terça-feira, 27 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, CORTESIA ISBN: 9788520009437 GÊNERO: FILOSOFIA, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 546 SKOOB

Trickster: trapaça, mito e arte

“Interpretemos sempre (o trickster) como seres transitórios.”

Lewis Hyde era um nome estranho para mim. Porém, o título e a capa do livro chamaram muito a minha atenção: trapaça, mito, arte e um Hermes estampado na capa. Confesso que fiz uma pesquisa rápida para saber se seria o tipo de livro que me agradaria e na época ainda não havia nada sobre esse título (o lançamento é bem recente).

Uma conclusão, até muito simplória, é de que Hyde é um gênio. Não só isso: é um bom contador de histórias, desses que não deixam a peteca cair, enlaça uma história na outra e faz citações. Sua maestria na escrita, interpretação dos mitos, explicação simbológica e a astúcia em ligá-los a pintores famosos como Picasso e Duchamp, entre outros, nos faz ter em mãos mais que um livro, é uma obra prima!

Os deuses tricksters não são somente os deuses da trapaça, eles favorecem os homens em diversos momentos de sua história, pois eles são tão imperfeito quanto a humanidade.

“O trickster cria o mundo, dá a ele luz solar, os peixes e os frutos, mas cria-o como ele é, um mundo de constante necessidade, trabalho, limitação e morte.”

O trickster, mesmo sendo um deus,  tem desejos e fome e por conta disso trama para satisfazê-los, às vezes cai em seu próprio estratagema e é capturado. 

O autor dá uma volta no globo ao relembrar, entre muitos outros personagens e histórias, o Hermes da Grécia, Krishna da Índia, o Exu da África, o Corvo e o Coiote da América do Norte. Esse último eu nunca tinha ouvido falar, mas lembrei comicamente de um desenho animado da minha infância: papaléguas e o coiote. Só então me toquei de que o desenho pode sim se tratar de uma releitura do trickster dos povos nativos do norte americano! Continue lendo »


Foto: Frances Hodgson Burnett em 1888 (Divulgação)

Não sei quanto a vocês, mas cresci assistindo repetidamente os filmes “O Jardim Secreto (1993) e “A princesinha (1995). Por serem visualmente semelhantes, na época pensei se tratar do mesmo produtor ou diretor. Mero engano, só depois de muitos anos descobri que foram baseados nas obras escritas por Frances Hodgson Burnett, em 1911 e 1905, respectivamente, clássicos da literatura inglesa infantojuvenil.

Tão logo os descobri em uma prateleira da biblioteca, me apaixonei pelas capas e iniciei a leitura de ambos. A Editora Salamandra fez um excelente trabalho nessas maravilhosas edições, as ilustrações de ambos foram feitas pela catalã Júlia Sardà.


O Jardim Secreto


A história

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SALAMANDRA ISBN: 9788516090753 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2013 PÁGINAS: 280 SKOOB

Mary Lennox, a criança mais antipática do mundo, fica orfã depois de um surdo de cólera na Índia, sendo trazida pela Sra. Medlock, até a gigantesca Mansão Misselthwaite Manor, em Yorkshire, na Inglaterra. Passa então a viver nessa estranha e solitária mansão com mais de cem quartos, quase todos esquecidos e vazios, ouve falar muitas coisas sobre seu taciturno e viúvo tio Archibald Craven.

Acostumada a ser servida por criados indianos, vestida e cuidada por uma aia, ignorada pelo pai inglês que trabalhava para o governo e desprezada pela lindíssima mãe que só se importava com festas, Mary não sabe fazer nada sozinha e fica um pouco chocada ao conviver com Marta, uma moça rústica que trabalha na mansão e com seu jeito simples, acaba por dizer verdades que Mary nunca prestou atenção em si mesma, nem em seus modos grosseiros e impertinentes.

Pela primeira vez em sua vida, a menina está livre de empregados, porém não sabe o que fazer, nem com quem. Marta a incentiva a explorar os arredores da mansão, mencionando a existência de um jardim que está trancado a uma década, desde a morte da tia de Mary.

