Avaliação: 4/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535927399
Gênero: Ficção brasileira
Publicação: 2016
Páginas: 216
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Como se estivéssemos em palimpsesto de putas. A primeira coisa que me atraiu a atenção neste livro foi o fato de que ele aparecia em várias listas de blogs e suplementos literários como um dos melhores de 2016. De fato, no ano em que foi publicado ele conquistou o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria Literatura: Romance/Novela. A segunda coisa que me chamou a atenção foi o título. O que seria palimpsesto? Uma palavra que eu nunca tinha ouvido falar, mas parecia carregada de significado. Bastou isso para que eu solicitasse o livro à editora Companhia das Letras para resenha. Não sei bem porque demorei tanto para enfim concluir a leitura. Acho que é porque eu já sabia a grandeza da obra e tinha um certo receio de enfim devorar suas páginas. Entretanto, acho que tudo tem a sua hora e eu não podia ter escolhido hora melhor para lê-lo.

A história fala sobre o encontro de dois desconhecidos num quente verão do Rio de Janeiro. João acaba de se divorciar e está trabalhando em uma editora quase falida com a missão de informatizá-la. Já a nossa narradora, sem nome, é uma designer que está em busca de emprego. Para diminuir as despesas de moradia, ela divide o apartamento com uma prostituta, Mariana. Ao saber que a designer divide o apartamento com uma mulher, João passa a acreditar que ela é lésbica e que já viveu muitas experiências. Ele, então, que se acha muito transgressor e evoluído, passa a narrar para ela as noites que passa com prostitutas.

Assim, nasce uma relação nada comum, em que nossa narradora vai, todas as tardes, ao escritório de João, para ouvir suas histórias. Só que João, apesar de falar muito de si, deixa muitas lacunas em aberto, o que faz com que ela, aos poucos, vá imaginando e criando hipóteses e finais para o que não é dito. Aqui, cabe dizer a vocês o significado de palimpsesto, caso não conheçam: papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro. A curiosa palavra no título, então, tem forte significado na obra de Elvira Vigna. Primeiro, remete à João, que a cada nova aventura “apaga” a anterior, sem se recordar direito dos detalhes, mas sem exclui-la completamente. Depois, e ainda mais evidente, à designer, que vai reescrevendo, de certa forma, tudo o que lhe é contado.

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AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: VALENTINA, CORTESIA
ISBN: 9788558890526
GÊNERO: HISTÓRIA, NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 196
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Tudo sobre os 100 anos que mudaram a humanidade em 200 páginas!

Quando eu abri o livro já senti a organização exemplar que tanto elogiei no livro que li anteriormente, História da Ciência para quem tem pressa , da mesma série. Então percebi que a história do século 20 foi organizada e escrita pelas mesmas autoras do livro de ciências, Nicola Chalton & Meredith MacArdle. O que posso dizer: elas arrasam! A editora Valentina cumpre o que promete nessa série!

Eu já não estava mais com o preconceito de que não daria pra contar nada em 200 páginas. Conhecendo o estilo do livro, deu uma pequena ansiedade para saber como seria conduzido.

Então vamos lá: por onde você começaria a história do século 20? A saída do velho mundo! Quando lemos assim, mesmo que no panorama geral, dá pra entender o por quê de tantas guerras, mas não dá pra justificá-las. Tudo era questão de domínio. O globo inteiro ainda vivia pensando em ter mais poder um sobre os outros. Aí vem todo o progresso de vento em popa. O avanço tecnológico e as temidas Guerras. A primeira já cavando a segunda. Uma pausa para direitos humanos e mais Guerras.

“Ao final do século, mudanças sociais, econômicas e políticas, decorrentes de turbulentos anos de guerras, haviam determinado que o velho mundo de reinos e impérios aristocraticamente controlados evoluísse para um mundo novo, dominado pelo comércio internacional e pelas alianças comerciais.”

O livro é dividido em nove capítulos, com um tema gerador e a sequência de fatos em subtítulos. Há alguns mapas que ilustram os textos, que são bem necessários, afinal o mundo passou por diversas divisões nesse período.

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segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: ROCCO, ANFITEATRO, CORTESIA
ISBN: 97885694474326
GÊNERO: NÃO FICÇÃO, ARTE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 255
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Ensaios sobre a arte

E quando você pega um livro de arte e no primeiro capítulo a narrativa começa falando de uma história de um naufrágio e de como as pessoas que ficaram a deriva, com suas vidas por um fio, e praticaram todo o tipo de atrocidade maluca em prol da sobrevivência? Sério! Quando isso acontece, acho que todo mundo, pelo menos a minha pessoa, fica assim: como assim?! O que está acontecendo?!

