segunda-feira, 28 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS , CORTESIA ISBN: 9788581050836 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO PÁGINAS: 224 PUBLICAÇÃO: 2012 SKOOB

A casa que amei foi um título que decidi ler ao acaso, pois o achei bem interessante. Embora tenha o lido primeiro e posteriormente “A chave de Sarah“, que aliás já tem resenha aqui no blog (Confira aqui!), porém só agora estou compartilhando minhas impressões com vocês. E não me arrependi. Por ser um livro curto, não pretendo me alongar muito.

Tatiana  de Rosnay nos leva a um tempo distante, em que Paris passa por uma revitalização brusca, mas que definiu o que conhecemos hoje. O imperador da época, Napoleão III, dá ordens ao Barão de Haussmann para realizar mudanças que acabam mudando a cara da antiga capital e a transforma em outra totalmente diferente. Gerações e histórias do passado são apagadas, mas alguém no meio de todas as pessoas é contra tudo isso.

Rose Bazelet vive em sua casa, quando fica sabendo da notícia. Disposta a enfrentar e evitar que isso aconteça, ela se esconde no porão de sua casa. Sua única companhia é um maltrapilho, Gilbert, que lhe faz companhia e lhe traz comida. Como maneira de passar o tempo, ela escreve cartas ao marido falecido, Armand, relembrando tudo o que havia passado nos últimos tempos. Só que ao mesmo tempo que ela luta pela preservação de sua memória, ela tem que enfrentar um segredo do seu passado que pode mudar a sua vida.

Posso dizer que o mais me encantou foi a capa e principalmente a sinopse. Passei um semestre estudando a importância de preservar o passado e dar atenção aos “marginalizados” e esquecidos. Quando li a sinopse deste livro, na mesma hora pensei nas minhas aulas. Ler A casa que amei é uma maneira de reviver tudo que aprendi e o que posso ainda compreender.

A narrativa de Tatiana de Rosnay é fluida e sentimental ao mesmo tempo. Apesar de serem cartas para o marido, conforme a história adentra, se torna quase que um diário. Os conflitos e sentimentos da personagens, as relações com os filhos, o amor que ela sentia pelo marido são coisas que tornam o livro belo e gostoso de ser lido. Continue lendo »

domingo, 27 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788556510334
GÊNERO: TERROR, THRILLER
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 480
SKOOB

Stephen King não era um autor que eu tinha o hábito de ler. Todavia, nos últimos tempos acabei dando oportunidade para algumas obras clássicas do autor, que me fizeram ter outra dimensão do seu trabalho. Só esse ano, foram três leituras feitas do autor, sendo duas muito boas e a terceira aquela que venho aqui comentar sobre. A zona morta é um dos clássicos do autor, que ganhou uma nova edição, diga-se de passagem, muito mais atrativa.

Depois de quatro anos e meio em coma por causa de um acidente de carro, John Smith acorda acompanhado de poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro, nada está fora de alcance. Basta um toque e ele descobre mais do que jamais quis sobre as pessoas. O que pode parecer para o mundo um dom, para John é apenas uma maldição. Ele não desejou isso, e no entanto, não pode se livrar das visões. Logo, o que fazer quando, ao apertar a mão de um politico em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?

As propostas de Stephen King são um pouco diferentes do convencional. Para quem tiver interesse, Sobre a escrita é um bom livro para situar a obra do autor no tempo, associando a sua trajetória individual. Nesse sentido, A zona morta foi escrita num período de efervescência criativa, por volta dos anos 80 e até hoje é lembrado como um dos mais fantásticos livros do autor. No entanto, o que poderia ser algo bem trabalhado, tornou-se extenso e um pouco cansativo.

Apesar da sinopse ser direta e pontual, o desenvolvimento do livro se mostrou mais amplo que eu imaginava. E foi justamente nesse ponto que me desagradou. Não sou uma pessoa que se anima a ler livros extensos, a não ser que goste do autor ou algo do tipo. A zona morta tem quase 500 páginas, mas que poderiam ser resumidas um pouco. A primeira parte até o momento em que John acorda com poderes flui de maneira satisfatória. O que vai causando um certo estranhamento é a parte final do livro. O ponto alto da história, que na sinopse é a pergunta deixada ao final, ocorre apenas no último terço do livro e demora muito para ganhar fôlego. O que acontece? A leitura se mostra arrastada e um pouco cansativa. Continue lendo »

sábado, 26 de agosto de 2017

Avaliação: 4/5 Editora: Companhia das Letras, Cortesia ISBN: 9788535928747 Gênero: Thriller, Suspense, Policial Publicação: 2017 Páginas: 584 Skoob

A Suécia se tornou uma referência por criar bons livros de romance policial, especialmente depois do lançamento da trilogia “Millennium”, escrita por Stieg Larsson. A garota-corvo segue este mesmo caminho. O livro é também uma trilogia, mas foi lançado pela Companhia das Letras em um único volume. Escrito por Jerker Eriksson e Håkan Axlander Sundquist, a obra, no entanto, é assinada pelo pseudônimo dos dois, Erik Axl Sund.

Na obra, a detetive Jeanette Kihlberg é a responsável por desvendar uma série de assassinatos envolvendo meninos em Estocolmo, capital da Suécia. Os meninos são encontrados em estado de mumificação após terem sofrido os mais terríveis abusos que se possa imaginar. Acontece que as crianças são imigrantes, sem registro de suas origens, o que dificulta a investigação.

Jeanette então conhece a psicóloga Sofia Zetterlund, que é especialista em recuperar crianças que sofreram grandes traumas ligados à violência. As duas acabam se envolvendo profissional e pessoalmente. Ambas estão passando por momentos difíceis em suas vidas amorosas e familiares, além de terem que provar seu valor profissional diariamente trabalhando em ambientes machistas.

Ao longo das páginas, percebemos que esses assassinatos envolvem um problema social muito maior. A comparação entre “Millennium” e “A garota-corvo” é inevitável: ambas as histórias tratam de temas bastante complexos e pesados, de pedofilia à corrupção. Além disso, as principais personagens femininas têm vidas marcadas por muito sofrimento, mas possuem personalidades extremamente fortes e são muito inteligentes. Outro ponto em comum é o estilo da narrativa. Estamos falando de obras longas, com mais de 500 páginas, que possuem muitos personagens e é necessária muita atenção do leitor nos pequenos detalhes.

É preciso ser sincera, entretanto, e dizer que A garota-corvo tem diversos méritos, mas está abaixo dos livros de Stieg Larsson. É duro competir com uma personagem como Lisbeth Salander, que encantou muita gente também no cinema. Por isso, vá com calma na expectativa. Continue lendo »

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA ISBN: 9788551002063 GÊNERO: TERROR, THRILLER PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 320 SKOOB

Eu não li o livro de estreia do autor Josh Malerman, “Caixa dos Pássaros”, porém é um livro muito bem recomendado pela maioria que já leu, inclusive tem resenha no blog (Confira aqui!). Isso deixa o autor Josh Malerman com o que eu chamo de poder da capa. Aquela história de não julgar um livro pela capa é balela para quem curte livros e principalmente ama capas, acabamento etc. O poder da capa está em elementos bem colocados que dão o instinto de posse assim que você o vê. Teste. Acontece comigo. Colocar nomes que deram certo na capa de um livro de um gênero que deu certo… é sucesso na certa!

Vamos à história: Philip Tonka e sua banda, os Danes, serviram no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Eles eram a banda militar, porém não deixaram de viver a guerra. De volta para casa se tornam os queridinhos e fazem músicas que estouram em audiência. Os anos vão passando e o sucesso empaca. Eles ainda são conhecidos, mas não super famosos, há muitas bandas emplacando.

O ano agora é 1957. A banda se refugia num espaço mais afastado da cidade e começa a ajudar novas bandas. Esse é o plano de Philip, ficar no que ele chama de Caminho. Não é bom e nem ruim… é só o Caminho.

A rotina é quebrada quando Jonathan Mull, notadamente do exército, os procura para oferecer uma missão secreta: encontrar um som que está em algum lugar em um deserto da África. Um som misterioso que tem a capacidade de desarmar uma ogiva nuclear. Um som que quem ouve não quer mais ouvi-lo. A banda topa e eles vão para a aventura.

