quarta-feira, 9 de maio de 2018

AVALIAÇÃO: 3/5
EDITORA: GALERA RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501110893
GÊNERO: FICÇÃO JUVENIL INGLESA; POEMA, POESIA FANTÁSTICA 
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 98 SKOOB

Pensa em um livro doido? É esse! Solicitei esse titulo impulsionada pela fama de Lewis Carroll com “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, nunca havia lido nada do autor e resolvi aproveitar a oportunidade oferecida pela Galera Júnior.

O livro lançado em 1876 conta, no decorrer de oito cantos (capítulos), por meio de estrofes de quatro versos cada, a história de uma tripulação composta por 9 pessoas e um castor que se aventuram em busca de um ser chamado Snark.

Para minha surpresa, me deparei com versos que em alguns momentos me deixaram bastante confusa por sua falta de nexo, ou minha vontade de tentar encontrar uma lógica no ilógico. A editora teve o cuidado de preparar o leitor para a obra, a introdução do ilustrador Chris Riddell já deixa claro que o estilo de Carroll é o nonsense, então, ao ler isso, de imediato lembrei de um outro livro infantil que eu li nesse mesmo estilo, O Lórax, de Sr. Seuss. Mas mesmo lendo sobre esse tipo de escrita, senti curiosidade em ler o famoso “Alice no País das Maravilhas” e ao conseguir uma edição dois em um, li também a continuação, “Alice através do espelho”. Gostei muito mais de “A caça ao Snark”, confesso que essa obra dois em um me deu muito sono e desânimo.

A edição está maravilhosa, o título e nome do autor estão escritos em vermelho metalizado.  As ilustrações de Riddell combinaram excepcionalmente com o gênero literário e aparecem ora de forma colorida, ora em preto e branco. Outro detalhe interessante é a letra capitular no verso que inicia cada canto, ela contém um Snark de fundo, sempre em posições diferentes. As capas internas tem um plano de fundo bege com lindos Snarks em azul.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Acredito que devemos parabenizar a poeta Bruna Beber, responsável pela tradução da obra, se o gênero poesia já não deve ser nada fácil de traduzir devido às rimas na língua destino, imagina só juntar isso ao nonsense…

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Descobri algo muito interessante observando a tripulação logo no início do livro e o fato descoberto foi confirmado com o final interessantíssimo da história. Só não conto para não estragar a surpresa para os futuros leitores.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Pesquisando alguns sites internacionais encontrei uma recente produção teatral da obra que, segundo entrevistas, deixa as crianças encantadas, mas muitas outras adaptações foram feitas a partir dessa obra. Outro fato curioso (e triste) é que esse poema épico e absurdo foi escrito por Carroll em um momento em que ele estava lutando com suas crenças religiosas após a grave doença de seu primo e afilhado, Charlie Wilcox, que acabou morrendo de tuberculose. Embora o poema fale sobre morte e  perigo, ele é cheio de humor e ideias extravagantes, que jamais relacionaríamos com um momento tão sério vivido pelo autor. Numa caminhada noturna, após cuidar do afilhado, surge na mente de Lewis os versos que encerram com maestria a história, e ao longo dos seis meses seguintes, o autor desenvolve o restante do poema.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

O Canto Um, O Desembarque. O navio é comandado por um tal de Mensageiro, que não sabe a diferença entre mastro e leme e deixa o timoneiro doido com seus comandos. Nesse canto os personagens são apresentados e algumas particularidades são mencionadas.

O Canto Dois, O Discurso do Mensageiro. Acontece o desembarque em uma ilha, depois de meses procurando a tal criatura exótica sem sucesso. O discurso do Mensageiro serve para alertar sobre as cinco peculiaridades de um Snark: paladar da criatura; acorda tarde; vagareza e seriedade até no momento de fazer graça; afeição por carrinhos de banho e a ambição, diferenças físicas entre os Snarks comuns e o tipo Bujum.

O Canto Três, A História do Padeiro. Esse personagem conta sua história de vida que o levou até o navio para participar da caça e explica a forma correta de se pegar um, além dos perigos de se encontrar um Bujum ao invés de um Snark.

“Você pode buscá-lo com dedais – mas não de maneira arbitrária;

Pode persegui-lo com forquilhas, e expectativa;

Você pode atormentá-lo com uma ação ferroviária;

Seduzi-lo com sabão e sorrisos é uma boa alternativa.”

O Canto Quatro, A Caça. O Mensageiro se irrita com o padeiro, por não ter mencionado antes da partida do navio sobre os perigos, mas incentiva a tripulação de que terão sucesso na caçada, apesar dos perigos em vista.

