AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA
ISBN: 9788580579727
GÊNERO: CONTOS, ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 240
SKOOB

Quem já teve a oportunidade de ler algo da autora Jojo Moyes, sabe que ela constrói romances emocionantes, que sempre apresentam histórias bonitas, capazes de arrancar muitas lágrimas. Um dos exemplos é “Como eu era antes de você“, que virou filme no ano passado. O novo lançamento da autora no Brasil é Paris para um e outros contos, publicado pela Editora Intrínseca. Aqui, é possível conhecer um outro lado da autora, já que a obra traz alguns contos publicados por ela.

O título do livro é o mesmo do primeiro conto, que é, sem dúvidas, o principal. São cerca de cem páginas para essa história, que envolve e deixa a gente roendo as unhas e torcendo pela protagonista Nell. A jovem planeja há meses um fim de semana romântico com o namorado em Paris, mas quando chega no dia, ele dá para trás. Ela acaba viajando e só descobre que ele não vai mais quando já está na cidade desconhecida, enfrentando todos os seus medos e inseguranças de se ver sozinha em uma situação como essa.

Assim, Nell precisa refletir sobre como deve agir frente à essa situação. Se volta para casa ou aproveita o momento, deixando de lado todos os seus receios. A partir do momento em que toma a decisão, Nell se abre para um mundo completamente novo, descobrindo a cidade das luzes e redescobrindo a si mesma. Por ser o conto mais desenvolvido do livro, foi o meu favorito. Ele traz diversos elementos, como a viagem para Paris, romance, uma jornada de autodescobrimento, valores da amizade, entre outros, tudo isso com uma narrativa leve, deliciosa. Claro que após tantos obstáculos, Nell tem seu final feliz.

Quando parti para os outros contos, fiquei um pouco decepcionada, pois só o primeiro e o último se passam em Paris, e quando iniciei a leitura achei que todas as histórias tivessem relação com a cidade. Ainda assim, foi interessante descobrir esse outro lado da autora. Os outros contos do livro são bem curtinhos, com cerca de quatro páginas cada, e apresentam um lado “mais real” da vida, em que nem tudo dá certo o tempo todo, nem tudo sai conforme o esperado. Continue lendo »

quarta-feira, 12 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535921939 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 302 SKOOB

O pacifista nos conta a trajetória de Tristan Sadler, um jovem homossexual de origem humilde, cuja dificuldade de aceitação do pai por sua opção sexual o obriga a sair de casa e a alistar-se ao exército aos 17 anos. Após o confinamento, nosso protagonista conhece Will Bancroft. Os dois são amigos, amantes e ao mesmo tempo inimigos. A relação entre eles é ambígua e se deteriora durante a guerra. Entre idas e vindas, Will falece. Algum tempo depois, Tristan vai em busca da irmã de seu amigo, entrega as cartas deixadas por Will e lhe revela um grande segredo.

A história se desenvolve na Inglaterra de 1916, sediada na Primeira Guerra Mundial. A narrativa aborda os horrores da guerra, no entanto, o foco está nas experiências de vida de dois jovens soldados nas trincheiras, o romance que se instaurou entre eles, a dificuldade de esconderem suas verdadeiras identidades e a busca por compreensão e redenção. Nesta época, o preconceito se faz presente, porém de modo mais abrangente e aterrorizador. Muito se fala da homossexualidade e as barbáries cometidas por indivíduos incapazes de respeitar a diversidade e a opção de vida de seus semelhantes. Não são poucos aqueles que são extremamente conservadores e ditadores da moral e dos bons costumes. Boyne não poupa palavras para demonstrar o quanto a guerra e o preconceito são igualmente sangrentos e cruéis.

