quarta-feira, 9 de Maio de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501110893
GÊNERO: FICÇÃO JUVENIL INGLESA; POEMA, POESIA FANTÁSTICA 
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 98 SKOOB

Pensa em um livro doido? É esse! Solicitei esse titulo impulsionada pela fama de Lewis Carroll com “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, nunca havia lido nada do autor e resolvi aproveitar a oportunidade oferecida pela Galera Júnior.

O livro lançado em 1876 conta, no decorrer de oito cantos (capítulos), por meio de estrofes de quatro versos cada, a história de uma tripulação composta por 9 pessoas e um castor que se aventuram em busca de um ser chamado Snark.

Para minha surpresa, me deparei com versos que em alguns momentos me deixaram bastante confusa por sua falta de nexo, ou minha vontade de tentar encontrar uma lógica no ilógico. A editora teve o cuidado de preparar o leitor para a obra, a introdução do ilustrador Chris Riddell já deixa claro que o estilo de Carroll é o nonsense, então, ao ler isso, de imediato lembrei de um outro livro infantil que eu li nesse mesmo estilo, O Lórax, de Sr. Seuss. Mas mesmo lendo sobre esse tipo de escrita, senti curiosidade em ler o famoso “Alice no País das Maravilhas” e ao conseguir uma edição dois em um, li também a continuação, “Alice através do espelho”. Gostei muito mais de “A caça ao Snark”, confesso que essa obra dois em um me deu muito sono e desânimo.

A edição está maravilhosa, o título e nome do autor estão escritos em vermelho metalizado.  As ilustrações de Riddell combinaram excepcionalmente com o gênero literário e aparecem ora de forma colorida, ora em preto e branco. Outro detalhe interessante é a letra capitular no verso que inicia cada canto, ela contém um Snark de fundo, sempre em posições diferentes. As capas internas tem um plano de fundo bege com lindos Snarks em azul.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Acredito que devemos parabenizar a poeta Bruna Beber, responsável pela tradução da obra, se o gênero poesia já não deve ser nada fácil de traduzir devido às rimas na língua destino, imagina só juntar isso ao nonsense…

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Descobri algo muito interessante observando a tripulação logo no início do livro e o fato descoberto foi confirmado com o final interessantíssimo da história. Só não conto para não estragar a surpresa para os futuros leitores.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Pesquisando alguns sites internacionais encontrei uma recente produção teatral da obra que, segundo entrevistas, deixa as crianças encantadas, mas muitas outras adaptações foram feitas a partir dessa obra. Outro fato curioso (e triste) é que esse poema épico e absurdo foi escrito por Carroll em um momento em que ele estava lutando com suas crenças religiosas após a grave doença de seu primo e afilhado, Charlie Wilcox, que acabou morrendo de tuberculose. Embora o poema fale sobre morte e  perigo, ele é cheio de humor e ideias extravagantes, que jamais relacionaríamos com um momento tão sério vivido pelo autor. Numa caminhada noturna, após cuidar do afilhado, surge na mente de Lewis os versos que encerram com maestria a história, e ao longo dos seis meses seguintes, o autor desenvolve o restante do poema.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

O Canto Um, O Desembarque. O navio é comandado por um tal de Mensageiro, que não sabe a diferença entre mastro e leme e deixa o timoneiro doido com seus comandos. Nesse canto os personagens são apresentados e algumas particularidades são mencionadas.

O Canto Dois, O Discurso do Mensageiro. Acontece o desembarque em uma ilha, depois de meses procurando a tal criatura exótica sem sucesso. O discurso do Mensageiro serve para alertar sobre as cinco peculiaridades de um Snark: paladar da criatura; acorda tarde; vagareza e seriedade até no momento de fazer graça; afeição por carrinhos de banho e a ambição, diferenças físicas entre os Snarks comuns e o tipo Bujum.

O Canto Três, A História do Padeiro. Esse personagem conta sua história de vida que o levou até o navio para participar da caça e explica a forma correta de se pegar um, além dos perigos de se encontrar um Bujum ao invés de um Snark.

“Você pode buscá-lo com dedais – mas não de maneira arbitrária;

Pode persegui-lo com forquilhas, e expectativa;

Você pode atormentá-lo com uma ação ferroviária;

Seduzi-lo com sabão e sorrisos é uma boa alternativa.”

