segunda-feira, 5 de novembro de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: PARALELA, CORTESIA
ISBN: 9788584391257
GÊNERO: ROMANCE
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 280
SKOOB

Os números do amor foi um livro que solicitei ao acaso, sem saber muito o que esperar. Li a sinopse por cima, conseguindo ter dimensão do que encontrar. A vinda do livro veio em boa hora, pois eu necessitava de algo leve e descontraído, então logo iniciei a leitura. Antes, reli a sinopse com mais atenção e qual não foi a minha surpresa quando descobri que o livro possuía um teor erótico. Confesso que fiquei um pouco apreensivo, como acontece toda vez que leio um livro desse gênero. Não sei quais caminhos a história irá levar, e dependendo disso a minha avaliação pode oscilar. Os números do amor ficou em algo médio com certos picos maiores. E vou tentar explicar o porquê.

Stella é uma econometrista talentosa que tem tudo na vida: um emprego garantido, uma vida estável, moradia boa, carro moderno. Todavia, não conseguiu arrumar um namorado ainda, algo que sua mãe insiste em lembrá-la. Só que Stella tem Asperger, um transtorno do espectro autista caracterizado por dificuldades nas relações sociais. Se para ela a análise de dados é uma tarefa simples, lidar com os embaraços que uma interação cara a cara pode trazer parece uma missão impossível.

Diante disso, Stella toma uma decisão e bola um plano um tanto diferente: contratar um acompanhante para ensiná-la a ser uma boa namorada. Em sua pesquisa, encontra Michael Phan. Este usa seu charme e aparência para conseguir um dinheiro extra e pagar uma pilha cada vez maior de contas. O acompanhante tem uma única regra: nunca se encontrar com a mesma cliente duas vez. Contudo, ele cede a tentação de quebrá-la quando Stella entra em sua vida com uma proposta nada convencional. Com o passar do tempo e ficando cada vez mais juntos, veem-se completamente envolvidos pela relação. Ele, pelo brilhantismo de Stella; ela, por quebrar uma série de regras e rotinas que se pusera ao longo de uma vida toda.

De livros com teores eróticos já se espera uma fórmula pronta: a menina querendo se libertar; o rapaz experiente querendo levá-la para um mundo totalmente diferente do que ela estava acostumada; trezentas páginas de cenas de sexo. Não querendo ser pessimista, mas é exatamente assim. Quando vi na sinopse que a protagonista tinha Asperger, um alerta se acendeu, pois dois caminhos poderiam ser tomados: a história seria de superação ou o tema seria tratado de uma maneira errônea fazendo com que a leitura não rendesse tanto. Porém, descobri que a própria autora do livro, Helen Hoang, tem Asperger, o que de certo modo me deixou mais seguro para fazer a leitura sem julgamentos prévios. Só me deixar levar pelo momento.

O livro tem uma narrativa fluida, o que facilita o envolvimento com a leitura desde o início. As páginas voavam e eu nem percebia. Conheci Stella e acompanhei, mesmo que seja por menos de 300 páginas, a sua luta para lidar com o Asperger. Isso fez com que me afeiçoasse a personagem, pois era na escrita que se conseguia perceber e sentir os conflitos e angústias pelas quais ela estava passando. E essas tensões só tenderam a aumentar quando surgiu Michael em sua vida. Os sentimentos que a leitura me trouxe foram de 8 a 80, pois a todo instante era despertado algo diferente. Michael é o típico personagem que se encontra nesse gênero de literatura, mas as características psicológicas e mentais do personagem fizeram com que ganhasse minha aprovação, além de torcer para que ficasse com Stella no final da história.

Os números do amor trata muito mais que um simples romance: aborda questões como aceitação, superação, família, quebra de paradigmas, acreditar e se arriscar. E tudo isso foi tratado com muita sensibilidade pela autora, fazendo com que a parte sexual do livro (ainda que tenha achado um pouco exagerada em alguns momentos, por isso a oscilação da avaliação que falei no início da resenha) seja algo decorrente disso. Não simplesmente sexo pelo sexo. Mas aquilo como algo novo a ser experimentado, a ser vivenciado. Além de fazer parte de um novo processo de vida, pelo qual a protagonista passa: se abrir para a vida. Fugir da rotina.

Os personagens secundários tendem apenas a acrescentar na história, tal como a família de Michael, dando destaque para suas irmãs. O livro se desenrola de tal modo que envolve o leitor, despertando sorrisos bobos, coração apertado e, porque não, lágrimas nos olhos. Acredito que seja o tipo de livro que não se deva deixar passar em branco. Caso surja a oportunidade, leiam. É algo que pode ser lido em duas tardes. E valerá a pena.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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