A questão histórica no livro, como nas demais obras de Boyne, é muito bem ambientada e situada, as descrições são ricas e precisas. O desenvolvimento dos personagens não deixa a desejar, a história é detalhista e os sentimentos ali impregnados são palpáveis, a sensação de medo e sofrimento é, por vezes, esmagadora. O livro é dividido em flashbacks, o que acontece no presente e o que aconteceu no passado se entrelaçam para entendermos os conflitos vividos pelo protagonista, a narrativa em primeira pessoa também favorece o desenrolar da história.

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segunda-feira, 10 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013123 GÊNERO: CONTOS, CRÔNICAS, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Cenas londrinas é um dos últimos lançamentos no Brasil escrito pela Virgina Woolf. O livro é uma coletânea de ensaios publicados originalmente na revista Good Housekeeping. A autora os escreveu na primavera de 1931, e eles foram publicados bimestralmente a partir de dezembro daquele ano e no decorrer de 1932. Com a inclusão da sexta cena, “Retrato de uma londrina”, os seis ensaios sobre a vida de Londres foram publicados juntos pela primeira vez. As primeiras cinco vinhetas foram reunidas antes – na América, por Frank Hallam, numa edição limitada, apenas 750 exemplares (1975), e, no Reino Unido, pela Random House (1982), sob o selo da Hogart Press, que os próprios Leonard e Virginia Woolf fundaram em 1917.

Como o próprio título já sugere, acompanhado de algumas notas do editor que facilitam o entendimento do leitor para com o livro, Cenas londrinas traz reflexões da autora sobre alguns lugares ou experiências ocorridas pelas ruas de Londres. Perpassa grandes homens, mas também cidadãos comuns, oferecendo ao leitor visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.

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AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013116 GÊNERO: CONTO, CRÔNICA, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Bartleby, o escrivão, originalmente publicado em 1853, foi escrito pelo estadunidense Herman Melville, mesmo autor do mundialmente conhecido “Moby Dick“. Recentemente foi relançado pela Editora José Olympio.

Bartleby, o escrivão é uma obra curta e simplória, todavia sua simplicidade a torna confusa. Inicialmente a história não tem pé e nem cabeça, parece desconexa, não faz o mínimo sentido. Como assim? Pois bem, o autor nos insere num acontecimento corriqueiro do dia a dia – ninguém fica parado. Para sobrevivermos precisamos trabalhar, ainda não fazemos fotossíntese, infelizmente dinheiro não dá em árvore. Certo? Esse trecho parece confuso? Mas, a obra é confusa, perturba o leitor, o deixa indignado e perplexo, principalmente com o desfecho da trama e a peculiaridade do personagem principal – Bartleby.

O livro é narrado por um dos personagens, o advogado. O leitor vivencia um breve período da vida deste advogado e seus outros empregados, cujas manias e personalidades o incomodam, num escritório situado no Wall Street. A rotina é tumultuada, a demanda de trabalho cresce e assim se faz necessária uma nova contratação. Cansado, o advogado decide contratar alguém que não perturbe ainda mais seus nervos. A partir daqui, Bartleby entra na rotina dos demais – é o novo escrivão – uma máquina de cópia humana e extremamente eficiente.

O advogado estava satisfeito com sua contratação, a existência de Bartleby era quase imperceptível aos que ali chegavam. Porém, o seu comportamento era estranho, além da sua função, ninguém o via fazer absolutamente nada.  A falta de interesse de Bartleby pela vida a sua volta despertou a indignação do advogado, mas inicialmente deixou passar. Até que um dia foi lhe designado outra tarefa e ele se recusou a fazê-la. Eventos como esse se sucederam, a resposta era sempre a mesma: “Preferia não fazê-lo”. Eis o ponto crucial da história. E o leitor ainda está na mesma. Boiando, perdido, curioso etc.

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535929041
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 277
SKOOB

O Dr. Drauzio Varella é muito conhecido pela população brasileira. Isso se dá pelo trabalho ímpar que ele desempenha na sociedade: médico e voluntário praticamente sua vida inteira. Além de aparecer em alguns quadros sobre saúde em programas de TV que são acessíveis para todo Brasil. Para mim, ele é uma referência confiável e amiga quando se trata de saúde. Sério mesmo!