E, de repente, você percebe que ele está falando sobre arte. Eu continuei com um “como assim?!”.

Mas é essa a técnica do autor Julian Barnes: ele narra histórias, detalhes, coisas do passado vêm a tona, situações que se encaixam e/ou que precisam ser entendidas, porque ele está “mantendo um olho aberto”, rs. Porque a arte é mais do que o que foi retratado: ela é a concepção inteira.

Sim! Barnes é um expert em Artes. Um intelectual da área. Um nome renomado. Mas ele também é um contador de histórias. Desses que falam bastante, com muita propriedade. Um bom contador de histórias. E eu prezo muito isso.

Pois bem, depois de traçar um panorama do tal naufrágio, a história muda para os sobreviventes. Aquela história, com todo respeito bizarra, não era fictícia e haviam sobreviventes suficientes (15) para contar o que passaram e isso ser imortalizado em uma obra de arte. O título desse capítulo é “Géricault: catástrofe transformada em arte”. Primeiro: eu não conhecia esse pintor. Segundo: eu não fazia ideia de que a história que estava sendo narrada era verídica, até porque era muito fantástica. Terceiro: quando começa a análise, partimos do que não foi pintado na obra de arte! Uau! Aí eu comecei a entender o por quê de manter um olho (bem) aberto. Nunca teria olhado para o quadro A Balsa da Medusa e pensado em motins, canibalismo, no porquê dos sobreviventes parecerem tão vistosos e saudáveis, no aceno para uma embarcação tão distante… Nunca, até ler esse livro.

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domingo, 7 de Janeiro de 2018

Avaliação: 3,5/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535927979
Gênero: Ficção; Literatura Brasileira
Publicação: 2016
Páginas: 2018
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Relutei um pouco para começar a leitura de Meia-noite e vinte, do Daniel Galera, mas fico feliz de ter feito desta a minha primeira leitura de 2018. Para quem não conhece, Galera é um autor brasileiro, nascido em São Paulo, mas radicado em Porto Alegre. Ele é considerado um dos melhores autores contemporâneos brasileiros. Meu primeiro contato com suas obras foi na faculdade, por volta de 2012, quando li “Mãos de Cavalo”. Desde então, fiquei com vontade de conhecer mais da sua literatura, mas só agora dei a chance.

A primeira coisa que se nota no livro é que Galera tem o poder de te transportar para o lugar em que se passa a história e traz personagens muito reais, passando a impressão que você está realmente ali com eles, acompanhando tudo o que está acontecendo. Aqui, a história é narrada sob o ponto de vista de três pessoas diferentes: Aurora, Emiliano e Antero. Eles passaram boa parte da juventude juntos, nos anos 90 de Porto Alegre, quando escreviam, junto com o amigo Andrei, mais conhecido como Duque, uma zine chamada Orangotango.

Anos depois, a tecnologia foi tomando conta e cada um seguiu o seu caminho. Eles perderam o contato próximo e é em 2014 que suas vidas tornarão a se encontrar, por meio de um acontecimento trágico: o assassinato de Duque, durante um assalto em uma de suas corridas noturnas pelas ruas de POA. Duque havia seguido os caminhos da literatura e se tornado um autor de relevância no país. Apesar de misterioso e mais reservado, sua morte acaba ganhando destaque na mídia e é a partir desse ponto que a história se desenrola.

O livro é marcado por um forte clima de pessimismo e apresenta um mundo catastrófico, beirando o apocalipse. É nesse clima que a personagem Aurora está envolta e, quando recebe a notícia da morte de Duque pelo Twitter, ela passa ainda mais a questionar às circunstâncias em que vive. Bióloga, ela acabou se mudando para São Paulo, mas estava em Porto Alegre no dia do assassinato do amigo. Emiliano, o mais velho do grupo, tinha uma história não finalizada com Duque, e também recebe a notícia com certo abalo. Ele tornou-se jornalista e vivia de freelas pela cidade. Já Antero, ganhou a vida trabalhando com publicidade e formou uma família, por mais que ainda achasse estar no alto da juventude dos anos 90.

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sábado, 6 de Janeiro de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535929751
GÊNERO: ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 280
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Escrito pelo autor Daniel Kehlmann e publicado no Brasil pela editora Companhia das Letras, em F nós somos levamos a uma verdadeira viagem sobre a vida, e sobre como as perdas nos moldam e nos transformam.

