AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928464 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 270 SKOOB

O que mais influenciou minha cuidadosa escolha por esse título foi o fato de ser considerado uma obra-prima da literatura infantojuvenil mundial e eu não ter nem ouvido falar. Essa decisão foi primorosa, fazendo com que entrasse para minha lista de “melhores livros lidos”.

Todos os dias depois das aulas matutinas, os meninos da rua Paulo almoçam em suas respectivas casas e correm para se reunir no grund e jogar pelada. Porém, o que parece ser apenas uma reunião de garotos sem nada de mais importante para fazer, é na verdade um lugar com hierarquia, regras, diversão e princípios.

Entretanto, quando o lugar é invadido por Chico Áts, um adversário do grupo, Boka, o presidente e capitão dos meninos da rua Paulo, resolve partir com dois colegas rumo ao Jardim Botânico, determinado a deixar um recado escrito aos rivais, os camisas-vermelhas. Esse ato que por pouco não acaba frustrado, culmina no clímax do livro, a disputa pelo grund.

Escrito pelo húngaro Ferenc Molnár, o original foi publicado 110 anos atrás (1907), por esse motivo precisei interromper algumas vezes a leitura para procurar o significado de alguns termos: abecar, usurário, azáfama, estenografia, janota, betume… A edição possui um glossário ao final do livro que contribuiu bastante, porém minhas dúvidas foram um pouco além das palavras ali disponibilizadas, como: caniço, insólito, caluda, tacanho, moção, estertorar… Em contrapartida, foram muito úteis as notas de rodapé feitas por Paulo Rónai.

A capa está excepcional, as cores, fonte e, sem dúvida, os quadrinhos, que mostram desde o momento da decisão de Boka em ir até a ilhota no Jardim Botânico, até o desfecho do plano sendo posto em prática.

“Absolutamente. Nem mesmo faremos coisas semelhante ao que fez Chico Áts quando nos arrancou a bandeira. Nós nos limitaremos a mostrar-lhes que não temos medo deles e temos coragem de penetrar no lugar onde eles se reúnem e guardam as armas. – João Boka”

Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: ALFAGUARA, CORTESIA
ISBN: 9788556520241
GÊNERO: CRÔNICAS, NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 107
SKOOB

Eu acredito que ler esse livro não tenha sido uma coincidência. Carrascoza também não acharia, mas transcreveria como conto, desses que são quase impossíveis de se acreditar que sejam parte de um diário muito real e verossímil.

Trinta e seis histórias sobre as mais diversas coincidências possíveis. A maioria do próprio autor, João Anzanello Carrascoza. Isso me fez sugerir no início da leitura que fosse uma autobiografia. Mas seu nome praticamente não é citado, mesmo quando a coincidência tem a ver com seu homônimo!

Os capítulos são curtos e bem escritos. As lembranças são revividas com uma intensidade difícil de explicar. Mas ao ler, dá até pra sentir o cheiro da maresia salgada narrada em uma das histórias. Será uma coincidência?

Tem uma história que eu achei particularmente linda e, para deixar com gostinho de QUERO MAIS, vou contá-la aqui: um casal desejava muito um segundo filho, porém não era mais possível para a esposa gerá-lo. Decidiram pela adoção e na tarde em que se inscreveram em diversos varas de família para entrar na lista, seu marido lhe enviou flores e um bilhete dizendo que havia, naquele dia, em algum lugar, uma menina nascendo para eles, só precisavam encontrá-la.

Três anos se passaram e quando foram convidados para conhecer um bebê em uma instituição se depararam com uma garotinha brincando no pátio. Se encantaram e mudaram os planos para acolhê-la. Quando viram os documentos da criança, perceberam que ela nasceu no exato dia do bilhete escrito pelo marido!

É sério… coincidências são poderosas. Coincidências dão um ar de magia para nossa realidade. Ao chegar no fim de cada episódio narrado é possível ficar boquiaberto com todas as pontas da história, até as que não se apresentaram de forma concreta, se amarrando como se fossem um filme hollywoodiano.

“Quase sempre dois pontos se encontram, gerando uma coincidência, depois de percorrerem, cada um à sua maneira, itinerários em linha reta, em forma de espiral, ou fazendo um percurso sinuoso – não há vetor padrão, o comando para que se cruzem, entre as milhares de chances improváveis, é regido por regras que ignoramos.”

Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: PARALELA, CORTESIA
ISBN: 9788584390663
GÊNERO: NEW ADULT, ROMANCE PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 296
SKOOB

Desde que li o primeiro volume da série “Amores improváveis” me apaixonei pelo modo da autora de explorar os conflitos que frequentemente permeiam a juventude nessa fase de transição para a vida adulta. Nesse livro não poderia ser diferente, a autora traz um assunto que é cada vez mais frequente na vida de jovens e nos mostra claramente as dificuldades que isso traz.

Sabrina é uma menina focada. Ela já tem todo o plano da sua vida traçado e o segue a risca: se formar em Briar, ser aceita em Harvard para cursar Direito e sair da vida miserável que leva com o padrasto desprezível e a avó. Ela faz das tripas coração para se manter e conquistar seus objetivos, tendo até que trabalhar em dois empregos, o que significa que não tem tempo nem pra diversão.

Por acaso ela acaba conhecendo John Tucker, um cara paciente, tranquilo e com seus próprios objetivos, que causa uma boa impressão logo de cara. Os encontros duram mais do que Sabrina esperava e ela se vê dividida entre aproveitar ou dar um fim ao que pode atrapalhar seus planos de futuro, mas o destino nem sequer lhe dá uma escolha: ambos são pegos de surpresa com uma notícia que vai mudar suas vidas para sempre e eles tem que decidir como lidar com isso.

Diferente dos livros anteriores, eu senti que nesse volume, talvez pela vida difícil que já viviam, ambos os personagens já eram mais amadurecidos. Sabrina já sabia o que queria e corria atrás pra conquistar seus sonhos. Tucker também já tinha algo traçado para sua vida e, dentre os amigos, era o mais responsável, o que cuidava e aconselhava a todos. Quando conhece Sabrina ele já fica louco por ela, e por mais hesitante que ela esteja, ele sabe como lidar com ela, sem pressionar, sempre com muita paciência e sabendo respeitar os limites dela.

Esse ponto é uma das coisas que mais amei no personagem: ele representa como um homem deveria ser. Um homem que não foge de suas responsabilidades, que sabe entender e respeitar a decisão alheia e que não pressiona. Amei o carinho, o cuidado e o respeito que mostrou em relação à nossa protagonista.

Outro ponto que amei é o desenvolvimento das coisas: do romance em si e da evolução dos personagens ao longo do livro. A autora soube ter um timing perfeito para a construção do relacionamento entre eles. Tudo acontece naturalmente, um passo após o outro e lentamente vemos tudo acontecer. O modo como ambos lidam com o “problema” que surge também foi bem estruturado e a única coisa de que senti falta foi de um acompanhamento mais profundo do lado da Sabrina enquanto passava por esse conflito interno de uma decisão que mudaria sua vida. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928105 GÊNERO: ENSAIO, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 168 SKOOB

A forma bruta dos protestos foi um livro que caiu nas minhas mãos ao acaso. Não estava esperando ele. No entanto, quando vi do que se tratava, fiquei extremamente curioso; afinal, é impossível não se envolver com a situação política do país. Porém, o que pode ser algo extremamente positivo também pode não ser. Por se tratar de um assunto tão recente e que está a todo instante vindo a tona, o livro pode pecar em alguns aspectos e deixar a desejar. Mesmo assim, decidi dar uma chance a ele e ver no que dava.

O jornalista Eugênio Bucci se aventura a realizar uma análise sobre as manifestações de junho de 2013, que se alastraram em todo o país, indo até 2016, quando acontece o “Impeachment” contra a presidente “Dilma Rousseff”. Buci se debruça a pensar aquelas passeatas como algo que culminou no processo contra a presidente. As manifestações pegaram o governo de tal maneira que este não soube como reagir. O próprio autor afirma que não havia uma causa específica para tal ocorrência, fazendo com que grupos sociais que não tinham o hábito de se envolver em tais atividades fossem para as ruas. Junho de 2013, para o autor, é como uma ruptura nas fronteiras da política para configurar um acontecimento que se impôs no campo da cultura, mas com potencial de transformar também a cultura política.

As manifestações tornaram a ocorrer em 2014, durante a abertura da “Copa do Mundo”, no Brasil, quando a presidente foi vaiada em pleno estádio, mas também em 2015, quando parcela da população foi para as ruas trajando uniformes da CBF, tirando fotos e selfies e colocando nas redes sociais. Todos esses atos são objetos de análise pro jornalista. Porém, aqui começa o meu problema com o livro. Como afirmei no início da resenha, trabalhar com um assunto tão recente pode parecer um pouco arriscado, pois não conseguimos ter uma maior dimensão de análise crítica. E talvez tenha sido o que mais tenha desgostado nele. Não que seja um livro ruim. Chamei e torno a chamar a atenção para a ousadia do autor em pegar o tema, mas acredito que faltou uma reflexão mais crítica. Tive a impressão que não havia uma sincronia entre os capítulos, ao mesmo tempo em que senti a falta de uma opinião mais amplificada sobre o assunto. Entendo que o autor possui um posicionamento, mas acredito que para tornar o livro ainda mais rico era necessário mostrar ao leitor outras possibilidades.