O livro Prisioneiras encerra uma trilogia iniciada em 1999 com o livro “Estação Carandiru” que narra a vida e as histórias da penitenciária masculina do Carandiru, SP, em que Drauzio foi voluntário por treze anos. A obra lhe rendeu o prêmio Jabuti de não ficção e uma versão cinematográfica nas telas do cinema. O livro seguinte foi “Carcereiros”, que após a rebelião e massacre sangrento na Penitenciária do Carandiru, Drauzio se encontrava com os amigos que eram carcereiros e isso lhe rendeu muitas conversas e o livro.

Em Prisioneiras, o autor conta como foi o seu trabalho voluntário na penitenciária feminina de segurança máxima do Estado de São Paulo.

Eu não li os outros livros, mas Prisioneiras é livro de linguagem fácil, porém com histórias e descrições muito reais. Primeiro Dráuzio é direto: a penitenciária feminina é muito diferente da masculina. A mulher, quando “cai na cadeia”, é esquecida. Ela pode ser mãe, irmã, namorada, esposa de alguém, mas possivelmente será abandonada lá para cumprir sua pena na solidão. Em dias de visitas em penitenciárias masculinas há filas e até acampamento na madrugada para guardar o lugar das visitantes. Nas penitenciárias femininas isso não ocorre.

“Em quase trinta anos atendendo doentes em cadeias, jamais ouvi um desaforo, uma palavra áspera, uma reivindicação mal-educada. Às vezes, fica difícil acreditar que pessoas tão respeitosas com o médico tenham cometido os crimes que constam em seus prontuários. Profissão caprichosa a medicina, capaz de criar empatia mútua entre dois estranhos em questão de minutos.”

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: DARKSIDE BOOKS, CORTESIA ISBN: 9788594540324
GÊNERO: CONTOS, FANTASIA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 240 SKOOB

Livros de contos geralmente não chamam muito a minha atenção, mas logo que vi a capa e li a sinopse de Só os Animais Salvam, lançamento recente da DarkSide Books fiquei com muita vontade de ler. Com uma edição extremamente caprichada e uma abordagem única, esse título ganhou meu coração e eu fiquei muito feliz por ter a oportunidade de lê-lo.

Tendo como foco a visão dos animais diante de conflitos e guerras causadas por nós, os humanos, os contos selecionados por Ceridwen Dovey para compor essa obra, conseguem ser encantadores e sombrios ao mesmo tempo. Temos a oportunidade de entender (deduzir) o que se passa na mente dos animais, e gostei muito da maneira como as histórias foram narradas mesclando muito bem a realidade e a fantasia.

Ao todo são 10 contos selecionados que conseguem nos inserir de maneira completa nas histórias, tornando a experiência de leitura única e prazerosa. Dentre todos esses contos, meus favoritos foram “Alma de Gata”, que conta a história de uma gata que acabou sendo esquecida por sua dona em meio a uma guerra, e agora passa seus dias em uma trincheira; “Alma de Chimpanzé”, um conto um tanto quanto assustador que nos apresenta Peter Vermelho, um chimpanzé que foi treinado para agir e pensar como um humano, e agora diante da guerra se vê obrigado a regressar ao seu instinto primitivo; “Alma de Cachorro, que conta a história de um cachorro que se perde em meio ao amor e devoção por mestre humano; e “Alma de Papagaio“, traz a história de Barnes, um papagaio que sempre foi muito mimado e amado por sua dona, uma mulher solitária vivendo no Oriente.

Foto: Tayara Casemiro/Viagens de Papel

“Meu carma estava outra vez poluído. Talvez eu tivesse destruído para sempre minhas chances de reencarnar como um ser humano.”

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AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: QUADRINHOS NA CIA, CORTESIA ISBN: 9788535921311 GÊNERO: HQ PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 672 SKOOB

Habibi entrou na minha lista de leituras por causa do nome do autor. Craig Thompson escreveu a incrível  HQ  ““Retalhos”, que me encantou demais e logo se tornou um daqueles nomes que, assim que lançam algo, eu estou indo atrás.