Na história, conhecemos Arthur Friedland e seus três filhos, Martin, Eric e Ivan. Em uma apresentação de hipnose na qual Arthur levou os garotos para se divertirem, ele acaba sendo hipnotizado e instigado a seguir seus sonhos, mas o que ninguém esperava era que o sonho de Arthur era simplesmente dar o fora e desistir de sua família. Tomado por uma coragem insana, Arthur abandona sua família e vai atrás de seus sonhos.

Só que essa atitude inesperada de Arthur não somente mudou a sua vida, como também mudou completamente a vida de seus três filhos, que, abandonados pelo pai, acabaram lidando com o abandono e carregaram essa mágoa para o resto de suas vidas. A partir de então, somos apresentados aos garotos já adultos, e acompanhamos o que cada um deles se tornou.

O livro é dividido em partes, narradas sob o ponto de vista de cada um dos três filhos já adultos. Em suas narrações, descobrimos os caminhos que eles resolveram trilhar e também como o abandono afetou suas vidas. Devo admitir que fiquei bastante surpresa com o futuro dos meninos, não imaginei que a vida deles seria tão afetada a ponto das decisões que tomaram serem tão extremas como foram.

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Avaliação: 4,5/5
Editora: Seguinte, Cortesia
ISBN: 9788555340604
Publicação: 2017
Páginas: 176
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Quando solicitei Últimas mensagens recebidas, eu não sabia direito como seria o livro. Por isso, quando ele chegou, foi uma surpresa para mim. Eu não esperava que ele fosse em capa dura e todo ilustrado e colorido por dentro, então, esse foi logo o primeiro ponto positivo que encontrei na obra. Recebi ele no dia 28 de dezembro de 2017, não me aguentei e fiz a leitura ainda nesse dia, pois fiquei bem curiosa com esse formato e também com as mensagens nele contidas. O livro é um compilado de mensagens publicadas no Tumblr The Last Message Received, um espaço virtual em que pessoas de todo o mundo compartilham últimas mensagens recebidas, seja de um amigo, familiar, um antigo amor… além disso, são diversas as formas em que isso acontece: um e-mail, sms, carta, áudio, entre outras.

Tenho que confessar que a leitura me deixou um pouco deprê, principalmente nessa época do ano, em que estamos celebrando todos os momentos vividos e esperançosos com a chegada de um novo ciclo. Algumas mensagens que o livro traz são muito tristes e fiquei imaginando a história por detrás de cada uma delas, pensando no que cada pessoa que recebeu (ou enviou) viveu e tudo que aconteceu para que chegassem àquelas últimas palavras. Nesse compilado, há mensagens de todos os tipos: fim de relacionamento (alguns muito bonitos, outros nem tanto assim), últimas mensagens enviadas antes que acontecesse algo muito triste, rupturas entre pais e filhos, fim de amizades, entre outros tipos de despedida.

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sábado, 30 de dezembro de 2017

Estamos quase em 2018, então vamos encerrar o ano vendo alguns títulos lançados pela Escrita Fina Edições, marca do Grupo Editoral Zit:

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090116 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 24 SKOOB

Quem ficou encantada com esse livro foi minha filha que amaa <3 gatos. Acredito que ele arrebatará os corações de quem assim como ela morrem por um desses bichanos peludos.

A pequena Gabi, personagem dessa história, já sonhava com seu gato, antes mesmo de conhecê-lo, sonhos lindos e mágicos. Até que um dia o gato se torna real, físico. Que perfeito o encontro dos dois.

“Gato galgava galante os sonhos de Gabi… Governava suas noites com os melhores miados e magias. Mas eles ainda não se conheciam”.

A história é escrita por Hellenice Ferreira, ela trabalha com crianças da Educação Infantil e teve muita inspiração com esses pequenos. Martha Werneck é a responsável por essas fofíssimas ilustrações com técnicas em acrílico e óleo sobre papel, usou seu gato como modelo para essas belas ilustrações. O mais interessante é que tem uma foto de cada uma delas na terceira capa, com seus respectivos gatinhos, elas nem devem ter amado fazer esse livro, não é mesmo?

Na segunda capa do livro, lemos uma bela introdução mencionando gatos no decorrer da história, feita por Bethania Guerra de Lemos diretamente de Madrid.


AVALIAÇÃO: 3/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090161 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, POESIAS PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 32 SKOOB

Todas as crianças vão adorar esse divertido livro, onde texto e ilustrações são de Mario Bag. O título já explica o conteúdo que vamos encontrar, treze histórias, todas no formato de quadrinhas, que nada mais são do que rimas compostas de quatro versos.

  1. Cigarrita e sauvina reconta com graça e com direito a final feliz, a fábula clássica da cigarra e a formiga.
  2. A serenata nos mostra que ainda existem homens românticos, mesmo que existam também amadas cansadas e sonolentas.
  3. A final universal é um jogo de futebol entre asteroides e cometas, onde nosso astro-rei está interessado em saber quem será o campeão.
  4. Festa no céu também nos mostra em forma de poesia parte dessa conhecida história.
  5. Disco antigo exibe o poder da música e de uma boa dança.
  6. Papo de jacaré, será que a capivara cai na lábia do cascudo?
  7. Comida de rua quem resiste a tantas opções de lanches na rua?
  8. Passional kid (o herói apaixonado) o que é capaz de separar um amor espacial? O tirano Zorg vai tentar.
  9. A mariposa Mary se apaixona por um doido pintor.
  10. Noivado de caracol como dar certo? Cada um tem sua casa própria e agora?
  11. Máquina do tempo revela um aluno que quer se dar bem nas aulas de ciências. Será que dará certo?
  12. A ave muda que apesar de não cantar, encanta todos com seu saxofone.
  13. A grande atração um dono de um circo procurava, mas por impaciência perdeu o homem voador.

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090154 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, HISTÓRIA BRASILEIRA, POESIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 88 SKOOB

Já li alguns livros com ilustrações bordadas e considero um trabalho espetacular, é puro êxtase observar o que uma agulha, paciência e talento são capazes de fazer.

Esse livro foi idealizado por Marcela Fernandes de Carvalho, que depois de tantos anos contando histórias para crianças e para a própria filha, nos deu a oportunidade de conhecer um texto só seu.

O livro é uma mescla de narrativa e poema. No meio da história narrada sobre o confronto entre o Coronel Rodolpho Fernandes, prefeito de Mossoró e Virgulino Ferreira da Silva, o cangaceiro Lampião, Marcela vai contando para à filha a história antes de dormir e ela vai também poetizando através de quadrinhas.

“Menina, seu terceiro avô

Foi herói de uma história.

Nacidade onde morou,

Conquistou uma grande glória”

Esse conflito aconteceu na cidade de Mossoró, no Estado do Rio Grande no Norte, é especial não apenas por ser verídica, já que o confronto realmente aconteceu, mas também pelo fato principal do Coronel Rodolpho ser nada menos do que bisavô de Marcela.

Essa história é recontada anualmente na festa “Mossoró Cidade Junina”, por meio de um musical chamado de Chuvas de Bala no país de Mossoró“, nem preciso dizer que fiquei super curiosa para assistir.

Ler sobre essa aventura é maravilhosa, ainda mais disponível desse jeito tão brasileiro, com poesia e bordado.


AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090185 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, POESIA, BIOGRAFIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 24 SKOOB

“Era um vendedor

De sonhos;

Sonhos desses de padaria.

Saía ele 

Todo dia

A vender sonhos

Pela cidade…”

O professor e escritor dessa interessante biografia é Alexandre Azevedo, que tem mais de 120 livros publicados. Ele nos conta sobre a infância de Machado de Assis nas ruas cariocas vendendo sonhos no tabuleiro, sonhos esses que eram feitos pela madrasta, dona Maria.

Quando a gente começa a se entusiasmar com a história, ela acaba, nos deixando muitas indagações. Lógico que Alexandre preencheu essas dúvidas com um texto de uma página e meia sobre detalhes importantes da vida do grande Machado, como quando parou de estudar por precisar vender os sonhos, por causa da morte do pai.

A história é contada através de poesia e das lindas gravuras de Rubem Filho. A fonte usada na história também é bem diferente, dá uma sofisticação à história. Um detalhe da capa que gostei bastante foi ela ser toda fosca, com exceção do pequeno menino, todo brilhoso.


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090192 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 48 SKOOB

Esse livro é uma fofura!

Odorico era um menino quieto, sempre sentado embaixo de um pé de goiabeira ao invés de brincar de carrinho de rolimã, jogar futebol, pescar, tomar banho no açude, pescar, pular muro ou tantas outras aprontações que os meninos perto dele faziam.

“Que coisa era aquela de tanto se preocuparem com ele? Só porque não era de muitos amigos? “Mas amigo é a melhor coisa que existe na vida, filho. Vai brincar com os meninos na rua!”, o pai dizia. O menino ficava só olhando. Lá dentro do peito, bem no fundo, achava que ter amigo devier ser muito bom. Mas… e se ninguém gostasse dele?”