Continue lendo »


Hoje o dia é de romantismo, afinal é DIA DOS NAMORADOS! Data especial para passarmos ao lado de quem amamos, de quem admiramos e que nos faz nossa jornada diária muitas vezes valer a pena. E não tem coisa melhor também do que viver aquele romance, mesmo que seja apenas nas páginas de um livro, não é? Aqueles personagens pelos quais nos apaixonamos e acreditamos que o amor é possível. Que rimos, choramos e sofremos por eles. Por isso, nos reunimos nessa data e escolhemos alguns casais literários que shippamos e suspiramos cada vez que lemos ou os reencontramos, além de explicar o porquê da escolha.

 

Foto: Cena do filme “O amor nos tempos do cólera”. (Divulgação)

CAMILA TEBET

Florentino e Fermina, de O amor nos tempos do cólera (Gabriel García Márquez)

É impossível falar de amor sem lembrar do clássico O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez. No livro, o autor conta uma história de amor turbulenta e inconstante. Aqui, conhecemos Fermina Daza e Florentino Ariza, apresentados já em suas velhices. O autor apresenta, com delicadeza, uma história de amor que atravessou os anos e passou por muitos obstáculos. Um casal que se apaixonou perdidamente, mas que pelos percalços da vida teve que se separar por longos anos. No final, mostram que nem o tempo é capaz de apagar certos sentimentos. Florentino e Fermina ensinam muito sobre esperança, paciência e, principalmente, sobre o amor genuíno. Continue lendo »

sábado, 10 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: PENGUIN COMPANHIA, CORTESIA ISBN: 9788563560858 GÊNERO: FICÇÃO, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2014 PÁGINAS: 296 SKOOB

Há alguns anos li “O lobo do mar” e foi aí que entrei em contato com as obras de Jack London. Sem muito o que esperar, embarquei nas aventuras de Humphrey van Weyden e do capitão Wolf Larsen e me surpreendi com a linguagem simples do autor, porém cheia de significados. Este ano, resolvi que era hora de ler outro de seus livros e solicitei Caninos Brancos para a Companhia das Letras. Dessa vez, a surpresa foi ainda mais positiva. Um livro incrível, que me envolveu de forma sem igual.

Caninos Brancos é dividido em partes que mostram como é o funcionamento do mundo selvagem. A história é ambientada no território de Yukon, norte congelado do Canadá, durante a corrida de ouro que atraiu muitas pessoas para a região. Na primeira parte, acompanhamos a jornada de dois companheiros que seguem de volta para a civilização, acompanhados de seus cachorros. Entretanto, o retorno é marcado pelo conflito com a vida selvagem e o surgimento dos lobos, que os perseguem e sentem-se mais destemidos, avançando cada vez mais em direção à suas presas. Aqui, há o aparecimento de uma loba mestiça e a apresentação de suas estratégias para atrair os cachorros para sua matilha.

Na segunda parte, nosso protagonista, Caninos Brancos, aparece. Aqui é possível acompanhar o ponto de vista dos lobos e sua busca por alimento e proteção, seguindo, de perto, a trajetória da loba mestiça Kiche, que em certo momento dá a luz a muitos filhotes, entre eles o pequeno Caninos Brancos. Essa parte do livro foi uma das que mais me marcaram. É realmente emocionante acompanhar o nascimento do pequeno lobinho e suas descobertas sobre o mundo. Em um primeiro momento, ele ficava confinado em sua caverna, sendo sempre amparado pela mãe. Conforme cresce, ele se coloca à disposição de novas descobertas e, a partir de então, encontra-se em uma nova realidade, em que tem que lutar para se proteger, caçar o seu próprio alimento e buscar a sua liberdade. O autor apresenta essa descoberta de um novo mundo de um jeito muito bonito. É como se estivéssemos vivendo tudo isso pela primeira vez também, junto com o lobinho.