Esta HQ tem uma pegada completamente diferente de “Retalhos” e traz um retrato da cultura árabe. Isso pode causar estranhamento no início, pois a grande maioria de nós não está acostumada com muitas histórias assim, mas o autor obteve sucesso em contextualizar a obra e em torná-la agradável para qualquer um.

Somos apresentados à Dodola e Zam. Ambos são escravos e por meio das reviravoltas da vida acabam se juntando e criando um laço muito forte. Porém, a trama se desenrola mesmo após a separação dos dois. Cada um é levado para um caminho diferente e segue sua vida. Ela, forçada a ser prostituta e ele, se tornando eunuco. Mesmo estando distantes, ou, na verdade, até que próximos, como o leitor tem noção durante a leitura, eles não se esquecem e sempre mantêm em sua mente a falta que o outro faz.

A HQ é extremamente cruel com o leitor e triste. Você irá se apegar aos dois e sofrer com os acontecimentos aos quais eles são submetidos. O autor não tem pena de quem está lendo, e muito menos dos dois protagonistas.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Papel

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AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: V&R EDITORAS, CORTESIA ISBN: 9788576839002 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE ERÓTICO, ADULTO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 312 SKOOB

Notas quentes é o segundo volume da série Homens Marcados, cujos livros narram as histórias de amor de um grupo de amigos, além de abordar temas mais importantes e reflexivos em suas tramas. Neste volume conhecemos a história de Jet e Ayden, personagens que foram apresentados no primeiro volume e que agora tem sua história contada.

Ayden é aquele tipo de garota toda “certinha”, que presa pela estabilidade em sua vida, em ter um futuro sólido e seguro – mas quem a conhece assim não imagina o quão complicado e tenebroso pode ser o seu passado. É justamente por tudo que viveu que Ayden é assim hoje, uma mulher determinada a construir um futuro para si e que foge do passado que possui.

Jet, assim como Ayden, esconde tudo que tem por dentro atrás de uma fachada de músico de sucesso que tem todas as mulheres que quer a seus pés, um músico que não se importa com nada a não ser com sexo e diversão. Porém, com a família disfuncional e extremamente problemática que tem, ele aprendeu a esconder seus sentimentos e o grande coração que possui.

Desde a primeira vez que se encontraram Ayden sentiu uma atração por Jet, mas ao levar um fora bem dado dele, ela decide se afastar, até que, por uma sequência de eventos, eles acabam por dividir o teto. É então que, o que surge como uma amizade “inocente”, acaba se tornando uma bomba entre os dois, na iminência de explodir, a única coisa que os prende é a insegurança de Ayden, que após ser rejeitada fica com receio de se entregar.

O que temos aqui é a típica história de “os opostos se atraem”, ou ao menos é o que aparenta ser, porque a realidade é que Ayden e Jet são mais parecidos do que pensam. Ambos possuem um passado complicado, com conflitos familiares e questões internas a serem resolvidas e, conforme eles vão se entregando mais e mais e confiando um no outro, passamos a conhecer mais profundamente os personagens. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: PEDRAZUL, CORTESIA ISBN: 9788566549454 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE DE ÉPOCA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 188 SKOOB

Quando solicitei Alina para resenha, não sabia bem o que esperar, mas estava curiosa para ler um romance de época que se passasse no Brasil. No livro de Emilia Lima, conhecemos a história da família Cirilo, que veio de Portugal com o intuito de ajudar na colonização do Brasil. Alina, uma jovem garota, sempre esteve muito em contato com sua família, porém não deixava de fazer suas vontades e tinha opiniões muito fortes. É a sua história que conhecemos neste primeiro livro da série.

