quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Eu sou uma apaixonadinha 💓 por literatura infantil!

Amo não só as histórias, a forma que podemos contá-las, mas também as ilustrações, os detalhes dos livros, a proposta de leitura… Esse mês passaram por mim quatro livros lindos que merecem ser comentados. E se você tiver um tempinho e empolgação: leia para uma criança. S2

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRINHAS, CORTESIA
ISBN: 9788574068367
GÊNERO: POESIA, INFANTOJUVENIL
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 44 SKOOB

 

Amoras, de Emicida

Num passeio no quintal a conversa com a filha no pomar, rendem perguntas e a sabedoria dos olhos de uma criança.

Em tempos difíceis para sonhadores, esse livro é uma esperança linda para conversar sobre muita coisa: direitos, igualdade, empoderamento, cultura, história, resistência…

Para completar a edição lindíssima da Companhia das Letrinhas, tem ilustrações coloridas de Aldo Fabrini.

Extras: antes do livro, veio a música que é o livro numa prosa muito boa de ouvir, dá uma conferida aqui.

Tive o prazer de ter o meu exemplar autografado pelo Emicida, numa manhã de evento da Cia.

 

Eu e dois autores fantásticos

 


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: JUJUBA – ITAÚ CULTURAL
ISBN: 9788561695590
GÊNERO: INFANTIL
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 32 SKOOB

Pedro vira porco-espinho, de Janaína Tokitaka (Coleção Itaú Social)

Se você precisa saber como falar sobre emoções com as crianças, pode ler essa história para elas! A autora traz situações vividas por Pedro que o deixam distante e intocável, como um porco-espinho bravinho.

Como lidar com essas emoções?! Como entender que algumas situações nos deixam tristes, bravos ou mesmo furiosos? Vamos só virar porco-espinho e ficar no canto? Hora de uma boa conversa, pra começar.

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AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SM – ITAÚ CULTURAL
ISBN: 9788541813440
GÊNERO: INFANTIL
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 36 SKOOB

 

Quero colo!, de Stela Barbieri e Fernando Vilela

Como as crianças são carregadas e ninadas pelo mundo? Essa foi a pergunta que gerou esse livro. Com ilustrações de técnicas mistas e frases curtinhas o livro traz os colos de crianças e animais, demonstrando que colo é um misto de atenção, carinho e cuidado que todo mundo deseja, então quem é que não ia querer?!

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AVALIAÇÃO:5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRINHAS
ISBN: 9788574063331
GÊNERO: INFANTIL
PUBLICAÇÃO: 2008
PÁGINAS: 14 SKOOB

O que é que tem o meu cabelo?, de Satoshi Kitamura

Esse livro é mais antiguinho do que os outros que li esse mês.

Um livro interativo que o leão Leonel vai para uma festa e precisa de um penteado para arrasar. Com um recorte no meio, a cada página o leão aparece um penteado diferente e criativo, de flores a animais.

Também dá para ser interativo e colocar o próprio rosto para ver como ficamos com o penteado do Leonel. E se você quiser criar o seu próprio penteado, tem as instruções no esquema “faça você mesmo” no final.

Bom para conversar sobre se sentir bem consigo mesmo e sua aparência/corpo.

Infelizmente essa gracinha está indisponível na editora e deve ser bem complicado conseguir um exemplar.

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Vou deixar algumas imagens dos livros para deixar aquela vontade de lê-los! Se você já leu algum, conta aqui para gente!

 

Boa leitura!


AVALIAÇÃO: 5/5 ESTRELAS
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501114235
GÊNERO: ROMANCE HISTÓRICO, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 434
SKOOB

Desde que vi comentários positivos acerca de “O guia do cavalheiro para o vício e a virtude” antes mesmo de ser traduzido para o português, já estava animado para a leitura. Imagina só um romance LGBT no século XVIII? Era tudo que eu mais queria no momento. Por isso que quando foi anunciada a publicação dele no Brasil pela Galera Record e tive a oportunidade de solicitá-lo, não pensei duas vezes. Quando chegou, esperei um pouco para realizar a leitura em um momento especial: na semana do meu aniversário. O que eu não achava é que tivesse que atrasar o término para não terminar antes do dia em que comemoraria meus 23 anos, de tão surpreendente que foi a leitura. A única coisa ruim de tudo isso é ficar com vontade de ler sua sequência, ainda sem previsão de chegar no país (Galera, agiliza aí!).

Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada uma festa hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Apesar da empolgação em realizar a leitura, ainda assim não tinha muita dimensão de sua sinopse. Da mesma forma foi lendo os primeiros capítulos, que transmitiam a sensação de que seria uma história parada, sem muito fluxo ou um futuro positivo do seu desenrolar. Todavia, isso é o ponto-chave, pelo menos para mim, do envolvimento com a história. As surpresas e os caminhos escolhidos pela autora foram sendo narrados de maneira natural, criando uma identificação com a história de tal forma que antes da centésima página eu já estava viciado na leitura. A escrita é bem desenvolvida, construindo os personagens cada qual com sua particularidade. Henry faz o tipo garoto mimado, mas ainda assim diante do relacionamento com seus familiares você consegue até entender a sua postura; Percy, bom amigo, demonstrou uma coragem e lealdade que não estava esperando em momento algum; Felicity, para mim o ponto alto da história, desde o início se mostrou independente e um tanto sarcástica, dando um tom a mais a história. Desta forma, os personagens causam empatia no leitor, o que faz com que as páginas virem sem ao menos você se dar conta.

O quesito histórico também é algo a se destacar. No final do livro há uma nota da autora comentando alguns elementos utilizados do período histórico ao longo da narrativa, justificando o que ela estava contando. Porém, ao mesmo tempo afirma que a história de Henry, Percy e Felicity é algo que poderia ter acontecido, principalmente pelo romance LGBT, algo que na visão dela não se sabia se realmente houvera na época. Nesse sentido, pontuo a maneira com a qual ela articulou os elementos do passado para criar sua própria história, tornando o livro mais rico e criando no leitor a sensação de que tudo aquilo realmente aconteceu. Tanto que foi só na metade da leitura que descobri, depois de verificar a biografia de Mackenzie Lee, a sua formação em História.

A história tem uma reviravolta na metade do livro que realmente não esperava nem tinha dimensão que poderia acontecer, tornando-a mais original do que já estava achando. E é aqui que a autora toca em um ponto delicado, levantando questões pertinentes sobre o sentido da vida e o porquê de se valorizar a mesma. E a partir disso é só alegria! Nesse ponto, já estava completamente rendido pela narrativa e queria saber aonde aquilo iria terminar. Talvez a expectativa tenha sido um pouco alta uma vez que o final me decepcionou um pouco (não consegui chegar ainda a uma conclusão), mas ainda assim acredito que foi a melhor escolha. Terminei o livro mal podendo esperar para realizar a leitura do próximo, intitulado “The Lady’s Guide To Petticoats and Piracy” e que tem como protagonista Felicity.

Nem preciso dizer que entrou para a lista de favoritos de 2018 e que recomendo a todos, não é mesmo?


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRINHAS, CORTESIA
ISBN: 9788574068268
GÊNERO: INFANTIL
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 120
SKOOB

Uma das minhas paixões secretas é literatura infantil. Na verdade não é tão secreta, e não é esteriótipo porque sou pedagoga. É uma paixãozinha de edição, diagramação e ilustrações que casam tão bem como arte, de pequenas histórias, de aprendizado infinito ou risadas deliciosas em tão poucas páginas…

E esse livro é uma pequena obra de arte: os desenhos simples – em formas de círculo, linha, triângulo – em preto e branco, com poucas frases ou diálogos. É de uma sensibilidade ímpar para entregar uma mensagem.

“A parte que falta encontra o grande O” é, por assim dizer, a continuação do livro “A parte que falta“. A Nara leu e escreveu uma resenha aqui ô. E quando eu li a resenha eu pensei: meu Glob! Não é possível que esse seja o autor da ‘árvore generosa’! Que eu li e achei tão triste e mórbido. Mas é sim!

Eu li o primeiro livro e achei incrível! Todos queremos no encaixar para nos sentir completos, em todas as instâncias da vida. É um desses livros que você lembra para comentar com alguém para dar um conselho, reflete quando está passando por algo ou até mesmo relembra porque é uma mensagem simples, mas bela.

Como a Nara gosta de finais felizes, eu imaginei que a continuação seria o final feliz para todos que sentiram a mesma necessidade, mas… os relacionamentos, dos mais diversos tipos, não são o que devem ocupar todo espaço da nossa vida. É claro que queremos nos sentir completos, mas a troco do quê? De perder o aqui, o agora, a vida toda… atrás de outro que o complete?

Pois é isso: o seu final feliz não depende do outro, depende de você mesmo.

