sexta-feira, 3 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: BIBLIOTECA AZUL, CORTESIA
ISBN: 9788525062857
GÊNERO: SUSPENSE, POLICIAL
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 328
SKOOB

Ler um livro clássico é algo muito desafiador, principalmente para quem não possui um histórico significante de clássicos lidos, como é o meu caso. Mas assim que li a sinopse do livro O Condenado, escrito por Graham Greene, e publicado no Brasil pela Globo Livros, fiquei muito curiosa com a história e resolvi deixar meu temor de lado e me arriscar nessa leitura.

O livro, que teve sua primeira edição publicada em 1938, ganhou uma nova edição este ano pela editora Globo Livros, que fez um ótimo trabalho de arte de capa, trazendo um toque moderno que chama a atenção dos leitores nos dias de hoje.

A história é narrada em terceira pessoa e acompanha o jovem Pinkie Brown, um garoto de dezesseis anos que após um assassinato se vê no comando de um grupo de bandidos, onde ele precisa se afirmar e ganhar o respeito de seus companheiros. O garoto tem sede do poder e quer se mostrar um líder temido que não se preocupa em pagar o preço que for para ter o respeito que acredita ser merecedor. Dentre todas as pedras no caminho de Pinkie, a que se mostra mais perigosa é Ida Arnold, uma mulher que após ter tido um rápido contato com a vítima do assassinato, sente-se na obrigação de desvendar esse crime e fazer justiça ao seu colega falecido.

Com uma escrita envolvente e rica em detalhes, Graham Greene conseguiu fazer um trabalho fantástico nesta obra, mesclando assuntos importantes a trama e fazendo com que nós, os leitores, nos apegássemos aos personagens que foram muito bem trabalhados e tiveram suas motivações muito bem justificadas. Fica perceptível a intenção do autor em fazer com que as questões morais apresentadas mexessem com que está lendo a obra, e isso, ao meu ver, tornou a história muito mais interessante.

“Considerava a vida com profunda seriedade: estava disposta a causar as maiores infelicidades a alguém para defender a única coisa em que acreditava.”

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: HARPER COLLINS BRASIL, CORTESIA
ISBN: 9788595080089
GÊNERO: SUSPENSE, POLICIAL
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 464
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Esposa perfeita é o oitavo livro da série de romances policiais Will Trent. Esse foi meu primeiro contato com a série e com a autora da história e confesso que fiquei bem surpresa com a qualidade da obra – eu não esperava muita coisa. Mesmo que esse já seja o oitavo livro da série, apesar de ter perdido alguns insights na história, não me senti prejudicada por ler fora de ordem, já que esse volume apresenta um início, meio e fim próprios.

Marcus é um jogador de basquete muito famoso, extremamente rico e com conexões políticas fortíssimas, que inclusive lhe possibilitou ser inocentado de uma acusação de estupro. Um homem que o detetive Will já tentou botar na cadeia e que mais uma vez se encontra relacionado a acontecimentos criminosos. O corpo de um ex-policial é encontrado em um canteiro de obras cujo dono, coincidentemente ou não, é dele. Além disso, evidências na cena mostram que há mais uma vítima que se encontra desaparecida e que ligam o próprio passado de Will ao crime.

A primeira coisa a se dizer sobre esse livro é que ele começa devagar, mas quando o ritmo engata, não há nada que o faça parar. É muito envolvente mesmo, daqueles que você pega para dar uma olhadinha e quando vê já terminou. Isso acontece por dois motivos: o mistério da trama e a narrativa da autora.

A narrativa segue em terceira pessoa, de maneira que conseguimos ter uma boa visão dos acontecimentos, da investigação e etc. Ao mesmo tempo, essa narrativa nos deixa realmente próximos dos personagens, de maneira que conseguimos nos colocar na pele deles e passar por tudo que estão passando. Ficamos tão imersos ali, que quando vem uma reviravolta somos realmente pegos de surpresa, tanto quanto os personagens.

