sábado, 5 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA ISBN: 9788555340338 GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO, LGBT PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 384 SKOOB

Fera foi um livro que me despertou a curiosidade logo que saiu a sinopse. Apesar de um romance adolescente, possuía uma proposta um pouco diferente: apresentar o relacionamento de uma menina transgênera com um garoto que é conhecido como Fera por sua aparência. Confesso que fico feliz com o reconhecimento e a presença cada vez mais forte de livros que abordem tais temáticas. Além disso, o livro prometia ser uma releitura do conto de fadas “A Bela e a Fera“. Tem como não se empolgar com a história?

Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando o garoto conhece Jamie em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é engraçada, inteligente, linda e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que o garoto não sabe é que Jamie não é como a maioria das garotas de quinze anos: ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar, ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.

Como disse no início da resenha, nos últimos tempos temos uma presença cada vez mais recorrente de livros que abordem questões referentes ao universo LGBT. Recentemente li outro livro que abordava um mesmo universo, só que em outra época: “A garota dinamarquesa“. A proposta era totalmente diferente de Fera, mas mostra a importância de livros assim e a maneira com a qual vão lidar. No caso de Fera, o ponto de partida é um romance adolescente como qualquer outro, mas acaba se desenvolvendo numa história de superar os preconceitos.

Dylan não é o melhor dos protagonistas. Se você imagina um garoto romântico e bem humorado, está bem engando. Ele tem um humor azedo e costuma ser bem irônico quando quer. E arrisco dizer que esse foi o ponto que mais me fez gostar do personagem. A situação em que ele está, afinal, não é todo adolescente de 15 anos que tem quase dois metros de altura e um monte de pelos no corpo, torna ele tão humano e não tão idealizado. Todo adolescente quer apenas uma vida normal, amigos e quem sabe uma namorada. E Dylan quer tudo isso. Quando conhece Jamie, acredita que talvez ali possa haver um recomeço. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: PAZ & TERRA, CORTESIA ISBN: 9788581052779 GÊNERO: HISTÓRIA, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 332 SKOOB

Operários, mulheres, prisioneiros

Os excluídos da história é um clássico em termos de historiografia. Publicado no Brasil inicialmente em 1988, a obra de Michelle Perrot apresenta uma proposta pouco usual no período, ao tratar de setores da sociedade ditos menores, logo, sem o direito de serem considerados parte da história. São eles as mulheres, os operários e prisioneiros. Antes mesmo da publicação do mesmo, Michelle Perrot já escrevera artigos acadêmicos sobre tais personagens, demonstrando assim, um grande interesse na temática.

Não quer dizer que operários, mulheres e prisioneiros já não fizessem parte da história. Pelo contrário, até faziam. O problema é você dar protagonismo a eles. Uma coisa é você escrever uma história de uma fábrica sobre o ponto de vista do patrão e da produção. Outra coisa é você propor a mesma história, mas dando voz aos operários e as relações destes com o patrão e o sistema imposto. Da mesma forma com os outros dois grupos. E é essa a proposta do livro de Perrot.

O livro é dividido em três partes, respectivamente a cada grupo, sendo elas constituídas por artigos. De maneira geral, a autora aborda os personagens na França do século XIX, detendo-se em pontos específicos, que possibilitam ter uma dimensão mais ampla. Procura trazer práticas do cotidiano, possíveis pensamentos correntes e visões de mundo. Por exemplo, a parte destinada as mulheres faz uma retrospectiva de todo um imaginário em torno da figura feminina e como o mesmo foi construído ao longo do tempo. Pontos como a questão da exclusão delas na sociedade, o papel das mesmas numa relação matrimonial são abordados no livro. Continue lendo »

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788581052779 GÊNERO: BIOGRAFIA, AUTOBIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 256 SKOOB

Grandes escritores possuem uma aura em torno de si que nunca paramos para pensar que são seres humanos iguais a gente. Lemos suas histórias e o conhecemos por meio de seus personagens e tramas. Stephen King é um exemplo disso. Autor cultuado no mundo todo por suas histórias de terror, King mostra uma maestria em contar histórias e criar tensões que eu pelo menos, nunca havia parado para pensar como conseguia. Até conhecer o presente livro. Sobre a escrita é um livro totalmente diferente de tudo que ele já escreveu e mostra outro lado do autor.

