Foto: Frances Hodgson Burnett em 1888 (Divulgação)

Não sei quanto a vocês, mas cresci assistindo repetidamente os filmes “O Jardim Secreto (1993) e “A princesinha (1995). Por serem visualmente semelhantes, na época pensei se tratar do mesmo produtor ou diretor. Mero engano, só depois de muitos anos descobri que foram baseados nas obras escritas por Frances Hodgson Burnett, em 1911 e 1905, respectivamente, clássicos da literatura inglesa infantojuvenil.

Tão logo os descobri em uma prateleira da biblioteca, me apaixonei pelas capas e iniciei a leitura de ambos. A Editora Salamandra fez um excelente trabalho nessas maravilhosas edições, as ilustrações de ambos foram feitas pela catalã Júlia Sardà.


O Jardim Secreto


A história

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SALAMANDRA ISBN: 9788516090753 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2013 PÁGINAS: 280 SKOOB

Mary Lennox, a criança mais antipática do mundo, fica orfã depois de um surdo de cólera na Índia, sendo trazida pela Sra. Medlock, até a gigantesca Mansão Misselthwaite Manor, em Yorkshire, na Inglaterra. Passa então a viver nessa estranha e solitária mansão com mais de cem quartos, quase todos esquecidos e vazios, ouve falar muitas coisas sobre seu taciturno e viúvo tio Archibald Craven.

Acostumada a ser servida por criados indianos, vestida e cuidada por uma aia, ignorada pelo pai inglês que trabalhava para o governo e desprezada pela lindíssima mãe que só se importava com festas, Mary não sabe fazer nada sozinha e fica um pouco chocada ao conviver com Marta, uma moça rústica que trabalha na mansão e com seu jeito simples, acaba por dizer verdades que Mary nunca prestou atenção em si mesma, nem em seus modos grosseiros e impertinentes.

Pela primeira vez em sua vida, a menina está livre de empregados, porém não sabe o que fazer, nem com quem. Marta a incentiva a explorar os arredores da mansão, mencionando a existência de um jardim que está trancado a uma década, desde a morte da tia de Mary.

Andando pela charneca, conhece hortas e jardins e se depara com Ben Weatherstaff, um rabugento empregado que cuida de toda a área externa, conhece também o pisco-do-peito-ruivo, passarinho que rapidamente torna-se seu primeiro amigo.

Depois de descobrir a entrada do jardim e encontrar a sua chave, Mary se dedica a cuidar dele e recebe ajuda de Dickon, um dos onze irmãos de Marta. Aos poucos ela vai descobrindo inúmeras novidades, ocupando seu cotidiano de forma positiva, explorando a parte de fora durante os dias ensolarados e a parte interna nos dias de chuva. Mudanças vão acontecendo não só em seu apetite, mas em toda sua forma de ver o mundo e a si própria, além de seu desenvolvimento. Quando de repente é chamada por seu tio para conhecerem-se, pois até então ele não tinha se apresentado, ela sente muito medo, mas pede um pedaço de terra para cuidar e plantar, além de convence-lo e ficar mais um pouco sem estudar, para poder se fortalecer e se adaptar ao novo lar. Continue lendo »


Trilogia Never Sky, de Veronica Rossi

“Todos nós temos potencial para fazer coisas terríveis, Soren. Mas também temos potencial para superar nossos erros. Eu preciso acreditar nisso. Do contrário, qual o sentido disso tudo?”

– A caminho do azul sereno

A Trilogia Never Sky é ambientada em um universo distópico um pouco confuso: a Terra foi assolada por diversos desastres naturais e de enormes proporções, consumindo o planeta e o deixando em condições extremamente difíceis de sobreviver. Em resposta a isso, os governos criaram espaços embaixo da Terra, chamados Núcleos, que são como domos que confinam as pessoas e as protegem das intemperanças do lado de fora, na superfície. Obviamente, nos Núcleos foram permitidos apenas pessoas importantes, com certa influência e dinheiro, enquanto os mais pobres ficaram do lado de fora, como forasteiros, sendo liderados por Soberanos de Sangue e tentando sobreviver dia após dia no caos que se transformou o planeta.

