AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: SEGUINTE, CORTESIA
ISBN: 978855340482
GÊNERO: FICÇÃO IRLANDESA, AMIZADE, NAZISMO, HOLOCAUSTO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 320 SKOOB

Sempre ouvi e li comentários sobre esse famoso título de John Boyne até assistir a adaptação cinematográfica e, entender o quão chocante foi a história fictícia inventada por esse irlandês. Porém, depois de assistir ao filme, a vontade de ler o livro diminuiu, até o lançamento dessa edição comemorativa de dez anos.

Essa edição está digna de seu decênio. Ela é apresentada à nós em capa dura, a ilustração ficou perfeitamente assustadora. Em cinza, nas capas internas temos um céu nublado e a imensa cerca com postes de iluminação. Essa é uma edição repleta de ilustrações, todas feitas pelo australiano Oliver Jeffers.

O livro inicia-se com um sumário e após isso, lemos uma ótima introdução do próprio autor. Cada um dos 20 capítulos possuem um título interessante e a quantidade de ilustração é bem variada, tem capítulo sem nenhuma ilustração e outros com duas, três ou quatro, algumas cobrem apenas parte da página, outras ambas as páginas. Todos os desenhos estão em cinza/preto, dão a impressão de terem sido feitos apenas com um giz preto, às vezes com um ou outro detalhe em vermelho ou azul claro, combinando terrivelmente com a história de forma que deixa tudo tristemente apaixonante. O espaçamento entre linhas está bastante amplo, o que torna a leitura bastante prazerosa.

A história é narrada em terceira pessoa e Boyne faz isso de um jeito cativante, sempre sob a perspectiva de Bruno, um pequeno alemão de nove anos de idade, que se vê entediado depois de ter que mudar de sua enorme residência na movimentada Berlim à uma casa pequena, numa área desolada e sem muitos lugares para explorar. A família do menino se resume à sua irmã Gretel, que ele constantemente a descreve como um Caso Perdido, uma mãe submissa e bastante angustiada e deprimida e o pai Ralp, um importante comandante que assumiu a administração de um campo de concentração chamada por Bruno de Haja-Vista, provavelmente Auschwitz, já que no livro dá a entender que ele está falando o nome errado.

“Acho que o melhor a fazer seria esquecer tudo isto e simplesmente voltar para casa. Podemos considerar que valeu como experiência”, acrescentou ele, frase que aprendera recentemente e que estava determinado a empregar com a maior frequência possível. A mãe sorriu e depositou os copos cuidadosamente sobre a mesa. “Tenho mais uma frase para você aprender”, ela disse. “É a seguinte: temos que procurar fazer o melhor de uma situação ruim.”

Depois de cansar de reclamar de sua nova realidade, incluindo as aulas particulares que ele e  a irmã têm em casa com foco em geografia e história, que são disciplinas que ele não gosta, e o fato de estar longe dos amigos Karl, Daniel e Martins, ele decide aproveitar melhor seu tempo fazendo o que mais gosta, explorar. Como a casa não tem muitos lugares para isso, passa para o lado de fora e é aí que conhece O menino do pijama listrado, que está do outro lado da cerca.

Um personagem irritante na história é o tenente Kotler, que costuma chamar Bruno de homenzinho, além de ficar de muita conversa com Gretel e também com a mãe de Bruno. Um personagem cativante é o judeu Pavel, que antes do Holocausto era médico, mas agora trabalha como servente na casa do menino.

Um fato curioso é a aparição de Eva Braun com Adolf Hitler no jantar decisivo que promoveu o pai do menino a administrador de Haja-Vista. Em todo o livro, o Fuhrer é chamado equivocadamente por Bruno de o Fúria. E para quem, como eu, desconhecia, estou abrindo um parênteses para falar sobre história, a tal Eva acompanhou Hitler por um longo tempo e até casou-se com ele algumas horas antes de ambos cometerem suicídio. Lógico que nada disso é mostrado ou mencionado na obra, apenas a chegada do Fúria e em um momento ele chamando: Eva!

O grande trunfo de John foi ter conseguido uma escrita bastante autêntica sobre a forma como alguns fatos são revelados durante a narrativa, sempre através da inocência de Bruno, o modo como ele vai aos poucos esquecendo dos amigos, bem típico das crianças conforme vão crescendo, o jeito como menciona a mãe sempre dormindo, bebendo, sinais de depressão…

Por já ter assistido ao filme, fiquei um pouco decepcionada pelo desenrolar do final da história, no filme temos os fatos acontecendo em sequência, a trilha sonora nos deixando tensos. Já com o livro, além de não ter nenhuma surpresa, o desenrolar não é lento, mas não acontece de forma eletrizante, apenas alguns detalhes diferentes.

Apesar disso recomendo ambos, obrigatório entrar na lista de leitura de todos os leitores no mundo!


