quarta-feira, 28 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA
ISBN: 9788520009437
GÊNERO: NÃO FICÇÃO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 546
SKOOB

Trickster: trapaça, mito e arte

“Interpretemos sempre (o trickster) como seres transitórios.”

Lewis Hyde era um nome estranho para mim. Porém, o título e a capa do livro chamaram muito a minha atenção: trapaça, mito, arte e um Hermes estampado na capa. Confesso que fiz uma pesquisa rápida para saber se seria o tipo de livro que me agradaria e na época ainda não havia nada sobre esse título (o lançamento é bem recente).

Uma conclusão, até muito simplória, é de que Hyde é um gênio. Não só isso: é um bom contador de histórias, desses que não deixam a peteca cair, enlaça uma história na outra e faz citações. Sua maestria na escrita, interpretação dos mitos, explicação simbológica e a astúcia em ligá-los a pintores famosos como Picasso e Duchamp, entre outros, nos faz ter em mãos mais que um livro, é uma obra prima!

Os deuses tricksters não são somente os deuses da trapaça, eles favorecem os homens em diversos momentos de sua história, pois eles são tão imperfeito quanto a humanidade.


“O trickster cria o mundo, dá a ele luz solar, os peixes e os frutos, mas cria-o como ele é, um mundo de constante necessidade, trabalho, limitação e morte.”


O trickster, mesmo sendo um deus,  tem desejos e fome e por conta disso trama para satisfazê-los, às vezes cai em seu próprio estratagema e é capturado. 

O autor dá uma volta no globo ao relembrar, entre muitos outros personagens e histórias, o Hermes da Grécia, Krishna da Índia, o Exu da África, o Corvo e o Coiote da América do Norte. Esse último eu nunca tinha ouvido falar, mas lembrei comicamente de um desenho animado da minha infância: papaléguas e o coiote. Só então me toquei de que o desenho pode sim se tratar de uma releitura do trickster dos povos nativos do norte americano! Continue lendo »


Foto: Frances Hodgson Burnett em 1888 (Divulgação)

Não sei quanto a vocês, mas cresci assistindo repetidamente os filmes “O Jardim Secreto (1993) e “A princesinha (1995). Por serem visualmente semelhantes, na época pensei se tratar do mesmo produtor ou diretor. Mero engano, só depois de muitos anos descobri que foram baseados nas obras escritas por Frances Hodgson Burnett, em 1911 e 1905, respectivamente, clássicos da literatura inglesa infantojuvenil.

Tão logo os descobri em uma prateleira da biblioteca, me apaixonei pelas capas e iniciei a leitura de ambos. A Editora Salamandra fez um excelente trabalho nessas maravilhosas edições, as ilustrações de ambos foram feitas pela catalã Júlia Sardà.


O Jardim Secreto


A história

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SALAMANDRA ISBN: 9788516090753 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2013 PÁGINAS: 280 SKOOB

Mary Lennox, a criança mais antipática do mundo, fica orfã depois de um surdo de cólera na Índia, sendo trazida pela Sra. Medlock, até a gigantesca Mansão Misselthwaite Manor, em Yorkshire, na Inglaterra. Passa então a viver nessa estranha e solitária mansão com mais de cem quartos, quase todos esquecidos e vazios, ouve falar muitas coisas sobre seu taciturno e viúvo tio Archibald Craven.

Acostumada a ser servida por criados indianos, vestida e cuidada por uma aia, ignorada pelo pai inglês que trabalhava para o governo e desprezada pela lindíssima mãe que só se importava com festas, Mary não sabe fazer nada sozinha e fica um pouco chocada ao conviver com Marta, uma moça rústica que trabalha na mansão e com seu jeito simples, acaba por dizer verdades que Mary nunca prestou atenção em si mesma, nem em seus modos grosseiros e impertinentes.

Pela primeira vez em sua vida, a menina está livre de empregados, porém não sabe o que fazer, nem com quem. Marta a incentiva a explorar os arredores da mansão, mencionando a existência de um jardim que está trancado a uma década, desde a morte da tia de Mary.

Andando pela charneca, conhece hortas e jardins e se depara com Ben Weatherstaff, um rabugento empregado que cuida de toda a área externa, conhece também o pisco-do-peito-ruivo, passarinho que rapidamente torna-se seu primeiro amigo.