O livro é intercalado entre passado e presente. No passado conta como a banda foi parar no deserto e o que viveram lá. O presente mostra Philip Tonka paralisado num leito de hospital com praticamente todos os ossos do corpo quebrados, deformado, tentando lembrar como foi parar lá e o que aconteceu com seus amigos da banda. Continue lendo »

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA
ISBN: 9788551002346
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 320
SKOOB

Amor e Gelato é um daqueles livros que esperamos ser bem água com açúcar: uma história nada extraordinária, mas suficientemente gostosa de acompanhar pra valer o tempo investido na leitura. E de certa maneira ele é isso mesmo, um livro daqueles bem leve e doce, mas ao mesmo tempo é muito mais do que isso, e acaba nos surpreendendo com os rumos que a história toma.

Lina acabou de passar por um dos momentos mais difíceis da sua vida: perder a mãe para um câncer. Não fosse a dor da perda suficiente ela ainda tem que cumprir (meio a contragosto) a última promessa que fez a ela e embarcar em uma viagem à Florença a fim de conhecer o pai biológico – Howard. Além de ter de ir a um lugar estranho, passar um tempo com um homem sobre quem não sabe nada, Lina ainda descobre que a própria mãe não era exatamente quem ela pensava que era. Ao ler um diário deixado por ela e passar um tempo na cidade que a própria mãe viveu, Lina vai descobrir muitas coisas sobre a vida da mãe e sobre a própria vida.

São tantas coisas doces nesse livro que não sei nem por onde começar. Primeiro, como uma amante de viagens, que ama ler sobre e planejar conhecer novos lugares, simplesmente amei conhecer Florença pelos olhos de Lina. A cidade tem um papel importante na história, e não tem como negar que tem um charme nato, que conquista não só a protagonista como também o leitor.

É no mínimo interessante acompanhar como Lina redescobre a própria mãe por meio do diário dela e da cidade. Ela começa a mergulhar à fundo na história e nos momentos importantes que a mãe viveu ali, e, dessa maneira, percebe que uma vida em Florença pode não ser tão ruim como ela esperava. Aliás, é uma delícia acompanhar as duas vertentes da história: uma da própria Lina descobrindo uma nova vida em Florença, e uma da mãe dela fazendo o mesmo tantos anos antes.

Outro ponto positivo é o modo como a protagonista amadurece ao longo da história. Ela passa de uma menina receosa, birrenta e mimada à uma menina sem tantas desconfianças, agradecida pelo que tem e que aprendeu a viver uma nova vida, em um lugar e uma cultura diferente. Continue lendo »

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501109316
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 280
SKOOB

Cadu e Mari foi um livro que chegou as minhas mãos ao acaso, sem saber ao certo o que esperar. Já havia ouvido falar da autora de outros livros seus, mas nunca tinha tido a oportunidade de ler algo. Apesar disso, aparentava ser um livro tranquilo, com uma história fluida, própria para ser feita em poucas horas. Foi exatamente o que encontrei, porém alguns fatores a tornaram não tão prazerosa assim.

Mariana tem uma vida promissora. É assistente pessoal de Carlos Eduardo, Cadu, diretor da revista Be, uma badalada revista de moda, tendo um bom salário e oportunidades para crescer na vida. Porém tem uma queda pelo chefe. Está completamente apaixonada por ele, sem saber como agir ou definir seus sentimentos. Todavia, ambos vivem em mundos completamente diferentes, e a garota sabe que as chances de Cadu olhar para ela como além de uma assistente são mínimas. Até o dia em que o destino resolve agir e Cadu acaba mudando sua visão de Mariana. Um romance acontece, mas como nem tudo são flores, algo pode abalar essa relação.

A escrita de A. C. Meyer é fluida e rende. Porém, por mais rápida que seja, ela acaba se tornando imatura. É como se as descrições de personagens, mas também fatos, não seguissem uma naturalidade que deveria ocorrer. Em alguns momentos, tive a sensação de estar lendo um livro principiante, apesar de eu saber que não era o caso. Coisas que poderiam ser mais desenvolvidas acabam ficando restritas a poucos capítulos.