Uma coisa interessante da história é como a autora a utilizou para falar sobre relacionamentos abusivos. A manipulação entre os personagens dá uma percepção nítida desses abusos. Inclusive, gostei muito do fato de que a autora não criou personagens “preto no branco”. Cada um é singular, complexo, tem seus momentos de mocinho e de vilão, o que os torna muito mais reais. Isso faz com que a gente tenha até dificuldade em odiar totalmente um personagem – ou amar completamente. Todos tem seus momentos.

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AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: V&R EDITORAS, CORTESIA ISBN: 9788550700526 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE ERÓTICO, ADULTO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 304 SKOOB

Após ler Riscos da paixão, o sexto livro da série Homens Marcados e finalização, confesso que está cada vez mais difícil escolher qual dos mocinhos é o meu preferido. Cada um deles é apaixonante no seu jeitinho imperfeito de ser, mas devo dizer que o Asa conquistou um pedacinho especial no meu coração.

Royal está numa fase ruim. Após uma missão em que vê seu melhor amigo e parceiro Dominic ser baleado e quase morrer, ela se afunda em culpa e remorso. Se sentindo a pior das pessoas, e estando um tanto quanto inconsequente, ela corre atrás de problema na forma do sexy barman Asa. Acontece que ele vive dando o fora nela e ela não sabe mais o que fazer com toda a atração que sabe existir entre os dois.

O fato é que Asa vive querendo jogar na cara dela que não presta, mas suas atitudes e a nova vida que leva só mostram o quanto ele mudou. Asa Cross nunca foi um exemplo ideal de ser humano. Com inúmeras passagens pela cadeia, ele nunca hesitou em passar alguém pra trás pra obter o que queria – na maioria das vezes dinheiro. Ele definitivamente não é o que poderíamos chamar de homem bom e decente. Porém, após ficar em como sofrendo as consequências de suas próprias escolhas e (mais uma vez) magoar sua irmã que é a única família que se importa com ele de verdade, ele decide que é hora de mudar e começar a viver de acordo com as regras. E nessa sua nova fase de homem decente, ele decide que o mais certo a fazer é não se aproximar de Royal: a policial quente e uma mulher de respeito, que merece mais do que um homem como ele.

O criminoso e a policial, quem diria que isso daria certo? Mas a verdade é que eles são o casal perfeito um pro outro. Ambos estão passando por problemas. Ambos se prenderam ao passado e à culpa que sentem por tudo que causaram às pessoas que amam e acabam enterrando esses sentimentos um no outro. Eles se tornam a válvula de escape um do outro, mas enquanto Royal quer investir num relacionamento com Asa – mesmo sabendo de todos os riscos – Asa acha que não merece alguém como Royal e que, como tudo em sua vida, vai acabar destruindo o que tem com ela também. Continue lendo »


Origem e armas para resistir e sobreviver

Ainda no clima do Halloween e dos eventos que já estão bombando ou vão bombar as cidades, vamos falar um pouquinho de uma figura do folclore moderno: the zombies!

Antigamente eram considerados trash’s e agora são celebrados como os grandes vilões na literatura e no cinema. Sim!  Mesmo sem dizer uma única palavra, mesmo não tendo um zumbi que você reconheça o ator, mesmo eles não tendo nomes… (Os zumbis raiz, não os Nutella, rs)

Tudo começou em 1932 com Victor Halperin dirigindo o longa Zumbi Branco, onde uma das principais teorias sobre zumbis nasceu: baseado no vodu e em cultos religiosos com rituais de possessão.

Reza a lenda que haviam feiticeiros que nutriam a fama de serem capazes de dar vida aos cadáveres e, já que tinham esse poder, ao voltar a vida trabalhavam para seu mestre. Essa magia foi desmascarada quando descobriram o que ocorria: os feiticeiros juntavam vários itens entorpecentes e ‘aplicavam’ na vítima que tinha uma brusca perda de consciência e paralisia. Tanto que a vítima era dada como morta. Depois o feiticeiro ia buscar a vítima no cemitério e a convencia de que ele a reanimou, tornando-a um zumbi, ou seja, sua escrava.