O Canto Quatro, A Caça. O Mensageiro se irrita com o padeiro, por não ter mencionado antes da partida do navio sobre os perigos, mas incentiva a tripulação de que terão sucesso na caçada, apesar dos perigos em vista.

O Canto Cinco , A Lição do Castor. Esse capítulo foi um o mais divertido, ao mesmo tempo que o mais confuso para mim, porque até então o Castor tinha muito medo do chamado Açougueiro, porque este disse que só sabia matar castores. Mas neste canto, o encontro com o terrível pássaro Jubjub faz com que surja entre eles uma linda e sólida amizade. Em contrapartida, o jeito para espantar o tal pássaro pelo que entendi, seria fazer cálculos matemáticos, não sei se o fato de Lewis ser professor matemático inspirou a criar loucas estrofes de cálculos…

“Para começo de raciocínio, temos o Três – 

É um número conveniente para uma afirmação – 

Somamos Sete com Quatro e mais Seis

E por Mil menos Oito efetuamos a multiplicação.”

“E então dividimos o resultado

Por Novecentos e Noventa e Três:

Subtraímos por Dezessete ao quadrado

E a resposta está perfeita e correta, como vês.”

O Canto Seis, O Sonho do Advogado. Esse foi o canto que achei mais desnecessário e cansativo, pois apenas conta um estranho sonho que o advogado teve, totalmente sem pé nem cabeça, onde o próprio Snark era o advogado de um porco. Mas o que é mais um capítulo doido em meio a tantos…

O Canto Sete, O Destino do Banqueiro. Mais um da tripulação que teve um encontro desagradável com uma estranha criatura porém ao contrário do Castor e Açougueiro que conseguiram se livrar do Jubjub, o Banqueiro não teve tanta sorte ao encontrar um incendiário Arrebabanda.

O Canto Oito, O Desaparecimento. O final compensa todas as loucuras e dúvidas no decorrer da leitura. A ilustração e ênfase dada por Riddell ao final da história deixa tudo extremamente divertido.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Recomendo? Lógico que sim. Para todos? Não, apenas para os amantes de poesias, amantes do mundo de criaturas fantásticas e absurdas criado por Carroll e também para os mantiveram-se curiosos após minha resenha.

E aí, o que achou?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501111135
GÊNERO: ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 280
SKOOB

O maravilhoso bistrô francês é um livro diferente de tudo que já li, no que se trata de romances. Confesso que a maior parte dos livros que me atraem geralmente tem temáticas mais juvenis, e os próprios personagens não passam da fase adulta. Foi uma surpresa um tanto agradável para mim ler algo tão fora da minha zona de conforto, com personagens mais maduros e me fez perder alguns preconceitos que tinha com enredos desse tipo.

O livro nos conta a história de uma senhora de 60 anos, Marianne, que viveu toda uma vida de abusos com um marido controlador que a impedia de seguir seus sonhos e fazer qualquer coisa que gostasse e a fizesse feliz. Ao longo dos anos, Marienne foi perdendo toda e qualquer vontade de viver, afinal ela mesma não tinha poder de escolha sobre nada em sua vida, até que chega a uma decisão apenas sua: ela decidiu morrer.

Porém, mesmo essa escolha acabou sendo frustrada por um estranho que a resgata do Rio Sena e ela se vê em uma cama de hospital com seu marido, mais uma vez, mais preocupado com o gasto que teria com ela e a vergonha que passaria quando se visse envolvido em uma notícia de tentativa de suicídio do que com a própria esposa. É então que, corajosamente, Marianne decide fugir e leva consigo apenas sua bolsa e um azulejo representando o Porto de Kerdruc, lugar pelo qual ela fica fascinada.

É durante a viagem para esse lugar e, mais ainda, na cidade de destino, que Marianne descobre as surpresas que a vida tem reservado para ela. São as inúmeras coincidências e surpresas que ela encontra que a fazem começar a descobrir o que é viver.

