quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Toda criança ama histórias! E esse universo pode ser apresentado através de adultos que leem para elas, que presenteiam com livros ou que leem para si próprios dando um exemplo que a criança certamente irá copiar. Cada um de nós leitores adultos, carrega recordações da infância sobre o tema. Quais ou qual livro marcou os tempos de criança? Alguns de nossos colunistas aqui do Viagens de Papel contam suas experiências literárias na infância:

Camila Tebet

“O menino do dedo verde”, de Maurice Druon, marcou a minha infância pois foi um dos primeiros livros que ganhei de presente dos meus pais. Na época, tinha um significado muito especial, pois Tistu, além de ser o nome do personagem principal da história, era também o nome do jardim de infância onde eu estudava, minha primeira escola, que tanto contribuiu para minha formação. O livro fala sobre educação e sobre transformação. Sobre o quanto cada um é capaz de contribuir para um mundo melhor por meio de suas ações. É uma história linda, que fala sobre diversos valores e questiona padrões da sociedade. Vale a pena conhecer!

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Essa postagem é uma análise minha. Não tem vínculo com os editores, nem com o autor da obra.

Foto: Editora Intrínseca/Viagens de Papel (Divulgação)

Essa é a semana especial do livro Piano Vermelho (já resenhei ele aqui, e falei sobre o cenário e contexto da história aqui). Agora é hora de falar um pouco sobre Philip. Não exatamente do personagem, mas da sua filosofia de vida.

 

“Mi, Sol, Si, Ré, Fá (Meu sol se refaz).
Fá, Lá, Dó, Mi. (Fala dormindo).
Um exercício de memorização termina, outro começa.
Assim como a guerra termina, a vida começa… em casa.
A vida no caminho.”

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A Editora Intrínseca está homenageando o autor Josh Marleman, com uma semana inteirinha voltada para o seu novo livro Piano Vermelho (Confira aqui! ). <3

E hoje eu vou falar um pouco do “contexto e cenário da história”, partimos do cenário principal da aventura do Philip e sua banda – os Danes: o Deserto do Namibe.

Foto: “Deserto do Namibe”/Viagens de Papel (Divulgação)

“Com o pacote de informações, Philip descobre que a palavra Namibe significa vazio.

Vazio, desolado e imenso…

Todos os integrantes da missão recebem um pacote de informações sobre o destino final, o Deserto do Namibe. Lembrando que essa missão era descobrir a origem do som horripilante que estava propagando pela região. Philip fica receoso com os pontinhos coloridos no mapa, mas se depara com um cenário que carecia de referencias. Vamos lembrar que o ano é 1957 e eles não podiam dar uma “googlada”. Mesmo que o que se espera do deserto seja muita areia a paisagem encanta o grupo assim que aterrissam. Continue lendo »

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRINHAS, CORTESIA
ISBN: 9788574066820
GÊNERO: INFANTOJUVENIL
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 80 SKOOB

Escolhi o recém lançado O Lórax, da Companhia das Letrinhas, por já ter assistido ao filme homônimo em 2012.

Para quem não conhece o filme, aliás, nem eu lembrava de muitos detalhes, ao iniciar a leitura sentirá certa estranheza com a história. Ela é parcialmente rimada e, não sei se por causa da tradução, nem sempre em versos curtos.

Por meio das ilustrações, vemos um menino que saiu da cidade e está indo em direção ao logradouro de Lórax, porém ao chegar no local onde Lórax vivia, encontra Erumavez, único que será capaz de explicar e responder todas as perguntas que o menino poderá vir a fazer, porém, antes é preciso efetuar o pagamento: um prego, uma moedinha e a conchinha do ta-ta-ta-taravô do caramujo. Depois disso, do alto de sua loja/casa, através do Segredofone, das sombras ele sussurrará toda a história.

A partir desse ponto do enredo, tudo começa a fazer um pouco mais de sentido para o leitor, Erumavez conta que muito muito tempo atrás, encontrou um lugar lindo, com muitos animais, um verdadeiro paraíso, cheio de árvores cabeludas e coloridas, chamadas de Trúfulas. Ao sentir a maciez de uma Trufulárvore, Erumavez tem uma grande ideia, derruba uma única árvore e rapidamente tricota uma Nãocessidade. Nesse momento, eis que do tronco cortado surge uma espécie de homem, baixinho, velhinho, musgosinho, o Lórax, um protetor, que em nome das árvores conversa sobre ganância, tentando dissuadir Erumavez.