De um lado dessa história temos Ária, filha de uma geneticista, habitante de Quimera (um dos Núcleos protegidos) que ao aventurar-se com Soren e outros amigos, acaba sendo expulsa de seu Núcleo para viver na superfície com os selvagens, como eram chamados. Sabendo das condições externas, Aria sabe que suas chances de sobrevivência são mínimas diante de tantas possíveis catástrofes. O que ela não sabe é que fará uma improvável aliança com um Forasteiro.

O outro lado dessa moeda é justamente o Forasteiro, Perry, que salva a vida de Aria duas vezes, e ao ser surpreendido com o sequestro de seu sobrinho, junta forças com a menina para atingirem seus objetivos, um ajudando o outro. O caminho que traçam é longo, difícil e de grande aprendizado para os dois, e os levará a lugares que nem imaginavam.

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domingo, 9 de Abril de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: RECORD ISBN: 9788501025432 GÊNERO: POLICIAL, SUSPENSE, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 462 SKOOB

O poderoso chefão é um romance publicado em 1969, escrito por Mario Puzo e adaptado para o cinema em 1972, com direção de Francis Ford Coppola.

O romance conta a história da família Corleone, uma das cinco grandes famílias de Nova York que comandava o tráfico na região. No caso deles, eles tinham o poder com o negócio de azeite, jogos e também influência grande sobre a política. As relações de afetividade italiana são minuciosa e intensamente descritas durante todo o romance. A demonstração de poder com o Padrinho, Don Corleone, com as respectivas pessoas que trabalhavam para ele, como Tessio e Clemenza, foram fiéis do início ao fim.

Pode-se dizer que este livro é um dos mais bem elaborados e escritos do último século. É um clássico, e a capacidade de Puzo em ditar e controlar o ritmo da história é sensacional. No primeiro capítulo, com 64 páginas, boa parte das relações que vão durar durante todo o romance já estão apresentadas e exemplificadas.

O livro começa com um agente funerário, Amerigo Bonasera, pedindo ajuda ao seu querido Padrinho. Sua filha havia sido espancada pelo namorado e mais um amigo, e ele dizia que estava procurando justiça – e que não havia ninguém melhor que o Padrinho para se procurar justiça. A resposta de Don Corleone revela sua personalidade desde o início. Ele nega ajuda a Amerigo, porque diz que não pode matar dois jovens que não mataram sua filha. Ele poderia arranjar pessoas para “darem um jeito” neles, e, em troca, tudo o que o Padrinho pediu a Amerigo foi: a amizade.

Era assim que Don Vito Corleone trabalhava todo o tempo. Foi assim que ele conquistou todo seu poder, todo seu império, toda sua família. Ainda neste primeiro capítulo, capítulo em que se passava o casamento de sua filha, o Don recebeu mais algumas pessoas. Uma delas era seu afilhado, o famoso cantor Jhonny Fontane, que também era ator e que procurou seu padrinho para pedir ajuda; ele queria entrar no elenco do próximo filme que seria dirigido por Woltz. Continue lendo »

sexta-feira, 3 de Março de 2017

Trilogia Gemma Doyle, de Libba Bray

“O poder muda tudo até que fique difícil dizer quem são os heróis e que são os vilões.” p.317 

– Doce e  distante

A Editora Rocco foi a responsável pela publicação da trilogia “Gemma Doyle” no Brasil. O primeiro livro, intitulado Belezas perigosas, li a quase uma década, na época eu estava no 2º ano do Ensino Médio. A obra para mim tem um significado muito especial e traz boas recordações. É engraçado que eu tenha lido o último volume, Doce e distante, só agora. Já o segundo volume, Anjos rebeldes, li logo após o lançamento.

A história é ambientada na Era Vitoriana e aborda de modo simples o esplendor da época. A trama se centra nas jovens damas que são enviadas pelas famílias a um internato para que sejam educadas e preparadas para sua apresentação a sociedade. Tudo se inicia quando Gemma Doyle, uma moça de 16 anos, é enviada para a Academia Spence após a misteriosa morte de sua mãe, do modo como ela sempre quis. Anteriormente, ela vivia livre e longe das exigências da sociedade londrina em Bombaim, na Índia.