Desde muito jovem, ela se apaixonou por Pedro Garcia, um dos amigos da família. O sentimento era recíproco, entretanto era um amor proibido, pois Pedro era casado e tinha dois filhos. Mesmo com o passar dos anos, eles não conseguiram esquecer esse amor e passaram a lutar cada vez mais contra isso. Entretanto, os dois acabam se entregando um ao outro e para não destruir a família de Pedro, Alina parte em direção à casa da irmã para passar um tempo, pensando depois em se mudar para Portugal.

Seus planos são frustrados quando ela descobre estar grávida de Pedro e para não trazer desgosto para a família, parte com a índia Ana para uma aldeia indígena, onde passa a viver e conhece o mestiço Naru, que a enche de atenções. Juntos, eles descobrem um outro tipo de amor, cuidadoso, leal, sincero e sem pedir nada em troca. Mas por mais que viva feliz com Naru e os filhos, Alina não consegue esquecer de seu passado.

O livro de Emilia Lima é bem curtinho, mas traz uma história bem construída e bastante envolvente. Concluí a leitura muito rapidamente, ainda que estivesse com medo de que isso não fosse acontecer pela história se passar na época do Brasil colonial. Iniciei o livro com um pouco de preconceito com a temática e paguei a minha língua, pois foi muito prazerosa e fluída. Gostei muito de revisitar alguns fatos de nossa história, pois além do romance a autora traz fatos históricos e notas de rodapé que relembram marcos importantes da época. Continue lendo »

quarta-feira, 28 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: FÁBRICA 231, CORTESIA ISBN: 9788568432440 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 368 SKOOB

Conheci a história de A garota dinamarquesa após o lançamento do filme, no ano passado, que gerou uma repercussão em Hollywood, chegando a ser indicado ao Oscar, mas também causando controvérsia pela temática em si e pela maneira com a qual foi lidada. Para quem não sabe, a história aborda a questão transgênera ao narrar a trajetória do primeiro homem que realizara uma cirurgia de mudança de sexo, nos anos 30. Como é perceptível,  o tema em si é de delicadeza extrema, o que implica uma sensibilidade no momento do trato do assunto. Assisti ao filme e me vi inebriado pela atmosfera criada, emocionando-me pela história em si. O tempo passou, até que tive a oportunidade de conhecer o livro no qual deu origem ao filme. Minha percepção mudou completamente, o que me fez gostar ainda mais da história e se tornar um queridinho da estante.

O cenário é início do século XX e temos como protagonista Einar Wegener, que é um pintor dinamarquês que vive com sua esposa Greta, conseguindo custear despesas do cotidiano graças as pinturas que ambos produzem. Greta está envolvida na pintura de um quadro, até o dia em que a modelo que estava posando para ela não comparece à sessão, e a artista pede que o marido vista as meias e os calçados, para que possa dar sequência ao trabalho. Einar aceita de prontidão, mas ambos não esperavam que o favor se tornasse o pontapé inicial de uma história incomum, mas extremamente sensível. Diante da situação, a esposa sugere que Einar se vista totalmente de mulher, mais tarde ganhando o nome de Lili Elba. O que era para ser apenas uma experiência única acaba se tornando algo recorrente e Lili começa a fazer cada vez mais parte da vida do casal, ao mesmo tempo em que Einar passa a questionar seus próprios sentimentos e sua existência.

Quando soube da existência do livro, eu achava que era um livro de época, escrito no período em que a história aconteceu. Só depois que eu peguei o exemplar para iniciar a leitura é que me dei conta que era um romance contemporâneo referente ao período em questão. Isso é justificado logo no início do livro, com uma nota do autor, o que me pareceu algo correto e sábio. O autor destaca que é uma história real, que se baseou em fontes do período, como jornais e correspondências da própria Lili, mas que a construção da história é fruto de sua imaginação. Do mesmo modo, ao final do livro, há um posfácio e uma entrevista do autor, mostrando ao leitor todas as nuances e entremeios da construção da história, determinando até mesmo os limites entre a realidade e a ficção. Continue lendo »