Pois é… Uma doideira isso tudo não? Mais doideira mesmo é ter casos registrados no Haiti (onde a religião afro-haitiana tem como uma de suas crenças a reanimação dos mortos) de pelo menos uma pessoa que havia morrido, mas foi vista anos depois por familiares. Caso verídico! Os zumbis de Victor Halperin já andaram sobre a Terra!

Voltando para literatura e o cinema: demorou consideráveis 30 anos para que a história tomasse outros rumos e os zumbis se consagrassem com o longa A Noite dos Mortos-Vivos de George Romero, utilizado como principal referência para as características dos zumbis ainda hoje.

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: VALENTINA, CORTESIA
ISBN: 9788558890502
GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE ERÓTICO, ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 400
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Griffin alcançou o auge da fama. Mas ele ainda quer mais

Indomável é o quarto livro da série Rock Star, mas que é como se fosse um spin-off da mesma, já que traz a história de um personagem diferente da série. O livro até pode ser lido de forma independente, mas saibam que ele contém spoilers dos três livros anteriores, mas nada que prejudique a leitura tanto assim. Devo dizer que tive certo receio de ler esse livro, pois apesar de gostar dos livros de Rock Star, o protagonista de Indomável não era um dos meus personagens favoritos. Mesmo assim eu queria ver o que a autora ia aprontar para ele, e confesso que me surpreendi com o crescimento do protagonista ao longo da história.

Neste volume conhecemos a história de Griffin, o baixista da famosa banda D-Bags que acredita não receber todo o valor que tem na banda. Ele está cansado de ficar sempre por trás dos holofotes e acredita que merece muito mais do que tem. E quando chega a gota d’água, ele toma uma decisão que pode ser a melhor ou a pior da sua vida.

O fato é que Griffin é um tanto egocêntrico e se acha melhor do que todo mundo. Ele acha que merece mais destaque na banda, e que não recebe a atenção que deveria – e isso o torna extremamente desagradável. Ele é o tipo de personagem que a gente ama odiar. O cara é invejoso, metido, se acha o rei da cocada preta, um cara fútil e egoísta, que não pensa em ninguém além de si mesmo. Pois é, aí vocês me perguntam: “mas se ele é tão terrível, porque continuou a leitura?”. Simples: porque eu queria ver ele levar na cara pra aprender a ser homem de verdade. O que de fato acontece, e foi o que salvou a leitura pra mim.

Confesso que foi até difícil insistir na leitura, de tão desprezível que achei o protagonista. A narrativa é em primeira pessoa e acompanhar os pensamentos egoístas de Griffin foi algo que me fez passar raiva. Mesmo assim, eu persisti porque queria ver se existia alguma explicação para essa sua atitude (não tem) e ver se ele mudaria (sim, ele muda). Além disso, a narrativa da autora é tão envolvente que permanecemos lendo, mesmo quando não gostamos do protagonista. É o simples fato de ter curiosidade e querer ver o que iria acontecer com ele – e foi gratificante ver ele aprender com as consequências dos próprios erros.

Foi preciso ele tomar o caminho mais difícil, levar na cara da vida mesmo pra ele aprender a dar valor as coisas que tinha, a ser mais humilde e mais grato. Ele passa por alguns perrengues pra mudar seu pensamento, mas é aí que ele começa a amadurecer e se tornar uma pessoa melhor, um cara mais responsável, mais sensível. É essa redenção dele que faz tudo valer a pena. Continue lendo »


Avaliação: 4/5
Editora: Galera Record, Cortesia
ISBN: 9788501086938
Gênero: Romance, Fantasia, Jovem Adulto
Publicação: 2014
Páginas: 381
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Já faz um ano que conheci a escrita de Alexandra em “Três chances”, a continuação de Desejos. Por serem histórias independentes, o fato de eu ler o segundo antes do primeiro não alterou nem prejudicou a compreensão da história. Na época, gostei bastante do livro, afinal, quem não gostaria de ter um vestido capaz de realizar pedidos? Desde então, tinha vontade de ler o primeiro e conhecer um pouco mais do trabalho da autora, mas como a gente sabe, quando se é leitor e se tem uma pilha de livros para ler, fica difícil conseguir dar conta de todos. Até que tive a oportunidade e li no Kindle. O arrependimento bateu por não ter lido antes.

