AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: BERTRAND BRASIL, CORTESIA ISBN: 9788528622003 GÊNERO: FANTASIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 350 SKOOB

As justas e precisas profecias de Agner Nutter, Bruxa

Após ler meu primeiro livro do Neil Gaiman, há pouco tempo atrás, tenho que confessar que fui pega, como tantos outros, pela maravilhosa escrita do autor. Por esse motivo não hesitei em requisitar Belas maldições à editora e posso dizer que estou positivamente surpresa com a leitura. Apesar de se tratar de um livro sobre o apocalipse, trazendo demônios, anjos e até o anticristo à história, a trama tem um quê de bom humor que me conquistou, e posso dizer até que traz um certo tom reflexivo, pra um leitor mais atento.

Belas maldições nos narra a história de um anjo, Aziraphale, e um demônio, Crowley (a serpente que tentou Eva), não só tendo a aparência, mas vivendo como humanos. Eles são, respectivamente, representantes de Deus e do diabo, seus olhos aqui na Terra e, após anos de convívio, são companheiros um do outro. Poderia até dizer amigos, que se dão muito bem e apreciam a vida confortável que possuem aqui na Terra. Porém, de acordo com as profecias, o fim do mundo está chegando para mudar isso e ambos, anjo e demônio, decidem se juntar para impedir o Armagedom que acontecerá a forma do Anticristo – um menino de 11 anos que foi trocado na maternidade e não faz ideia de seu papel nisso tudo.

É difícil dizer exatamente o que mais me chama atenção nesse livro: os personagens icônicos, o humor irreverente, a trama inusitada.. São tantos os elementos cativantes nesse livro que fica difícil eleger o que eu mais gostei. O conjunto da obra é algo grandioso, com uma mistura das coisas mais inusitadas e improváveis que você vai ler sobre o fim do mundo. Aposto que você, assim como eu, jamais pensou que o Armagedom pudesse ser tão engraçado.

O livro é dividido em partes e sua narrativa varia o ponto de vista entre os diversos personagens que os autores criaram. Além de que, ele conta com um narrador onisciente cujo papel é nos divertir imensamente com sua ironia a cerca acontecimentos pré-apocalipse. Os personagens são inúmeros (o que pode até confundir alguns leitores), mas cada um é tão instigante à sua maneira que nos vemos ansiosos por mais. De fato, os autores criaram representações extremamente inusitadas sobre as grandes estrelas do apocalipse. Os cavaleiros do apocalipse merecem um destaque especial: Fome, Guerra, Morte e Poluição (a peste resolveu sair do ramo após a invenção da penicilina) foram muito bem representados na forma de motoqueiros (temos até uma mulher!) que apreciam bastante uma ironia e destroem o mundo aos poucos. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5         EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA                             ISBN: 9788501110008 GÊNERO: FANTASIA , JOVEM ADULTO                         PÁGINAS: 322       PUBLICAÇÃO: 2017         SKOOB

Esse é o segundo – e tão aguardado – tomo do livro Império de tempestades. Se você não leu o tomo anterior, recomendo que não leia essa resenha, pois pode haver alguns spoilers (culpem a editora por dividir a história!). Após quase morrer do coração com tanta adrenalina no livro anterior, esse começa ligeiramente mais calmo, pensado pra dar ao leitor algum fôlego antes de voltar com tudo na adrenalina mais pro meio do livro. Depois do primeiro tomo achei que não poderia ficar melhor, mas eis que me enganei (mais uma vez) com Sarah J. Maas. Ela acabou de concluir com sucesso sua missão de destruir meu psicológico e meu coração com esse livro.

Após conquistar um aliado mais que improvável – e um antigo inimigo – Aelin deu mais um passo na direção de seu objetivo, mas ainda há muitos problemas a serem enfrentados. Uma frota de guerreiros féericos da Rainha Maeve que se move ao seu encontro – não se sabe se para ajudar ou atacar -, uma bruxa que traiu as suas e se encontra ferida em seu barco, um enigma de Brandon para achar o fecho das chaves de Wyrd, e muitos outros aliados para conquistar se quiser vencer essa guerra. Planos devem ser traçados, estratégias tem que ser pensadas e dívidas devem ser cobradas se nossa rainha quiser seu trono de volta.