O Canto Cinco , A Lição do Castor. Esse capítulo foi um o mais divertido, ao mesmo tempo que o mais confuso para mim, porque até então o Castor tinha muito medo do chamado Açougueiro, porque este disse que só sabia matar castores. Mas neste canto, o encontro com o terrível pássaro Jubjub faz com que surja entre eles uma linda e sólida amizade. Em contrapartida, o jeito para espantar o tal pássaro pelo que entendi, seria fazer cálculos matemáticos, não sei se o fato de Lewis ser professor matemático inspirou a criar loucas estrofes de cálculos…

“Para começo de raciocínio, temos o Três – 

É um número conveniente para uma afirmação – 

Somamos Sete com Quatro e mais Seis

E por Mil menos Oito efetuamos a multiplicação.”

“E então dividimos o resultado

Por Novecentos e Noventa e Três:

Subtraímos por Dezessete ao quadrado

E a resposta está perfeita e correta, como vês.”

O Canto Seis, O Sonho do Advogado. Esse foi o canto que achei mais desnecessário e cansativo, pois apenas conta um estranho sonho que o advogado teve, totalmente sem pé nem cabeça, onde o próprio Snark era o advogado de um porco. Mas o que é mais um capítulo doido em meio a tantos…

O Canto Sete, O Destino do Banqueiro. Mais um da tripulação que teve um encontro desagradável com uma estranha criatura porém ao contrário do Castor e Açougueiro que conseguiram se livrar do Jubjub, o Banqueiro não teve tanta sorte ao encontrar um incendiário Arrebabanda.

O Canto Oito, O Desaparecimento. O final compensa todas as loucuras e dúvidas no decorrer da leitura. A ilustração e ênfase dada por Riddell ao final da história deixa tudo extremamente divertido.

FOTO: NARA DIAS / VIAGENS DE PAPEL

Recomendo? Lógico que sim. Para todos? Não, apenas para os amantes de poesias, amantes do mundo de criaturas fantásticas e absurdas criado por Carroll e também para os mantiveram-se curiosos após minha resenha.

E aí, o que achou?

Sobre o autor
Nara Dias 32 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de 1200 livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


Deixe uma resposta

  1. quinta-feira, 10 de maio de 2018.

    Se tratando do autor eu não duvido da loucura que deve ser esse livro. E é por isso que fiquei com vontade de ler hhahaha

  2. sexta-feira, 11 de maio de 2018.

    Já acho o Alice um livro doido, então imagine a curiosidade para conferir a história dessa tripulação e saber que você gostou muito mais desse livro do que os outros dois famosos clássicos do autor. Fiquei aqui pensando o que descobriu observando a tripulação e como gosto de poesias, mas nunca li nenhuma dentro desse estilo é uma ótima recomendação.

  3. sexta-feira, 11 de maio de 2018.

    Oiiii

    Não sou muito fã do Carroll, justamente por achar as histórias dele confusas demais, eu fico boiando e cansada. Mesmo Alice que eu gostava bastante, quando a gente lê o livro se sente perdido… Sei lá, acho que não é um autor pra mim.

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  4. domingo, 13 de maio de 2018.

    Achei legal, não conhecia a obra. Mas ao mesmo tempo tenho que confessar que não é uma leitura que me atraia. Então dessa vez deixarei passar a dica mas mesmo assim, muito obrigada. Está ótima sua resenha. Mesmo.

    Beijos.

  5. domingo, 13 de maio de 2018.

    oieee tudo bem?
    Esse livro eu não conhecia, mas fiquei super curiosa.
    amo alice, que é super louco também, ou seja essa é uma caracteristica do autor.
    adorei a resenha.

  6. domingo, 13 de maio de 2018.

    Oi, tudo bem?
    Que edição maravilhosa! Amei a diagramação, linda demais! Não é meu estilo de leitura, mas gostei muito dos seus comentários sobre ele e confesso que fiquei curiosa, ainda mais vendo a arte dele, que amei mesmo! Dica anotada e se não for para ler, pelo menos para ter na estante!
    http://colecionandoromances.blogspot.com.br/

  7. terça-feira, 15 de maio de 2018.

    Olá Nara, eu não conhecia esse livro do autor, mas já li os dois livros de Alice e gostei, isso junto com sua resenha me deixou bem curiosa *-* Adorei a dica.

  8. terça-feira, 15 de maio de 2018.

    Não conhecia o livro. Não gosto muito de livros confusos, então acho que passarei essa dica.. Quem sabe em outra oportunidade.
    Beijos

  9. quarta-feira, 16 de maio de 2018.

    Olá, tudo bem? Gente parece um livro realmente fantástico. Já conheço o autor, claro, mas nunca me arrisquei por outra obra além de Alice. A edição parece estar lindíssima mesmo, e apesar de parecer nosense, gostei da resenha! Dica anotada <3
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

  10. segunda-feira, 21 de maio de 2018.

    Oi. Esse livro ainda não tive o privilégio de ler, mas espero resolver logo tudo isso. Adoro Alice no país das Maravilhas e sei que vou me identificar com esse.

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