AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340642
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 200
SKOOB

A Emily Trunko, organizadora desse belíssimo livro, é um ser humano fantástico! E um ser humano bem novinho, atualmente com 16 anos ela já deu o que falar no quesito “corrente do bem”, por assim dizer. Desde os 11 anos Emily escreve cartas. Antes num caderno, depois em vários documentos no computador… até que decidiu ter um Tumblr, o Dear My Blank, para saber se mais gente fazia isso.

As cartas foram importantes para mim porque me ajudaram a extravasar emoções que eu não conseguia expressar de outra forma.

E com essa ideia e a ajudinha da internet, seu projeto começou a tomar proporções maiores: recebia cartas e mensagens de outras pessoas. O mundo estava usando a mesma energia das cartas para extravasar emoções. A partir de então, iniciou-se uma corrente solidária, algumas pessoas respondiam os posts das cartas, outras se comoviam e mandavam cartas também. Para entes queridos, para brigas, para saudade, para amizade, amor… todos os sentimentos que estavam represados na alma e precisavam fluir se transformaram em palavras que jamais seriam entregues às pessoas, mas estavam ditas, estavam libertas.

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sexta-feira, 23 de março de 2018

À convite da Companhia das Letras fui assistir a pré-estreia do filme “Pedro Coelho”, nessa sexta-feira (16/03/2018), no Cinemark do Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.

O filme é baseado na obra da autora Beatrix Potter, que é conhecida principalmente por dar vida às aventuras do coelho mais levado do mundo. Eu não li o livro, mas quando era novinha assistia a série animada na TV Cultura, Petter Rabbit. Achei um pedacinho aqui para você ver se lembra também.

Beatrix Potter nasceu em 1866 e desde pequena gostava de viver observando a natureza, inclusive os animais. Imaginem a dificuldade de lançar um livro nessa época, levando em consideração

Livro

empecilhos sociais. Mas ela não desistiu, mesmo depois de tantas negativas seu primeiro livro foi lançado em 1902 e foi um sucesso de vendas! E como toda boa história… não acaba por aí! Ela inovou patenteando um boneco de pano do seu personagem principal, além de fazer um jogo de tabuleiro e pensar em outras peças para comercializar. Será que podemos dizer que a a ideia de existir mimos de personagens que amamos teve início com a Beatrix? 😮 #arraso! Mas precisamos de uma pesquisa histórica para ter certeza.

Bem, vamos a história do filme: Pedro, o coelho, vive com suas irmãs trigêmeas e seu primo Benjamin em uma buraco no tronco de uma árvore em frente a horta/jardim do Seu Gregório, o velho mais ranzinza da face da terra, que mesmo esbanjando comida em seu quintal não quer dividir nada com os animais que vivem em volta. Mas isso não impede Pedro de tentar invasões planejadas para conseguirem pegar toda comida que precisam e ainda escaparem vivos do Seu Gregório.

As peripécias dos jovens coelhinhos não acabam mal graças a bondosa Bea, a vizinha do Sr. Gregório, pintora e amante de animais que sempre os protege de virar recheio de torta. É isso mesmo! Disse que Sr. Gregório não é do bem! rs

Foto divulgação Sony Pictures

A trama muda um pouco com a chegada de um parente mais novo do Sr. Gregório, o Thomas. Agora, além de disputar o jardim, Pedro e sua turminha tentarão disputar a atenção da bondosa Bea.

O filme é muito espirituoso, assim como seu protagonista Pedro. Várias risadas encheram o cinema com um público de adultos e crianças. As sacadas e piadas não são forçadas e mantém um bom ritmo até o final do filme.

E gente do céu! Que animação caprichada é essa?! Em misto filme e animação live-action 3D que ficou hiper realista! Não só as características dos animais, seus movimentos e detalhes… Não só isso! Prestem atenção no vento batendo nos pelos dos personagens, por exemplo! Perfeito! Sony Pictures: Arrasou!