Narrado em terceira pessoa, sem um ponto de vista fixo – o que pode ser um pouco diferente, mas nem um pouco desagradável -, esse romance nos traz uma história diferente, mas com muito poder de reflexão. Logo nas primeiras páginas nos vemos envolvidos com a história de Marianne e até ficamos com certa raiva pelo modo como é tratada. Suicídio não é um tema fácil de se tratar, mas ainda menos fácil é falar sobre uma vida de abusos de uma mulher e me compadeci profundamente pelo que Marianne viveu. Continue lendo »

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501110817
GÊNERO: JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 378
SKOOB

Existem livros que nos passam despercebidos e existem livros como O ódio que você semeia, que trazem histórias fortes, com realidades que precisamos conhecer e que nos propõem reflexões muito importantes. Assim que bati o olho na sinopse do livro de Angie Thomas, fiquei com vontade de realizar a leitura. A história dialoga principalmente com o público adolescente, mas mesmo que você não faça parte dessa faixa etária, vale muito a pena dar uma chance ao livro.

Aqui, conhecemos a história de Starr, que se divide entre dois mundos. Ela é uma garota de 16 anos, negra, que mora em um bairro marginalizado, marcado pela disputa de gangues, com moradores que não encontraram muitas oportunidades na vida e muitas vezes acabaram na criminalidade. Seu pai é dono de um mercado da região e as condições da família permitem que ela e seus irmãos estudem em uma escola melhor, elitista, com poucas crianças negras.

Starr passa seus dias entre os dois bairros e as duas realidades e sente que não consegue ser ela mesma em nenhum dos dois. Na escola, ela precisa agir de acordo com o que é esperado dela: pacífica, tranquila, sem nenhum traço de contestação que a remeta ao gueto. Já no bairro onde mora, ela evita falar de seus amigos e namorado, que são brancos, para que seus dois mundos não colidam.

Tudo isso muda quando Starr está em uma festa no gueto e reencontra seu amigo de infância Khalil. Eles acabam fugindo juntos de um tiroteio e, enquanto ele está levando ela para casa, são parados por um policial branco na estrada. Starr sempre foi alertada sobre como agir com policiais. Mesmo sem dever nada à polícia, ela sabe que é preciso evitar movimentos bruscos, responder à tudo o que os policiais perguntarem, obedecer a cada pedido. Khalil parece não ter o mesmo entendimento sobre o assunto e um pequeno erro faz com que ele seja assassinado a sangue frio na frente de Starr. É a partir daí que tudo se desenrola.

Quando foi morto, Khalil não estava portando drogas em seu carro, não agiu contra o policial, não fez nada de errado. O seu erro foi a cor da sua pele. O preconceito, que é sempre tão velado, levou à sua morte. Starr é a única testemunha e agora precisa decidir até que ponto poderá se envolver na história e fazer justiça pelo amigo. Quando o caso começa a ganhar importância na imprensa, o peso dessa decisão fica ainda mais intenso. Continue lendo »

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9878501110886
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 389
SKOOB

Doze romances, uma escolha

Sou virginiana, com ascendente em Câncer e Lua em Touro (quase gêmeos) e eu sou a louca dos signos! Sim! Temos até uma prática, muito saudável, de bullying do zodíaco! Então, para mim, a autora Ray Tavares acertou em cheio ao escrever esse livro. Sem contar que ela também é Potterhead. Muito amor num humano só! (mesmo sendo ariana, rs).

Bem, vamos ao livro!

Isadora, estudante de jornalismo na ECA-USP, tem um relacionamento de uns 6 anos com Lucas. Parece tudo normal, até que em sua festa de aniversário ela descobre que esta sendo traída com sua melhor amiga da faculdade. Seu mundo desaba. Sua vida vira uma rotina de tristeza e comidas gordurosas em um quarto fechado.

A chamada para aventura, na verdade para sair da fossa, foi de sua prima Mariana: um convite para ir para a balada e refrescar a cabeça. E como toda aventura furada é pouca, Isa se embebeda e se mistura com a galera, dando um perdido em sua prima. Sem nenhuma coordenação motora e senso de direção, acaba a balada no banheiro, quase como um pedido de socorro. É nesse momento que conhece Marisa, faxineira do local, que introduz sua sabedoria milenar sobre astrologia para Isadora: seu relacionamento não deu certo porque ela é de aries e ele era de peixes, o inferno astral da combinação!

Na faculdade, Isadora recebe uma atividade para passar em sua matéria favorita: sem se identificar, e através de um pseudônimo, cada aluno devia fazer um blog investigativo. Maquinando as informações que ela estava vendo sobre os signos, Isadora decide fazer um blog sobre isso, com um pouco de criatividade e diferença dos blogs que já tratam sobre o assunto: como é se relacionar com cada um dos doze signos. Sim! Passar o rodo no zodíaco, como ela mesma diz.