E da mesma forma que a linda da Jout Jout mitou em seu vídeo sobre o primeiro livro, deixo aqui suas palavras sobre essa, de fato, continuação da Parte que falta:

“Ai de mim limitar este livro a uma interpretação, mas se você me permite um aviso amigo: talvez você saia daqui não só entendendo que jamais seremos totalmente preenchidos, mas que também jamais conseguiremos preencher. Nos resta rolar.”

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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 97885359,0856
GÊNERO: ROMANCE, DRAMA, LITERATURA INGLESA
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 288 SKOOB

O que sem dúvida me despertou o interesse pelo título, foram as palavras do falecido jornalista americano Christopher Hitchens alegando que essa era a obra-prima de Ian McEwan, isso, aliado a um tema tão desolador quanto o desaparecimento de um filho, pesaram na minha decisão.

O enredo está dividido em apenas nove capítulos e no início de cada um podemos ler uma frase do “Manual autorizado de puericultura”, publicação fictícia que tem haver com a própria trama, mas só será explicada mais à frente durante a leitura.

Quanto à diagramação não há defeitos, a capa é agradável e remete ao tema, fonte confortável à leitura…

Stephen Lewis sente-se um homem de sorte. Ao contrário dos colegas formatos em literatura inglesa que lecionam ou estão desempregados, ele se torna um bem-sucedido autor de livros infantis, é casado com uma bela violinista e está curtindo seu papel de pai da pequena Kate. Porém, num sábado ao ir até o supermercado enquanto sua esposa permanece na cama, sua filha de apenas três anos desaparece, o que acaba completamente com sua existência – vida conjugal, profissional e pessoal passam a ser irrelevantes.

“A maior parte desse tempo disponível ele passava de cueca, estendido no sofá diante da televisão, bebericando melancolicamente uísque sem gelo, lendo revistas de trás para a frente e assistindo às Olimpíadas. À noite ele bebia mais. Comia num restaurante da região, sozinho. Não procurava os amigos. Nunca retornava as chamadas registradas na secretária eletrônica. Em geral não se importava com a imundície do apartamento, com as avantajadas moscas pretas em suas rondas sem pressa. – página 13”

Esse enredo tinha tudo para dar certo, no entanto, o linguajar de McEwan  e o ritmo arrastado com que foram se desencadeando os fatos, fatos estes que eram bastante desinteressantes, não me animaram, fazendo com que o ritmo de leitura fosse delongado.

Com o afastamento e posterior abandono da mulher e uma vida sem sentido, a única tarefa com que não deixa de envolver-se mesmo que superficialmente é a participação no Subcomitê de Leitura e Escrita, uma organização que discute temas voltados a Assistência à Infância. Essas reuniões são descritas de forma tão tediosa que é impossível não incorporar a agonia vivida por Lewis nos anos inertes de sofrimento pela perda da filha.

“Stephen chegou tarde ao evento e saiu cedo. Desde o Natal, as sessões do comitê tinham deixado de representar um refúgio de tempo organizado num caos de dias perdidos.” – página 199

Há alguns personagens secundários, como Charles Darke, um brilhante editor que depois de publicar o primeiro título infanto juvenil de Lewis, transforma-se em um amigo íntimo. A história mostra sua mudança de atuação profissional, voltando-se do meio literário para a política, enfatiza seu relacionamento em um casamento aparentemente de fachada com uma mulher mais velha, a cientista Thelma, sempre disposta a ouvir e apoiar Stephen e o modo conturbado como inesperadamente ele larga a carreira política e vai viver recluso com a esposa num lugar ermo.

Os pais de Lewis, Claire e Douglas também tem seu momento de destaque no enredo, mas nada que chegasse a emocionar, mas que dão certa sensibilidade à vida, tempo, tragédia, intimidade e envelhecimento.

“Nada de importante aconteceu. Ele achou que seu pai estava prestes a falar. Na posição desconfortável em que se encontrava, sua mãe dobrou a cabeça para o lado preparando-se para ouvir. Stephen também havia adotado esse hábito. Podia ver o rosto dos dois, as expressões bem marcadas de ternura e ansiedade. Era o envelhecimento, as essências de cada um resistindo enquanto os corpos se deterioravam. Ele sentiu a urgência do tempo que se contraía, das tarefas inconclusas. Havia conversas que ainda não tiver com eles e para as quais sempre acreditou que haveria tempo.” – página 60

Enfim quando pensei que avaliaria o livro com apenas uma estrela, chegam os dois últimos capítulos que foram surpreendentes a ponto de que eu quase desse quatro estrelas para a obra, mas diante de tudo, consegui chegar a um consenso.