Mas Odorico era mais do que simplesmente um menino quieto, ele vivia com uma tristeza sem explicação. E para o desespero dos pais, não tinha jeito que fizesse a tristeza passar, nem quando foi morar com o padrinho na cidade grande, até o nascimento do porquinho Curico, que desabrochou algo no coração do menino.

Gostei muito dos cabelos das crianças, que são feitos com papel jornal e se reparar bem, as palavras escritas estão relacionadas com os sentimentos ou ações dos personagens naquele momento, muito bonitinho.

Esse livro foi feito com carinho, feito todinho pela Mirna Brasil Portella, texto e ilustração. É um livro lindo que nos ensina como é importante para uma criança ter um bichinho de estimação.


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090178 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, POESIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 24 SKOOB

O protagonista da história é o camaleão e ele está se preparando para um encontro. Mas com que roupa ele vai?

“Que cor pôr em meu corpo

Compondo a roupa do encontro?

Encontro todas as cores do mundo

E, em um segundo, estou pronto.”

Em cada página o camaleão arrasa na apresentação. A história é encantadora. A capa é bastante criativa, quando toda aberta, forma o camaleão com a língua quase alcançando uma borboleta.

Dois amigos se unem para fazer esse livro infantil, André Vargas é o poeta das letras e Luiz Silva das ilustrações.


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ESCRITA FINA, CORTESIA ISBN: 9788559090123 GÊNERO: FICÇÃO BRASILEIRA, CONTOS, TERROR PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 136 SKOOB

Eis uma capa de livro que conquista pelos sentidos, além de ter um título propício ao tema contos de suspense e terror, está muito bem diagramada por diversos motivos: fonte usada na capa e seu relevo, mão sinistra que derrama um filete de sangue, a capa lembra papel carmin com um toque aveludado.

As orelhas do livro tem palavras como: anjo, demônio, dom, maldição, morte, vida, paraíso, inferno, sombra, luz, oração… combinam perfeitamente com os contos.

São 12 contos, seis de cada um dos autores que vão sendo apresentados intercaladamente. Além de ter um sumário mostrando cada conto e seu respectivo autor, durante a leitura, nas páginas da esquerda é indicado se são … Da Helena …Do Secatto.

Os cenários, personagens e período histórico são bem variados, podem acontecer num mosteiro; cemitério; casa comum; biblioteca; East End em Londres; Alentejo em Portugal…  Ou seja, uma história de terror não tem hora, nem lugar para acontecer…

Os contos são excelentes, difícil escolher um como predileto, porque vários me surpreenderam em algum aspecto, seja na forma como foram construídos ou finalizados. Elegi o conto “A noiva” da Helena Gomes e “O guardião” de Osvaldo Secatto para mencionar.


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Qual livro você leria?

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Estamos no final de 2017 e é muito bom poder trazer para vocês alguns livros lançados pela Zit Editora e que recebi neste segundo semestre para avaliação:

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331183 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, FÁBULA, LIVRO-IMAGEM PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 40 SKOOB

Este livro me surpreendeu primeiramente pelas belíssimas ilustrações da paulistana Taisa Borges. A capa, contracapa e orelhas formam uma ilustração gigante horizontalmente. Até mesmo as capas internas estão com penas em lindos tons de azul.

Fiquei admirada, não por saber que se tratava de um livro-imagem, que é um gênero que já gosto bastante, mas em saber que Taisa recontava uma fabula de ninguém menos que Leonardo da Vinci, realmente desconhecia esse talento desse homem multi-habilidoso.

Por também desconhecer a fábula, foi muito interessante observar as imagens. A história é entendida de forma clara, inclusive algumas sequências de imagens ressaltam alguns pontos, dando ênfase a essa narrativa sem palavras.

A águia e a coruja é uma fábula que nos ensina que nem sempre o animal mais bonito e mais forte é o vencedor, afinal cada um tem suas próprias habilidades.


AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331077 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CULTURA INDÍGENA PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 40 SKOOB

O livro se inicia com um diálogo interessante entre dois garotos que estão correndo, pela ilustração percebemos que correm pela mata. O jovem Kupai narra o que aconteceu no dia em que viu o sol se banhar no rio. Ele e Dum, que fazem parte do povo Wapichana subiram até a Laje do Trovão, parte mais alta e perigosa da região, achando que ninguém notaria a façanha. Por consequência cada um precisou fazer um tipo de trabalho na aldeia… Apesar do castigo, Kupai sabia que tinha valido a pena ver tamanho espetáculo e inúmeras perguntas já se formavam em seu imaginário infantil.  Como solucionar tantas dúvidas?