Final de sessão e ainda ganhamos um mimo: uma cenoura – Recheada de ovinhos de chocolates! hummmm

Cine Cabine com Companhia da Letras

 

Indico um passeio ao cinema para levar a garotada. Adultos em galera ou mesmo sozinhos com certeza vão curtir e apreciar essa produção. Estreia 22 de março nos cinemas.

Bom filme!

sexta-feira, 16 de março de 2018

AVALIAÇÃO: 3,5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340512
GÊNERO: JOVEM ADULTO, MISTÉRIO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 278
SKOOB

Pensando em trazer novas opiniões e apresentar para vocês novos olhares a partir de uma mesma obra, esta resenha seguirá um formato diferente. Logo abaixo, vocês encontrarão duas opiniões a respeito do livro Fraude Legítima.

Tayara Casemiro

Escrito pela autora E. Lockhart e publicado no Brasil pela editora Seguinte, o título Fraude Legítima nos conta a história de Imogen e Jule, duas grandes amigas que tem suas vidas entrelaçadas, e são protagonistas de uma história digna dos cinemas.

Imogen é uma jovem rica que nunca encontrou seu lugar no mundo, ela vive em busca de liberdade e principalmente, vive em busca de encontrar um lugar onde ela se sinta preenchida. Jule é uma fugitiva, uma garota que assume várias personalidades para conseguir sobreviver, e cria diversas histórias diferentes para preencher as lacunas em sua vida. As duas acabam se encontrando, e deste encontro uma intensa amizade surge, na qual ambas acabam sendo quebradas mais do que já eram.

Fraude Legítima não é um livro muito fácil de ser lido, demorei um certo tempo para entrar no ritmo da história e isso fez com que eu demorasse mais para terminar de lê-lo. A autora E. Lockhart fez neste título o que sabe fazer de melhor em seus livros, confundir os leitores. Toda a história é cheia de idas e vindas, somos levados ao passado e presente de Jule diversas vezes, a princípio isso pode confundir um pouco, mas conforme vamos entrando no ritmo, fica mais fácil acompanhar essas voltas no tempo.

Nada nessa história é como eu imaginei que seria, logo de cara sabemos sobre a morte de Imogen e somos inseridos na loucura que é a vida de Jule. A garota tem uma vida muito misteriosa, nada é comum em sua vida, e nas visitas ao seu passado vamos entendendo um pouco mais sobre sua ligação com Imogen, e sobre como as coisas acabaram terminando dessa maneira trágica.

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AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788573027143
GÊNERO: FANTASIA, FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2007
PÁGINAS: 816
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Mago e Vidro é o quarto livro da tão aclamada série Torre Negra e é aqui onde as coisas começam a ficar sérias – e boas de verdade. Já aviso de antemão que se você não leu os livros anteriores vai se sentir no mínimo meio perdido nessa resenha. Não que eu dê spoilers, mas é uma história longa, com muitos acontecimentos e se você não acompanhou até aqui não vai entender basicamente nada.

O livro começa basicamente do ponto onde o terceiro terminou e nos deparamos com o ka-tet de Roland em uma “batalha” com Blaine, que os desafia para um jogo de charadas onde eles só saem com vida se ganharem o jogo. Sendo Blaine uma máquina de inteligência artificial, é um eufemismo dizer que o jogo não será fácil.

Passado esse primeiro obstáculo – não direi como, mas digo que vai surpreender -, os amigos se direcionam para uma cidade chamada Topeka, em um tempo pós apocalíptico e é lá que Roland finalmente decide brindar aos seus companheiros (e a nós, leitores) contando uma parte de seu misterioso passado.

