AVALIAÇÃO: 5/5 ESTRELAS
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501114235
GÊNERO: ROMANCE HISTÓRICO, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 434
SKOOB

Desde que vi comentários positivos acerca de “O guia do cavalheiro para o vício e a virtude” antes mesmo de ser traduzido para o português, já estava animado para a leitura. Imagina só um romance LGBT no século XVIII? Era tudo que eu mais queria no momento. Por isso que quando foi anunciada a publicação dele no Brasil pela Galera Record e tive a oportunidade de solicitá-lo, não pensei duas vezes. Quando chegou, esperei um pouco para realizar a leitura em um momento especial: na semana do meu aniversário. O que eu não achava é que tivesse que atrasar o término para não terminar antes do dia em que comemoraria meus 23 anos, de tão surpreendente que foi a leitura. A única coisa ruim de tudo isso é ficar com vontade de ler sua sequência, ainda sem previsão de chegar no país (Galera, agiliza aí!).

Henry “Monty” Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada uma festa hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Apesar da empolgação em realizar a leitura, ainda assim não tinha muita dimensão de sua sinopse. Da mesma forma foi lendo os primeiros capítulos, que transmitiam a sensação de que seria uma história parada, sem muito fluxo ou um futuro positivo do seu desenrolar. Todavia, isso é o ponto-chave, pelo menos para mim, do envolvimento com a história. As surpresas e os caminhos escolhidos pela autora foram sendo narrados de maneira natural, criando uma identificação com a história de tal forma que antes da centésima página eu já estava viciado na leitura. A escrita é bem desenvolvida, construindo os personagens cada qual com sua particularidade. Henry faz o tipo garoto mimado, mas ainda assim diante do relacionamento com seus familiares você consegue até entender a sua postura; Percy, bom amigo, demonstrou uma coragem e lealdade que não estava esperando em momento algum; Felicity, para mim o ponto alto da história, desde o início se mostrou independente e um tanto sarcástica, dando um tom a mais a história. Desta forma, os personagens causam empatia no leitor, o que faz com que as páginas virem sem ao menos você se dar conta.

O quesito histórico também é algo a se destacar. No final do livro há uma nota da autora comentando alguns elementos utilizados do período histórico ao longo da narrativa, justificando o que ela estava contando. Porém, ao mesmo tempo afirma que a história de Henry, Percy e Felicity é algo que poderia ter acontecido, principalmente pelo romance LGBT, algo que na visão dela não se sabia se realmente houvera na época. Nesse sentido, pontuo a maneira com a qual ela articulou os elementos do passado para criar sua própria história, tornando o livro mais rico e criando no leitor a sensação de que tudo aquilo realmente aconteceu. Tanto que foi só na metade da leitura que descobri, depois de verificar a biografia de Mackenzie Lee, a sua formação em História.

A história tem uma reviravolta na metade do livro que realmente não esperava nem tinha dimensão que poderia acontecer, tornando-a mais original do que já estava achando. E é aqui que a autora toca em um ponto delicado, levantando questões pertinentes sobre o sentido da vida e o porquê de se valorizar a mesma. E a partir disso é só alegria! Nesse ponto, já estava completamente rendido pela narrativa e queria saber aonde aquilo iria terminar. Talvez a expectativa tenha sido um pouco alta uma vez que o final me decepcionou um pouco (não consegui chegar ainda a uma conclusão), mas ainda assim acredito que foi a melhor escolha. Terminei o livro mal podendo esperar para realizar a leitura do próximo, intitulado “The Lady’s Guide To Petticoats and Piracy” e que tem como protagonista Felicity.

Nem preciso dizer que entrou para a lista de favoritos de 2018 e que recomendo a todos, não é mesmo?

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: