sexta-feira, 7 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535929041
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 277
SKOOB

O Dr. Drauzio Varella é muito conhecido pela população brasileira. Isso se dá pelo trabalho ímpar que ele desempenha na sociedade: médico e voluntário praticamente sua vida inteira. Além de aparecer em alguns quadros sobre saúde em programas de TV que são acessíveis para todo Brasil. Para mim, ele é uma referência confiável e amiga quando se trata de saúde. Sério mesmo!

O livro Prisioneiras encerra uma trilogia iniciada em 1999 com o livro “Estação Carandiru” que narra a vida e as histórias da penitenciária masculina do Carandiru, SP, em que Drauzio foi voluntário por treze anos. A obra lhe rendeu o prêmio Jabuti de não ficção e uma versão cinematográfica nas telas do cinema. O livro seguinte foi “Carcereiros”, que após a rebelião e massacre sangrento na Penitenciária do Carandiru, Drauzio se encontrava com os amigos que eram carcereiros e isso lhe rendeu muitas conversas e o livro.

Em Prisioneiras, o autor conta como foi o seu trabalho voluntário na penitenciária feminina de segurança máxima do Estado de São Paulo.

Eu não li os outros livros, mas Prisioneiras é livro de linguagem fácil, porém com histórias e descrições muito reais. Primeiro Dráuzio é direto: a penitenciária feminina é muito diferente da masculina. A mulher, quando “cai na cadeia”, é esquecida. Ela pode ser mãe, irmã, namorada, esposa de alguém, mas possivelmente será abandonada lá para cumprir sua pena na solidão. Em dias de visitas em penitenciárias masculinas há filas e até acampamento na madrugada para guardar o lugar das visitantes. Nas penitenciárias femininas isso não ocorre.

“Em quase trinta anos atendendo doentes em cadeias, jamais ouvi um desaforo, uma palavra áspera, uma reivindicação mal-educada. Às vezes, fica difícil acreditar que pessoas tão respeitosas com o médico tenham cometido os crimes que constam em seus prontuários. Profissão caprichosa a medicina, capaz de criar empatia mútua entre dois estranhos em questão de minutos.”

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quinta-feira, 6 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: DARKSIDE BOOKS, CORTESIA ISBN: 9788594540324
GÊNERO: CONTOS, FANTASIA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 240 SKOOB

Livros de contos geralmente não chamam muito a minha atenção, mas logo que vi a capa e li a sinopse de Só os Animais Salvam, lançamento recente da DarkSide Books fiquei com muita vontade de ler. Com uma edição extremamente caprichada e uma abordagem única, esse título ganhou meu coração e eu fiquei muito feliz por ter a oportunidade de lê-lo.

Tendo como foco a visão dos animais diante de conflitos e guerras causadas por nós, os humanos, os contos selecionados por Ceridwen Dovey para compor essa obra, conseguem ser encantadores e sombrios ao mesmo tempo. Temos a oportunidade de entender (deduzir) o que se passa na mente dos animais, e gostei muito da maneira como as histórias foram narradas mesclando muito bem a realidade e a fantasia.

Ao todo são 10 contos selecionados que conseguem nos inserir de maneira completa nas histórias, tornando a experiência de leitura única e prazerosa. Dentre todos esses contos, meus favoritos foram “Alma de Gata”, que conta a história de uma gata que acabou sendo esquecida por sua dona em meio a uma guerra, e agora passa seus dias em uma trincheira; “Alma de Chimpanzé”, um conto um tanto quanto assustador que nos apresenta Peter Vermelho, um chimpanzé que foi treinado para agir e pensar como um humano, e agora diante da guerra se vê obrigado a regressar ao seu instinto primitivo; “Alma de Cachorro, que conta a história de um cachorro que se perde em meio ao amor e devoção por mestre humano; e “Alma de Papagaio“, traz a história de Barnes, um papagaio que sempre foi muito mimado e amado por sua dona, uma mulher solitária vivendo no Oriente.

Foto: Tayara Casemiro/Viagens de Papel

“Meu carma estava outra vez poluído. Talvez eu tivesse destruído para sempre minhas chances de reencarnar como um ser humano.”

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AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: QUADRINHOS NA CIA, CORTESIA ISBN: 9788535921311 GÊNERO: HQ PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 672 SKOOB

Habibi entrou na minha lista de leituras por causa do nome do autor. Craig Thompson escreveu a incrível  HQ  ““Retalhos”, que me encantou demais e logo se tornou um daqueles nomes que, assim que lançam algo, eu estou indo atrás.

Esta HQ tem uma pegada completamente diferente de “Retalhos” e traz um retrato da cultura árabe. Isso pode causar estranhamento no início, pois a grande maioria de nós não está acostumada com muitas histórias assim, mas o autor obteve sucesso em contextualizar a obra e em torná-la agradável para qualquer um.

Somos apresentados à Dodola e Zam. Ambos são escravos e por meio das reviravoltas da vida acabam se juntando e criando um laço muito forte. Porém, a trama se desenrola mesmo após a separação dos dois. Cada um é levado para um caminho diferente e segue sua vida. Ela, forçada a ser prostituta e ele, se tornando eunuco. Mesmo estando distantes, ou, na verdade, até que próximos, como o leitor tem noção durante a leitura, eles não se esquecem e sempre mantêm em sua mente a falta que o outro faz.

A HQ é extremamente cruel com o leitor e triste. Você irá se apegar aos dois e sofrer com os acontecimentos aos quais eles são submetidos. O autor não tem pena de quem está lendo, e muito menos dos dois protagonistas.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Papel

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AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: V&R EDITORAS, CORTESIA ISBN: 9788576839002 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE ERÓTICO, ADULTO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 312 SKOOB

Notas quentes é o segundo volume da série Homens Marcados, cujos livros narram as histórias de amor de um grupo de amigos, além de abordar temas mais importantes e reflexivos em suas tramas. Neste volume conhecemos a história de Jet e Ayden, personagens que foram apresentados no primeiro volume e que agora tem sua história contada.

Ayden é aquele tipo de garota toda “certinha”, que presa pela estabilidade em sua vida, em ter um futuro sólido e seguro – mas quem a conhece assim não imagina o quão complicado e tenebroso pode ser o seu passado. É justamente por tudo que viveu que Ayden é assim hoje, uma mulher determinada a construir um futuro para si e que foge do passado que possui.

Jet, assim como Ayden, esconde tudo que tem por dentro atrás de uma fachada de músico de sucesso que tem todas as mulheres que quer a seus pés, um músico que não se importa com nada a não ser com sexo e diversão. Porém, com a família disfuncional e extremamente problemática que tem, ele aprendeu a esconder seus sentimentos e o grande coração que possui.

Desde a primeira vez que se encontraram Ayden sentiu uma atração por Jet, mas ao levar um fora bem dado dele, ela decide se afastar, até que, por uma sequência de eventos, eles acabam por dividir o teto. É então que, o que surge como uma amizade “inocente”, acaba se tornando uma bomba entre os dois, na iminência de explodir, a única coisa que os prende é a insegurança de Ayden, que após ser rejeitada fica com receio de se entregar.

O que temos aqui é a típica história de “os opostos se atraem”, ou ao menos é o que aparenta ser, porque a realidade é que Ayden e Jet são mais parecidos do que pensam. Ambos possuem um passado complicado, com conflitos familiares e questões internas a serem resolvidas e, conforme eles vão se entregando mais e mais e confiando um no outro, passamos a conhecer mais profundamente os personagens. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: PEDRAZUL, CORTESIA ISBN: 9788566549454 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE DE ÉPOCA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 188 SKOOB

Quando solicitei Alina para resenha, não sabia bem o que esperar, mas estava curiosa para ler um romance de época que se passasse no Brasil. No livro de Emilia Lima, conhecemos a história da família Cirilo, que veio de Portugal com o intuito de ajudar na colonização do Brasil. Alina, uma jovem garota, sempre esteve muito em contato com sua família, porém não deixava de fazer suas vontades e tinha opiniões muito fortes. É a sua história que conhecemos neste primeiro livro da série.

Desde muito jovem, ela se apaixonou por Pedro Garcia, um dos amigos da família. O sentimento era recíproco, entretanto era um amor proibido, pois Pedro era casado e tinha dois filhos. Mesmo com o passar dos anos, eles não conseguiram esquecer esse amor e passaram a lutar cada vez mais contra isso. Entretanto, os dois acabam se entregando um ao outro e para não destruir a família de Pedro, Alina parte em direção à casa da irmã para passar um tempo, pensando depois em se mudar para Portugal.

Seus planos são frustrados quando ela descobre estar grávida de Pedro e para não trazer desgosto para a família, parte com a índia Ana para uma aldeia indígena, onde passa a viver e conhece o mestiço Naru, que a enche de atenções. Juntos, eles descobrem um outro tipo de amor, cuidadoso, leal, sincero e sem pedir nada em troca. Mas por mais que viva feliz com Naru e os filhos, Alina não consegue esquecer de seu passado.

O livro de Emilia Lima é bem curtinho, mas traz uma história bem construída e bastante envolvente. Concluí a leitura muito rapidamente, ainda que estivesse com medo de que isso não fosse acontecer pela história se passar na época do Brasil colonial. Iniciei o livro com um pouco de preconceito com a temática e paguei a minha língua, pois foi muito prazerosa e fluída. Gostei muito de revisitar alguns fatos de nossa história, pois além do romance a autora traz fatos históricos e notas de rodapé que relembram marcos importantes da época. Continue lendo »

quarta-feira, 28 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: FÁBRICA 231, CORTESIA ISBN: 9788568432440 GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 368 SKOOB

Conheci a história de A garota dinamarquesa após o lançamento do filme, no ano passado, que gerou uma repercussão em Hollywood, chegando a ser indicado ao Oscar, mas também causando controvérsia pela temática em si e pela maneira com a qual foi lidada. Para quem não sabe, a história aborda a questão transgênera ao narrar a trajetória do primeiro homem que realizara uma cirurgia de mudança de sexo, nos anos 30. Como é perceptível,  o tema em si é de delicadeza extrema, o que implica uma sensibilidade no momento do trato do assunto. Assisti ao filme e me vi inebriado pela atmosfera criada, emocionando-me pela história em si. O tempo passou, até que tive a oportunidade de conhecer o livro no qual deu origem ao filme. Minha percepção mudou completamente, o que me fez gostar ainda mais da história e se tornar um queridinho da estante.

O cenário é início do século XX e temos como protagonista Einar Wegener, que é um pintor dinamarquês que vive com sua esposa Greta, conseguindo custear despesas do cotidiano graças as pinturas que ambos produzem. Greta está envolvida na pintura de um quadro, até o dia em que a modelo que estava posando para ela não comparece à sessão, e a artista pede que o marido vista as meias e os calçados, para que possa dar sequência ao trabalho. Einar aceita de prontidão, mas ambos não esperavam que o favor se tornasse o pontapé inicial de uma história incomum, mas extremamente sensível. Diante da situação, a esposa sugere que Einar se vista totalmente de mulher, mais tarde ganhando o nome de Lili Elba. O que era para ser apenas uma experiência única acaba se tornando algo recorrente e Lili começa a fazer cada vez mais parte da vida do casal, ao mesmo tempo em que Einar passa a questionar seus próprios sentimentos e sua existência.

Quando soube da existência do livro, eu achava que era um livro de época, escrito no período em que a história aconteceu. Só depois que eu peguei o exemplar para iniciar a leitura é que me dei conta que era um romance contemporâneo referente ao período em questão. Isso é justificado logo no início do livro, com uma nota do autor, o que me pareceu algo correto e sábio. O autor destaca que é uma história real, que se baseou em fontes do período, como jornais e correspondências da própria Lili, mas que a construção da história é fruto de sua imaginação. Do mesmo modo, ao final do livro, há um posfácio e uma entrevista do autor, mostrando ao leitor todas as nuances e entremeios da construção da história, determinando até mesmo os limites entre a realidade e a ficção. Continue lendo »

terça-feira, 27 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, CORTESIA ISBN: 9788520009437 GÊNERO: FILOSOFIA, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 546 SKOOB

Trickster: trapaça, mito e arte

“Interpretemos sempre (o trickster) como seres transitórios.”

Lewis Hyde era um nome estranho para mim. Porém, o título e a capa do livro chamaram muito a minha atenção: trapaça, mito, arte e um Hermes estampado na capa. Confesso que fiz uma pesquisa rápida para saber se seria o tipo de livro que me agradaria e na época ainda não havia nada sobre esse título (o lançamento é bem recente).

Uma conclusão, até muito simplória, é de que Hyde é um gênio. Não só isso: é um bom contador de histórias, desses que não deixam a peteca cair, enlaça uma história na outra e faz citações. Sua maestria na escrita, interpretação dos mitos, explicação simbológica e a astúcia em ligá-los a pintores famosos como Picasso e Duchamp, entre outros, nos faz ter em mãos mais que um livro, é uma obra prima!

Os deuses tricksters não são somente os deuses da trapaça, eles favorecem os homens em diversos momentos de sua história, pois eles são tão imperfeito quanto a humanidade.

“O trickster cria o mundo, dá a ele luz solar, os peixes e os frutos, mas cria-o como ele é, um mundo de constante necessidade, trabalho, limitação e morte.”

O trickster, mesmo sendo um deus,  tem desejos e fome e por conta disso trama para satisfazê-los, às vezes cai em seu próprio estratagema e é capturado. 

O autor dá uma volta no globo ao relembrar, entre muitos outros personagens e histórias, o Hermes da Grécia, Krishna da Índia, o Exu da África, o Corvo e o Coiote da América do Norte. Esse último eu nunca tinha ouvido falar, mas lembrei comicamente de um desenho animado da minha infância: papaléguas e o coiote. Só então me toquei de que o desenho pode sim se tratar de uma releitura do trickster dos povos nativos do norte americano! Continue lendo »


Foto: Frances Hodgson Burnett em 1888 (Divulgação)

Não sei quanto a vocês, mas cresci assistindo repetidamente os filmes “O Jardim Secreto (1993) e “A princesinha (1995). Por serem visualmente semelhantes, na época pensei se tratar do mesmo produtor ou diretor. Mero engano, só depois de muitos anos descobri que foram baseados nas obras escritas por Frances Hodgson Burnett, em 1911 e 1905, respectivamente, clássicos da literatura inglesa infantojuvenil.

Tão logo os descobri em uma prateleira da biblioteca, me apaixonei pelas capas e iniciei a leitura de ambos. A Editora Salamandra fez um excelente trabalho nessas maravilhosas edições, as ilustrações de ambos foram feitas pela catalã Júlia Sardà.


O Jardim Secreto


A história

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SALAMANDRA ISBN: 9788516090753 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2013 PÁGINAS: 280 SKOOB

Mary Lennox, a criança mais antipática do mundo, fica orfã depois de um surdo de cólera na Índia, sendo trazida pela Sra. Medlock, até a gigantesca Mansão Misselthwaite Manor, em Yorkshire, na Inglaterra. Passa então a viver nessa estranha e solitária mansão com mais de cem quartos, quase todos esquecidos e vazios, ouve falar muitas coisas sobre seu taciturno e viúvo tio Archibald Craven.

Acostumada a ser servida por criados indianos, vestida e cuidada por uma aia, ignorada pelo pai inglês que trabalhava para o governo e desprezada pela lindíssima mãe que só se importava com festas, Mary não sabe fazer nada sozinha e fica um pouco chocada ao conviver com Marta, uma moça rústica que trabalha na mansão e com seu jeito simples, acaba por dizer verdades que Mary nunca prestou atenção em si mesma, nem em seus modos grosseiros e impertinentes.

Pela primeira vez em sua vida, a menina está livre de empregados, porém não sabe o que fazer, nem com quem. Marta a incentiva a explorar os arredores da mansão, mencionando a existência de um jardim que está trancado a uma década, desde a morte da tia de Mary.

Andando pela charneca, conhece hortas e jardins e se depara com Ben Weatherstaff, um rabugento empregado que cuida de toda a área externa, conhece também o pisco-do-peito-ruivo, passarinho que rapidamente torna-se seu primeiro amigo.

Depois de descobrir a entrada do jardim e encontrar a sua chave, Mary se dedica a cuidar dele e recebe ajuda de Dickon, um dos onze irmãos de Marta. Aos poucos ela vai descobrindo inúmeras novidades, ocupando seu cotidiano de forma positiva, explorando a parte de fora durante os dias ensolarados e a parte interna nos dias de chuva. Mudanças vão acontecendo não só em seu apetite, mas em toda sua forma de ver o mundo e a si própria, além de seu desenvolvimento. Quando de repente é chamada por seu tio para conhecerem-se, pois até então ele não tinha se apresentado, ela sente muito medo, mas pede um pedaço de terra para cuidar e plantar, além de convence-lo e ficar mais um pouco sem estudar, para poder se fortalecer e se adaptar ao novo lar. Continue lendo »

sábado, 24 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA ISBN: 9788565765602 GÊNERO: THRILLER, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 272 SKOOB

A grande caçada se passa em um vilarejo na Finlândia onde, aos 13 anos, jovens garotos precisam passar por um teste. Munidos de um arco, eles são levados para uma floresta na qual precisam abater algum animal e sair de lá com vida, levando a carcaça como prova. Quanto maior o animal, mais respeito o participante terá perante aos outros membros do grupo.

O pai de Oskari é conhecido por ter conseguido matar um urso e é bastante respeitado. Por isso, todos colocam muita expectativa em cima do garoto e esperam grandes feitos dele. Porém, ele não tem tanta certeza de que se saíra bem.

Um encontro inesperado no meio da selva muda todo o cenário da busca e Oskari acaba descobrindo coisas que vão muito além de sua aldeia e dando de cara com obstáculos e inimigos muito maiores que apenas os animais selvagens que esperava enfrentar.

A Grande Caçada é uma leitura leve, rápida e tranquila de ser feita. A escrita do autor é simples e direta, com a presença de muitos diálogos. A narrativa é veloz e combina bastante com o estilo da história contada. O fato do livro não ser muito profundo é até positivo, ainda mais levando em conta se você procura algo leve para ler. Porém, a falta de aprofundamento em diversos pontos atrapalha.

O autor não dá tempo para o leitor se apegar ao protagonista e não explica muito a situação dele, o local que ele mora e como tudo funciona. Temos poucos capítulos de contextualização e pronto, Oskari já é jogado na floresta. As cenas de ação lá são legais, sim, mas em muitos momentos eu me tocava de que não me importava com o que estava acontecendo com ele.

Dan Smith até tem êxito em criar uma sequência de cenas de ação que te prendem e te deixam um pouco curioso para saber o desfecho da aventura, mas ele não preparou o terreno até ali. A sensação que eu tinha era de que estava lendo sobre um personagem que eu mal conhecia e com o qual eu não conseguia me relacionar. Continue lendo »

sexta-feira, 23 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788556510259 GÊNERO: TERROR PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 376 SKOOB

Minha experiência com Stephen King se resume a oito ou oitenta. Ou li livros que realmente me prenderam, como foi o caso de O iluminado, ou então foi aquela leitura enfadonha e sem graça, como ocorreu com Joyland. Apesar disso, o autor é cultuado em muitos lugares por sua versatilidade, pelo seu senso de horror aflorado e pelas tramas inesquecíveis. Cujo foi um dos últimos livros publicados no Brasil, apesar de ter sido publicado primeiramente já há alguns anos. A edição brasileira é um espetáculo a parte, com capa dura e em alto relevo, fazendo com que me apaixonasse por ela desde o primeiro instante.

Na pequena cidade de Castle Rock, o serial killer Frank Dodd está morto e todos os habitantes podem ficar em paz novamente. Frank, que aterrorizou o local por anos, agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet todas as noites. Enquanto isso, nos limites da cidade, Cujo, um são-bernardo de noventa quilos que pertence à família Camber, se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde acaba sendo mordido por um morcego raivoso. A sua transformação acaba tornando-se o pior pesadelo de Trad Trenton e de sua mãe, além de destruir a vida de todos à sua volta.

Sabe aquele tipo de livro que é como se embarcássemos numa montanha-russa e só paramos quando chegamos ao final? Que dá uma série de voltas e loopings, fazendo o coração bater mais forte? Cujo é exatamente esse tipo de livro! Já havia iniciado a leitura, chegando quase às primeiras cem páginas até que peguei para dar sequência e quando vi já estava na reta final da história. Quando afirmam que Stephen King tem o dom de prender e construir personagens marcantes, sou obrigado a concordar. As histórias particulares são bem marcantes e delineadas, fazendo com que os personagens se tornem algo a mais. E as próprias relações tecidas entre eles são muito bem exploradas. Apesar disso, senti uma falta de entrelaçamento entre os próprios personagens. O autor constrói núcleos, mas acaba não os interligando. Continue lendo »