Em seguida, acompanhamos a jornada de Caninos Brancos e a sua aproximação com o ser humano. Por conta da mãe, loba mestiça, eles passam a viver em uma aldeia indígena e ali, com o dono Castor Cinzento, o lobo descobre a superioridade do ser humano, que é comparado a um “Deus” na obra. A partir de então, seu comportamento é moldado pelos desejos de seu dono e Caninos Brancos passa a se devotar completamente a ele. Continue lendo »

quarta-feira, 7 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: ARQUEIRO, CORTESIA ISBN: 9788580417012 GÊNERO: ROMANCE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 512 SKOOB

Essa é minha primeira leitura do autor Nicholas Sparks. Juro! Claro que já conheço as obras do autor por meio das versões cinematográficas. “Um amor para recordar” foi um filme chave na minha adolescência e não importava quantas vezes eu assistisse sempre chorava horrores. E “Diário de uma paixão”! Nossa! Não tem como não chorar nesse filme. Ou seja, pela experiência, sabe-se que sempre há grandes emoções em suas histórias.

Não é diferente com Dois a Dois (por favor, vire filme logo!). Russ é um cara dado ao romantismo. Praticamente desde criança acredita que é possível que uma garota se apaixone por ele só fazendo as coisas românticas na hora certa. É claro que na realidade não é bem assim e ele acaba tendo poucos relacionamentos. Mesmo assim ele encontra Vivian, uma mulher segura e linda com quem se casa e tem planos de ter uma família. Aliás, é assim que o livro começa: com uma gravidez.

O relacionamento de Russ e Vivian não é o mais comunicativo e compreensivo do mundo, mas na narrativa em primeira pessoa ele faz parecer que são dias de felicidade. Tudo se transforma com a chegada de sua filhinha London, pois Vivian não voltara a trabalhar para cuidar da filha, de forma que Russ começa a se sentir muito pressionado por manter a casa sozinho.

As coisas parecem começar a desandar. Na agência de publicidade em que trabalha as coisas não estão indo muito bem e Russ decide arriscar e abrir sua própria empresa. Em contrapartida, Vivian decide voltar a trabalhar. Há dois cercos na história: o primeiro é que o trabalho de Russ é autônomo e ele terá que cuidar de sua filha London, e o segundo é o constante envolvimento de Vivian com o seu trabalho, que precisa viajar e ficar fora durante muito tempo. Continue lendo »

segunda-feira, 5 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA ISBN: 9788551001028 GÊNERO: ROMANCE, THRILLER, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 304 SKOOB

A viúva foi aquele livro que me conquistou pela sinopse, prometendo ser um thriller intenso e remetendo a temáticas já conhecidas de outras histórias, como foi o caso de “Garota exemplar” e “A mulher misteriosa“, também publicados no Brasil pela Editora Intrínseca. A parte gráfica do livro é algo que merece destaque, tanto pelo jogo de cores, envolvendo preto e azul na capa, mas também pelas páginas em tons escurecidos. Infelizmente, o que poderia ter se tornado o thriller do ano acabou pecando em vários aspectos.

Jean Taylor acabou de perder o marido e se torna o centro das atenções da mídia local. Afinal, todos querem saber se o marido era realmente um monstro, conforme diziam. Ao longo dos últimos anos, a mulher manteve muitos segredos para si, sem saber em quem podia confiar. Nunca se sentiu atraente, tinha baixa autoestima, até o dia em que Glen apareceu em sua vida. Aí tudo mudou.

Casou-se jovem e sua vida se resumia ao trabalho como cabeleireira. Sua vida não era muito movimentada como as de outras pessoas que conhecia, mas pelo menos ela tinha Glen. No início do casamento, tudo era perfeito, até o dia em que as coisas começaram a desandar. Jean não sabe bem o que aconteceu, mas quando menos viu, tudo mudou mais uma vez. E para pior. Agora que o marido morreu, só ela detinha a verdade dos fatos.

Digo primeiramente que não é a toa que a sinopse acima é meio confusa. Isso dá margem ao leitor para querer saber mais a respeito dos acontecimentos. E mesmo que houvesse mais informações, perderia a graça de juntar todas as peças do quebra-cabeça, como aconteceu comigo.

O ponto de partida da história é instigante e desperta interesse do leitor. Começamos no ano de 2010, com a morte de Glen e a recuperação de Jean. Em poucos capítulos, já voltamos ao passado para começar compreender o que realmente aconteceu para chegarmos à situação atual. E esse é o primeiro ponto que poderia ter sido algo positivo mas que no final das contas não alterou muita coisa no desenrolar história. Continue lendo »


Avaliação: 4/5
Editora: Seguinte, Cortesia
ISBN: 9788555340123
Gênero: Ficção histórica, Jovem Adulto
Publicação: 2016
Páginas: 225
Skoob

John Boyne é um autor que sempre me surpreende com suas histórias, sempre muito tocantes. No ano passado, uma das minhas leituras favoritas, “Um ano de solidão“, foi de sua autoria. Outro livro que gosto muito do autor é “O menino do pijama listrado“. Agora, em O menino no alto da montanha, ele volta a colocar como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Ainda que não seja tão emocionante quanto as outras, essa história também é muito bem construída, falando sobre o quanto o poder é capaz de corromper as pessoas.

