segunda-feira, 3 de setembro de 2018

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: SUMA, CORTESIA
ISBN: 9788556510686
GÊNERO: FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 168
SKOOB

Considerado praticamente o precursor de um subgênero de sci-fi, o livro A máquina do tempo, de H. G. Wells (originalmente publicado em 1895 e adaptado para o cinema em 1960), ganha uma edição especial e repaginada pela Suma de Letras. A história apoia-se na tese do tempo como uma quarta dimensão, sendo tão acessível quanto às três já exploradas pelo homem: largura, altura e espessura.

Ficção científica é um gênero que eu gosto demais, ao mesmo tempo que fico receosa em ler. A capacidade de te transportar para uma viagem no tempo, para planetas ou lugares desconhecidos ao mesmo tempo que fascina, assusta. Mas Wells dá conta do recado com maestria.

A narrativa começa a desenrolar-se quando, no dia de uma das reuniões semanais com seu círculo de conhecidos, o Viajante no Tempo, como sempre é referido o protagonista do livro, chega atrasado, maltrapilho, desorientado e desgrenhado.

Após se recompor — depois de uma bela refeição carnívora —, o protagonista se dispõe a contar aos presentes sobre como havia acabado de voltar de uma viagem ao futuro possibilitada por sua mais nova invenção, sua máquina do tempo. O Viajante conta como chegou ao ano de 802 701, encontrando um mundo praticamente em ruínas, exceto por algumas poucas edificações. O primeiro contato com algo próximo da humanidade é com os Eloi, um povo com altura média de 1,30 metro, todos com cabelos cortados na altura do ombro, com as mesmas vestes, de aparência infantil, ingênua e amigável. O homem, então, fica desapontado com o declínio intelectual que a evolução de sua espécie sofreu.

FOTO: EMILLY LOPEZ/ VIAGENS DE PAPEL

Quando descobre que, horas depois de sua chegada, sua invenção desaparecera, O Viajante é obrigado a desbravar os mistérios desse novo mundo, incluindo por quê os Eloi temem tanto o escuro. Numa dessas expedições de “descobrimento”, ele acaba encontrando estranhos poços profundos que levam a túneis subterrâneos e percebe que uma outra vertente da raça humana se adaptou a vida no Mundo Subterrâneo. Os Morlocks são descritos como seres abomináveis, semelhantes a macacos albinos monstruosos que, ao contrário dos Eloi, por sua vez, são sensíveis à luz. O rapaz tinha tudo para deixar as criaturas de lado, não fosse por um único problema: seu transporte para voltar ao seu tempo estava todo esse tempo sob domínio dos Morlocks.

Devo confessar que o texto demorou um pouco para prender a minha atenção, porém, a cada momento que Wells disparava com as descrições e os adjetivos exagerados, era cada vez mais difícil de largar o livro de lado para um intervalo. Em alguns momentos, eu me vi inteiramente imersa naquele novo “universo” e a imaginação corria solta.

Como o próprio Wells expõe no prefácio da edição de 1931 (disponível como extra nessa edição especial), o início da obra foi escrito com uma ideia de desenvolvimento muito mais densa do que, por exemplo, os momentos finais. A máquina do tempo não é um texto de mera ficção, mas, por muitas vezes, é preenchido por reflexões políticas, sociais e econômicas. O autor também se diferencia de muitas obras do gênero ao inserir a personagem num mundo totalmente desconhecido e à própria sorte. Como é característico do ser humano, O Viajante no Tempo tira suas próprias conclusões – mesmo sendo equivocadas na maioria das vezes –, faz seus próprios julgamentos de valor, já que é obrigado a isso. Preso num lugar onde não domina a linguagem verbal, é impelido a analisar o ambiente na companhia da própria mente e de suas próprias convicções.

FOTO: EMILLY LOPEZ/ VIAGENS DE PAPEL

“Pensei nas conclusões apressadas a que chegara naquele entardecer e não pude evitar uma gargalhada cheia de amargura diante do meu excesso de confiança” – Viajante no Tempo

No quesito diagramação, essa edição me cativou de uma maneira impressionante. Com acabamento em capa dura e repleto de ilustrações do início ao fim, é um livro que merece aquele carinho especial e aquele lugar reservado na estante. A tradução, as notas e o primeiro prefácio ficam por conta de Braulio Tavares, que faz questão de inserir o leitor no contexto literário pré, durante e pós finalização da obra e, assim como já mencionado antes, contém também um prefácio especial onde Wells analisa um pouco a sua própria criação e escrita 36 anos depois da primeira publicação.

A máquina do tempo vai muito além de uma simplória leitura de um fim de semana à tarde, é uma contemplação sobre o Tempo e sobre o futuro da humanidade e a predição do destino de nossos sucessores, da nossa organização como civilização e do nosso planeta.

“E tenho ainda comigo, para meu consolo, duas estranhas flores brancas – agora escurecidas e secas, esfarelando-se – como testemunhas de que, mesmo quando a inteligência e a força tiverem desaparecido, a gratidão e a ternura mútuas ainda encontrarão espaço no coração humano” –Hillyer, narrador secundário de “A máquina do tempo”

Sobre o autor
Emmie Lopez
Emmie Lopez 18 anos - (25/12) - Natural de Salvador - BA, mora atualmente em São Vicente - SP. Estudante do último ano do Ensino Médio Integrado com o Técnico em Informática no Instituto Federal de São Paulo, descobriu o amor pela leitura desde cedo com os gibis e os paradidáticos da escola. Divide seu coração entre a leitura e a música. Apaixonada por Romance, entusiasta de Mistério e louca por Fantasia. Foi brincar de escrever e não parou mais.


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