Não entrarei em detalhes pois sei que, como foi pra mim, o passado de Roland é algo que motiva a muitos de vocês para continuar a leitura da série e finalmente posso dizer que valeu a pena esperar! Roland nos conta sobre como o Feiticeiro enganou seu pai, sobre o desafio com Curt que o emancipou à vida adulta, sobre um embate entre pistoleiros, uma velha bruxa e até uma mulher que balançou o coração do nosso protagonista. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788573026696
GÊNERO: FANTASIA, FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2005
PÁGINAS: 526                  SKOOB

As terras devastadas é o terceiro volume da série Torre Negra e, até agora, o meu favorito da mesma. Pude perceber uma grande evolução narrativa na escrita do King, ele conseguiu encontrar o ponto certo, onde a história segue um ritmo menos confuso e arrastado.

Começamos alguns meses após a escolha dos três no volume anterior. Roland, Suzannah e Eddie se deparam com um guardião dos doze portais que permitem a passagem entre os mundos. Os portais são unidos por feixes de luz, cujo no ponto onde todos eles se cruzam, Roland acredita estar a Torre Negra. Dessa maneira, o trio começa sua jornada no caminho desse feixe de luz, onde encontrarão mais alguns muitos percalços até encontrar seu objetivo.

Senti uma familiaridade muito maior com esse volume do que com as histórias dos dois anteriores. Acredito que, ao chegar nesse ponto, o leitor já está bastante acostumado com o universo único criado por King o que tornou a leitura bem mais fácil do que as anteriores. Além do fato de que, como mencionei, a narrativa de King parecer ter encontrado um equilíbrio nesse volume.

Mais uma vez, acompanhamos o ka-tet de Roland em sua missão em busca da Torre Negra e, no caminho reencontramos um personagem que eu estava sentindo bastante falta: Jake. Após Roland salvá-lo da morte no último volume, alterando seu destino, o mesmo cria um paradoxo temporal que estava dilacerando suas mentes e só esse reencontro deles consegue colocar tudo no lugar. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788556510471
GÊNERO: FANTASIA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 400                      SKOOB

Atenção! Pode conter spoilers do volume anterior!

Quem leu minha resenha de A rainha de Tearling sabe o quanto eu amei esse livro e o quão ansiosa fiquei por sua continuação. A trama do primeiro volume é tão incrível e envolvente que terminamos precisando loucamente do próximo volume. E agora que finalmente pude colocar minhas mãos nele só posso dizer que Erika Johansen conseguiu me surpreender ainda mais em sua história.

A invasão de Tearling nos mostra uma Kelsea preocupada com o futuro de seu reino. Após a decisão que tomou ao quebrar o tratado de Mort, seu reino encontra-se em ameaça de uma iminente guerra e sem estrutura alguma para lidar com ela. Kelsea não tem experiência para lidar com uma guerra e, seu povo, enfraquecido com o tempo, não possui recursos para lutar em uma – faltam guerreiros e armas. Além disso, ainda há o problema de suas jóias, que parecem não funcionar mais e agora parecem lhe dar visões do passado – de uma mulher chamada Lily. Porém, ainda que esteja em uma situação bem precária, Kelsea não desiste e toma atitudes imprudentes na tentativa de salvar o seu povo.

Este segundo livro veio ainda melhor que o primeiro. Kelsea se mostra uma protagonista maravilhosa. Uma menina que, sem experiência alguma, teve que aprender a liderar um reino e que em sua ânsia de ajudar, acaba errando muito. Cheia de falhas, ela se esforça sempre para acertar e proteger seu povo, e com isso – seus erros e acertos – acaba amadurecendo muito e se tornando uma rainha de pulso firme, justa e até cruel em certos momentos. Continue lendo »

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340406
GÊNERO: LITERATURA NACIONAL, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 258                        SKOOB

Antes de começar de fato esta resenha devo dizer que para ler esse livro é preciso ter respeito pela religião alheia. O autor nos trouxe uma história que fala abertamente sobre religiões africanas e não é por eu ser de outra religião que vou “me obrigar” a não gostar desse livro. Pelo contrário, foi o fato de se tratar de um tema tão diferente para mim – um sobre o qual eu nada sabia – que fiquei interessada no livro.

