AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: FÁBRICA 231, CORTESIA
ISBN-10: 8595170282
GÊNERO: DRAMA
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 352
SKOOB

Eleanor Oliphant está muito bem foi um livro que solicitei ao acaso, sem conhecimento prévio ou algo do tipo. Por algum motivo, que não sei qual, tinha algo na capa que me chamava a atenção. Quando o livro chegou, fiquei animado pela leitura, apesar de ter demorado um pouco para iniciá-la. Depois da primeira página, só parei quando cheguei ao final.

Eleanor Oliphant é uma pessoa metódica e solitária, cuja total falta de habilidades sociais e ausência de filtro ao dizer o que pensa acabaram que fazendo com que ela se afastasse da sociedade. Sua vida se resume a ir do trabalho para a casa e vice-versa, sem amigos para sair ou programas para fazer. O máximo é sua planta de estimação, palavras cruzadas, pizza congelada, vodca e breves conversas ao telefone com a mãe, que está na prisão. Além disso, sua aparência peculiar a transforma em alvos de piadas no ambiente em que trabalha.

No entanto, para ela, tudo isso está muito bem: às vésperas de completar 30 anos, Eleanor está satisfeita com a vida que leva – seu trabalho é numa empresa de design gráfico onde ela atua na área administrativa. Eleanor nunca sentiu falta de uma vida normal pois nunca soube direito o que é ter amigos ou algo do tipo: desde criança acostumou-se a ter essa vida pacata. Só que as coisas começam a mudar quando nossa protagonista conhece Raymond, o novo funcionário de TI da empresa. Quando os dois, juntos, salvam a vida de Sammy, um senhor que desmaia no meio da rua, os três se tornam amigos que resgatam uns aos outros da vida de isolamento que vinham levando até então. Por fim, Raymond, com seu grande coração, irá ajudar Eleanor a revisitar traumas reprimidos do passado e encontrar o caminho para curar suas dores.

Eleanor Oliphant está muito bem é o tipo de livro que quando se inicia a leitura, não se dá muito por ele. Em alguns momentos, me lembrou Como eu era antes de você, da Jojo Moyes. Antes que me julguem, não estou dizendo que seja algo ruim. Pelo contrário. Ele começa de maneira leve e despretensiosa, sem grandes expectativas. É diferente de um suspense, que você sabe que em algum momento algo vai acontecer e em cima disso a história toda vai se desenvolver. Aqui é diferente. O livro inicia mostrando o cotidiano de Eleanor e aos poucos vai se desenvolvendo e mostrando a personagem que ela é. Pode até aparecer, pela sinopse, que se torne algo chato e entediante, afinal, a protagonista não faz nada, não interage com ninguém ou algo do tipo. Mas o que ocorre aqui é justamente o contrário. Eleanor se mostra cativante desde o princípio e essa relação próxima se prolonga até o final do livro.

E é esse prolongar que queria me ater aqui. Conhecemos Eleanor, sua rotina um tanto enfadonha, seu trabalho, até o momento em que Raymond entra em sua vida. E tudo que ele causa nela. Não vou dizer que esperava um romance entre os dois. Em alguns momentos até me passou pela cabeça algo do tipo, mas diante do que encontrei o pensamento foi bem passageiro. A leitura se torna leve e passa para o leitor um sentimento gostoso, de lealdade e algo muito importante na vida das pessoas: a amizade. À primeira vista, Eleanor pode ser um caso raro de alguém que não interage, mas ouso dizer que tem muitas pessoas assim. Sempre parto do princípio que é bom conversar com as pessoas, pois nos modifica e nos faz crescer. Não importa se você concorde ou discorde com a opinião do outro, interagir é sempre algo positivo. E todo esse desenvolvimento é o que nos espera no livro.

Gail constrói uma história tranquila, desnudando uma protagonista que talvez você não daria a mínima para ela, mas que, conforme vai conhecendo, se torna uma grande heroína a partir do momento em que ela ousa tentar. Ousa viver. Coisas banais, que para a gente são naturais, se tornam algo totalmente novo para a protagonista. E é nessas horas que nos damos conta disso. E essa surpresa da protagonista acabou me pegando também. E me fazendo afeiçoar cada vez mais por ela. E o próprio Raymond contribuiu para isso. A princípio um tanto distante, mas aos poucos conseguiu também conquistar meu coração.

O livro seguiu caminhos que eu não esperava, tornando-se mais dramático. E isso foi bom. Algumas surpresas e reviravoltas bem leves ocorreram, contribuindo cada vez mais para o livro. Nem preciso dizer que ele se tornou um dos favoritos que li, mesmo que no finalzinho de 2017. Indico para todos aqueles que quiserem algo diferente, um tanto original e totalmente surpreendente!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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