Para Olivia Larsen, nada poderia mudar o fato de que sua irmã gêmea, Violet, se foi. Até que um misterioso vestido de festa é deixado à sua porta, e ele é capaz de lhe conceder um único desejo. A única coisa que Olivia quer é ter a irmã de volta. Agora, as garotas têm uma nova chance de viver tudo o que sempre sonharam. De quebra, descobrem que existem mais dois vestidos com o mesmo poder, ou seja, mais dois desejos novinhos em folha! Mas mágica não pode resolver tudo e Olivia precisa confrontar os fantasmas de seu passado para aprender a rir, amar e viver novamente.

Tal qual o segundo livro, temos aqui um vestido mágico e uma garota que quer usufruir de sua magia. Ao contrário do segundo livro, que se tinha uma protagonista mais velha, aqui temos Olivia, uma adolescente do Ensino Médio que acabou de perder a irmã. E quer mais uma chance com ela. Algo que me chamou a atenção no segundo livro e que torna a aparecer no primeiro são os desejos de cada uma das protagonistas. Enquanto Hazel (protagonista de “Três chances“) quer reencontrar a mãe, Olivia quer a irmã novamente. Isso, de certa maneira, faz com que nos afeiçoemos ainda mais pelas protagonistas, uma vez que suas escolhas as tornam quem elas são. E as escolhas devem envolver sabedoria, sobretudo.

Dito isso, acabo chegando a outro ponto que me encantou na leitura e me fez querer ir até o final. Desejos não é apenas sobre desejar algo. É sobre relacionamentos familiares. E isso Alexandra sabe trabalhar muito bem. Não é de hoje que li livros que tratassem de irmãs, mas acredito sempre estar diante de algo novo. Violet era a garota popular do colégio, enquanto que Olivia era tímida. Quando a primeira morre, Olivia fica à deriva e sem saber para onde ir. Até que tem a oportunidade de ter mais uma chance com a irmã e tentar ser alguém diferente. Mas, ao longo da narrativa, vimos que isso não dá muito certo. O leitor consegue divisar duas irmãs completamente diferentes, com suas especificidades. Com elas aprendemos a viver e a deixar se libertar um pouco. Isso faz bem para qualquer um. É necessário. Continue lendo »

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA
ISBN: 9788551002360
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 320
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Quem leu minha resenha de Simon vs a agenda Homo Sapiens sabe o quanto eu amei a escrita de Becky Albertalli e quanto amor eu criei por essa autora. Por isso, não é mistério algum que eu tenha ficado louca para ler esse lançamento da Intrínseca e que o tenha devorado em poucas horas logo depois que ele chegou na minha casa. E tenho o prazer de dizer que a autora conseguiu me arrebatar mais uma vez! Minha gente, que livro maravilhoso! Se você leu o primeiro livro dela e gostou, esse definitivamente vai te conquistar.

Molly é uma adolescente de 17 anos que, apesar de já ter tido 26 crushes, nunca beijou ninguém na vida. E isso, aos 17 anos, é o fim do mundo. Todas as suas amigas já beijaram – e até transaram – mas Molly não teve sequer um beijo, e, a essa altura, parece que nunca vai ter. O problema é que, mesmo tendo tido 26 crushes, a verdade é que Molly nunca realmente chegou a trocar mais de duas frases com cada um deles, o que torna a possibilidade de rolarem uns beijos bem mais difícil.

Além de ser muito tímida, Molly é muito insegura e o fato de esses relacionamentos parecerem acontecer tão fácil para as outras meninas não ajuda em nada. Parece que o problema é ela – e talvez o fato de ser acima do peso – e isso a deixa com um medo tremendo de levar um fora. Para coroar a situação, sua irmã e melhor amiga Cassie (com a qual fazia simplesmente TUDO junto), de repente arruma uma namorada e começa a seguir a vida sem ela e Molly se vê cada vez mais solitária.