Como mencionei anteriormente, esse tomo começa um pouco mais lentamente, com menos ação e adrenalina do que o anterior – o que não torna o livro ruim! Começamos voltados um pouco mais à estratégias, à movimentação dos exércitos (da rainha e do inimigo), aos planos que devem ser traçados conforme os obstáculos vão surgindo. O grupo agora está maior e cada personagem tem que aprender a lidar com o outro, afinal os que anteriormente eram inimigos passaram a ser aliados e isso muda muita coisa

Aelin, que eu já achava ter amadurecido imensamente no primeiro tomo, se mostra ainda mais madura nesse segundo volume. Ela mostra que cresceu e que a menina mimada e arrogante que era lá no primeiro livro deu lugar a uma rainha que luta pelos seus, que sabe o que é auto sacrifício, o que é altruísmo e que está disposta a tudo por aqueles que ama – sem perder o sarcasmo, o senso de humor e a língua afiada características de Celeana (que eu adoro!). Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501109996 GÊNERO: FANTASIA , JOVEM ADULTO PÁGINAS: 364 PUBLICAÇÃO: 2017 SKOOB

Começo essa resenha dizendo que esse, dentre todos os textos que já escrevi na vida, foi o mais difícil até hoje. Talvez pelo tanto que eu gostei desse livro, talvez pela enorme quantidade de acontecimentos, reviravoltas e descobertas que ele nos proporciona que não sei nem por onde começar. Mas antes de entrar na história de fato, queria apenas comentar o quão desnecessário foi a separação do livro em duas partes – o quão anticlímax isso é, o quão frustrante para o leitor e fã da série. Ainda mais considerando a parte da história em que o Tomo 1 termina. Só queria avisar a você leitor que tenha os dois em mãos antes de começar a leitura, pois tenho a mais absoluta certeza que não vai aguentar se não tiver.

Império de tempestade – Tomo 1, nos mostra as várias frentes da batalha que está prestes acontecer. Por um lado temos uma Aelin marchando à Terrassen, sua terra natal, a fim de retomar sua coroa e angariar aliados para lutar contra Erawan junto com sua corte que conta com uma metamorfa e guerreiros féericos poderosos. Além disso, seguindo mais algumas mensagens enigmáticas de seus antepassados, ela vai atrás das outras chaves de Wyrd e seu fecho – únicas coisas capazes de realmente dar um fim em toda a guerra. Mas muitos obstáculos podem surgir nessa empreitada a começar pelos antigos aliados de sua família que não parecem dispostos a colaborar com sua causa. Ela se vê de repente sem poder retomar o que é seu de direito, sem aliados e com cada vez mais inimigos à sua volta.

Do outro lado temos Dorian, lidando com um reinado instável, uma magia que não sabe controlar e se vendo sozinho, tentando se encontrar sem ter Chaol e Aelin como seu suporte. E, além disso tudo, ainda está cercado de dúvidas sobre o que aconteceu em seu castelo e sua parte nisso, além de não tirar Manon Bico Negro da cabeça: uma bruxa que ele não sabe ao certo de qual lado está.

E falando em bruxas, Manon está cada vez mais incerta sobre o futuro e os objetivos das bruxas com quem luta. Tirando suas 13 ela não confia em ninguém e, ao ter a vida de sua imediata condenada pela própria avó, ela começa a perceber que não é tão vazia de sentimentos como as bruxas se vangloriam de ser, e que é capaz de muita coisa por suas treze. Ela começa a pensar se não está lutando pelo lado errado.

Além de tudo isso, temos Lorcan, que em seu caminho ao desfiladeiro Ferian, se encontra com Elide que está sendo caçada pelos demônios de Erawan ao ir em busca de sua rainha perdida – Aelin. Os dois se tornam aliados improváveis, com objetivos mais parecidos do que podem imaginar, sem saber que o que procuram é a mesma coisa. Elide se mostra uma menina muito forte nesse livro, ela finalmente desabrocha e se mostra mais inteligente do que podíamos imaginar, se torna uma personagem digna de admiração e que conquista seu lugar com muita luta e sangue. Continue lendo »

