinitamente mais testadas agora.

Quando comecei esse livro eu não imaginava que a trama pudesse ficar ainda mais elaborada do que já era, não imaginava que a autora conseguisse expandi-la ainda mais, criando novas vertentes e ampliando a teia de aranha que é o enredo dessa trilogia. Ledo engano. O imperador pode ser ainda mais cruel e manipulador que qualquer adversário de Kestrel já teve e a corte muito mais cheia de jogos de poder, traições e mentiras do que podemos imaginar. E cabe a nossa protagonista aprender a dançar essa nova música, a desvendar os mistérios e jogos que se jogam na corte e ajudar ao povo pelo qual criou tanta afeição. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: BERTRAND BRASIL, CORTESIA ISBN: 9788528622003 GÊNERO: FANTASIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 350 SKOOB

As justas e precisas profecias de Agner Nutter, Bruxa

Após ler meu primeiro livro do Neil Gaiman, há pouco tempo atrás, tenho que confessar que fui pega, como tantos outros, pela maravilhosa escrita do autor. Por esse motivo não hesitei em requisitar Belas maldições à editora e posso dizer que estou positivamente surpresa com a leitura. Apesar de se tratar de um livro sobre o apocalipse, trazendo demônios, anjos e até o anticristo à história, a trama tem um quê de bom humor que me conquistou, e posso dizer até que traz um certo tom reflexivo, pra um leitor mais atento.

Belas maldições narra a história de um anjo, Aziraphale, e um demônio, Crowley (a serpente que tentou Eva), não só tendo a aparência, mas vivendo como humanos. Eles são, respectivamente, representantes de Deus e do diabo, seus olhos aqui na Terra e, após anos de convívio, são companheiros um do outro. Poderia até dizer amigos, que se dão muito bem e apreciam a vida confortável que possuem aqui na Terra. Porém, de acordo com as profecias, o fim do mundo está chegando para mudar isso e ambos, anjo e demônio, decidem se juntar para impedir o Armagedom que acontecerá a forma do Anticristo – um menino de 11 anos que foi trocado na maternidade e não faz ideia de seu papel nisso tudo.

É difícil dizer exatamente o que mais me chama atenção nesse livro: os personagens icônicos, o humor irreverente, a trama inusitada.. São tantos os elementos cativantes nesse livro que fica difícil eleger o que eu mais gostei. O conjunto da obra é algo grandioso, com uma mistura das coisas mais inusitadas e improváveis que você vai ler sobre o fim do mundo. Aposto que você, assim como eu, jamais pensou que o Armagedom pudesse ser tão engraçado.

O livro é dividido em partes e sua narrativa varia o ponto de vista entre os diversos personagens que os autores criaram. Além de que, ele conta com um narrador onisciente cujo papel é nos divertir imensamente com sua ironia acerca acontecimentos pré-apocalipse. Os personagens são inúmeros (o que pode até confundir alguns leitores), mas cada um é tão instigante à sua maneira que nos vemos ansiosos por mais. De fato, os autores criaram representações extremamente inusitadas sobre as grandes estrelas do apocalipse. Os cavaleiros do apocalipse merecem um destaque especial: Fome, Guerra, Morte e Poluição (a peste resolveu sair do ramo após a invenção da penicilina) foram muito bem representados na forma de motoqueiros (temos até uma mulher!) que apreciam bastante uma ironia e destroem o mundo aos poucos. Continue lendo »

sábado, 5 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA ISBN: 9788555340338 GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO, LGBT PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 384 SKOOB

Fera foi um livro que me despertou a curiosidade logo que saiu a sinopse. Apesar de um romance adolescente, possuía uma proposta um pouco diferente: apresentar o relacionamento de uma menina transgênera com um garoto que é conhecido como Fera por sua aparência. Confesso que fico feliz com o reconhecimento e a presença cada vez mais forte de livros que abordem tais temáticas. Além disso, o livro prometia ser uma releitura do conto de fadas “A Bela e a Fera“. Tem como não se empolgar com a história?

Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando o garoto conhece Jamie em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é engraçada, inteligente, linda e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que o garoto não sabe é que Jamie não é como a maioria das garotas de quinze anos: ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros possam pensar, ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

Como disse no início da resenha, nos últimos tempos temos uma presença cada vez mais recorrente de livros que abordem questões referentes ao universo LGBT. Recentemente li outro livro que abordava um mesmo universo, só que em outra época: “A garota dinamarquesa“. A proposta era totalmente diferente de Fera, mas mostra a importância de livros assim e a maneira com a qual vão lidar. No caso de Fera, o ponto de partida é um romance adolescente como qualquer outro, mas acaba se desenvolvendo numa história de superar os preconceitos.

Dylan não é o melhor dos protagonistas. Se você imagina um garoto romântico e bem humorado, está bem enganado. Ele tem um humor azedo e costuma ser bem irônico quando quer. E arrisco dizer que esse foi o ponto que mais me fez gostar do personagem. A situação em que ele está, afinal, não é todo adolescente de 15 anos que tem quase dois metros de altura e um monte de pelos no corpo, torna ele tão humano e não tão idealizado. Todo adolescente quer apenas uma vida normal, amigos e quem sabe uma namorada. E Dylan quer tudo isso. Quando conhece Jamie, acredita que talvez ali possa haver um recomeço. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: PAZ & TERRA, CORTESIA ISBN: 9788581052779 GÊNERO: HISTÓRIA, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 332 SKOOB

Operários, mulheres, prisioneiros

Os excluídos da história é um clássico em termos de historiografia. Publicado no Brasil inicialmente em 1988, a obra de Michelle Perrot apresenta uma proposta pouco usual no período, ao tratar de setores da sociedade ditos menores, logo, sem o direito de serem considerados parte da história. São eles as mulheres, os operários e prisioneiros. Antes mesmo da publicação da obra, Michelle Perrot já escrevera artigos acadêmicos sobre tais personagens, demonstrando assim, um grande interesse na temática.

Não quer dizer que operários, mulheres e prisioneiros já não fizessem parte da história. Pelo contrário, até faziam. O problema é você dar protagonismo a eles. Uma coisa é você escrever uma história de uma fábrica sob o ponto de vista do patrão e da produção. Outra coisa é você propor a mesma história, mas dando voz aos operários e às relações destes com o patrão e o sistema imposto. Da mesma forma com os outros dois grupos. E é essa a proposta do livro de Perrot.

O livro é dividido em três partes, respectivamente a cada grupo, sendo elas constituídas por artigos. De maneira geral, a autora aborda os personagens na França do século XIX, detendo-se em pontos específicos, que possibilitam ter uma dimensão mais ampla. Procura trazer práticas do cotidiano, possíveis pensamentos correntes e visões de mundo. Por exemplo, a parte destinada às mulheres faz uma retrospectiva de todo um imaginário em torno da figura feminina e como ele foi construído ao longo do tempo. Pontos como a questão da exclusão delas na sociedade e o papel numa relação matrimonial são abordados no livro. Continue lendo »

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788581052779 GÊNERO: BIOGRAFIA, AUTOBIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 256 SKOOB

Grandes escritores possuem uma aura em torno de si que nunca paramos para pensar que são seres humanos iguais a gente. Lemos suas histórias e os conhecemos por meio de seus personagens e tramas. Stephen King é um exemplo disso. Autor cultuado no mundo todo por suas histórias de terror, King é mestre em contar histórias e criar tensões que eu pelo menos, nunca havia parado para pensar como conseguia. Até conhecer o presente livro. Sobre a escrita é um livro totalmente diferente de tudo que ele já escreveu e mostra outro lado do autor.

Stephen King pensa o próprio ofício de escritor, entremeando com suas memórias e vivências. Num primeiro momento, intitulado “Currículo”, o autor faz um retrospecto de toda a sua vivência, onde podemos conhecer momentos decisivos em sua vida, que acabaram influenciando na figura que ele é hoje. Sua infância, adolescência e o casamento com Tabitha, sua atual esposa, são alguns dos elementos que perpassam as páginas do livro e que trazem ao leitor uma dimensão mais íntima de quem escreve. Não tem como não se envolver e se emocionar no momento em que o autor conta quando jogou fora as páginas de “Carrie, a estranha“, Tabitha as resgatou e o incentivou a continuar a escrita. Isso até o momento em que consegue publicar. Não tem como não conhecer momentos difíceis de sua vida e que influenciaram a escrever grandes sucessos, como “Misery“, e não conseguir ler o mesmo com um olhar diferente.

