sexta-feira, 27 de julho de 2018

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 9788555340673
GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2018
PÁGINAS: 445 SKOOB

Sempre quis ler “Cartas de amor aos mortos” e infelizmente não tive ainda a oportunidade, por essa razão e por ter sempre lido boas críticas sobre esse primeiro sucesso da americana Ava Dellaira, escolhi Aos dezessete anos.

Apesar de não ter gostado da capa, algo na sinopse me deixou fascinada, inclusive quando o livro chegou em casa, passei essa leitura na frente de tudo o que estava lendo.

Desde o início da leitura, a vontade era de ler ininterruptamente a história contada alternadamente por mãe (Marilyn) e filha (Angela ou simplesmente Angie) de forma tão apaixonante e verdadeira, quando ambas têm a idade de dezessete anos.

Em alguns momentos me vi querendo apenas saber de Marilyn, mas ao chegar a vez de Angie contar sua história, também não dava vontade de deixá-la ser interrompida para que Marilyn retornasse.

Aparentemente, Angie vive uma vida perfeita ao lado de uma mãe maravilhosa e dedicada, porém percebe-se que há algo de errado no luto permanente que a mãe sofre, impedindo-a e ser verdadeiramente feliz. Além disso, ambas são extremamente diferentes quanto à aparência. Enquanto Marilyn tem cabelos dourados e o rosto pálido, Angela é mestiça e não consegue arrancar nenhuma informação que ajude a construir uma imagem de seu pai e do passado que a mãe evita a qualquer custo contar, chorando sempre que é abordado o assunto.

“É, te entendo. Quer dizer, você tem que ser quem as pessoas que ama esperam que você seja. E nem sempre é você mesmo, infelizmente.” Página 29

Quando Angie descobre que existe indícios do pai não ter morrido num acidente de carro, isso passa a atormentá-la de um jeito que faz com que não consiga nem ao menos continuar seu namoro com Sam, se vendo impelida a desvendar o mistério que sua mãe tanto esconde.

“Se não fosse por sua causa, Angie refletiu, a mae teria se recuperado da perda do pai? Talvez tivesse ido para Columbia. Talvez tivesse se tornado fotógrafa, expondo suas fotos nas galerias de Los Angeles e Nova York. Ou trabalhasse para revistas. Viajando pelo mundo, capturando momentos, sentindo-se viva. Se não estivesse presa comigo, Angie pensou, talvez tivesse se tornado quem deveria ser.” Página 122

Em contrapartida, cada vez vamos sentindo mais pena da vida tenebrosa que Marilyn viveu ao lado de uma mãe devastada após a perda repentina de um marido que amava por conveniência, mas que esmigalhou as probabilidades de um futuro tranquilo e estável como uma simples dona de casa. A partir de então, a mãe põe na filha suas esperanças de ter conforto e luxo, passando a desejar seu sucesso como modelo em Hollywood, sem nem ao menos saber que Marilyn tem um profundo pavor e sente pânico toda vez que é chamada para um novo teste.  Tudo o que a garota simplesmente anseia é a possibilidade de entrar na faculdade ao completar 18 anos e dar um novo rumo a sua vida sem sentido.

“Quando a pizza chega, Sylvie insiste em colocar velinhas em cima, que conseguiu encontrar em uma das caixas. Marilyn se inclina sobre as chamas e nota que gotas de cera rosa começam a cair no queijo. Desejo que no ano que vem eu esteja longe daqui, estudando em Nova York, começando minha própria vida. Mas quando ela fecha os olhos para assoprar, é James que vê, e sua imagem a envolve como a ressaca do mar.” Página 31

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Não vejo necessidade de me aprofundar nos detalhes contidos no decorrer de ambas as histórias, mas tenho certeza de que, assim como eu, existem grandes chances de você se acabar de tanto chorar, pois é impossível não se emocionar depois de tanto sofrimento, revelações e descobertas.