Depois de descobrir a entrada do jardim e encontrar a sua chave, Mary se dedica a cuidar dele e recebe ajuda de Dickon, um dos onze irmãos de Marta. Aos poucos ela vai descobrindo inúmeras novidades, ocupando seu cotidiano de forma positiva, explorando a parte de fora durante os dias ensolarados e a parte interna nos dias de chuva. Mudanças vão acontecendo não só em seu apetite, mas em toda sua forma de ver o mundo e a si própria, além de seu desenvolvimento. Quando de repente é chamada por seu tio para conhecerem-se, pois até então ele não tinha se apresentado, ela sente muito medo, mas pede um pedaço de terra para cuidar e plantar, além de convence-lo e ficar mais um pouco sem estudar, para poder se fortalecer e se adaptar ao novo lar. Continue lendo »

terça-feira, 20 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: CIA DAS LETRINHAS, CORTESIA ISBN: 9788574067537 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 60 SKOOB

Como posso descrever essa história? Triste! Até pensei na palavra comovente, mas acima de tudo, triste!

Saber que a obra é um clássico infantojuvenil de 1964, sem dúvida me fez optar pela leitura desse título. Traduzido por um grande escritor brasileiro, Fernando Sabino, e relançado pela Companhia das Letrinhas, temos em mãos uma edição de capa dura, com páginas em branco,  textos e ilustrações em preto.

O americano Shel Silverstein, autor e ilustrador do clássico, era também poeta, músico, cantor e compositor, além de ter escrito algumas peças teatrais e roteiros de cinema.  Faleceu em 1999, aos 66 anos.

Deparei-me com um resumo que perfeitamente descreve o que encontramos nessa história:

“A história de amor entre uma árvore e um menino. A árvore é a amiga amorosa que dá tudo ao menino, suas folhas, seus frutos, sua sombra. O menino também ama a árvore, a grande companheira de todos os dias; sobe em seu tronco, se pendura nos galhos, brinca de esconde-esconde. Até que vai crescendo, se torna adolescente, depois adulto. E, pouco a pouco, deixa a amiga de lado. ‘Estou grande demais para brincar’, diz o menino, que então precisa de dinheiro para comprar ‘muitas coisas’. A árvore fornece suas maçãs, para o jovem vender. Depois seus galhos, para o homem construir sua casa. E a história acompanha o passar do tempo até a velhice do homem – que até o fim, já bem velho e cansado, é chamado de menino pela árvore. Em primeiro plano, uma lição de consciência ecológica – o homem pequeno, mesquinho, frente à generosidade e a força da natureza. No entanto, a dinâmica que se vê entre o menino e a árvore mostra também a passagem do tempo e dos valores que são reavaliados com ela, numa relação de troca sincera e desinteressada – essa que o homem parece desaprender nas exigências da vida adulta.”

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: GLOBINHO, CORTESIA ISBN: 9788525063892 GÊNERO: CONTOS, INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 208 SKOOB

Monteiro Lobato não apenas faz parte da história da literatura infantojuvenil nacional como teve papel fundamental na evolução dela a partir da criação de suas obras.

Esse ano, o selo Globinho, da Globo Livros, lança a 4ª edição do livro Fábulas, no entanto a primeira publicação foi feita quase cem anos atrás, em 1922, e os protagonistas são os tão conhecidos personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”.

A proposta do livro é bastante interessante. Após um gigantesco sumário de três páginas e a apresentação do livro por Ilan Brenman, a narração começa com a primeira fábula: “A cigarra e as formigas“. Depois disso, destacada e em itálico aparece a moral da história, e ao fim, lemos comentários dos personagens. Dessa forma é possível perceber que todos estão ouvindo Dona Benta contar ou inventar cada uma das 74 fábulas apresentadas.

Sabemos que cada ouvinte tem uma reação e faz diferente interpretação das histórias, tornando esse modo de contar fábulas muito envolvente, além disso, saber a opinião da turminha do Sítio é extremamente divertido.

Dessas 74 fábulas, algumas são conhecidas, outras parecidas… Nem todas ganharam uma ilustração, porém algumas têm até três desenhos diferentes. Ao todo são mais de 60 ilustrações assinadas pelo também paulistano Alcy Linares. Aliás, a diagramação do livro está excelente, muito convidativa.