Tudo piora quando Cassie e a namorada têm a ideia de juntar Molly com o melhor amigo de Mina (a namorada): Will. E assim temos o crush 27. A questão é que Molly sempre gostou de fantasiar ficando com garotos, mas quando a fantasia tem possibilidade de virar realidade, ela simplesmente não sabe o que fazer. Pra complicar um pouco mais, ela acabou de conhecer Reid, um cara fofo meio fora dos padrões, que trabalha com ela e com quem ela (surpreendentemente) não tem o menor problema em falar.

Becky mais uma vez surpreende com um YA que simplesmente dá vontade de abraçar e ficar pra sempre morando nessa história. Eu AMO o fato de a autora trazer tanta diversidade para o enredo. Pra começar, Molly é filha de um casal homossexual, ela e seus irmãos são “bebês de proveta”, sua irmã é lésbica e suas mães e seu irmão mais novo são negros. Ah, e não podemos esquecer: a própria Molly é uma personagem fora dos padrões de beleza impostos pela mídia. E o melhor de tudo isso é que a autora não simplesmente joga tudo lá pra dizer que tem diversidade no livro. Ela explora o tema, de maneira bem sutil e natural, mas explora. São pequenos comentários da Molly, dizendo o quanto odeia os babacas que falam que Xavier é seu meio-irmão ou coisa do tipo. É muito interessante o quão naturalmente a autora consegue tratar desses temas no decorrer da história. Continue lendo »

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Avaliação: 3,5/5
Editora: Suma de Letras, Cortesia
ISBN: 9788556510327
Gênero: Suspense
Publicação: 2017
Páginas: 200
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A primeira coisa que chama a atenção em Sempre vivemos no castelo, de Shirley Jackson, é a edição feita pela Companhia das Letras. A capa dura traz um degradê entre roxo e rosa e uma ilustração que condiz perfeitamente com a história. Por dentro, o livro também é lindo. Escrito em 1962, a obra foi relançada este ano no Brasil e conta a história da curiosa família Blackwood.

As irmãs Constance e Mary Katherine, apelidada carinhosamente de Merricat, moram com seu tio Julian e têm o objetivo de manter a perfeita harmonia da casa. Seis anos antes, uma tragédia aconteceu na família Blackwood e o tempo não foi capaz de apagar essas marcas. Na época, todos os outros membros da família morreram envenenados e Constance foi acusada do crime. Sem provas que a incriminassem, ela foi absolvida pela polícia, mas suas vidas nunca mais foram as mesmas.

Apesar de sua absolvição, os moradores da cidade nunca deixaram de a incriminar e desde então o restante da família Blackwood é perseguido. Na casa da família, uma rotina estranha se estabeleceu. Constance, a irmã mais velha, é responsável por cuidar da caçula e do tio e, por nenhum motivo, coloca os pés para fora da propriedade. O tio Julian ocupa seus dias relembrando os acontecimentos da fatídica manhã em que sua família fora envenenada, enquanto Merricat, com dezoito anos, ainda tem um comportamento muito infantil e é obcecada por manter a família em ordem, protegendo-a a qualquer custo. Ela é responsável por fazer as compras na cidade e, muitas vezes, ao ser perseguida pelos outros moradores, imagina como seria se todos eles estivessem mortos.

O perfeito equilíbrio da estranha família se esvai com a chegada do primo Charles. A narrativa é sob o ponto de vista de Merricat e é a partir de seus pensamentos que vemos como Charles age de forma oportunista, com o objetivo de tomar para si as riquezas que a família deixou, fazendo a cabeça de Constance e tentando se livrar de Mary Katherine e do tio Julian. Após a chegada do primo, mais uma tragédia cai sobre a família Blackwood e aí vemos, mais uma vez, como as irmãs tentam reconstruir sua família.