Foto: Nara Dias/Viagens de Papel

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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Hoje vamos conhecer três livros infantojuvenis da Zit Editora lançados recentemente. Tem como falar mal deles? Impossível! Não me canso de repetir sobre a qualidade editorial de todos os títulos que já recebi deles. Enfim, vamos as nossas dicas:

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: ZIT EDITORA, CORTESIA
ISBN: 9788579330841
GÊNERO: POEMA, POESIA, INFANTOJUVENIL
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 40 SKOOB

Jardim de bichinhos, esse título lindíssimo é da carioca e professora de Sala de Leitura do Município do Rio de Janeiro, Sandra Lopes. Ele se destaca pelo tamanho, 24×29 cm, e sua belíssima capa em tons de verde e amarelo. Por dentro, existem grandes orelhas que, quando totalmente abertas, mostram um imensooooo jardim. Já na parte interna, vemos diversos vasinhos, cheinhos de plantinhas. Cada página antes da história tem detalhes encantadores.

Em meio a folhas, plantas, árvores e muitos bichinhos presentes corriqueiramente em jardins, vemos belíssimas ilustrações com “zilhões” de letrinhas mescladas aos desenhos, como letras saídas de uma máquina de datilografia. O que mais me admirou no trabalho da paulistana Camila Carrossine foi sem dúvida a história que as imagens contam e que não estão reproduzidas em palavras, como se fossem dois livros em um.

O livro nos apresenta 14 poemas, iniciando com “No Jardim“, em seguida,  os títulos ganham o nome de cada bichinho do jardim, que é destacado por um poema especial: “Formiga“, “Cigarra“, “Minhoca“, “Caracol“, “Grilo“, “Joaninhas“, “Aranha“, “Libélula“, “Beija-flor“, “Borboleta” e “Louva-deus“. O poema final mostra o “Bicho poeta“. Todo o texto está em fonte de máquina de escrever, ficou bem diferente e combinou com todo o visual.

Através das ilustrações, deduzimos que dois irmãozinhos vão passar talvez um final de semana com o avô, e a partir daí desvendam o mundo que existe dentro de seu jardim. Após todo um dia inteiro de descobertas, ao final as crianças brincam felizes, já é noite, enquanto que o bicho poeta, ou seja, o avô, está sentado na máquina de escrever terminando os poemas. Perfeito! Super recomendado!

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Foto: Frances Hodgson Burnett em 1888 (Divulgação)

Não sei quanto a vocês, mas cresci assistindo repetidamente os filmes “O Jardim Secreto (1993) e “A princesinha (1995). Por serem visualmente semelhantes, na época pensei se tratar do mesmo produtor ou diretor. Mero engano, só depois de muitos anos descobri que foram baseados nas obras escritas por Frances Hodgson Burnett, em 1911 e 1905, respectivamente, clássicos da literatura inglesa infantojuvenil.

Tão logo os descobri em uma prateleira da biblioteca, me apaixonei pelas capas e iniciei a leitura de ambos. A Editora Salamandra fez um excelente trabalho nessas maravilhosas edições, as ilustrações de ambos foram feitas pela catalã Júlia Sardà.


O Jardim Secreto


A história

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SALAMANDRA ISBN: 9788516090753 GÊNERO: INFANTOJUVENIL PUBLICAÇÃO: 2013 PÁGINAS: 280 SKOOB

Mary Lennox, a criança mais antipática do mundo, fica orfã depois de um surdo de cólera na Índia, sendo trazida pela Sra. Medlock, até a gigantesca Mansão Misselthwaite Manor, em Yorkshire, na Inglaterra. Passa então a viver nessa estranha e solitária mansão com mais de cem quartos, quase todos esquecidos e vazios, ouve falar muitas coisas sobre seu taciturno e viúvo tio Archibald Craven.

Acostumada a ser servida por criados indianos, vestida e cuidada por uma aia, ignorada pelo pai inglês que trabalhava para o governo e desprezada pela lindíssima mãe que só se importava com festas, Mary não sabe fazer nada sozinha e fica um pouco chocada ao conviver com Marta, uma moça rústica que trabalha na mansão e com seu jeito simples, acaba por dizer verdades que Mary nunca prestou atenção em si mesma, nem em seus modos grosseiros e impertinentes.

Pela primeira vez em sua vida, a menina está livre de empregados, porém não sabe o que fazer, nem com quem. Marta a incentiva a explorar os arredores da mansão, mencionando a existência de um jardim que está trancado a uma década, desde a morte da tia de Mary.