Andando pela charneca, conhece hortas e jardins e se depara com Ben Weatherstaff, um rabugento empregado que cuida de toda a área externa, conhece também o pisco-do-peito-ruivo, passarinho que rapidamente torna-se seu primeiro amigo.

Depois de descobrir a entrada do jardim e encontrar a sua chave, Mary se dedica a cuidar dele e recebe ajuda de Dickon, um dos onze irmãos de Marta. Aos poucos ela vai descobrindo inúmeras novidades, ocupando seu cotidiano de forma positiva, explorando a parte de fora durante os dias ensolarados e a parte interna nos dias de chuva. Mudanças vão acontecendo não só em seu apetite, mas em toda sua forma de ver o mundo e a si própria, além de seu desenvolvimento. Quando de repente é chamada por seu tio para conhecerem-se, pois até então ele não tinha se apresentado, ela sente muito medo, mas pede um pedaço de terra para cuidar e plantar, além de convence-lo e ficar mais um pouco sem estudar, para poder se fortalecer e se adaptar ao novo lar. Continue lendo »

sábado, 24 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA ISBN: 9788565765602 GÊNERO: THRILLER, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 272 SKOOB

A grande caçada se passa em um vilarejo na Finlândia onde, aos 13 anos, jovens garotos precisam passar por um teste. Munidos de um arco, eles são levados para uma floresta na qual precisam abater algum animal e sair de lá com vida, levando a carcaça como prova. Quanto maior o animal, mais respeito o participante terá perante aos outros membros do grupo.

O pai de Oskari é conhecido por ter conseguido matar um urso e é bastante respeitado. Por isso, todos colocam muita expectativa em cima do garoto e esperam grandes feitos dele. Porém, ele não tem tanta certeza de que se saíra bem.

Um encontro inesperado no meio da selva muda todo o cenário da busca e Oskari acaba descobrindo coisas que vão muito além de sua aldeia e dando de cara com obstáculos e inimigos muito maiores que apenas os animais selvagens que esperava enfrentar.

A Grande Caçada é uma leitura leve, rápida e tranquila de ser feita. A escrita do autor é simples e direta, com a presença de muitos diálogos. A narrativa é veloz e combina bastante com o estilo da história contada. O fato do livro não ser muito profundo é até positivo, ainda mais levando em conta se você procura algo leve para ler. Porém, a falta de aprofundamento em diversos pontos atrapalha.

O autor não dá tempo para o leitor se apegar ao protagonista e não explica muito a situação dele, o local que ele mora e como tudo funciona. Temos poucos capítulos de contextualização e pronto, Oskari já é jogado na floresta. As cenas de ação lá são legais, sim, mas em muitos momentos eu me tocava de que não me importava com o que estava acontecendo com ele.

Dan Smith até tem êxito em criar uma sequência de cenas de ação que te prendem e te deixam um pouco curioso para saber o desfecho da aventura, mas ele não preparou o terreno até ali. A sensação que eu tinha era de que estava lendo sobre um personagem que eu mal conhecia e com o qual eu não conseguia me relacionar. Continue lendo »

sexta-feira, 23 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788556510259 GÊNERO: TERROR PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 376 SKOOB

Minha experiência com Stephen King se resume a oito ou oitenta. Ou li livros que realmente me prenderam, como foi o caso de O iluminado, ou então foi aquela leitura enfadonha e sem graça, como ocorreu com Joyland. Apesar disso, o autor é cultuado em muitos lugares por sua versatilidade, pelo seu senso de horror aflorado e pelas tramas inesquecíveis. Cujo foi um dos últimos livros publicados no Brasil, apesar de ter sido publicado primeiramente já há alguns anos. A edição brasileira é um espetáculo a parte, com capa dura e em alto relevo, fazendo com que me apaixonasse por ela desde o primeiro instante.

Na pequena cidade de Castle Rock, o serial killer Frank Dodd está morto e todos os habitantes podem ficar em paz novamente. Frank, que aterrorizou o local por anos, agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet todas as noites. Enquanto isso, nos limites da cidade, Cujo, um são-bernardo de noventa quilos que pertence à família Camber, se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde acaba sendo mordido por um morcego raivoso. A sua transformação acaba tornando-se o pior pesadelo de Trad Trenton e de sua mãe, além de destruir a vida de todos à sua volta.