segunda-feira, 10 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013123 GÊNERO: CONTOS, CRÔNICAS, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Cenas londrinas é um dos últimos lançamentos no Brasil escrito pela Virgina Woolf. O livro é uma coletânea de ensaios publicados originalmente na revista Good Housekeeping. A autora os escreveu na primavera de 1931, e eles foram publicados bimestralmente a partir de dezembro daquele ano e no decorrer de 1932. Com a inclusão da sexta cena, “Retrato de uma londrina”, os seis ensaios sobre a vida de Londres foram publicados juntos pela primeira vez. As primeiras cinco vinhetas foram reunidas antes – na América, por Frank Hallam, numa edição limitada, apenas 750 exemplares (1975), e, no Reino Unido, pela Random House (1982), sob o selo da Hogart Press, que os próprios Leonard e Virginia Woolf fundaram em 1917.

Como o próprio título já sugere, acompanhado de algumas notas do editor que facilitam o entendimento do leitor para com o livro, Cenas londrinas traz reflexões da autora sobre alguns lugares ou experiências ocorridas pelas ruas de Londres. Perpassa grandes homens, mas também cidadãos comuns, oferecendo ao leitor visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.

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AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013116 GÊNERO: CONTO, CRÔNICA, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Bartleby, o escrivão, originalmente publicado em 1853, foi escrito pelo estadunidense Herman Melville, mesmo autor do mundialmente conhecido “Moby Dick“. Recentemente foi relançado pela Editora José Olympio.

Bartleby, o escrivão é uma obra curta e simplória, todavia sua simplicidade a torna confusa. Inicialmente a história não tem pé e nem cabeça, parece desconexa, não faz o mínimo sentido. Como assim? Pois bem, o autor nos insere num acontecimento corriqueiro do dia a dia – ninguém fica parado. Para sobrevivermos precisamos trabalhar, ainda não fazemos fotossíntese, infelizmente dinheiro não dá em árvore. Certo? Esse trecho parece confuso? Mas, a obra é confusa, perturba o leitor, o deixa indignado e perplexo, principalmente com o desfecho da trama e a peculiaridade do personagem principal – Bartleby.

O livro é narrado por um dos personagens, o advogado. O leitor vivencia um breve período da vida deste advogado e seus outros empregados, cujas manias e personalidades o incomodam, num escritório situado no Wall Street. A rotina é tumultuada, a demanda de trabalho cresce e assim se faz necessária uma nova contratação. Cansado, o advogado decide contratar alguém que não perturbe ainda mais seus nervos. A partir daqui, Bartleby entra na rotina dos demais – é o novo escrivão – uma máquina de cópia humana e extremamente eficiente.

O advogado estava satisfeito com sua contratação, a existência de Bartleby era quase imperceptível aos que ali chegavam. Porém, o seu comportamento era estranho, além da sua função, ninguém o via fazer absolutamente nada.  A falta de interesse de Bartleby pela vida a sua volta despertou a indignação do advogado, mas inicialmente deixou passar. Até que um dia foi lhe designado outra tarefa e ele se recusou a fazê-la. Eventos como esse se sucederam, a resposta era sempre a mesma: “Preferia não fazê-lo”. Eis o ponto crucial da história. E o leitor ainda está na mesma. Boiando, perdido, curioso etc.

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terça-feira, 27 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA, CORTESIA ISBN: 9788520009437 GÊNERO: FILOSOFIA, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 546 SKOOB

Trickster: trapaça, mito e arte

“Interpretemos sempre (o trickster) como seres transitórios.”

Lewis Hyde era um nome estranho para mim. Porém, o título e a capa do livro chamaram muito a minha atenção: trapaça, mito, arte e um Hermes estampado na capa. Confesso que fiz uma pesquisa rápida para saber se seria o tipo de livro que me agradaria e na época ainda não havia nada sobre esse título (o lançamento é bem recente).

Uma conclusão, até muito simplória, é de que Hyde é um gênio. Não só isso: é um bom contador de histórias, desses que não deixam a peteca cair, enlaça uma história na outra e faz citações. Sua maestria na escrita, interpretação dos mitos, explicação simbológica e a astúcia em ligá-los a pintores famosos como Picasso e Duchamp, entre outros, nos faz ter em mãos mais que um livro, é uma obra prima!

Os deuses tricksters não são somente os deuses da trapaça, eles favorecem os homens em diversos momentos de sua história, pois eles são tão imperfeito quanto a humanidade.