Para finalizar, não posso deixar de elogiar Ian McEwan, apesar do uso de palavras difíceis e de uma narrativa lenta e enfadonha, ele conseguiu retratar com profundidade a dor, a perda, a separação, a desolação de uma família e a desintegração do ser humano diante da dúvida e do desaparecimento de um ente querido.

“Tráfego, chuvinha ininterrupta, gente indo às compras esperando na zebra para atravessar, incrível que houvesse tanto movimento, tanto propósito o tempo todo. Ele próprio não tinha nenhum. Sabia que não iria. Sentiu que o ar escapava lentamente de seus pulmões, sem um som, o peito e a espinha dorsal se encolhendo. Quase três anos e ainda empacado, ainda aprisionado no escuro, envolto em sua perda, moldado por ela, intocado pelas correntes comuns de sentimento que se moviam bem acima dele e pertenciam apenas a outras pessoas.” – página 166

Apesar de tantas angústias vividas pelo personagem principal e sua esposa Julie, o final é reconfortante. E saber que até as descrições aparentemente mal-sucedidas do autor se encaixam na conclusão e fazem todo o sentido é mais um ponto positivo.

“A perda os havia posto em caminhos separados. Nada havia para ser compartilhado (…) Ficar junto exacerbou o senso de perda dos dois. Ao sentar-se para comer, a ausência de Kate era um dado que não podiam mencionar nem ignorar.” – página 68

Para quem quer ler sobre o tema, admito, realmente é uma obra-prima e para os que assim como eu gostam de um desafio literário, recomendo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: DARKSIDE
ISBN: 9788566636819
GÊNERO: MISTÉRIO, SUSPENSE
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 272
SKOOB

O romance mais famoso de William March, originalmente publicado em 1954 e eternizado como um clássico do cinema dois anos depois, começa, desenvolve-se e finaliza em cima do questionamento se a “semente no mal” (referência ao seu título original “The Bad Seed” ou “A Semente do Mal” em tradução literal) é algo que já nasce com os indivíduos e se seria capaz de manifestar-se na mais adorável e cativante das crianças, como a protagonista Rhoda Penmark.

O enredo se desenrola a partir de um piquenique de verão realizado pela escola de Rhoda onde ocorre a morte suspeita e inesperada de um de seus colegas de turma. A imagem doce e angelical de Rhoda começa a se desmantelar aos poucos, a partir do momento em que sua mãe Christine Penmark começa a levantar suspeitas de sua filha e decide passar a observar os movimentos e ações da criança de forma mais cautelosa e crítica, dando espaço à revelação do lado mais manipulador e sombrio da doce menina.

Por muitas vezes, é inevitável encarar os dilemas de Christine entre o seu lado emocional e seu lado racional, já que ela é a ponte de observação para a história. É a partir dela que definimos conceitos, que criamos julgamentos e é pelo seu olhar que analisamos e desbravamos todo o universo complexo que é a mente de Rhoda. Continue lendo »

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: PANDA BOOKS, CORTESIA
ISBN: 9788578886622
GÊNERO: FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 313
SKOOB

A arte de queimar no inferno

Eu estou na vibe da literatura nacional. Adoro muitos autores brasileiros e também a possibilidade de encontra-los em eventos e se aproximar para comentar sobre os livros e bater um bom papo. Pois é… muitos benefícios!

Adilson Xavier, que eu ainda não encontrei por ai, é uma dessas pérolas da literatura brasileira e, pra mim, acertou em cheio ao escrever romance policial… Um dos meus gêneros literários favorito. Eu não conhecia o autor, mas fiquei muito interessada pelo livro já na sinopse: políticos corruptos, assassinato em série e um jovem delegado sem experiência que se cobra em solucionar o caso! Todos os ingrediente para dar certo!

Numa época em que o Brasil não consegue passar um dia sem descobrir alguma ligação corrupta com todas as coisas e pessoas possíveis, em que ouvimos os desinformados pedirem pela volta da ditadura… desanimando ainda mais o povo, que por si só não é unido e não combate essa velha história da carochinha que se repete o tempo todo… Ou seja, o livro, mesmo sendo ficcional, trata tanto tema atual que eu já estava quase indo para o Rio para ver se os personagens existiam mesmo! rs

Hermano é o delegado novo, sem experiência, sempre tentando fazer a coisa certa, pronto para se provar. Chega a sua delegacia um crime estranho: o corpo de um deputado foi encontrado queimado, só que por dentro!