Aimó nos conta a história de uma menina africana que foi trazida para o Brasil para ser escrava, mas acaba morrendo cedo. Ela então acorda em mundo diferente, desconhecido por ela, sem saber de onde veio, quem é sua família ou mesmo o próprio nome. Por esse motivo ganha o nome de Aimó, “a menina que ninguém sabe quem é”. Com a ajuda de Exu e Ifá, os orixás, ela parte em uma jornada para achar seu “orixá de cabeça” e descobrir quem ela é, ao mesmo tempo em que é ensinada sobre as religiões africanas e suas tradições.

Esse livro pode ser lido sob dois pontos de vista: o primeiro é sob a ótica da fantasia. Acreditando que é um mito – como o dos deuses gregos –, e aprendendo sobre as divindades africanas. E a segunda ótica é a da religião em si – para quem acredita nela. De qualquer maneira, a história de Aimó encanta o leitor. Uma menina forte, que amadurece grandemente em sua aventura através da cultura africana em busca de sua identidade. A personagem é incrível, e nos apaixonamos por ela logo de cara. Continue lendo »


Avaliação: 4/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535926644
Publicação: 2017
Páginas: 344
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Existem livros que, apenas pelo título, já me conquistam. E, no caso de A insustentável leveza do ser, foi exatamente isso que aconteceu. Além disso, os comentários que vi a respeito da obra sempre foram muito positivos e isso atiçou a minha curiosidade. Fiquei muito feliz quando pude, finalmente, realizar a leitura e, quando terminei, fiquei dividida. Dividida porque, preciso ser sincera, não sei exatamente o que achar sobre a história e estou refletindo sobre ela até agora.

Em seu livro, Milan Kundera nos apresenta a quatro personagens, muito distintos entre si. Tomas, Tereza, Sabina e Frank. Os fatos são apresentados de forma não-linear e um narrador onisciente conta a história, muitas vezes traçando comentários e colocando sua opinião nos fatos narrados. A história não possui um enredo muito definido e, para entendê-la, é preciso entender seus personagens. É a partir deles que todo o diálogo sobre peso e leveza é construído, além de muitas outras relações traçadas com base em filósofos como Nietzsche, Sartre, Parmênides, entre outros.

Os acontecimentos narrados na obra passam ao longo de anos, e o início da narrativa se dá no final da década de 60. O contexto histórico da obra é muito forte, pois se passa durante a ocupação russa na Tchecoslováquia e acompanha todos os seus desdobramentos e efeitos na população da época. É nesse contexto, então, que somos apresentados aos nossos personagens.

Tomas é um cirurgião de renome e acredita que a vida é vivida apenas uma vez, por isso deve ser aproveitada ao máximo. Está sempre cercado de mulheres, pois sempre fala que amor e sexo são coisas bem diferentes. Tereza é uma mulher que teve uma infância muito difícil e acaba apaixonando-se por Tomas. Por um conjunto de acasos, eles passam a viver juntos e ela torna-se completamente dependente dele e, mesmo sabendo que ele tem casos com outras mulheres, mantém-se na relação.

Sabina é uma das amantes de Tomas e é uma mulher muito à frente do seu tempo. Ela é artista plástica e uma mulher independente, empoderada. Frank é um homem casado que acaba apaixonando-se por Sabina e está disposto a largar tudo para ficar com ela, mas não é bem isso que ela deseja. Ao falar sobre esses quatro personagens, Kundera vai narrando encontros e desencontros e tudo o que eles acarretam na vida dessas pessoas. O livro tem uma base filosófica muito grande e, a partir desses acontecimentos, o autor discorre sobre a vida, relações pessoais, erotismo e, principalmente, sobre o eterno retorno, conjunto de ações que se repetem infinitamente. Continue lendo »

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: PARALELA, CORTESIA
ISBN: 9788584390854
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 280
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Jardinagem para todos (até quem mata cactos)

Eu conheci a Carol Costa e sua proposta linda sobre “jardinagem sem medo e muito amor” no encontro de livreiros e blogueiros da Companhia das Letras. Eu me apaixonei por tudo instantaneamente! A Carol é aquele tipo de pessoa simpática que te deixa a vontade com assuntos complexos transformando tudo numa experiência gostosa de viver. E eu estava lá ouvindo sobre como ela começou a gostar de cultivar plantas, de como ela começou a estudar e se aprofundar no assunto e me identifiquei tanto, mas tanto, que tinha que ter esse livro!