“O trickster cria o mundo, dá a ele luz solar, os peixes e os frutos, mas cria-o como ele é, um mundo de constante necessidade, trabalho, limitação e morte.”

O trickster, mesmo sendo um deus,  tem desejos e fome e por conta disso trama para satisfazê-los, às vezes cai em seu próprio estratagema e é capturado. 

O autor dá uma volta no globo ao relembrar, entre muitos outros personagens e histórias, o Hermes da Grécia, Krishna da Índia, o Exu da África, o Corvo e o Coiote da América do Norte. Esse último eu nunca tinha ouvido falar, mas lembrei comicamente de um desenho animado da minha infância: papaléguas e o coiote. Só então me toquei de que o desenho pode sim se tratar de uma releitura do trickster dos povos nativos do norte americano! Continue lendo »

quinta-feira, 22 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: RECORD, CORTESIA ISBN: 9788501087850 GÊNERO: HISTÓRIA PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 237 SKOOB

O Bunker de Churchill, do historiador e também biógrafo Richard Holmes, explora, nas páginas desse livro pela primeira vez, como de dentro de salas apertadas, o grande estadista inglês transformou uma provável derrota para os nazistas na retumbante vitória britânica. Para quem não sabe, sou formado em História e quando vi do que se tratava o conteúdo do livro, não pensei duas vezes antes de solicitar. Não sabia da existência dessa parte da história da Segunda Guerra Mundial, fazendo com que ficasse ainda mais interessado pela leitura. E confesso que não me arrependi do mesmo.

A Segunda Guerra Mundial, conflito entre países como Alemanha, Inglaterra, Itália, teve alcance mundial, gerando discussões até os dias atuais. O que muitas vezes acaba se focando na figura de Adolf Hitler e sua postura política, deixando de lado outras possibilidades de se contar a mesma história. O livro de Holmes vem com o objetivo de mostrar como estava a Inglaterra naquele momento, focando na figura de Winston Churchill, primeiro ministro inglês no período, mas mais nitidamente no modo em que o mesmo atuou de dentro de um refúgio temporário para o caso de bombardeios, mas que acabaram virando uma segunda casa para o Churchill e um grande número de militares e civis, cujo serviço até então passara despercebido.

A pesquisa de Holmes é de fôlego, fazendo com que o leitor fique curioso para saber maiores informações sobre o assunto. Do mesmo modo, o esforço para a pesquisa se manifesta na escrita do mesmo, onde temos algo bem delineado e uma narrativa fluida. Um aviso para quem não está habituado é porque o livro pode se mostrar um pouco cansativo, afinal, há uma sucessão de fatos e datas que pode confundir. Apesar da minha formação em História, não tinha tamanho conhecimento sobre a vida do primeiro-ministro inglês, o que dificultou um pouco o envolvimento com a leitura. Continue lendo »

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Avaliação: 4/5
Editora: Bertrand Brasil, Cortesia
ISBN: 9788528620726
Gênero: Biografia, Não Ficção Publicação: 2017
Páginas: 240
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A primeira coisa que me chamou a atenção em Charlotte, de David Goenkinos, foi a capa, uma pintura intensa da artista Charlotte Salomon. Eu não conhecia nada a respeito de sua vida e de sua obra, mas fiquei curiosa para saber mais a respeito e, agora, depois de finalizada a leitura, fico feliz de ter feito isso. Foenkinos conta a história da pintora de uma forma completamente diferente. Com uma estética de prosa poética, utilizando uma frase por linha, ele traz ainda mais profundidade para a história que se propõe a contar.

Charlotte é um livro que apresenta a história dessa artista que, infelizmente, passou por momentos muito difíceis em sua vida, que terminou no campo de concentração de Auschwitz. O livro começa contando a história de como ela recebeu esse nome. Em homenagem a uma tia que, por conta da depressão, suicidou-se. O autor, então, passa a narrar as dificuldades da menina, que mais tarde também sofreu com o suicídio da mãe.