Assim nasce Valentina, pseudônimo de Isa, que se transforma em seu alter ego: sedutora, pronta para conquistar o seu objetivo. O blog vira febre na USP inteira e a experiência dá a Isa momentos divertidos, encrencas, risadas e muita reflexão. Continue lendo »

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: BERTRAND BRASIL, CORTESIA
ISBN: 9999097296247
GÊNERO: POEMAS
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 120
SKOOB

Notas sobre ela é um livro diferente de tudo que já li na vida. Não é o tipo de livro que estou acostumada a ler, mas acompanho o trabalho de Zack há tanto tempo (e o amo!) que simplesmente não pude evitar de requisitar à editora um exemplar pra mim. E que livro maravilhoso. Veio no momento certo, era simplesmente tudo que eu estava precisando ler e acho que todo mundo devia ler também, porque é magnífico!

Esse é um pequeno livro de apenas 120 páginas com uma coletânea de poemas sobre as mil situações que passamos na vida, em suas diversas fases. São quatro partes dedicadas a cada uma das fases marcantes da vida: a infância, a juventude, a fase adulta e a velhice. São poemas sobre cada uma dessas fases que nos fazem refletir e representam a cada um de nós em suas linhas.

São poemas sobre crescer e deixar coisas pra trás, sobre amor não correspondido, sobre as primeiras festas e primeiras desilusões, primeiras amizades e primeiras perdas, sobre dúvidas, sobre o futuro, sobre recomeços e novos sonhos e aproveitar a vida e envelhecer.  Falam de vida, de tudo que vivemos nela, todas as decepções e todas as alegrias. É um livro sobre nós (mulheres) e para nós. É impossível que você não se identifique com ao menos um dos poemas aqui narrados. Eu me relacionei com vários deles, e me vi descrita nas linhas poéticas de Zack.

Foto: Larissa Gaigher/ Viagens de Papel

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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501109736 GÊNERO: THRILLER, TERROR, FICÇÃO HISTÓRICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 378 SKOOB

A torre do terror foi um livro que solicitei ao acaso, sem saber muitas informações a respeito. A capa chamara a atenção, como também a sinopse. Apesar disso, não tinha grandes expectativas sobre, uma vez que acreditava tratar-se de um suspense de cabeceira, daqueles estilos passatempo e sem ser algo extremamente marcante. Quando chegou o livro, me surpreendi com o tamanho, mas não fiquei temeroso com a leitura. Pelo contrário, fiquei ainda mais empolgado. E quando iniciei a leitura, a queda dentro dela foi grande. E só parei quando cheguei à última página.

Amy, Piper e Margot eram grandes amigas na infância e adolescência. Juntas, viviam na pequena Londres, em Vermont, e passavam grande parte do tempo brincando no Hotel da Torre, um estabelecimento abandonado que décadas antes era a maior atração da região. A vida das garotas começa a mudar quando acabam desenterrando algo sinistro do passado da família de Amy, o que faz com que a amizade entre ambas estremeça e elas se distanciem.

O tempo passa e as irmãs Margot e Piper tentam seguir suas vidas, assim como Amy. Piper mora na Califórnia, enquanto Margot dedica-se à família e à estudar a história local. O destino resolve pregar uma peça na vida das três quando Margot e Piper recebem a notícia que Amy e sua família estão mortos, supostamente pelas mãos da própria amiga. Porém, antes de morrer, Amy deixou escrita uma mensagem que as irmãs sabem ser direcionada a elas: 29 quartos. Do dia para a noite, elas são obrigadas a reviver aquele fatídico verão que se depararam com uma mala e cartas pertencentes a Sylvie Slater, tia de Amy, desaparecida quando ainda era jovem. Amy sempre dizia que a tia havia fugido para Hollywood para viver seu sonho de se tornar atriz, entretanto a verdade é muito mais complicada que isso. E ao mexerem no passado, acabaram descobrindo segredos ainda mais longínquos, que poderão colocar em risco a vida delas e de toda a sua família.