Stephen King pensa o próprio ofício de escritor, entremeando com suas memórias e vivências. Num primeiro momento, intitulado “Currículo”, o autor faz um retrospecto de toda a sua vivência, onde podemos conhecer momentos decisivos em sua vida, que acabaram influenciando na figura que ele é hoje. Sua infância, adolescência, o casamento com Tabitha, sua atual esposa são alguns dos elementos que perpassam as páginas do livro e que trazem ao leitor uma dimensão mais íntima de quem escreve. Não tem como não se envolver e se emocionar no momento em que o autor conta quando jogou fora as páginas de “Carrie, a estranha“, Tabitha as resgatou e o incentivou a continuar a escrita. Isso até o momento em que consegue publicar. Não tem como não conhecer momentos difíceis de sua vida e que influenciaram a escrever grandes sucessos, como “Misery“, e não conseguir ler o mesmo com um olhar diferente.

O segundo e terceiro momento, intitulados “Caixa de Ferramentas” e “Sobre a escrita” são desenvolvidos no âmbito da prática da escrita. Mas se você imagina um manual de como escrever, ou uma sequência de regras, está enganado. O autor se utiliza de uma linguagem que torna a leitura muito mais atrativa e até divertida, arrancando algumas risadas do leitor. É como se fossem sessões de conversa com um velho conhecido. Se tiver algo a criticar, vai lá e critica. Como por exemplo, King acha o uso de advérbios na escrita totalmente desnecessário, ao mesmo em que não confia em textos que são escritos em voz passiva. Além disso, elenca uma série de pontos que ele julga necessário para a escrita de um romance, como pesquisa, diálogos, pano de fundo, a existência de um leitor ideal e quantas revisões são necessárias em um romance. Segundo ele, grandes histórias podem nascer de uma simples pergunta: e se uma mãe e um filho ficassem presos num carro por causa de um cão raivoso? Continue lendo »

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 3/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928532 GÊNERO: THRILLER, POLICIAL PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 296 SKOOB

O desaparecido foi aquele livro que caiu nas minhas mãos ao acaso, sem saber muito sobre o que se tratava (além da sinopse), muito menos do autor. Apenas que era um thriller israelense, o autor era especialista em literatura policial, motivos suficientes para solicitá-lo. Quando chegou, fiquei surpreso pela edição cuidadosa, sendo ele em páginas brancas com a lombada em laranja. Apesar disso, a leitura demorou um pouco para ser realizada e quando foi, poderia ter sido um pouco melhor.

Ofer é um jovem que divide seu dia-a-dia entre o colégio e atividades extracurriculares, como qualquer menino da sua idade faria. Até o dia em que ele desaparece misteriosamente. Sua mãe vai até a polícia pedindo ajuda e seu caminho se cruza com o do detetive Avraham Avraham. A princípio, o detetive acredita que tem uma simples tarefa pela frente, como costumam ser os inquéritos na região. Todavia, um outro personagem entra na história, o professor do garoto e o detetive se vê numa complexa e perigosa investigação, que o fará questionar sua própria ideia de violência.

A proposta do livro tinha tudo para garantir uma leitura instigante e eletrizante. No entanto, me deparei com algo totalmente diferente, o que me causou um certo estranhamento e fez com que o ritmo de leitura fosse um pouco mais lento. Ao contrário de tantos outros livros do gênero que possuem um desenvolvimento mais ágil, Dhor Mishani aposta em algo mais psicológico, procurando explorar outros pontos dos personagens. De um lado temos o detetive, que leva uma vida pacata sem grandes emoções e de outro, temos personagens como o professor de Ofer, um individuo que não conseguimos sacar qual é a dele.

Pode ser uma proposta diferente e algo positivo, mas não funcionou tão bem quando se esperava. Senti uma falta de encadeamento no mistério em si, sendo este deixado em alguns momentos de lado. Não consegui divisar um começo, meio e fim, apenas possibilidades de algo que poderia vir a ser. E o fato de ser uma leitura mais lenta acabou que fazendo com que não houvesse uma concentração tão grande. Não havia aquelas revelações aos poucos que fizesse a gente ir em frente e saber o que aconteceria em seguida. Continue lendo »

terça-feira, 1 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535928112
GÊNERO: CONTOS
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 532 SKOOB

A Companhia das Letras nos apresenta uma excelente obra, com uma seleção de 43 contos da escritora americana, Lucia Berlin.