Sabe aquele tipo de livro que é como se embarcássemos numa montanha-russa e só paramos quando chegamos ao final? Que dá uma série de voltas e loopings, fazendo o coração bater mais forte? Cujo é exatamente esse tipo de livro! Já havia iniciado a leitura, chegando quase às primeiras cem páginas até que peguei para dar sequência e quando vi já estava na reta final da história. Quando afirmam que Stephen King tem o dom de prender e construir personagens marcantes, sou obrigado a concordar. As histórias particulares são bem marcantes e delineadas, fazendo com que os personagens se tornem algo a mais. E as próprias relações tecidas entre eles são muito bem exploradas. Apesar disso, senti uma falta de entrelaçamento entre os próprios personagens. O autor constrói núcleos, mas acaba não os interligando. Continue lendo »

quinta-feira, 22 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501087850 GÊNERO: HISTÓRIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 237 SKOOB

O Bunker de Churchill, do historiador e também biógrafo Richard Holmes, explora, nas páginas desse livro pela primeira vez, como de dentro de salas apertadas, o grande estadista inglês transformou uma provável derrota para os nazistas na retumbante vitória britânica. Para quem não sabe, sou formado em História e quando vi do que se tratava o conteúdo do livro, não pensei duas vezes antes de solicitar. Não sabia da existência dessa parte da história da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que ficasse ainda mais interessado pela leitura. E confesso que não me arrependi do mesmo.

A Segunda Guerra Mundial, conflito entre países como Alemanha, Inglaterra, Itália, teve alcance mundial, gerando discussões até os dias atuais. O que muitas vezes acaba se focando na figura de Adolf Hitler e sua postura política, deixando de lado outras possibilidades de se contar a mesma história. O livro de Holmes vem com o objetivo de mostrar como estava a Inglaterra naquele momento, focando na figura de Winston Churchill, primeiro ministro inglês no período, mas mais nitidamente no modo em que o mesmo atuou de dentro de um refúgio temporário para o caso de bombardeios, mas que acabaram virando uma segunda casa para o Churchill e um grande número de militares e civis, cujo serviço até então passara despercebido.

A pesquisa de Holmes é de fôlego, fazendo com que o leitor fique curioso para saber maiores informações sobre o assunto. Do mesmo modo, o esforço para a pesquisa se manifesta na escrita do mesmo, onde temos algo bem delineado e uma narrativa fluida. Um aviso para quem não está habituado é porque o livro pode se mostrar um pouco cansativo, afinal, há uma sucessão de fatos e datas que pode confundir. Apesar da minha formação em História, não tinha tamanho conhecimento sobre a vida do primeiro-ministro inglês, o que dificultou um pouco o envolvimento com a leitura. Continue lendo »

quarta-feira, 21 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 2,5/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL, CORTESIA ISBN: 9788581303598 GÊNERO: BIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 368 SKOOB

A dramática historia do surfista brasileiro condenado a morte por traficar drogas

Nevando em Bali não foi exatamente um livro que tenha me agradado. Quando o recebi para leitura, fiquei com um pé atrás sem saber muito bem o que esperar dele. O livro prometia uma temática polêmica, aliada a um jornalismo investigativo, próximo de algo que se faz em programas como Profissão Repórter, da Rede Globo. Apesar disso, o que poderia ter sido uma leitura diferente e problemática acabou se tornando algo cheio de voltas que não havia um maior desenvolvimento.

Depois de escrever best-sellers como Hotel Kerobokan, Kathryn Bonella explora os incríveis segredos da ilha de Bali, onde um surfista brasileiro foi condenado à morte por traficar drogas. O que pode parecer um paraíso para quem vê imagens ou filmes sobre a ilha, acaba se mostrando um palco perfeito para a realização de tráfico de drogas, festas, sexo e muita bebedeira. Kathryn explora esse universo por meio de entrevistas com traficantes, unindo nesse livro histórias e narrativas sobre o cotidiano dos mesmos. Seu ponto de partida é Rafael, jovem apaixonado por surfe que vê no mundo das drogas uma oportunidade para crescer na vida de maneira mais tranquila. Unindo a isso, a jornalista vai tecendo os meios, tentando alcançar um universo mais amplo que circunda a ilha paradisíaca.