Gemma é atormentada por visões que parecem vívidas e reais. Não demora e ela descobre que pode entrar nos Reinos e com a ajuda da magia é capaz de transformar tudo a sua volta, acredita que pode melhorar aquilo que não está bom – as falhas, as imperfeições e tudo mais que esteja danificado aos seus olhos -, embora isso tenha um preço e a ilusão não dure o bastante.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

o-orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares-filme-viagens-de-papelVou começar esse texto já deixando um aviso bem claro – que reflete a minha opinião, é claro: a representação de O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares que você verá nas telas é algo muito diferente da experiência vivida no livro escrito por Ramson Riggs. Por isso, existem duas avaliações possíveis para o resultado final da adaptação: a avaliação cinematográfica por si só, e a avaliação considerando a história que a originou. Já quero deixar claro que a minha insatisfação com o filme se originou desse segundo quesito, e que, para os que não levam tanto em consideração as semelhanças – ou falta delas – entre um e outro, pode ser que tenham um olhar diferente sobre o filme.

A adaptação do livro de Ramson Riggs começa nos apresentando Jake: um garoto que viveu pelas histórias de crianças com habilidades especiais e monstros do avô e que por isso sofreu bullying na escola – o que o levou a desacreditar no ícone que ele tinha de vida. Quando perde seu avô de forma trágica – e misteriosa – todos o levam a crer que ele ficou traumatizado, e que as circunstâncias esquisitas que ele presenciou na morte do avô eram apenas fruto de sua consciência. Porém, incentivado por seu terapeuta, ele decide seguir as últimas pistas deixadas por seu avô, indo ao antigo Orfanato da Srta. Peregrine, no qual o mesmo viveu.

Foto: O lar das crianças peculiares (Divulgação)

Foto: Divulgação / Cena do filme “O lar das crianças peculiares”.

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AVALIAÇÃO: 3/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL, CORTESIA ISBN: 8575090054 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2001 PÁGINAS: 48 SKOOB

Em sua 6ª edição, O outro lado do Paraíso foi publicado pela primeira vez há 35 anos, recebendo o selo pela FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, recomendado como leitura suplementar.

Um menino narra a história vivida pela própria família, por causa da inquietação do pai, um nato sonhador, que vive em busca de “Evilath” (local onde é possível encontrar ouro, conforme mencionado no livro de Gênesis), ou seja, sempre busca uma forma de viver melhor com a família, nem que tenha que deixar a família por uns tempos. Um dia, o pai Antonio Trindade chega em casa mostrando na revista “O cruzeiro” a cidade de Brasília em construção, atraído pelas promessas do então presidente João Goulart. No dia seguinte. a família está no caminhão mudando-se para o Distrito Federal, Taguatinga.

Apesar de sua importância na literatura brasileira, ainda não conhecia a obra e sempre gosto de me aventurar nesse tipo de leitura, de cunho político. Essa edição em capa dura dá destaque à obra e sem dúvida as ilustrações da Thais Linhares conseguem incorporar  sonhos, política e religiosidade de forma única.

O autor retrata no livro sua própria infância junto aos pais, Antonio e Maria, e o convívio com os irmãos menores Silvinha e o caçula Tunico. Mostra a admiração do menino pelo pai quando o vê alegre devaneando e tristeza quando percebe que os sonhos e a esperança do pai vão se degradando.

Mesmo com apenas 48 páginas, a leitura é indicada para crianças a partir dos 11 anos, já que apesar de ser em prosa e conter lindas ilustrações, é um enredo verdadeiro, que mostra os sentimentos vividos por um menino em meio os conflitos políticos de nosso país no período da Ditadura Militar, além da dura realidade de muitos brasileiros na época. Ao final da história, duas páginas traçam um panorama dos presidentes da época e a página final mostra as fotos da família.

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel

“Nós voltamos ali muitas outras vezes para ver o Jango sair do Palácio. As pessoas ficaram esperando, tinha dia que até batiam palmas e gritavam vivas e urras, não sei bem por quê. E, também não sei por quê, a cara do Jango parecia a cada dia mais velha. Seria um homem triste, mesmo dono de um país tão grande como o Brasil?”