Senti muita falta de um glossário, ainda mais para que fosse possível que o jovem leitor consultasse e desse rápida continuidade à leitura. Porém, não tendo glossário, uma ótima alternativa para o professor seria trabalhar as fábulas com os alunos em sala de aula, talvez lendo uma por dia e estimulando a busca pelos significados das palavras desconhecidas, como: repinicar; togado; neurastênico; gabola; encangado; catrapus; finório; beócios; carreiro; igualha; bruaca; usurário; intrujão; patarata; propalar; ventrudo… De forma diferente, duvido que o jovem leitor tivesse a paciência de procurar por si só cada significado.

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AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928464 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 270 SKOOB

O que mais influenciou minha cuidadosa escolha por esse título foi o fato de ser considerado uma obra-prima da literatura infantojuvenil mundial e eu não ter nem ouvido falar. Essa decisão foi primorosa, fazendo com que entrasse para minha lista de “melhores livros lidos”.

Todos os dias depois das aulas matutinas, os meninos da rua Paulo almoçam em suas respectivas casas e correm para se reunir no grund e jogar pelada. Porém, o que parece ser apenas uma reunião de garotos sem nada de mais importante para fazer, é na verdade um lugar com hierarquia, regras, diversão e princípios.

Entretanto, quando o lugar é invadido por Chico Áts, um adversário do grupo, Boka, o presidente e capitão dos meninos da rua Paulo, resolve partir com dois colegas rumo ao Jardim Botânico, determinado a deixar um recado escrito aos rivais, os camisas-vermelhas. Esse ato que por pouco não acaba frustrado, culmina no clímax do livro, a disputa pelo grund.

Escrito pelo húngaro Ferenc Molnár, o original foi publicado 110 anos atrás (1907), por esse motivo precisei interromper algumas vezes a leitura para procurar o significado de alguns termos: abecar, usurário, azáfama, estenografia, janota, betume… A edição possui um glossário ao final do livro que contribuiu bastante, porém minhas dúvidas foram um pouco além das palavras ali disponibilizadas, como: caniço, insólito, caluda, tacanho, moção, estertorar… Em contrapartida, foram muito úteis as notas de rodapé feitas por Paulo Rónai.

A capa está excepcional, as cores, fonte e, sem dúvida, os quadrinhos, que mostram desde o momento da decisão de Boka em ir até a ilhota no Jardim Botânico, até o desfecho do plano sendo posto em prática.

“Absolutamente. Nem mesmo faremos coisas semelhante ao que fez Chico Áts quando nos arrancou a bandeira. Nós nos limitaremos a mostrar-lhes que não temos medo deles e temos coragem de penetrar no lugar onde eles se reúnem e guardam as armas. – João Boka”

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Hoje o dia é de romantismo, afinal é DIA DOS NAMORADOS! Data especial para passarmos ao lado de quem amamos, de quem admiramos e que nos faz nossa jornada diária muitas vezes valer a pena. E não tem coisa melhor também do que viver aquele romance, mesmo que seja apenas nas páginas de um livro, não é? Aqueles personagens pelos quais nos apaixonamos e acreditamos que o amor é possível. Que rimos, choramos e sofremos por eles. Por isso, nos reunimos nessa data e escolhemos alguns casais literários que shippamos e suspiramos cada vez que lemos ou os reencontramos, além de explicar o porquê da escolha.

 

Foto: Cena do filme “O amor nos tempos do cólera”. (Divulgação)

CAMILA TEBET

Florentino e Fermina, de O amor nos tempos do cólera (Gabriel García Márquez)

É impossível falar de amor sem lembrar do clássico O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez. No livro, o autor conta uma história de amor turbulenta e inconstante. Aqui, conhecemos Fermina Daza e Florentino Ariza, apresentados já em suas velhices. O autor apresenta, com delicadeza, uma história de amor que atravessou os anos e passou por muitos obstáculos. Um casal que se apaixonou perdidamente, mas que pelos percalços da vida teve que se separar por longos anos. No final, mostram que nem o tempo é capaz de apagar certos sentimentos. Florentino e Fermina ensinam muito sobre esperança, paciência e, principalmente, sobre o amor genuíno. Continue lendo »


Quem matou foi o mordomo?! Quem nunca desejou ser Sherlock Holmes, Clarice M. Starling, Hercule Poirot? Ou até mesmo seus ajudantes? E estar na cena do crime e desvendar tudo que aconteceu?

O que eu quero dizer é que quem é, assim como eu, apaixonado por romance policial, se deleita com um bom mistério, gosta de se envolver com a história, tenta resolver o enigma antes que o livro acabe e ainda não conhece o Escape 60′ está perdendo a oportunidade!