Já mais velha, Charlotte se viu obcecada pela madrasta Paula, uma grande cantora da época. Foi por meio de Paula que a jovem conheceu Alfred, por quem se apaixonou completamente. Entretanto, Alfred não dava indícios de que gostaria de manter um relacionamento sério, e seus encontros eram quase sempre às escondidas. Em meio a isso, os ideais de Hitler ganhavam força na Alemanha e a Segunda Guerra Mundial se aproximava. Charlotte e sua família eram judeus e tiveram que se separar para que pudessem se salvar. A garota, a contragosto, foi se refugiar na França, onde estavam os avós.

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AVALIAÇÃO: 5/5               EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA                                   ISBN: 9788501107671       GÊNERO:  GUIA, FANTASIA, JOVEM ADULTO                     PUBLICAÇÃO: 2016       PÁGINAS: 208                         SKOOB

Contada na Linguagem das Flores

Uma história de notáveis caçadores de sombras e seres do submundo é um presente aos leitores e fãs das histórias de Cassandra Clare, e um prato cheio para aqueles ávidos por informações sobre os personagens desse fantástico universo criado pela autora. A primeira coisa que tenho a dizer é que esse é, obviamente, um livro para quem conhece ao menos uma das séries da autora.

Para quem não sabe, as séries dela são interligadas: todas se passam no mesmo universo, mas em épocas diferentes. Ou seja, em todas elas acabamos por esbarrar em um personagem de alguma outra série. Então, se você já leu e gostou de “Peças Infernais”, “Instrumentos Mortais” ou “Artifícios das trevas”, vai se encantar com esse livro  – assim como eu!

Este livro traz informações gerais – e algumas novas, então acaba por não ser algo redundante – sobre a personalidade dos personagens mais queridos e famosos dessas séries, dividindo-os por gerações (assim como é nas séries). Porém, o mais incrível, pelo menos pra mim, é a arte que foi criada para o livro.

As ilustrações de Cassandra Jean são maravilhosas, e eu já babava nelas pela internet, ter um livro com dezenas de imagens dela, ilustrando vários dos personagens que mais amo não tem preço! Se não pelas informações contidas no livro, ao menos as imagens fazem valer muito a pena a aquisição do mesmo. (Confira as ilustrações!)

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domingo, 9 de abril de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: RECORD ISBN: 9788501025432 GÊNERO: POLICIAL, SUSPENSE, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 462 SKOOB

O poderoso chefão é um romance publicado em 1969, escrito por Mario Puzo e adaptado para o cinema em 1972, com direção de Francis Ford Coppola.

O romance conta a história da família Corleone, uma das cinco grandes famílias de Nova York que comandava o tráfico na região. No caso deles, eles tinham o poder com o negócio de azeite, jogos e também influência grande sobre a política. As relações de afetividade italiana são minuciosa e intensamente descritas durante todo o romance. A demonstração de poder com o Padrinho, Don Corleone, com as respectivas pessoas que trabalhavam para ele, como Tessio e Clemenza, foram fiéis do início ao fim.

Pode-se dizer que este livro é um dos mais bem elaborados e escritos do último século. É um clássico, e a capacidade de Puzo em ditar e controlar o ritmo da história é sensacional. No primeiro capítulo, com 64 páginas, boa parte das relações que vão durar durante todo o romance já estão apresentadas e exemplificadas.

O livro começa com um agente funerário, Amerigo Bonasera, pedindo ajuda ao seu querido Padrinho. Sua filha havia sido espancada pelo namorado e mais um amigo, e ele dizia que estava procurando justiça – e que não havia ninguém melhor que o Padrinho para se procurar justiça. A resposta de Don Corleone revela sua personalidade desde o início. Ele nega ajuda a Amerigo, porque diz que não pode matar dois jovens que não mataram sua filha. Ele poderia arranjar pessoas para “darem um jeito” neles, e, em troca, tudo o que o Padrinho pediu a Amerigo foi: a amizade.

Era assim que Don Vito Corleone trabalhava todo o tempo. Foi assim que ele conquistou todo seu poder, todo seu império, toda sua família. Ainda neste primeiro capítulo, capítulo em que se passava o casamento de sua filha, o Don recebeu mais algumas pessoas. Uma delas era seu afilhado, o famoso cantor Jhonny Fontane, que também era ator e que procurou seu padrinho para pedir ajuda; ele queria entrar no elenco do próximo filme que seria dirigido por Woltz. Continue lendo »