O quarto conto, “Manual da faxineira“, é o que intitula o livro. A capa está toda em pontilhismo, técnica muito usada nos anos 50 pelo movimento Pop Art, as cores também remetem àquela época, despertando a curiosidadem, é possível dintinguir um aspirador antigo da marca Hoover.

Ao iniciar a leitura uma onda de estranheza quase me afogou, porém fui me habituando com o estilo inusitado da escritora, quase sempre realista demais, às vezes com finais para mim sem sentido ou incompletos, ela simplesmente conseguiu abalar toda a familiaridade e o conforto que sinto ao ler um livro. Mas ao mesmo tempo que isso parece ruim, é bom, porque nos leva a refletir sobre os temas abordados nas histórias (velhice, solidão, alcoolismo, traição, aborto, morte, problemas familiares…) que de uma forma ou de outra fizeram parte da vida dela. Depois de alguns contos iniciais, percebi estar cada vez mais ávida em continuar lendo, louca para julgar cada uma das histórias.

Durante as mais de 500 páginas,  Lucia menciona objetos, produtos, marcas (Jim Beam, Greyhound, Thunderbird, Kool); lugares (El Paso, Nacogdoches, Texarkana, Mullan, Algarrobo, Baton Rouge, Albuquerque, Púcon); comidas (huevos rancheros, chilaquiles); plantas (delfínios, cosmos, tentilhões, bougainvilleas, alcaçuz, turfa); animais (bacaraus, moreia, pargo, grous); autores (Mishima, Tchekhov, Sartre, Keerkegard, Keats); filmes e programas de televisão (Beau Geste, The odd couple, Mildred Pierce, Leave it to beaver, Papai Batuta); músicos e músicas (Ornette Coleman, Siboney, La vie en rose); arte, mitologia (Sísifo, Laocoonte); medicamentos e procedimentos hospitalares (Nembutal, Fenobarbi, cobaltoterapia, colostomia, Metadona), termos hispânicos (pachucos, chicanos, mariachis, huasos); alguns termos franceses (enchanté, connaisseur, tempus perdu, thés dansants), e também algumas palavras desconhecidas para mim (butins, carfologia, meeiro, palimpsesto, bagana). Com tudo isso, é fácil concluir que a autora possuía uma bagagem cultural excepcional, apesar de ter me sentido um pouco perdida, talvez fosse diferente se eu tivesse vivido na mesma época de Berlin, por isso, decidi pesquisar alguns desses itens para captar com mais profundidade cada coisa mencionada por ela, puro interesse, friso que é possível ignorar tudo isso e entender com clareza o que está sendo contado. Continue lendo »

terça-feira, 25 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: QUADRINHOS NA CIA., CORTESIA ISBN: 9788535928457 GÊNERO: HQ, FANTASIA, INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 40 SKOOB

Como não se apaixonar por Hilda, a personagem do cartunista e ilustrador inglês Luke Pearson? Nessa primeira aventura, lançada esse ano pelo selo Quadrinhos na Cia., conhecemos uma menina que mora numa casa isolada nos arredores da fictícia Trolburgo, uma região privilegiada pela natureza, com muitas montanhas, animais, pinheiros, fiordes e neve.

Em companhia de sua fofa raposa, Túlio, que mais parece uma rena por causa dos chifres, Hilda gosta de acampar ao lado de casa em noites de chuva, passar os dias ao ar livre e desenhar alguns dos cenários vistos durante essas caminhadas de exploração.

Ao desenhar pedras que encontra no caminho, se depara com uma com a aparência de um troll, decide pedir para Túlio colocar um sino no possível nariz do amontoado de rochedos, para que pudesse ouvir caso ele começasse a se transformar. Depois disso, resolve então desenhar a criatura, porém fica tanto tempo nessa tarefa que acaba pegando no sono, ao acordar com o barulho do sino, percebe que o troll desapareceu e o sol já está se pondo.