Não é de hoje que o tema tráfico de drogas é algo recorrente nas mídias ou em narrativas cinematográficas. Histórias de máfias e grandes traficantes é um recurso que geralmente atrai público, alcançando grande popularidade. Nevando em Bali não foge a regra. Fica aqui o primeiro ponto que me causou certo preconceito quanto ao mesmo. Por mais que fossem histórias reais, a narrativa em si ficou algo próximo a um roteiro de filme de cinema, no qual podemos muito bem supor o final logo nas primeiras páginas. Da mesma maneira, faltou um quê de realidade no meio da escrita, que pudéssemos ter dimensão de que aquilo realmente acontecera.

Não seria a pior coisa, afinal, o livro tem uma narrativa fluida, o que facilita a leitura, se não fosse pelo fato de que as histórias que a autora se propõe a reconstituir acabam se repetindo, tornando o livro cansativo. Da mesma maneira, o tamanho do mesmo não é necessário, podendo ser muito bem encurtado e mais objetivo. Continue lendo »

terça-feira, 20 de junho de 2017

Maio passou num estalo e apenas: que mês, minha gente, que mês! Até o presente momento, não teve um mês tão bom quanto maio para lançamentos musicais. Toda sexta-feira (que é usualmente o dia em que se lança músicas novas) era uma enxurrada de novos vícios que cheguei até ficar meio zonzo. Como é muita coisa, escolhi algumas e espero que gostem!

Switch – Iggy Azzalea feat Anitta/ Parainha – Anitta / Sua cara – Mazor Lazer feat Anitta & Pabllo Vitar

Quem voltou com tudo e tudo mesmo foi Anitta. A cantora brasileira bombou no último mês. Lançou Switch, parceria dela com a rapper Iggy Azzalea, Paradinha, seu novo single, totalmente em espanhol e de quebra, participou da canção Sua Cara, produzida por Major Lazer e com a participação de Pabllo Vittar (roubei um pouquinho porque a última canção foi lançada em 01 de junho). É tiro para tudo que é lado, e é dos bons.

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AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: CIA DAS LETRINHAS, CORTESIA ISBN: 9788574067537 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 60 SKOOB

Como posso descrever essa história? Triste! Até pensei na palavra comovente, mas acima de tudo, triste!

Saber que a obra é um clássico infantojuvenil de 1964, sem dúvida me fez optar pela leitura desse título. Traduzido por um grande escritor brasileiro, Fernando Sabino, e relançado pela Companhia das Letrinhas, temos em mãos uma edição de capa dura, com páginas em branco,  textos e ilustrações em preto.

O americano Shel Silverstein, autor e ilustrador do clássico, era também poeta, músico, cantor e compositor, além de ter escrito algumas peças teatrais e roteiros de cinema.  Faleceu em 1999, aos 66 anos.

Deparei-me com um resumo que perfeitamente descreve o que encontramos nessa história:

“A história de amor entre uma árvore e um menino. A árvore é a amiga amorosa que dá tudo ao menino, suas folhas, seus frutos, sua sombra. O menino também ama a árvore, a grande companheira de todos os dias; sobe em seu tronco, se pendura nos galhos, brinca de esconde-esconde. Até que vai crescendo, se torna adolescente, depois adulto. E, pouco a pouco, deixa a amiga de lado. ‘Estou grande demais para brincar’, diz o menino, que então precisa de dinheiro para comprar ‘muitas coisas’. A árvore fornece suas maçãs, para o jovem vender. Depois seus galhos, para o homem construir sua casa. E a história acompanha o passar do tempo até a velhice do homem – que até o fim, já bem velho e cansado, é chamado de menino pela árvore. Em primeiro plano, uma lição de consciência ecológica – o homem pequeno, mesquinho, frente à generosidade e a força da natureza. No entanto, a dinâmica que se vê entre o menino e a árvore mostra também a passagem do tempo e dos valores que são reavaliados com ela, numa relação de troca sincera e desinteressada – essa que o homem parece desaprender nas exigências da vida adulta.”