Andando pela charneca, conhece hortas e jardins e se depara com Ben Weatherstaff, um rabugento empregado que cuida de toda a área externa, conhece também o pisco-do-peito-ruivo, passarinho que rapidamente torna-se seu primeiro amigo.

Depois de descobrir a entrada do jardim e encontrar a sua chave, Mary se dedica a cuidar dele e recebe ajuda de Dickon, um dos onze irmãos de Marta. Aos poucos ela vai descobrindo inúmeras novidades, ocupando seu cotidiano de forma positiva, explorando a parte de fora durante os dias ensolarados e a parte interna nos dias de chuva. Mudanças vão acontecendo não só em seu apetite, mas em toda sua forma de ver o mundo e a si própria, além de seu desenvolvimento. Quando de repente é chamada por seu tio para conhecerem-se, pois até então ele não tinha se apresentado, ela sente muito medo, mas pede um pedaço de terra para cuidar e plantar, além de convence-lo e ficar mais um pouco sem estudar, para poder se fortalecer e se adaptar ao novo lar. Continue lendo »

terça-feira, 20 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: CIA DAS LETRINHAS, CORTESIA ISBN: 9788574067537 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 60 SKOOB

Como posso descrever essa história? Triste! Até pensei na palavra comovente, mas acima de tudo, triste!

Saber que a obra é um clássico infantojuvenil de 1964, sem dúvida me fez optar pela leitura desse título. Traduzido por um grande escritor brasileiro, Fernando Sabino, e relançado pela Companhia das Letrinhas, temos em mãos uma edição de capa dura, com páginas em branco,  textos e ilustrações em preto.

O americano Shel Silverstein, autor e ilustrador do clássico, era também poeta, músico, cantor e compositor, além de ter escrito algumas peças teatrais e roteiros de cinema.  Faleceu em 1999, aos 66 anos.

Deparei-me com um resumo que perfeitamente descreve o que encontramos nessa história:

“A história de amor entre uma árvore e um menino. A árvore é a amiga amorosa que dá tudo ao menino, suas folhas, seus frutos, sua sombra. O menino também ama a árvore, a grande companheira de todos os dias; sobe em seu tronco, se pendura nos galhos, brinca de esconde-esconde. Até que vai crescendo, se torna adolescente, depois adulto. E, pouco a pouco, deixa a amiga de lado. ‘Estou grande demais para brincar’, diz o menino, que então precisa de dinheiro para comprar ‘muitas coisas’. A árvore fornece suas maçãs, para o jovem vender. Depois seus galhos, para o homem construir sua casa. E a história acompanha o passar do tempo até a velhice do homem – que até o fim, já bem velho e cansado, é chamado de menino pela árvore. Em primeiro plano, uma lição de consciência ecológica – o homem pequeno, mesquinho, frente à generosidade e a força da natureza. No entanto, a dinâmica que se vê entre o menino e a árvore mostra também a passagem do tempo e dos valores que são reavaliados com ela, numa relação de troca sincera e desinteressada – essa que o homem parece desaprender nas exigências da vida adulta.”

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segunda-feira, 19 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: GLOBINHO, CORTESIA ISBN: 9788525063892 GÊNERO: CONTOS, INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 208 SKOOB

Monteiro Lobato não apenas faz parte da história da literatura infantojuvenil nacional como teve papel fundamental na evolução dela a partir da criação de suas obras.

Esse ano, o selo Globinho, da Globo Livros, lança a 4ª edição do livro Fábulas, no entanto a primeira publicação foi feita quase cem anos atrás, em 1922, e os protagonistas são os tão conhecidos personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”.

A proposta do livro é bastante interessante. Após um gigantesco sumário de três páginas e a apresentação do livro por Ilan Brenman, a narração começa com a primeira fábula: “A cigarra e as formigas“. Depois disso, destacada e em itálico aparece a moral da história, e ao fim, lemos comentários dos personagens. Dessa forma é possível perceber que todos estão ouvindo Dona Benta contar ou inventar cada uma das 74 fábulas apresentadas.

Sabemos que cada ouvinte tem uma reação e faz diferente interpretação das histórias, tornando esse modo de contar fábulas muito envolvente, além disso, saber a opinião da turminha do Sítio é extremamente divertido.