Logo de início as investigações apontam para uma nova igreja, Chama Divina, que fica próxima ao local do estranho homicídio. As atitudes evasivas do pastor Ismael e seus “discípulos” que mais parecem capangas de filmes de máfia, tornam o espaço importante na história.

Por outro lado Alice, companheira de Hermano, esta prestes a fazer um trabalho artístico com Gunnar, uma (ex-)paixonite dela. E isso se mistura na trama de diversas formas: os dias estressantes do jovem delegado, sem espaço para sua vida pessoal e a conexão de todas as coisas que o cercam com o mistério. E para completar os problemas amorosos Hermano ainda tem um caso com Jackie sua parceira no trabalho.

A vida profissional de Hermano que aparentemente começa a ir bem, na verdade esta ficando bem fora dos eixos também: o controle na delegacia, as reportagens que são lançadas sobre o caso e o povo… Sim! O povo, dividido entre “Hermano-salvador-da-pátria” e culpado, já que na verdade o assassino esta fazendo a justiça necessária. E mais um corpo aparece…

Há muitos envolvimentos em diversas instâncias na história, e é realmente um emaranhado de corrupção e uma ideia de como há tanto para ser investigado sempre. Mas não dá pra comenta-los sem ter um spoiller aqui. Fica a reflexão de que isso acaba com vidas mesmo.

Uma única nota sobre personagens femininas: há um toque muito machista na história, uma insinuação de ‘mulher objeto’ que me incomodou bastante, até porque são bem desnecessários.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: SUMA, CORTESIA
ISBN: 9788556510662
GÊNERO: FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 267
SKOOB

O ano é 1959. Ragle Gumm mora com a família de sua irmã em uma pequena cidadezinha e passa seus dias desvendando o enigma de um concurso de jornal, ‘onde o homenzinho verde vai aparecer agora’, que o torna uma celebridade por ser o único que acerta sempre.

Essa vida cheia de rotina repetitiva e sem alterações é um dos motivos de Ragle querer fugir para outra cidade. O outro motivo é que aparentemente algumas vezes parte do mundo se desconfigura bem diante dos seus olhos, como se fosse uma simulação de realidade virtual.

“Uma vida que não valia nada.”

E os mistérios não param por ai, Ragle encontra uma lista telefônica  e algumas revistas com informações que ninguém em sua cidade tem conhecimento, mas parecem informações reais para o resto do mundo, mas como ele vai descobrir isso se não consegue sair da cidade?

O suspense cresce constantemente quando, literalmente, percebemos que todos sabem o nome de Ragle e ele parece mesmo estar sendo vigiado e até mesmo seguido.

De pano de fundo a história conta com uma paixonite com Junie, sua vizinha casada com Bill Black; as curiosidades de seu sobrinho Sammy encontrando um rádio que consegue captar sinais muito interessantes; pessoas o cercando em todos os lugares e várias teorias da conspiração com seu cunhado Vic.

A narrativa flui bem até certa parte do livro, em algum momento sinto que ela se transforma e no final se arrasta bastante. Eu acho que esperava um pouco mais no final do livro, já que pesquisei sobre o autor e ele é extremamente premiado e aclamado pela crítica como um dos maiores nomes da ficção cientifica. Ainda sim é um bom livro, ainda mais se você também gosta da hipótese de que estamos, de fato, vivendo num mundo criado para impedir de sermos quem realmente somos. Impossível?

Boa leitura!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 4,5/ 5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340734
GÊNERO: ROMANCE, FANTASIA
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 440
SKOOB

Em O Reino de Zália, primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, Zália é a segunda na linha de sucessão no trono de Galdino. Ela sempre passou a vida sendo a filha que ficaria longe dos holofotes e das principais responsabilidades reais. Tudo o que mais queria era se formar no ensino médio, cursar fotografia e sair pelo mundo registrando momentos especiais, porém, as coisas não saíram nem um pouco do jeito que Zália planejava.

A princesa nunca pensou em assumir o trono, mas no dia em que Victor, seu irmão, príncipe e regente de Galdino, sofre um atentado que acaba acarretando sua morte, a menina se vê cada vez mais longe de concretizar seus planos de ter uma vida quase normal.