Ele chegou e eu devorei todas as páginas, até as letrinhas miúdas. E o livro dá para ler de várias formas: por capítulos (na ordem, fora de ordem), como dicionário, como buscador de dúvidas, como receitinha de DIY… e deve ter mais jeitos, esses foram os que eu usei.

Mas bem, vamos lá: eu sou uma garden killer! Eu confesso! Já matei de tudo na minha vida, inclusive cactos! Sim! Eu tenho, como a Carol cita loga na primeira linha de introdução, o que chamam de “dedo podre”. Amo plantas, mas não sabia como cuidar delas.

Se você também é assim, esse livro é para você! Se você gosta de plantas e tem o bendito “dedo verde”, esse livro é para você. Ou, ainda, se você nunca tentou ter uma planta, esse livro é para você.

“As plantas não são bobas nem nada”

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AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 978855340482
GÊNERO: FICÇÃO IRLANDESA, AMIZADE, NAZISMO, HOLOCAUSTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 320 SKOOB

Sempre ouvi e li comentários sobre esse famoso título de John Boyne até assistir a adaptação cinematográfica e, entender o quão chocante foi a história fictícia inventada por esse irlandês. Porém, depois de assistir ao filme, a vontade de ler o livro diminuiu, até o lançamento dessa edição comemorativa de dez anos.

Essa edição está digna de seu decênio. Ela é apresentada à nós em capa dura, a ilustração ficou perfeitamente assustadora. Em cinza, nas capas internas temos um céu nublado e a imensa cerca com postes de iluminação. Essa é uma edição repleta de ilustrações, todas feitas pelo australiano Oliver Jeffers.

O livro inicia-se com um sumário e após isso, lemos uma ótima introdução do próprio autor. Cada um dos 20 capítulos possuem um título interessante e a quantidade de ilustração é bem variada, tem capítulo sem nenhuma ilustração e outros com duas, três ou quatro, algumas cobrem apenas parte da página, outras ambas as páginas. Todos os desenhos estão em cinza/preto, dão a impressão de terem sido feitos apenas com um giz preto, às vezes com um ou outro detalhe em vermelho ou azul claro, combinando terrivelmente com a história de forma que deixa tudo tristemente apaixonante. O espaçamento entre linhas está bastante amplo, o que torna a leitura bastante prazerosa.

A história é narrada em terceira pessoa e Boyne faz isso de um jeito cativante, sempre sob a perspectiva de Bruno, um pequeno alemão de nove anos de idade, que se vê entediado depois de ter que mudar de sua enorme residência na movimentada Berlim à uma casa pequena, numa área desolada e sem muitos lugares para explorar. A família do menino se resume à sua irmã Gretel, que ele constantemente a descreve como um Caso Perdido, uma mãe submissa e bastante angustiada e deprimida e o pai Ralp, um importante comandante que assumiu a administração de um campo de concentração chamada por Bruno de Haja-Vista, provavelmente Auschwitz, já que no livro dá a entender que ele está falando o nome errado.

“Acho que o melhor a fazer seria esquecer tudo isto e simplesmente voltar para casa. Podemos considerar que valeu como experiência”, acrescentou ele, frase que aprendera recentemente e que estava determinado a empregar com a maior frequência possível. A mãe sorriu e depositou os copos cuidadosamente sobre a mesa. “Tenho mais uma frase para você aprender”, ela disse. “É a seguinte: temos que procurar fazer o melhor de uma situação ruim.”

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