O segundo e terceiro momentos, intitulados “Caixa de Ferramentas” e “Sobre a escrita”, são desenvolvidos no âmbito da prática da escrita. Mas se você imagina um manual de como escrever, ou uma sequência de regras, está enganado. O autor utiliza uma linguagem que torna a leitura muito mais atrativa e até divertida, arrancando algumas risadas do leitor. É como se fossem sessões de conversa com um velho conhecido. Se tiver algo a criticar, vai lá e critica. Como por exemplo, King acha o uso de advérbios na escrita totalmente desnecessário, ao mesmo tempo em que não confia em textos que são escritos em voz passiva. Além disso, elenca uma série de pontos que ele julga necessário para a escrita de um romance, como pesquisa, diálogos, pano de fundo, a existência de um leitor ideal e quantas revisões são necessárias em um romance. Segundo ele, grandes histórias podem nascer de uma simples pergunta: e se uma mãe e um filho ficassem presos num carro por causa de um cão raivoso? Continue lendo »

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 3/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928532 GÊNERO: THRILLER, POLICIAL PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 296 SKOOB

O desaparecido foi aquele livro que caiu nas minhas mãos ao acaso, sem saber muito sobre o que se tratava (além da sinopse), muito menos do autor. Apenas que era um thriller israelense, o autor era especialista em literatura policial, motivos suficientes para solicitá-lo. Quando chegou, fiquei surpreso pela edição cuidadosa, sendo ele em páginas brancas com a lombada em laranja. Apesar disso, a leitura demorou um pouco para ser realizada e quando foi, poderia ter sido um pouco melhor.

Ofer é um jovem que divide seu dia a dia entre o colégio e atividades extracurriculares, como qualquer menino da sua idade faria. Até o dia em que ele desaparece misteriosamente. Sua mãe vai até a polícia pedindo ajuda e seu caminho se cruza com o do detetive Avraham Avraham. A princípio, o detetive acredita que tem uma simples tarefa pela frente, como costumam ser os inquéritos na região. Todavia, um outro personagem entra na história, o professor do garoto, e o detetive se vê numa complexa e perigosa investigação, que o fará questionar sua própria ideia de violência.

A proposta do livro tinha tudo para garantir uma leitura instigante e eletrizante. No entanto, me deparei com algo totalmente diferente, o que me causou um certo estranhamento e fez com que o ritmo de leitura fosse um pouco mais lento. Ao contrário de tantos outros livros do gênero que possuem um desenvolvimento mais ágil, Dhor Mishani aposta em algo mais psicológico, procurando explorar outros pontos dos personagens. De um lado temos o detetive, que leva uma vida pacata sem grandes emoções e, de outro, temos personagens como o professor de Ofer, um indivíduo que não conseguimos sacar qual é a dele.

Pode ser uma proposta diferente e algo positivo, mas não funcionou tão bem quando se esperava. Senti uma falta de encadeamento no mistério em si, sendo este deixado em alguns momentos de lado. Não consegui divisar um começo, meio e fim, apenas possibilidades de algo que poderia vir a ser. E o fato de ser uma leitura mais lenta acabou que fazendo com que não houvesse uma concentração tão grande. Não havia aquelas revelações aos poucos que fizesse a gente ir em frente e saber o que aconteceria em seguida. Continue lendo »

terça-feira, 1 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535928112
GÊNERO: CONTOS
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 532 SKOOB

A Companhia das Letras nos apresenta uma excelente obra, com uma seleção de 43 contos da escritora americana, Lucia Berlin.

O quarto conto, Manual da faxineira, é o que intitula o livro. A capa está toda em pontilhismo, técnica muito usada nos anos 50 pelo movimento Pop Art, as cores também remetem àquela época, despertando a curiosidade, é possível distinguir um aspirador antigo da marca Hoover.