Entretanto, quando percebe que seu pai não acredita na sua competência para ser regente até a renúncia dele, Zália fica tentada a provar que ela dá conta do recado e muito bem. Ela só não esperava que enfrentaria tantas mudanças e desafios de uma só vez: começando com a troca de toda a sua equipe e a volta de um amor do passado mal resolvido, literalmente, fazendo guarda em sua porta.

Pouco a pouco, enquanto tenta descobrir a verdade sobre a morte de Victor e qual a ligação da Resistência (grupo de rebeldes inconformados com a gestão da Coroa) com isso, a garota começa a perceber que o mundo — o país — que ela achava ser perfeito, não passava de uma ilusão e que nem tudo que lhe fora contado era verdade, de fato. Continue lendo »


AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: EDITORA JANGADA, CORTESIA
ISBN: 978855539449
GÊNERO: FANTASIA, INFANTOJUVENIL
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 225 SKOOB

A primeira edição da aventura O oitavo vilarejo foi lançado em 2015. O sucesso rendeu e, no ano seguinte, foi lançado uma segunda edição do livro e também a continuação da história, “A guardiã de Muiraquitãs”. A trilogia ficou completa no ano passado. E na Bienal Internacional do Livro deste ano em São Paulo, a editora Jangada lançou o box: “As aventuras de Tibor Lobato”, que foi sucesso de vendas.

Aproveitei a oportunidade para ler a primeira história e percebi que os muitos comentários positivos são totalmente verdadeiros. O autor Gustavo Rosseb, de São Paulo, criou uma história envolvente, cheia de aventuras com as figuras de nosso folclore, valorizando a cultura nacional de uma forma totalmente atraente.

O enredo está dividido em 16 capítulos, é narrado em 3ª pessoa e tem como personagens principais Tibor Lobato, de 13 anos, e sua irmã Sátir, de 15 anos. Após perderem os pais em um incêndio e viverem dois anos em um orfanato, são levados até o sítio de uma avó que conheceram quando pequenos, mas não se recordam.

Dona Gailde, com seus cuidados de avó, aos poucos conquista os netos que rapidamente entram na rotina de ajudar com os afazeres domésticos que antes era o vizinho Rurique que fazia. Rurique, da mesma idade de Sátir, logo faz amizade com os irmãos e o trio já não se desgruda.

Com a chegada da quaresma, período de 40 dias após o Carnaval e que antecede a Páscoa, Rurique conta histórias que Sátir não acredita. Tentando provar à ela os estranhos acontecimentos que tomam conta das sete vilas da região, os três começam a vivenciar fatos esquisitos e cada vez mais perigosos. Aos poucos, os acontecimentos indicam que Tibor e Sátir tem muito mais a ver com a história do lugar do que poderiam imaginar.

“Ele mirava sua lanterna para todos os lados, com medo do que podia se esconder nas sombras, e, embora ninguém dissesse nada, percebia que seu medo era compartilhado pelos outros dois.”

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AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: EDITORA SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340758
GÊNERO: YA
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 384 SKOOB

Uma coisa absolutamente fantástica é o romance de estreia de Hank Green, conhecido pelo seu canal no Youtube, o Vlogbrothers. E o sobrenome não é estranho mesmo, ele é o irmão de John Green, autor de “A culpa é das estrelas” e “Tartarugas até lá embaixo”.

O ponto de partida da história é o surgimento de objetos que parecem estátuas ao redor do mundo todo. Nossa protagonista, April May, se depara com um deles em Nova Iorque e se torna uma celebridade mundial na internet ao postar um vídeo no YouTube sobre o tal objeto misterioso.

O livro gira em torno do mistério da origem dessas estátuas e também sobre esse fenômeno que acontece na nossa sociedade, onde pessoas “comuns” se tornam famosas e como isso pode virar a vida de alguém de cabeça para baixo.

Isso é algo que o autor soube descrever bem, pois ele mesmo sente na pele. Foi bastante interessante e levanta uma discussão sobre como nós nos relacionamos com a internet e como ela acaba tendo um extremo poder sobre a gente. Porém, por mais interessante que isso tenha sido, na minha opinião, foi o que fez o livro desandar.

Parece que o autor não sabia o que desenvolver. O mistério da origem dos robôs foi bem construído no início, deixando uma expectativa enorme sobre a resolução, porém o plot da fama na internet foi tomando espaço e isso tudo ficou de lado.

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