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Avaliação: 5/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535929133
Gênero: Biografia, Autobiografia, Memórias, História, Não Ficção
Publicação: 2017
Páginas: 704
Skoob

Lima Barreto é um autor celebrado pelo Brasil todo. Ainda hoje, suas obras são lembradas, estudadas e interpretadas nas aulas de português, por estudiosos ou até mesmo admiradores da literatura brasileira. Não é a toa que, na Festa Literária de Paraty deste ano, o autor foi escolhido para ser o homenageado e a historiadora Lilia Moritz Schwarcz lançou sua nova obra, Lima Barreto – Triste visionário. Após algumas décadas trabalhando a virada do século XIX pro XX, abordando questões raciais, a vida do imperador e da corte, a figura de Lima sempre aparecia às margens, até o momento em que Lilia Moritz decide dar uma atenção exclusiva ao autor e dedicar a ele essa biografia. Logo na introdução a autora se abstém do título de grande biografia de Lima, atentando para o fato que sua obra é uma demanda do presente, em virtude do combate a uma invisibilidade social de negros e afrodescendentes no Brasil. Nesse sentido, cita o trabalho de Francisco Assis, primeiro biógrafo a se dedicar sobre a obra do romancista. E vai um pouco além, afirmando a existência de um posicionamento político de Lima Barreto, sendo este presente em seus textos.

Por se tratar de um trabalho biográfico, a autora percorre todos os momentos da vida de Lima, desde seu nascimento até a morte. Paralelo a isso, Lilia realiza um esforço válido e bem construtivo de ir tecendo um panorama histórico sobre a história do país, procurando estabelecer relações entre o que acontecia e a vida de Lima Barreto. Nesse sentido, o livro se mostra denso em número de páginas, mas rico em conteúdo. Além disso, a autora se utiliza de inúmeras fontes de período, por exemplo, jornais e imagens, para ir construindo uma narrativa que encanta e faz querer saber mais. Logo na introdução do livro, que achei maravilhosa, a autora estabelece uma relação bem legal entre biógrafo e biografado no sentido de se aproximar de Lima, personagem que já aparecia em suas pesquisas deste o doutorado, mas que nunca havia conseguido se deter com mais atenção. Nesse sentido, a impressão que a autora dá ao leitor é uma proximidade tão grande com o personagem que parece serem velhos amigos, fazendo com que queira se saber mais sobre sua vida.

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Avaliação: 4/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535929447
Gênero: Policial, Suspense, Thriller
Publicação: 2017
Páginas: 432
Skoob

Depois de três livros lidos do Raphael Montes, posso afirmar que ele realmente se destaca atualmente na literatura brasileira, principalmente por resgatar o gênero policial. Suas obras são bem construídas e seguem um ritmo frenético, de forma que a leitura é feita muito rapidamente, pois ele envolve o leitor de uma maneira sem igual, fazendo com que você não queira parar de ler até chegar no final e ver o que acontece. Foi isso que aconteceu quando fiz a leitura de Suicidas, meu livro favorito dele até o momento.

Já fazia um bom tempo que eu queria conferir essa obra, que foi o primeiro livro escrito pelo autor, quando tinha apenas dezenove anos. Quando a Editora Companhia das Letras lançou uma nova edição da obra, não pude perder a chance. Comecei a leitura sem saber direito o que esperar da história. Logo de cara ficamos sabendo que algo muito estranho aconteceu com um grupo de jovens que foram encontrados mortos no porão de uma casa de campo após participar de uma roleta-russa. Um ano após o acontecido, as mães desses jovens são reunidas para tentar desvendar o que de fato aconteceu naquela ocasião e o que fez com eles resolvessem participar desse jogo que acabaria com a vida de todos.

A história é contada a partir dos relatos escritos por Alessandro, um dos suicidas, que tinha o sonho de escrever um livro e, a partir daí, escreveu minuciosamente o que aconteceu no local. Além disso, temos acesso também a anotações feitas antes do jogo. Os capítulos das anotações do Alessandro se intercalam com transcrições da investigação feita pela delegada Diana Guimarães e a conversa que ela está tendo com as mães para desvendar o que de fato aconteceu.

A partir dos relatos, conhecemos a história de nove jovens que tinham um futuro promissor pela frente e acabaram se deixando envolver por um jogo misterioso que acabaria com a vida de todos. Cada um tinha sua motivação e teve sua vida entrelaçada aos outros oito jovens. Uma vez dentro do jogo, não seria mais possível sair.

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