Ao iniciar a leitura, uma onda de estranheza quase me afogou, porém fui me habituando com o estilo inusitado da escritora, quase sempre realista demais, às vezes com finais para mim sem sentido ou incompletos, ela simplesmente conseguiu abalar toda a familiaridade e o conforto que sinto ao ler um livro. Mas, ao mesmo tempo que isso parece ruim, é bom, porque nos leva a refletir sobre os temas abordados nas histórias (velhice, solidão, alcoolismo, traição, aborto, morte, problemas familiares…), que de uma forma ou de outra fizeram parte da vida dela. Depois de alguns contos iniciais, percebi estar cada vez mais ávida em continuar lendo, louca para julgar cada uma das histórias.

Durante as mais de 500 páginas, Lucia menciona objetos, produtos, marcas (Jim Beam, Greyhound, Thunderbird, Kool); lugares (El Paso, Nacogdoches, Texarkana, Mullan, Algarrobo, Baton Rouge, Albuquerque, Púcon); comidas (huevos rancheros, chilaquiles); plantas (delfínios, cosmos, tentilhões, bougainvilleas, alcaçuz, turfa); animais (bacaraus, moreia, pargo, grous); autores (Mishima, Tchekhov, Sartre, Keerkegard, Keats); filmes e programas de televisão (Beau Geste, The odd couple, Mildred Pierce, Leave it to beaver, Papai Batuta); músicos e músicas (Ornette Coleman, Siboney, La vie en rose); arte, mitologia (Sísifo, Laocoonte); medicamentos e procedimentos hospitalares (Nembutal, Fenobarbi, cobaltoterapia, colostomia, Metadona), termos hispânicos (pachucos, chicanos, mariachis, huasos); alguns termos franceses (enchanté, connaisseur, tempus perdu, thés dansants), e também algumas palavras desconhecidas para mim (butins, carfologia, meeiro, palimpsesto, bagana). Com tudo isso, é fácil concluir que a autora possuía uma bagagem cultural excepcional, apesar de ter me sentido um pouco perdida, talvez fosse diferente se eu tivesse vivido na mesma época de Berlin, por isso, decidi pesquisar alguns desses itens para captar com mais profundidade cada coisa mencionada por ela. Puro interesse, friso que é possível ignorar tudo isso e entender com clareza o que está sendo contado. Continue lendo »

segunda-feira, 31 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: CHIADO, CORTESIA
ISBN: 9789895198146
GÊNERO: FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 484 SKOOB

“Sonhamos, planejamos, estudamos, pesquisamos, analisamos os dados e sempre concluímos algo. Por que? Ou para que? Porque sempre pensamos além. Estamos sempre prontos ao próximo desafio.”

Will é professor universitário e pesquisador árduo de física e astronomia. Sua vida é bem solitária, mantendo próximo somente seu amigo de longa data Hamilton e sua esposa, e com visitas esporádicas aos seus pais que moram em outra cidade.

É uma vida bem rotineira entre trabalho, pesquisa e jantares solitários no restaurante da esquina. Até que um dia sua mais recente descoberta de um novo planeta o coloca na mira de uma sociedade secreta e eles podem financiar  seu sonho de infância de realizar uma viagem interestelar. A verdade é que Will escondeu até mesmo de seu parceiro de pesquisa que em tese conseguiria acelerar um corpo na velocidade da luz sem desintegra-lo. Isso mesmo amantes de ficção cientifica! Não só seria possível viajar pelo espaço até os mundos mais distantes como, meu coraçãozinho me diz que, seria possível até a viagem no tempo! O/

Se a vida de Will já ficou bem agitada com seu trabalho secreto,tudo toma o rumo mais inimaginável quando em uma palestra sobre a importância da ciência espacial para o mundo ele recebe críticas sobre os valores altos de financiamento dos programas espaciais enquanto várias necessidades humanas eram deixadas de lado. E mais inimaginável ainda: ele recebe a confirmação de uma mensagem que viu em seu sonho sobre a necessidade de salvar o povo de Caxemira.

Mesmo sendo um homem da ciência, Will é um homem muito cristão e todos os sinais de sua obra na terra vão sendo revelados para que ele cumpra sua missão, que esta intimamente ligada a região de Caxemira. Continue lendo »