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domingo, 3 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA ISBN: 9788576865803 GÊNERO: ROMANCE, FANTASIA, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 476 SKOOB

Carina Rissi é uma das autoras brasileiras mais cultuadas nos últimos tempos. Desde o lançamento de “Perdida“, seu primeiro livro, suas histórias passaram a cativar leitores e leitoras em todo o Brasil, inclusive fora dele (considerando que algumas de suas obras já foram traduzidas para outros países). Conheço o trabalho da autora já há alguns anos, mas só tive a oportunidade de desfrutar de uma de suas histórias com “No mundo da Luna”, que me fez gostar ainda mais dela. Sabe aquela autora que você sabe que vai gostar mesmo não tenha lido nada dela? Então. Li esse e depois conheci “Perdida”. Não gostei tanto assim como foi quando tive a primeira experiência, mas de qualquer forma mostrou o talento da autora. Esse ano Carina lançou Quando a noite cai e tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Após esse encontro, a relação e o carinho com suas histórias aumentou instantaneamente, pois da mesma maneira que Carina cativa por meio de suas palavras, ela nos cativa pessoalmente por meio da atenção com os fãs. Mas vamos ao que interessa e falar do livro de hoje.

Briana Pinheiro sabe que não é a pessoa mais sortuda do mundo. Após ser despedida do terceiro emprego num mesmo mês, a garota não sabe mais o que fazer. E a garota sabe que isso não podia acontecer, uma vez que precisava do dinheiro e a pensão de sua mãe ia de mal a pior. Se não bastasse apenas isso a incomodar sua vida, tem um outro detalhe: quando a noite cai, Briana se vê em terras distantes, num mundo de castelos, reis, rainhas e espadas. Poderia ser apenas um sonho qualquer, mas não quando ele se repete há cinco anos. E quando se tem um guerreiro irlandês pelo qual ela se apaixona perdidamente.

A vida já está bem atribulada quando ela resolve pregar outra peça na vida da garota: na busca de um novo emprego, Briana tropeça acidentalmente no caminho de Gael O’Connor, um engenheiro irlandês que lhe oferece uma vaga em uma de suas empresas. Só que Gael é exatamente igual ao guerreiro de seus sonhos. Numa mistura de realidade e fantasia, Briana não consegue esconder seus sentimentos perante o chefe e uma viagem inesperada à Irlanda promete reviravoltas em sua vida em que o amor será colocado em questão e Briana deverá realizar sábias escolhas. Continue lendo »

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501110060 GÊNERO: ROMANCE, SICK-LIT, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 400 SKOOB

De uns tempos para cá, tenho evitado livros com personagens adolescentes, principalmente aqueles que tem como cenário a escola. Sempre fico receosa com a história por detrás da capa, mesmo tendo gostado muito da sinopse. Belinda & Em superou minhas expectativas.

O enredo se inicia com Emily contando como foi seu primeiro contato no Centro de Aprendizado para a Vida, local que oferece diversos cursos para facilitar a vida do deficiente no âmbito social, emocional e  familiar. Com o decorrer dos capítulos, acabamos descobrindo que essa foi uma punição que ela e Lucas, um jogador de futebol da escola, receberam por terem testemunhado um ato de violência contra Belinda e não terem pedido auxílio.

Emily é uma garota do Ensino Médio. Através de um grupo escolar chamado Coalizão para Ação Jovem, ela e seu melhor amigo Richard se empenham em divulgar e dar ideias para solucionar diversos problemas como: homofobia, violência e reciclagem. Apesar de ter bastante envolvimento em causas nobres, ela e sua turma se interessam demais pelos alunos populares. E apesar de todo seu ativismo, ao passar por uma experiência real, não consegue por em prática o que tanto lutou para divulgar. A partir daí, ela começa a se questionar sobre a importância de fazer algo para solucionar os problemas e não apenas levar todos a ter conhecimento deles.

O livro possui 19 capítulos. Temos narrativas de Emily e Belinda alternadamente em um mesmo capítulo. A autora optou por ir subdividindo cada capítulo com o nome de quem está narrando, eu não achei isso necessário, porque pelo estilo da narrativa, é muito óbvio entender quem está narrando.  Alguns poucos capítulos são inteiros narrados por Emily.

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel

“Richard acha que nosso grupo de amigos é diferente, mas na verdade não é. Podemos não nos humilhar apara ganhar a atenção do time de futebol, mas ainda passamos algum tempo todo almoço encarando sua mesa. Só porque enxergamos o problema, não significa que não façamos parte dele.”