A edição de Hilda e o Troll está impecável, em capa dura, as cores estão maravilhosas, contracapa colorida. No início temos um mapa da região e após as poucas páginas de história, porque são apenas 40 páginas e de tão boa, acaba muito rápido. Ao fim, temos uma ilustração de duas páginas mostrando o quarto de Hilda, em seguida, o livro que está aberto na escrivaninha da garota é aproximado, sendo possível ler um pouco sobre os trolls, esse detalhe final é essencial para inteirar aqueles que como eu ignoravam pormenores desses seres de hábitos noturnos.

A história foi inspirada na cultura nórdica, ou seja, os países do Norte da Europa, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Nessa região, histórias sobre trolls são amplamente conhecidas, sendo inclusive vendidos diversos objetos sobre eles, realmente faz parte do folclore local. Continue lendo »

quarta-feira, 12 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535921939 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 302 SKOOB

O pacifista nos conta a trajetória de Tristan Sadler, um jovem homossexual de origem humilde, cuja dificuldade de aceitação do pai por sua opção sexual o obriga a sair de casa e a alistar-se ao exército aos 17 anos. Após o confinamento, nosso protagonista conhece Will Bancroft. Os dois são amigos, amantes e ao mesmo tempo inimigos. A relação entre eles é ambígua e se deteriora durante a guerra. Entre idas e vindas, Will falece. Algum tempo depois, Tristan vai em busca da irmã de seu amigo, entrega as cartas deixadas por Will e lhe revela um grande segredo.

A história se desenvolve na Inglaterra de 1916, sediada na Primeira Guerra Mundial. A narrativa aborda os horrores da guerra, no entanto, o foco está nas experiências de vida de dois jovens soldados nas trincheiras, o romance que se instaurou entre eles, a dificuldade de esconderem suas verdadeiras identidades e a busca por compreensão e redenção. Nesta época, o preconceito se faz presente, porém de modo mais abrangente e aterrorizador. Muito se fala da homossexualidade e as barbáries cometidas por indivíduos incapazes de respeitar a diversidade e a opção de vida de seus semelhantes. Não são poucos aqueles que são extremamente conservadores e ditadores da moral e dos bons costumes. Boyne não poupa palavras para demonstrar o quanto a guerra e o preconceito são igualmente sangrentos e cruéis.

A questão histórica no livro, como nas demais obras de Boyne, é muito bem ambientada e situada, as descrições são ricas e precisas. O desenvolvimento dos personagens não deixa a desejar, a história é detalhista e os sentimentos ali impregnados são palpáveis, a sensação de medo e sofrimento é, por vezes, esmagadora. O livro é dividido em flashbacks, o que acontece no presente e o que aconteceu no passado se entrelaçam para entendermos os conflitos vividos pelo protagonista, a narrativa em primeira pessoa também favorece o desenrolar da história.

Continue lendo »

sexta-feira, 7 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535929041
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 277
SKOOB

O Dr. Drauzio Varella é muito conhecido pela população brasileira. Isso se dá pelo trabalho ímpar que ele desempenha na sociedade: médico e voluntário praticamente sua vida inteira. Além de aparecer em alguns quadros sobre saúde em programas de TV que são acessíveis para todo Brasil. Para mim, ele é uma referência confiável e amiga quando se trata de saúde. Sério mesmo!

O livro Prisioneiras encerra uma trilogia iniciada em 1999 com o livro “Estação Carandiru” que narra a vida e as histórias da penitenciária masculina do Carandiru, SP, em que Drauzio foi voluntário por treze anos. A obra lhe rendeu o prêmio Jabuti de não ficção e uma versão cinematográfica nas telas do cinema. O livro seguinte foi “Carcereiros”, que após a rebelião e massacre sangrento na Penitenciária do Carandiru, Drauzio se encontrava com os amigos que eram carcereiros e isso lhe rendeu muitas conversas e o livro.

Em Prisioneiras, o autor conta como foi o seu trabalho voluntário na penitenciária feminina de segurança máxima do Estado de São Paulo.