Através de uma história antes de dormir, o pai busca alertar as crianças a não fazerem de novo uma aventura tão perigosa, porém ao mencionar a tal “boca da noite”, Kupai ficou ainda mais curioso em desvendar mais uma porção de dúvidas que continuam a surgir em sua mente.

Esse livro está realmente muito bonito, a história é encantadora e nos aproxima da cultura indígena do povo Wapichana, Kupai é apaixonante, aliás que criança curiosa não é?

O livro é de Cristino Wapichana, ganhou menção honrosa no Concurso FNLIJ / UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas 2014.  A FNLIJ eu já conhecia, pois é a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. E a UKA conheci através de uma pesquisa, é uma instituição, chamada de Casa dos Saberes Ancestrais.

As ilustrações completam com perfeição a obra, estão de um colorido tão lindo e intenso que consegue transmitir  a beleza sem igual das matas brasileiras. Os créditos são de uma ilustradora já conhecida por mim, a Graça Lima, ela já ilustrou mais de cem livros.


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331152 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 48 SKOOB

Dos seis livros que recebi da Zit, sem dúvida esse é o meu predileto. Que história linda! Aborda de uma forma tão delicada e sutil o tema morte e saudade. Quando perdemos entes queridos, nosso coração é capaz de congelar, de uma forma que às vezes nem os familiares próximos são capazes de preencher o vazio e aquecer nossa alma, por mais que tenham boa vontade para isso. E é exatamente isso que acontece com o personagem do livro, chamado simplesmente de menino.

A diagramação está minimalista e isso deixa o livro perfeito. Os textos são curtos e estão sempre em azul, se mantendo centralizados e sempre nas páginas à esquerda. As páginas são brancas como a neve e as ilustrações ficam nas páginas à direita. A capa tem floquinhos de neve em relevo, uma graça.

Fiquei muito curiosa em ler outros títulos da Leticia Sardenberg, esse é o terceiro livro dela pela Zit. As ilustrações lindas são de Alexandre Rampazo que já ilustrou mais de 50 livros e escreveu algumas obras, que também me interessei em conhecer. Parabéns a ambos por esse livro, ficou um resultado bacana. Final maravilhoso!


AVALIAÇÃO: 3,5/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331169 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, POEMAS, FOLCLORE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 40 SKOOB

Cafofo do Remelexo me surpreendeu pela criatividade. Ele é apresentado todo em versos rimados, cada página da direita contém uma estrofe, sempre com quatro versos e o restante do espaço é completado com divertidas ilustrações de Júlio Carvalho que mostram uma mistura muito interessante entre:

* Personalidades brasileiras (Monteiro Lobato, Luis da Câmara Cascudo);

* Personagens conhecidos de nosso folclore (Saci, Curupira, Iara, Boto, Bumba Meu Boi, Boi da Cara Preta, Caipora, Mula Sem Cabeça, Lobisomem, Cuca, Mapinguari, Anhangá, Velho do Saco);

* Personagens que eu não conhecia (Matintapereira, Pé de Garrafa, Corpo-Seco);

* Personagens e lendas não exclusivos do Brasil, mas também de outros lugares do mundo (Pedro Malasartes, Mulher de Branco, Loura do Banheiro, Bicho-Papão);

*  Ditos populares (Moça Bonita e Macaco Velho);

* Pratos e alimentos típicos brasileiros (siri, caranguejo, cocada, quebra-queixo, baião de dois, acarajé, guaraná);

* Ritmos e instrumentos musicais (xote, maxixe, forró, triângulo, acordeão, baião).

Outro fato interessado é ele ter sido escrito por três pessoas, o jovem Thiago Costa de 17 anos, sua mãe Andrea Taubman e o carioca Marcelo Pellegrino. Fiquei curiosa pela publicação subsequente “Almanaque do Cafofo do Remelexo”, onde nós seremos os autores de nosso próprio livro.


AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331213 GÊNERO: INFANTOJUVENIL,  PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 32 SKOOB

Através desse livro conheci Luciana Greether. O que achei interessante em sua carreira, foi saber que a abertura de uma antiga novela Global foi desenhada por ela, Joia Rara. Não sabia que no período da novela, houve o lançamento de um livro online chamado de A vida de Buda, apesar de não acreditar no budismo, achei lindo a ideia de livro animado, onde partes da ilustração se movem e ouvimos sons e melodias musicais.