Os personagens são bem delineados, levando em consideração que são caricatos de outros livros. No entanto, o ponto da narrativa toca também no relacionamento dos dois. Por mais que eu saiba que o livro seja ficção, ainda assim você espera algo chamado verossimilhança. Pode haver fadas, duendes durante a história, mas dependendo da maneira que você a conta aquilo lhe torna normal, não causando nenhum estranhamento. No caso de Cadu e Mari, o romance entre os dois se tornou um pouco forçado para mim, chamando a atenção que o livro não tinha nenhum elemento sobrenatural. Era apenas uma história normal de um casal que se apaixona. Mas o se apaixonar não significa que em pouco mais de um dia você esteja completamente alucinado por aquela pessoa. As atitudes dos personagens me causaram certo estranhamento, do tipo que você fica até questionando a veracidade da história. Continue lendo »

terça-feira, 22 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: GALERA, CORTESIA
ISBN: 9788501109286
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 266
SKOOB

Em várias resenhas que escrevi aqui no blog já deixei muito claro o quanto eu adoro comprar um livro só porque achei a capa bonita. É uma coisa que não consigo controlar, elas me chamam e me prometem o mundo rs, e mais uma vez isso aconteceu. Quando vi o catálogo da Galera Record me apaixonei pela capa do livro Londres é nossa! e decidi que eu precisava muito descobrir a respeito desta história. Para meu grande alívio e felicidade, eu fiz uma ótima escolha, pois esse título ganhou meu coração. <3

Narrado em primeira pessoa, o livro nos conta a história da jovem Sunny, que descobriu de uma maneira trágica que seu lindo namorado Mark não é quem ela pensava que era, e agora ela e seus amigos estão soltos por Londres procurando por Mark, em uma madrugada onde coisas inesperadas, maravilhosas e às vezes perigosas estão acontecendo.

A autora Sarra Manning conseguiu trazer para essa história, um espírito jovem e aventureiro que há muito tempo eu não encontrava em um livro. Tudo é tão vivo e tão intenso que a leitura se torna um grande prazer e é muito bacana acompanhar a aventura de nossa protagonista, tentando encontrar seu namorado para finalmente confrontá-lo.

É quase impossível não se identificar com Sunny. Ela fez eu me lembrar da época do colégio, onde as coisas pareciam tão mais trágicas e as dores tão mais intensas do que eram na realidade. Isso tornou a leitura muito mais divertida e real, pois todos nós já passamos por essa fase onde tudo é mais intenso e a urgência para fazermos as coisas não nos deixam pensar claramente.

Outro grande acerto da autora nesse livro foi sem dúvida nenhuma a construção dos personagens. Todos são únicos e essenciais para a história, destaco aqui a dupla Vic e Jean-Luc, dois franceses que foram os principais companheiros da busca de Sunny. Além de serem ótimos amigos para a nossa protagonista, eles também foram os responsáveis por vários momentos cômicos na história e ganharam a minha simpatia logo de cara. Também gostei muito da personagem Emmeline, ela é a melhor amiga de Sunny e possui uma personalidade muito forte que trouxe luz e razão para a nossa protagonista, nos momentos em que ela precisava colocar os pés no chão e encarar a realidade. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 2,5/5
EDITORA: NOVO CONCEITO
ISBN: 9788581638300
GÊNERO: FANTASIA, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 415
SKOOB

Atenção: essa resenha pode conter spoilers do volume anterior!

Depois de um bom tempo longe da trilogia “Splintered”, finalmente li a última parte da história de Alyssa, uma jovem que descobriu ser metade intraterrena e rainha do País das Maravilhas. Com tantos altos e baixos, essa trilogia sempre me intrigou e me fez ficar dividida sem saber se gosto ou não da saga que transformou a clássica história da jovem que cai na toca do coelho em uma aventura sombria.

O título Qualquer outro lugar, que fecha a trilogia, se inicia do ponto onde “O lado mais sombrio” terminou, com Alyssa de volta com o pai enquanto sua mãe, Jeb e Morfeu ficaram presos no mundo mágico. Agora Aly precisa encontrar um jeito de voltar para o País das Maravilhas e salvar seus amados de Qualquer Outro Lugar, reino onde os intraterrenos expulsos do País das Maravilhas são mantidos.

Mas essa não é a única tarefa que Aly vai precisar enfrentar, ela também precisa salvar o País das Maravilhas das garras da Rainha Vermelha para restaurar o equilíbrio dos reinos e finalmente tomar seu lugar de rainha.