Eu não li os outros livros, mas Prisioneiras é livro de linguagem fácil, porém com histórias e descrições muito reais. Primeiro Dráuzio é direto: a penitenciária feminina é muito diferente da masculina. A mulher, quando “cai na cadeia”, é esquecida. Ela pode ser mãe, irmã, namorada, esposa de alguém, mas possivelmente será abandonada lá para cumprir sua pena na solidão. Em dias de visitas em penitenciárias masculinas há filas e até acampamento na madrugada para guardar o lugar das visitantes. Nas penitenciárias femininas isso não ocorre.

“Em quase trinta anos atendendo doentes em cadeias, jamais ouvi um desaforo, uma palavra áspera, uma reivindicação mal-educada. Às vezes, fica difícil acreditar que pessoas tão respeitosas com o médico tenham cometido os crimes que constam em seus prontuários. Profissão caprichosa a medicina, capaz de criar empatia mútua entre dois estranhos em questão de minutos.”

Continue lendo »

quinta-feira, 6 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: QUADRINHOS NA CIA, CORTESIA ISBN: 9788535921311 GÊNERO: HQ PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 672 SKOOB

Habibi entrou na minha lista de leituras por causa do nome do autor. Craig Thompson escreveu a incrível  HQ  ““Retalhos”, que me encantou demais e logo se tornou um daqueles nomes que, assim que lançam algo, eu estou indo atrás.

Esta HQ tem uma pegada completamente diferente de “Retalhos” e traz um retrato da cultura árabe. Isso pode causar estranhamento no início, pois a grande maioria de nós não está acostumada com muitas histórias assim, mas o autor obteve sucesso em contextualizar a obra e em torná-la agradável para qualquer um.

Somos apresentados à Dodola e Zam. Ambos são escravos e por meio das reviravoltas da vida acabam se juntando e criando um laço muito forte. Porém, a trama se desenrola mesmo após a separação dos dois. Cada um é levado para um caminho diferente e segue sua vida. Ela, forçada a ser prostituta e ele, se tornando eunuco. Mesmo estando distantes, ou, na verdade, até que próximos, como o leitor tem noção durante a leitura, eles não se esquecem e sempre mantêm em sua mente a falta que o outro faz.

A HQ é extremamente cruel com o leitor e triste. Você irá se apegar aos dois e sofrer com os acontecimentos aos quais eles são submetidos. O autor não tem pena de quem está lendo, e muito menos dos dois protagonistas.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Papel

Continue lendo »

sábado, 24 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA ISBN: 9788565765602 GÊNERO: THRILLER, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 272 SKOOB

A grande caçada se passa em um vilarejo na Finlândia onde, aos 13 anos, jovens garotos precisam passar por um teste. Munidos de um arco, eles são levados para uma floresta na qual precisam abater algum animal e sair de lá com vida, levando a carcaça como prova. Quanto maior o animal, mais respeito o participante terá perante aos outros membros do grupo.

O pai de Oskari é conhecido por ter conseguido matar um urso e é bastante respeitado. Por isso, todos colocam muita expectativa em cima do garoto e esperam grandes feitos dele. Porém, ele não tem tanta certeza de que se saíra bem.

Um encontro inesperado no meio da selva muda todo o cenário da busca e Oskari acaba descobrindo coisas que vão muito além de sua aldeia e dando de cara com obstáculos e inimigos muito maiores que apenas os animais selvagens que esperava enfrentar.

A Grande Caçada é uma leitura leve, rápida e tranquila de ser feita. A escrita do autor é simples e direta, com a presença de muitos diálogos. A narrativa é veloz e combina bastante com o estilo da história contada. O fato do livro não ser muito profundo é até positivo, ainda mais levando em conta se você procura algo leve para ler. Porém, a falta de aprofundamento em diversos pontos atrapalha.

O autor não dá tempo para o leitor se apegar ao protagonista e não explica muito a situação dele, o local que ele mora e como tudo funciona. Temos poucos capítulos de contextualização e pronto, Oskari já é jogado na floresta. As cenas de ação lá são legais, sim, mas em muitos momentos eu me tocava de que não me importava com o que estava acontecendo com ele.

Dan Smith até tem êxito em criar uma sequência de cenas de ação que te prendem e te deixam um pouco curioso para saber o desfecho da aventura, mas ele não preparou o terreno até ali. A sensação que eu tinha era de que estava lendo sobre um personagem que eu mal conhecia e com o qual eu não conseguia me relacionar. Continue lendo »