Marinela é um livro com uma linda história e com belas ilustrações em tons de amarelo, todinho feito pela Luciana.

Pelas ilustrações percebemos que Marinela vive numa casa simples, em alguma pequena cidade brasileira, junto com sua avó Joralda e tia Antoninha. Em versos rimados acompanhamos o cotidiano dessas mulheres, os bordados, o pilão…

Marinela aproveita bem sua vida, se diverte em meio a fogueiras, versos de improviso, idas ao poço da ribeira, mas nunca esquece o que sua avó e tia disseram, que um príncipe chegaria para se casar com ela.

A autora está de parabéns pela riqueza de detalhes, esse é um livro que valoriza nossa cultura.


AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA ISBN: 9788579331121 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, LENDAS PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 80 SKOOB

Esse livro com nome comprido Uma história dentro da outra e lendas do Rio Doce foi uma feliz e gostosa surpresa. Ele já havia me cativado pelos olhos, através das lindas ilustrações do quase nonagenário Flávio Colin, mas o texto de Geny Vilas-Novas me deixou imaginando claramente sua infância, afinal ela relembra através desse livro suas férias no Sítio de Cima.

Geny e sua irmãzinha vivem deliciosos momentos com o Pai João, Mãe Maria, Vovó Carolina e Vovô Afonso, depois junta-se a eles o primo Paulinho. Subidas sem fim ao imenso ipê-amarelo, tudo para se aconchegar dentro da casinha com teto de vidro com mirante feita por Pai João, que estava acima das demais árvores do pomar.

“Do alpendre do Sítio de Cima, avistavam-se as pastagens, a cachoeira Escura e o rio Doce. Do jirau, enxergava-se o mundo: a floresta Amazônica, a África, o Japão, os cangurus da Austrália. E da copa do ipê-amarelo? Ah, da copa do ipê-amarelo, contemplávamos as galáxias!”

Dentro dessa história tão aconchegante, a criançada sempre pedia para que os adultos contassem histórias, eram as lendas do Rio Doce, que fazem parte da cultura local:

O filho do caçador – O capeta e o tijolo – Gato-Preto – Zabelinha – A roça do João – Compadre Donato – O peixe de escamas de ouro – Cabritinho de ouro – O ganso de ouro

Das nove lendas narradas no livro, gostei bastante de duas: O filho do caçador e Zabelinha. A primeira nos ensina a não agir por impulso e acreditar no poder da lealdade e Zabelinha também nos ensina sobre lealdade, mas que às vezes não valorizamos, principalmente quando nos iludimos com outras coisas. São histórias interessantes e até divertidos apesar de algumas terem finais trágicos ou inusitados. Fiquei com vontade de ler outros livros da autora.


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E você qual livro mais gostou? Qual leria?

sábado, 23 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: Rocco, Cortesia
ISBN: 9788532530875
GÊNERO: Ensaio
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 80
SKOOB

J.K. Rowling sempre foi um exemplo para mim. Ela, que passou muitas dificuldades na vida, conseguiu superar os obstáculos e criou a história que marcou a minha vida. Quem não conhece, pelo menos de nome, o famoso Harry Potter? Ela batalhou muito para chegar até onde está e sua linda história me inspira a cada dia. Este ano, a Rocco publicou o livro Vidas muito boas, que traz o discurso que ela fez como paraninfa em Harvard, no ano de 2008. O livro é bem curtinho, mas traz palavras poderosas.

Em seu discurso, ela menciona que gostaria que, de alguma forma, os alunos sempre se lembrassem de suas palavras. Acho que só o fato dela ter sido escolhido como paraninfa já é algo bastante memorável, mas ela conseguiu, realmente, transmitir uma mensagem marcante. Com base em suas experiências, Rowling fala sobre a pressão que o jovem enfrenta logo que sai da faculdade. Parece ser uma fase de ascensão ao sucesso, mas raramente é assim. Esta é uma fase marcada por muitas dúvidas e pressão, além do fracasso estar presente em muitos momentos.

“O que eu mais temia na idade de vocês não era a pobreza, mas o fracasso.”

Esse é um dos temas chaves de seu discurso. Rowling fala muito sobre como o fracasso ajuda a definir a nossa personalidade e como faz parte de nós. Ele, inclusive, pode ser utilizado como uma ferramenta de transformação. Ou seja, por mais que vários momentos pareçam difíceis, sempre é possível buscar o melhor caminho e partir para uma situação melhor. Os percalços da vida ajudam a nos tornar pessoas melhores. Aqui, a imaginação também toma papel de destaque. Rowling fala, com propriedade, já que construiu um mundo inteiro que conquistou milhares de fãs, que é preciso se imaginar em uma realidade melhor sempre. Para ela, a capacidade de imaginar nos torna pessoas boas e é fundamental para ajudar os outros.