“Angie dá de ombros. – Sou meio sem graça. – É nada. Ninguém é. Todo mundo tem um universo inteiro dentro de si.” Página 366

Recomendo a leitura dessa deliciosa obra, principalmente para todas as mães e filhas do universo. As mães lembrarão que um dia tiveram dezessete anos e sim, cometeram erros, sentiram medo, se apaixonaram… E também para as filhas, para que sejam capazes de refletir e saber que suas mães são capazes de compreendê-las, pois já viveram à flor da pele uma fase tão turbulenta e importante quanto essa que é a saída da adolescência e o amadurecimento, além de deixar claro que as pequenas decisões podem mudar radicalmente o futuro de suas vidas.

Sobre o autor
Nara Dias 32 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de 1200 livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


Deixe uma resposta

  1. sábado, 28 de julho de 2018.

    Oi Nara!
    Essas ligações entre mãe e filha sempre me emocionam e eu tenho certeza que vou amar conhecer essa história. Diferente de você eu gostei bastante da capa do livro, achei diferente e muito bonita, os tons utilizados foi o que mais me agradou. Pretendo sim lê-lo e espero gostar tanto quanto você.
    Abraços

    Leituras de Ana

  2. domingo, 29 de julho de 2018.

    Olá, tudo bem? Li esse livro recentemente e confesso que adorei a leitura. Me senti tão dentro da história, principalmente pelo fato de eu e minha mãe termos quase as mesmas idades das personagens. Adorei tua resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

  3. segunda-feira, 30 de julho de 2018.

    Olá, Nara.
    O livro parece bem bacana, tenho certeza que como você, vou me emocionar, gostei basante dos aspectos que você levantou na resenha e espero ter oportunidade de ler.

  4. segunda-feira, 30 de julho de 2018.

    Olá!
    Adoro a escrita da Ava e o tenho esse ebook no meu Kindle.
    Gosto da proposta envolvendo mae e filha, mesmo tendo personagem mais nova, me parece um texto bem desenvolvido e muito comovente.
    Beijos!

  5. terça-feira, 31 de julho de 2018.

    Oiii Nara

    Eu li Cartas de amor aos mortos e amei, me emocionou muito porque é profundo e cheio de altos e baixos que me prendiam, as cartas são tocantes. Te recomento demais esse livro.
    Quero muito ler Aos dezessete anos exatamente por conta da experiência legal que tive com a escrita da autora, já está na minha lista e não vejo a hora de conferir.

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  6. quinta-feira, 2 de agosto de 2018.

    Oi, tudo bem?
    Esse livro é minha leitura atual e estou adorando. Já tinha lido Cartas de amor aos mortos e adorado, então, minha expectativa estava bem alta. Até aqui, a leitura não me decepcionou e, pelo que vi da sua resenha, acho que irei gostar do restante do livro.
    Achei a proposta do livro muito boa, até para proporcionar reflexões para mães e filhas.
    Adorei sua resenha e espero concluir esta leitura em breve.
    Beijos!

  7. domingo, 5 de agosto de 2018.

    Olá
    Interessante essa temática, muitas mães esquecem disso ou por não esquecer super protegem seus filhos, eu não sei como será qdo minha filha tiver 17 pois ela é autista, minhas preocupações com ela são outras. Apesar de um livro jovem não ser a minha praia , gostei da sua resenha, e quem sabe posso ler mais pra frente.
    Bjus

  8. domingo, 5 de agosto de 2018.

    Oi Nara, sua linda, tudo bem?
    Vi tantos comentários sobre o primeiro livro dela, tantos negativos, quanto positivos que acabei não lendo. E quando vi o lançamento desse também tive vontade de começar por ele. E pelo visto a carga dramática dele é bem tocante. Como choro à toa, já vi que irei me acabar, risos.. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com/

  9. segunda-feira, 6 de agosto de 2018.

    Olá,
    Nossa este livro parece realmente dramático, desde envolver relacionamento com família até estar com muitos sofrimentos. Não estou no momento para ler um drama mas gosto muito do gênero.

    Debyh
    Eu Insisto

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