Adaptação Cinematográfica da obra: 

Cortesia da Geração Editorial

No mês de julho, a Geração Editorial disponibilizou uma cortesia especial para que os blogs parceiros pudessem assistir a estreia da adaptação cinematográfica do livro. Como não pude ir, convidei uma professora e amiga para ir e nos passar suas impressões sobre o longa.

“Gostamos muito do filme, ótima produção, bem envolvente. Meu marido é exigente para filmes, mas ficou bem atento.”

– Nathalia Gonçalves e Wellington Alexandre Gonçalves

O famoso ator Eduardo Moscovis interpretou Antonio Trindade, que se desdobra para sustentar a esposa e seus três filhos. Com um constante desassossego de espírito, entre idas e vindas para Minas, tentando descobrir a razão de sua vida, Antonio muda com a família para Brasília, pensando que dessa vez sua sorte está mudando, porém o Brasil vive as tensões causadas pela período de tirania militar.

O longa já conquistou diversos prêmios nos seguintes eventos: Festival de Gramado; Festival de Brasília; Festival Latino-americano de Trieste, na Itália; Festival Latino Americano da Catalunha, em Lleida, na Espanha.

Muitos sites foram dispendiosos em elogiar o desenvolvimento da história e também a forma como imagens e vídeos reais da política brasileira foram inseridos no filme, vale a pena assistir.

Foto: Nara Dias / Viagens de Papel (Wellington Alexandre Gonçalves e Nathalia Gonçalves)

“Minha mãe não queria olhar as luzes de Brasília e nunca mais iria querer.”

“Meu pai ajudou a construir minha primeira biblioteca.”

“Vi as casinhas velhas ficando para trás e os sonhos de meu pai também.”

“Na verdade a gente não corre atrás dos sonhos, a gente luta por eles. Isso é o que nos move.”

domingo, 25 de Janeiro de 2015

Avaliação: 5/5 Editora: Companhia das Letras ISBN: 9788571647879 Gênero: Biografia, Autobiografia, Memórias , Não ficção Publicação: 1998 Páginas: 213 Skoob

Na natureza selvagem conta a história real do jovem Christopher McCandless que, em 1990, abandonou amigos e família para seguir uma jornada introspectiva até o Alasca. O objetivo era passar um tempo embrenhado na natureza selvagem, vivendo do que ela tem para oferecer. Por dois anos, o jovem não deu notícias à família e cruzou o país como mochileiro, contando com a ajuda de caroneiros e trabalhos temporários. Quando finalmente atingiu seu desejo de chegar ao Alasca, Chris não sobreviveu aos riscos de viver recluso e, após quatro meses, e sem ter como pedir ajuda, sucumbiu. O corpo foi encontrado poucos dias depois.

O livro, publicado pela Companhia das Letras, foi escrito pelo jornalista Jon Krakauer, que logo que o corpo de Christopher foi descoberto cobriu o caso para um jornal norte-americano. Fascinado pela história de vida de Chris, e identificando-se com ele, Krakauer aprofundou suas investigações e debruçou-se sobre a produção de um livro reportagem. Divididos em 18, os capítulos narram a jornada de Chris e buscam entender seus motivos, baseando-se em relatos de familiares, conhecidos e também em correlações com casos semelhantes.

Christopher McCandless era um adolescente americano que tinha tudo para ter um brilhante futuro. Assim que terminou o colegial, com notas excelentes, seus pais já se preparavam para ajudá-lo a pagar a faculdade de Direito.

Entretanto, Chris, apesar de se relacionar bem com as outras pessoas, era muito introspectivo e tinha propósitos muito pessoais. Para ele, o entendimento do homem estava ligado à sua relação com a natureza. Inspirado por autores como Jack London e Henry David Thoreau, que tinham filosofias de vida relacionadas à vida selvagem, McCandless entendia que era preciso se aventurar e fugir das situações de conforto para encontrar a paz de espírito e desfrutar de novas experiências. Continue lendo »