Em seu discurso, a autora também fala muito sobre uma palavra que é extremamente importante hoje em dia: empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Por muitas vezes, julgamos o próximo pelas suas atitudes sem pensar no que ele está passando no momento e suas motivações. Para construir um mundo melhor, mais compreensivo e livre de preconceitos, precisamos adotar mais essa atitude, tentar nos colocar no lugar do outro. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: QUADRINHOS NA CIA., CORTESIA
GÊNERO: HQ, QUADRINHOS, HISTÓRIA, BIOGRAFIA
ISBN: 9788535929515 
PUBLICAÇÃO: 2017 
PÁGINAS: 160
SKOOB

Fiquei muito ansiosa para ler essa biografia ilustrada, lançada no Brasil pela Quadrinhos na Cia, ou seja, o Grupo Editorial Companhia das Letras.

Alguns anos atrás, quando ainda era adolescente, tive a oportunidade de ler o famoso e mundialmente conhecido “O Diário de Anne Frank” e lembro que gostei bastante dos relatos da jovem judia durante o período em que esteve escondida no anexo secreto. Aqui no blog, tivemos uma resenha dupla sobre a obra em 2015, escrita pela Camila e a Patrícia.

Reviver essa história por meio desta extraordinária graphic novel foi a chance que tive para relembrar os principais momentos da vida de Anne e aprender muitos detalhes importantes sobre o período vivido não apenas pela família Frank, mas por outras famílias judias que tiveram que abandonar seus lares e tudo o que haviam construído na vida para tentar sobreviver ao que mais tarde ficou conhecido como Holocausto.

Assim que comecei a leitura, fui percebendo o cuidado com os detalhes. A capa está maravilhosa, muito mais bonita do que a americana, apenas ficaria melhor se a gramatura fosse um pouco mais espessa, porque, de manusear durante a leitura, o meu exemplar já está precisando urgente de uma proteção.

O texto é de Sid Jacobson e as ilustrações são de Ernie Colón, ambos norte-americanos e quase nonagenários. Eles já fizeram em parceria diversos outros trabalhos envolvendo biografias e importantes acontecimentos históricos. Para essa obra em específico, eles tiveram acesso total aos arquivos da Casa de Anne Frank, em Amsterdam, na Holanda, e a partir de intensa pesquisa e cuidadosa contextualização histórica, os autores reconstituíram a vida de Annelies Marie Frank.

A história é mostrada ao longo de dez capítulos, tendo cada um deles um título e uma bela ilustração. O primeiro capítulo mostra a forma como Otto Frank e Edith se conheceram, a origem de suas respectivas famílias, o modo como se casaram e tiveram sua primeira filha, Margot. No capítulo dois, acompanhamos o nascimento de Anne, em junho de 1929, sua personalidade e diferença se comparada à Margot. Um ponto forte, que considero perfeito no decorrer de todo o livro, é que em meio à narrativa sobre a família Frank, temos a oportunidade de ler relatos da situação política daquele exato momento histórico, tudo isso em quadrinhos, por meio de mapas, infográficos e ilustrações.

É perceptível que Otto e Edith eram pais dedicados e muito preocupados com a situação da família em meio a todo o caos na Alemanha, e também na Holanda, país para onde se veem obrigados a imigrar em 1933. Como educadora, me chamou a atenção o fato de Anne ter estudado numa escola montessoriana por causa de seu temperamento, diferente da irmã que estudou numa escola clássica. Mas essa decisão demonstra o quanto os mais eram observadores e zelosos em relação às filhas. A personalidade e positividade de Otto fazia com que fosse mais fácil seu relacionamento com Anne do que o dela com a mãe, essa foi a parte mais triste do livro, saber como era difícil a convivência entre elas, mesmo com o amadurecimento precoce de Annelies durante os mais de dois anos escondidas no anexo.

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Apesar de tudo o que aconteceu, foi bom saber que mesmo vivendo escondidos, Anne conseguiu ter muitas conquistas, passou a valorizar as pequenas coisas e as grandes também, como as amizades. Ela descobriu o amor, pôde estar com a família, domou um pouco seu gênio e conseguiu seu objetivo de ser escritora, já que seu diário se tornou famoso. Leitura obrigatória para todos que gostam de história e biografias.