Dessas 74 fábulas, algumas são conhecidas, outras parecidas… Nem todas ganharam uma ilustração, porém algumas têm até três desenhos diferentes. Ao todo são mais de 60 ilustrações assinadas pelo também paulistano Alcy Linares. Aliás, a diagramação do livro está excelente, muito convidativa.

Senti muita falta de um glossário, ainda mais para que fosse possível que o jovem leitor consultasse e desse rápida continuidade à leitura. Porém, não tendo glossário, uma ótima alternativa para o professor seria trabalhar as fábulas com os alunos em sala de aula, talvez lendo uma por dia e estimulando a busca pelos significados das palavras desconhecidas, como: repinicar; togado; neurastênico; gabola; encangado; catrapus; finório; beócios; carreiro; igualha; bruaca; usurário; intrujão; patarata; propalar; ventrudo… De forma diferente, duvido que o jovem leitor tivesse a paciência de procurar por si só cada significado.

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AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928464 GÊNERO: INFANTOJUVENIL, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 270 SKOOB

O que mais influenciou minha cuidadosa escolha por esse título foi o fato de ser considerado uma obra-prima da literatura infantojuvenil mundial e eu não ter nem ouvido falar. Essa decisão foi primorosa, fazendo com que entrasse para minha lista de “melhores livros lidos”.

Todos os dias depois das aulas matutinas, os meninos da rua Paulo almoçam em suas respectivas casas e correm para se reunir no grund e jogar pelada. Porém, o que parece ser apenas uma reunião de garotos sem nada de mais importante para fazer, é na verdade um lugar com hierarquia, regras, diversão e princípios.

Entretanto, quando o lugar é invadido por Chico Áts, um adversário do grupo, Boka, o presidente e capitão dos meninos da rua Paulo, resolve partir com dois colegas rumo ao Jardim Botânico, determinado a deixar um recado escrito aos rivais, os camisas-vermelhas. Esse ato que por pouco não acaba frustrado, culmina no clímax do livro, a disputa pelo grund.

Escrito pelo húngaro Ferenc Molnár, o original foi publicado 110 anos atrás (1907), por esse motivo precisei interromper algumas vezes a leitura para procurar o significado de alguns termos: abecar, usurário, azáfama, estenografia, janota, betume… A edição possui um glossário ao final do livro que contribuiu bastante, porém minhas dúvidas foram um pouco além das palavras ali disponibilizadas, como: caniço, insólito, caluda, tacanho, moção, estertorar… Em contrapartida, foram muito úteis as notas de rodapé feitas por Paulo Rónai.

A capa está excepcional, as cores, fonte e, sem dúvida, os quadrinhos, que mostram desde o momento da decisão de Boka em ir até a ilhota no Jardim Botânico, até o desfecho do plano sendo posto em prática.

“Absolutamente. Nem mesmo faremos coisas semelhante ao que fez Chico Áts quando nos arrancou a bandeira. Nós nos limitaremos a mostrar-lhes que não temos medo deles e temos coragem de penetrar no lugar onde eles se reúnem e guardam as armas. – João Boka”

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Hoje o dia é de romantismo, afinal é DIA DOS NAMORADOS! Data especial para passarmos ao lado de quem amamos, de quem admiramos e que nos faz nossa jornada diária muitas vezes valer a pena. E não tem coisa melhor também do que viver aquele romance, mesmo que seja apenas nas páginas de um livro, não é? Aqueles personagens pelos quais nos apaixonamos e acreditamos que o amor é possível. Que rimos, choramos e sofremos por eles. Por isso, nos reunimos nessa data e escolhemos alguns casais literários que shippamos e suspiramos cada vez que lemos ou os reencontramos, além de explicar o porquê da escolha.

 

Foto: Cena do filme “O amor nos tempos do cólera”. (Divulgação)

CAMILA TEBET

Florentino e Fermina, de O amor nos tempos do cólera (Gabriel García Márquez)

É impossível falar de amor sem lembrar do clássico O amor nos tempos do cólera, de Gabriel García Márquez. No livro, o autor conta uma história de amor turbulenta e inconstante. Aqui, conhecemos Fermina Daza e Florentino Ariza, apresentados já em suas velhices. O autor apresenta, com delicadeza, uma história de amor que atravessou os anos e passou por muitos obstáculos. Um casal que se apaixonou perdidamente, mas que pelos percalços da vida teve que se separar por longos anos. No final, mostram que nem o tempo é capaz de apagar certos sentimentos. Florentino e Fermina ensinam muito sobre esperança, paciência e, principalmente, sobre o amor genuíno. Continue lendo »