Em 225 páginas, Boyne nos conta a história do pequeno Pierrot Fischer, um garoto que vive com os pais na França. Já pequeno, ele tem um vislumbre dos horrores da guerra. O pai, alemão, sempre falava o quanto era importante servir ao próprio país, mas em casa agia de forma violenta, que a mãe, francesa, atribuía às batalhas. Na cidade em que morava, ele também tinha um grande amigo, o judeu Anshel Bronstein. Inseparáveis, eles viviam contando histórias um ao outro.

Uma série de tristes acontecimentos fazem com que Pierrot se torne órfão de pai e mãe. O mais próximo que ele tem de família é Ansel e sua mãe, que não podem cuidar dele por muito tempo, já que sofrem com a falta de dinheiro. Dessa forma, o pequeno é encaminhado para um orfanato, mas logo sai de lá quando sua tia Beatrix fica sabendo do que aconteceu e leva o menino para morar com ela.

Beatrix é governanta em uma mansão no alto das montanhas alemãs. Logo ao chegar na casa, aos sete anos, ele passa a ser chamado de Pieter e sua tia o orienta que nunca mencione o amigo Anshel nas dependências da casa. Pierrot ainda era muito novo, mas logo ficaria sabendo a quem pertencia a mansão: Adolf Hitler.

Conforme os anos passam, vamos acompanhando o crescimento de Pierrot e sua aproximação com o Führer, ao mesmo tempo em que a Segunda Guerra Mundial tomava forma na Europa. O menino, cego pela atenção e pela tomada do poder, logo passa a agir de forma autoritária e desumana, ao mesmo tempo em que finge não ver as atrocidades arquitetadas naquela casa.

Assim como em seus outros livros, John Boyne escreve de maneira muito fluída e envolvente, mesmo trabalhando com uma temática mais pesada. Neste livro, a Guerra é contada a partir de uma outra perspectiva. Em primeiro plano está Pierrot, e conforme os anos vão passando acompanhamos suas inseguranças, mudança de atitudes e a forma como deixa sua inocência de lado, assim como memórias da infância, e é influenciado por ideais nazistas, sempre vislumbrado pelo poder e articulação de seu Führer. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788556510280 GÊNERO: DISTOPIA, FANTASIA, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 352 SKOOB

A rainha de Tearling é um livro que já vem chamando a minha atenção muito antes de ser publicado por aqui. Já estava de olho nos ótimos comentários que li sobre ele nos blogs gringos e quando descobri que ia ser lançado pela Editora Suma de Letras quase não aguentei de curiosidade e expectativa. Felizmente, nenhum deles foi frustrado ao finalmente poder embarcar nessa leitura.

Este primeiro volume da trilogia nos apresenta Kelsea, uma princesa que foi mandada ao exílio por sua própria mãe para ser criada no meio do nada, em uma cabana onde foi preparada por 19 anos para ser rainha, ignorante da realidade de seu próprio reino. Passado esse tempo, os remanescentes da Guarda da Rainha vêm buscá-la para que ela possa assumir o trono, mas o que ela encontra é muito diferente do que imaginava: um reino tomado por corrupção e inimigos, nada do lindo reino que esperava.

Mesmo com anos de preparo, e portando a poderosa joia Safira Tear, Kelsea descobre que não tem o mínimo de experiência pra governar e não poderia estar mais insegura sobre isso, mesmo que possua em seu coração as melhores intenções. Em sua ânsia de governar o seu povo com justiça, ela acaba por criar inimigos perigosos e poderosos, e Kelsea tem que aprender rápido as regras do jogo se quiser proteger seu povo.

A primeira coisa a chamar a atenção nesse livro é a protagonista. Ela foge a qualquer um dos padrões: ela não é perfeita, tem feições que não são consideradas belas, não é nada do que se espera de uma rainha e sequer está adequadamente preparada para o cargo. Em sua jornada ela comete erros e acertos, se perde e se acha, mas se mantém firme em sua determinação e coragem. É uma personagem real, que cativa o leitor e nos encanta com sua força.

O livro tem toda uma construção elaborada de enredo e personagens. Nada é preto no branco, é tudo constituído de falhas e acertos, de qualidades e defeitos e, mesmo em personagens que deveríamos odiar, acabamos por encontrar algo que o redima (ao menos um pouco). Continue lendo »