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501080691
GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 504
SKOOB

Originalmente publicado em 1848, A senhora de Wildfell Hall, de Anne Brontë,  é um romance que traz em sua narrativa uma temática mais séria. A obra trata sobre o relacionamento abusivo e a dificuldade da mulher em superar os traumas deixados por esse tipo de relação, o clássico da literatura inglesa  ainda aborda a omissão da mulher perante a sociedade, sendo essa sempre induzida a obedecer às convenções sociais. Brontë trata do assunto por meio da protagonista Helen Grahan, uma mulher forte e independente que passa a comandar a própria vida, após os percalços passados em seu casamento.

O livro conta com cinquenta e três capítulos curtos, onde se observa o desenvolvimento da narrativa sob a ótica feminina e masculina em primeira pessoa. Em determina parcela, é Gilbert Markham quem narra sua história para um amigo através de cartas. Na história, o jovem de vinte e poucos anos mora com a mãe e dois irmãos mais novos: Rose e Fergus. Vizinha à família há uma propriedade rural caindo aos pedaços conhecida por Widfell Hall, pertencente ao Sr. Lawrence. Esse casarão é alugado e ocupado por uma bela jovem de vinte e poucos anos que fazia questão de mostrar sua viuvez, Helen Graham, e seu filho Arthur, além da criada que a acompanhava, Rachel.

Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera grandes especulações e comentários maliciosos por parte dos moradores locais, em especial das Srta. Jane Wilson e Sra. Wilson. “As duas tentaram de tudo para descobrir quem ela é, de onde veio e tudo mais”, porém, nenhuma das artimanhas empregadas foram suficientes para desenterrar os segredos da Sra. de Widfell Hall.

Gilbert apaixona-se por Helen que resiste ao sentimento do rapaz, ele por sua vez não entende o motivo de tanta resistência, então, para que ele não dê ouvidos aos rumores que correm pela cidade, Hellen acaba cedendo seu diário para que ele leia e entenda sua situação, bem como seu comportamento. Ao ler a narrativa da amada, ele compreende o quanto a jovem sofreu (e ainda sofre) devido ao infeliz matrimônio. Neste momento temos os fatos apresentados por Hellen a partir de seu diário e a vida em Londres. Continue lendo »

domingo, 5 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501109002
GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 224
SKOOB

Um romance sobre a coragem

O livro é dividido em três fases, sendo a primeira quando os protagonistas, Anita e seu amante italiano Giuseppe Garibaldi , estavam no Brasil – que permeia a história que todos nós já ouvimos falar em algum momento: a Guerra dos Farrapos que eclodiu no Sul do país entre 1835 e 1845 -, a segunda na passagem pelo Uruguai e a terceira na Itália. Anita, de Thales Guaracy, não é apenas um romance, é também uma narrativa histórica e biográfica onde há muitos ensinamento sobre a história do Brasil. Numa linguagem poética e rimada, o autor mistura realidade e ficção, nos deixando muitas vezes confusos ao pensar sobre até onde a história é um relato real.

Na narrativa, Guaracy nos apresenta Anita Garibaldi sob a ótica de Giuseppe Garibaldi, seu companheiro e pai de cinco filhos que, depois, viriam a ter. Apesar de ser intitulada com o nome da heroína, a obra não nos remete às emoções sentidas pela precursora do feminismo, mas sim à admiração que Giuseppe sentiu pela forte e destemida mulher, que conheceu durante uma guerra.

O protagonismo da heroína é evidente apenas nas primeiras páginas, quando inicia com Garibaldi já idoso, falando sobre os dias com sua amada, e também sobre a altivez dela. Podemos identificar a perda do protagonismo feminino no momento em que a história continua mesmo após a morte da mulher. No fragmento a seguir, identificamos as emoções do herói e seu olhar sob a saudosa companheira.

“Há lembranças que custam caro, dilaceram o coração, mesmo para o mais duro dos homens, que viu tantas coisas terríveis; recordações que se mantêm em carne viva, capazes de levar muitos à mais explicável loucura. Coisas que guardamos para nós mesmos, como aquela dor, que interessava apenas a ele, e só discutia na sua conversa imaginária com os mortos. Nela, estava sempre com a mulher com quem dividira tudo, fazia tanto tempo que já não recordava muito bem seus traços, imagem fugidia que tomava outras formas, tantas que já não sabia ao certo qual era a primeira; de exato havia o sorriso, sim, o sorriso, a mecha na testa, e o olhar. Aquela Anita quase sem rosto andava em muitos rostos encontrados nos caminhos, na natureza, no tempo, ou melhor: dentro dele.”

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