QUE COMECEM OS JOGOS!

A proposta é a seguinte: você escolhe o tema da sala e é trancado lá com seu grupo (de 4 até 16 pessoas, dependendo da sala). O relógio começa a contar: são 60 minutos. Nesse tempo você descobre pistas, abre portas, resolve enigmas… O objetivo final é sair da sala! É muita adrenalina, tensão e emoções à flor da pele. Ou seja: show de bola! Continue lendo »


Trilogia Never Sky, de Veronica Rossi

“Todos nós temos potencial para fazer coisas terríveis, Soren. Mas também temos potencial para superar nossos erros. Eu preciso acreditar nisso. Do contrário, qual o sentido disso tudo?”

– A caminho do azul sereno

A Trilogia Never Sky é ambientada em um universo distópico um pouco confuso: a Terra foi assolada por diversos desastres naturais e de enormes proporções, consumindo o planeta e o deixando em condições extremamente difíceis de sobreviver. Em resposta a isso, os governos criaram espaços embaixo da Terra, chamados Núcleos, que são como domos que confinam as pessoas e as protege das intemperanças do lado de fora, na superfície. Obviamente, nos Núcleos foram permitidos apenas pessoas importantes, com certa influência e dinheiro, enquanto os mais pobres ficaram do lado de fora, como forasteiros, sendo liderados por Soberanos de Sangue e tentando sobreviver dia após dia no caos que se transformou o planeta.

De um lado dessa história temos Ária, filha de uma geneticista, habitante de Quimera (um dos Núcleos protegidos) que ao aventurar-se com Soren e outros amigos, acaba sendo expulsa de seu Núcleo para viver na superfície com os selvagens, como eram chamados. Sabendo das condições externas, Aria sabe que suas chances de sobrevivência são mínimas diante de tantas possíveis catástrofes. O que ela não sabe é que fará uma improvável aliança com um Forasteiro.

O outro lado dessa moeda é justamente o Forasteiro, Perry, que salva a vida de Aria duas vezes, e ao ser surpreendido com o sequestro de seu sobrinho, junta forças com a menina para atingirem seus objetivos, um ajudando o outro. O caminho que traçam é longo, difícil e de grande aprendizado para os dois, e os levará a lugares que nem imaginavam.

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Monteiro Lobato nasceu no dia 18 de abril de 1892, na cidade paulista de Taubaté. Por causa de seus muitos livros infantis, sendo o primeiro lançado em 1920, revolucionou a escrita infantil nacional com seus personagens e aventuras no “Sítio do Picapau Amarelo”, que são tão conhecidos pelas crianças ainda no século XXI. Por esse motivo, a data de seu nascimento foi escolhida para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil.

Depois de Monteiro, muitos escritores marcaram e ainda marcam esse nicho literário, alguns não nasceram no Brasil, mas vivem aqui há tempo suficiente para lançar livros no mercado nacional, outros nem são tão conhecidos, mas suas obras marcaram minha trajetória de algum modo.

Como grande apreciadora do gênero infantojuvenil, escolhi apenas 15 títulos que gosto muito, mas que mostra a riqueza e diversidade nacional:

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA ISBN: 9788551000366 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 40 SKOOB

Estava muito ansiosa pela chegada desse livro, por já ter ouvido muitos elogios sobre a escrita da italiana Elena FerranteUma noite na praia é voltado para o público infantojuvenil e fiquei triste por serem apenas 40 páginas, a vontade de ler outros textos da autora só aumentou.

Ao folhear as páginas da obra, minha  filha de 10 anos demonstrou certa preocupação ao se deparar com as ilustrações da também italiana Mara Cerri. Ela me confidenciou ter achado os desenhos um tanto sinistro. Realmente, estão todas em tons escuros: preto, azul, vermelho, cinza e marrom, mas casaram terrivelmente com o texto, destacando os pontos altos da história.

O exemplar é pequeno, fino, uma ótima apresentação, um convite para ser lido imediatamente. As orelhas gigantes deixam a obra ainda mais atrativa e bem acabada.

A história é contada por uma boneca, que inicia a narrativa pormenorizando o modo como é esquecida na praia. Depois de ficar exposta ao sol brincando com sua dona de cinco aninhos, Mati, o pai da garota vai buscá-la na praia e lhe dá um gato de presente, Minu. Distraída com o animal, a menininha esquece a boneca meio soterrada na areia pelo irmão de Mati.

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