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: GLOBINHO, CORTESIA ISBN: 9788525063892 GÊNERO: CONTOS, INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 208 SKOOB

Monteiro Lobato não apenas faz parte da história da literatura infantojuvenil nacional como teve papel fundamental na evolução dela a partir da criação de suas obras.

Esse ano, o selo Globinho, da Globo Livros, lança a 4ª edição do livro Fábulas, no entanto a primeira publicação foi feita quase cem anos atrás, em 1922, e os protagonistas são os tão conhecidos personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”.

A proposta do livro é bastante interessante. Após um gigantesco sumário de três páginas e a apresentação do livro por Ilan Brenman, a narração começa com a primeira fábula: “A cigarra e as formigas“. Depois disso, destacada e em itálico aparece a moral da história, e ao fim, lemos comentários dos personagens. Dessa forma é possível perceber que todos estão ouvindo Dona Benta contar ou inventar cada uma das 74 fábulas apresentadas.

Sabemos que cada ouvinte tem uma reação e faz diferente interpretação das histórias, tornando esse modo de contar fábulas muito envolvente, além disso, saber a opinião da turminha do Sítio é extremamente divertido.

Dessas 74 fábulas, algumas são conhecidas, outras parecidas… Nem todas ganharam uma ilustração, porém algumas têm até três desenhos diferentes. Ao todo são mais de 60 ilustrações assinadas pelo também paulistano Alcy Linares. Aliás, a diagramação do livro está excelente, muito convidativa.

Senti muita falta de um glossário, ainda mais para que fosse possível que o jovem leitor consultasse e desse rápida continuidade à leitura. Porém, não tendo glossário, uma ótima alternativa para o professor seria trabalhar as fábulas com os alunos em sala de aula, talvez lendo uma por dia e estimulando a busca pelos significados das palavras desconhecidas, como: repinicar; togado; neurastênico; gabola; encangado; catrapus; finório; beócios; carreiro; igualha; bruaca; usurário; intrujão; patarata; propalar; ventrudo… De forma diferente, duvido que o jovem leitor tivesse a paciência de procurar por si só cada significado.

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AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928464 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 270 SKOOB

O que mais influenciou minha cuidadosa escolha por esse título foi o fato de ser considerado uma obra-prima da literatura infantojuvenil mundial e eu não ter nem ouvido falar. Essa decisão foi primorosa, fazendo com que entrasse para minha lista de “melhores livros lidos”.

Todos os dias depois das aulas matutinas, os meninos da rua Paulo almoçam em suas respectivas casas e correm para se reunir no grund e jogar pelada. Porém, o que parece ser apenas uma reunião de garotos sem nada de mais importante para fazer, é na verdade um lugar com hierarquia, regras, diversão e princípios.

Entretanto, quando o lugar é invadido por Chico Áts, um adversário do grupo, Boka, o presidente e capitão dos meninos da rua Paulo, resolve partir com dois colegas rumo ao Jardim Botânico, determinado a deixar um recado escrito aos rivais, os camisas-vermelhas. Esse ato que por pouco não acaba frustrado, culmina no clímax do livro, a disputa pelo grund.

Escrito pelo húngaro Ferenc Molnár, o original foi publicado 110 anos atrás (1907), por esse motivo precisei interromper algumas vezes a leitura para procurar o significado de alguns termos: abecar, usurário, azáfama, estenografia, janota, betume… A edição possui um glossário ao final do livro que contribuiu bastante, porém minhas dúvidas foram um pouco além das palavras ali disponibilizadas, como: caniço, insólito, caluda, tacanho, moção, estertorar… Em contrapartida, foram muito úteis as notas de rodapé feitas por Paulo Rónai.

A capa está excepcional, as cores, fonte e, sem dúvida, os quadrinhos, que mostram desde o momento da decisão de Boka em ir até a ilhota no Jardim Botânico, até o desfecho do plano sendo posto em prática.

“Absolutamente. Nem mesmo faremos coisas semelhante ao que fez Chico Áts quando nos arrancou a bandeira. Nós nos limitaremos a mostrar-lhes que não temos medo deles e temos coragem de penetrar no lugar onde eles se reúnem e guardam as armas. – João Boka”

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