Narrado em primeira pessoa, o desfecho da saga torna-se muito mais uma história de triângulo amoroso do que uma aventura em um mundo mágico. Em todo o momento acompanhamos Alyssa confrontando seus sentimentos e tentando decidir quem de fato ela ama, Jeb ou Morfeu. Toda essa situação amorosa acabou tomando muito espaço na trama, e apesar de ser algo muito importante para história, me irritou demais todo esse lenga lenga de “com quem devo ficar?”.  Continue lendo »

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: BIBLIOTECA AZUL, CORTESIA ISBN: 9788525063274 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO PORTUGUESA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 192 SKOOB

O livro pode ser fino, mas sua história passa longe da leveza e superficialidade. A desumanização, de apenas 192 páginas, é um relato cruel, inquietante e sensível. Porém, ao mesmo tempo em que traz assuntos um tanto pesados, o português Valter Hugo Mãe imprime uma poesia sem igual na obra, tornando-a bastante tocante e bonita.

Ambientado em uma pequena aldeia da Islândia, o livro conta a história da pequena Halla, que com onze anos perdeu sua outra metade, a irmã gêmea Sigridur. A obra é um relato, narrado em primeira pessoa, de como Halla tenta reencontrar a si mesma após a morte da irmã. Ela, que se sente muito perdida, tem que lidar também com a ruptura da própria família, já que a mãe não aceita a morte da filha e o pai fica desnorteado com a situação.

Buscando o seu sentido na vida, Halla tenta sobreviver, embora se sinta como a “menos morta”. Em sua própria solidão, ela lida com diversas situações, como a crueldade da mãe, que quase não suporta olhar para a filha que está viva. Seu único aliado em casa é o pai poeta, que tenta explicar para a filha que nós somos o que nós vemos, portanto, é preciso buscar a beleza da vida. Além de explorar a situação de dentro da própria casa, o autor insere as reações dos poucos moradores da aldeia e de que forma lidam com a pequena.

Em meio a seus percalços, Halla aproxima-se de Einar, um rapaz do qual vivia fugindo, entre brincadeiras, junto com a irmã. Como o achavam nojento e grotesco, Sigridur pediu, antes de morrer, que Halla nunca desse atenção para ele. Porém, devido aos tristes acontecimentos, é em Einar que a pequena Halla busca consolo. Juntos, os dois estranhos buscam um complemento. É com ele que ela passa a amadurecer e deixa de ser uma criança. E, nela, Einar reencontra a esperança.

O romance de Valter Hugo Mãe mantém o lirismo e a poética de suas outras obras. Desnudando o interior de Halla, o autor expõe a personagem e suas principais batalhas e faz com que o leitor sinta-se arrebatado pela menina, que amadurece muito rápido perante as situações vividas. É difícil não se comover com tanta dor sentida por ela. São inúmeros os sentimentos que a leitura desperta. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ARQUEIRO , CORTESIA ISBN: 9788580417036 GÊNERO: THRILLER, POLICIAL PÁGINAS: 332 PUBLICAÇÃO: 2017 SKOOB

Eu adoro um bom romance policial. E quando a Editora Arqueiro apresentou o livro O boneco de pano como um dos lançamentos desse ano, eu fiquei muito curiosa. Inclusive fui ao evento promocional do livro no Escape 60 (você pode dar uma conferida aqui!) E não tinha como não querer ler só de ver a instigante chamada da capa:

Um corpo. 
Seis vítimas.

Como assim?!

É assim: um corpo é encontrado, mas a deformidade dele é sobre ele ser composto por partes de seis corpos diferentes. Um “boneco de pano”. Muito medonho. Cada parte tem algo para que descubram quem era a vítima. E o pior é que o assassino entrega de mão beijada a lista das próximas seis vítimas e a data de suas mortes. O último nome é do detetive Wolf. Começa uma corrida contra o tempo.

Obviamente o detetive Wolf é escalado para fazer parte das investigações. Sua equipe é pequena em relação a quantidade de trabalho que precisa ser feito para garantir que as próximas vítimas fiquem em segurança. Eles têm a lista dos nomes da próximas vítimas, dois eles tem certeza de quem são, mas e os outros?! E o boneco de pano, ou seja, as outras seis vítimas, quem eram? Algo as relacionam? Como não deram falta dessas pessoas, já que o assassino teve tempo para matá-las, cortá-las, costurá-las e pendurar num apartamento vazio como se fosse uma vitrine?! Eu disse que era medonho.

Com dias e horas contados, Wolf e sua equipe se debruçam sobre o caso e mais mortes vão acontecendo de forma tão orquestrada que parece que o serial killer é mais do que um maníaco: ele é inteligente, elaborado, sagaz e não tem medo nenhum de se expor, tanto que ele tira fotos de acontecimentos e manda para a mídia ou para a equipe de investigação. Continue lendo »