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E você, já leu o livro? Assistiu ao filme? Qual sua opinião?

Sobre o autor
Nara Dias
Nara Dias 32 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de 1200 livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


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  1. segunda-feira, 15 de janeiro de 2018.

    Não conhecia seu blog mas já amei! Essa capa realmente é linda, pra mim é a melhor de todas as já elaboradas, ao menos para toda a veracidade que vi no filme. Ainda não li o livro mas creio que eu sofria justamente pela ausência de surpresas, mas isso acontece justamente por ter visto a adaptação antes.

  2. terça-feira, 16 de janeiro de 2018.

    Ah, esse livro, esse filme! Eu apenas assisti o filme uma vez. Por incrível que pareça, assisti na escola, no ensino fundamental e foi tão forte pra mim na época que eu lembro dele até hoje. E nao consegui assistir novamente desde então, muito menos pegar o livro para ler. Não que me falte vontade, mas me falta coragem para imaginar tudo isso novamente. Apesar de ser um livro fictício, saber que algumas pessoas passaram por isso… realmente me dói.
    E essa capa! Uau, assustadora! Sua resenha ficou maravilhosa também! <3

  3. terça-feira, 16 de janeiro de 2018.

    Olá, tudo bem? Esse foi um dos primeiros livros que li, e lembro que me marcou muito… Amo o filme e o livro. Agora, essa edição nova, é meu mais novo sonho de consumo. Está lindaaaaaaaa! <3

    Beijos,
    https://duaslivreiras.blogspot.com.br/

  4. quinta-feira, 18 de janeiro de 2018.

    Oiiie
    EU amo esse livro, já li duas vezes e quero reler novamente, muito lindo e intenso, amei demais! O filme também é ótimo. Vale a pena ser lido e assistido. Adorei a resenha, ainda não conhecia essa edição, já quero um pra mim kkk
    Bjos, Bya! 💋

  5. quinta-feira, 18 de janeiro de 2018.

    ooi tudo bem ?
    ainda não tive a oportunidade de ler o livro mais já vi o filme e me emocionou muito imagina ler o livro
    gostei muito da resenha 🙂
    BJss

  6. quinta-feira, 18 de janeiro de 2018.

    Oii Nara

    Eu tenho o livro na estante (a edição normal, sem ilustraçoes) e apesar de ser um livro curto até o momento não tinha me pintado a curiosidade em ler, imaginava triste demais e ia protelando a leitura. Quero ver se em 2018 desencalho ele finalmente…hehe. Fico feliz em saber que essa edição está linda desse jeito, os desenhos parecem ser super bem feito, de acordo com a obra e a capa é linda, uma mistura de tristeza mas também esperança

    Beijos

    http://www.derepentenoultimolivro.com

  7. sexta-feira, 19 de janeiro de 2018.

    Tentei assistir ao filme e dormi. Engraçado isso porque adoro histórias sobre a Segunda Guerra Mundial e sempre vi muitos comentários positivos sobre essa obra. Acho que era um sinal para ler o livro antes de assistir ao filme. Adorei essa nova edição e o que você destacou sobre a obra, com certeza já quero ler!

    beijinhos!

  8. sábado, 20 de janeiro de 2018.

    Olá, ótimo post. Ainda não li o livro nem vi o filme, embora seja algo que queira muito fazer já que obras sobre a Segunda Guerra Mundial sempre me tocam.

  9. domingo, 21 de janeiro de 2018.

    Oie, tudo bom?
    Eu ainda não li nem assisti pois imagino que vai me destruir por dentro, de verdade. É um enredo extremamente triste e real, e ainda assim, puro. Duas crianças inocentes acabam sendo levados nessa onde terrível que foi o holocausto. Quero muito ler, mas ao mesmo tempo temo minha reação. De qualquer maneira, amei seu post!

  10. segunda-feira, 22 de janeiro de 2018.

    Olá!
    Li esse livro há quatro anos. Eu me encantei completamente pela história, pela forma como o autor construiu o livro e como nos faz pensar sobre as escolhas que fazemos e o que colocamos à frente de tudo.
    Quero reler nessa edição!
    Beijos

  11. quarta-feira, 24 de janeiro de 2018.

    Olá!
    Eu conheço a obra mas ainda não tive a oportunidade de ler, mas tenho muita vontade. O tema me chama muito a atenção, gosto de tudo relacionado a esse período da segunda guerra e a sua resenha ficou simplesmente ótima.
    Beijos.

  12. terça-feira, 30 de janeiro de 2018.

    Essa edição está realmente um encanto!
    Eu também após assistir o filme, acabei deixando de lado a curiosidade pelo livro. Ainda prefiro o filme, mas sempre é bom ter uma lindeza nessa na estante, né?
    Bjim!
    Tammy

  13. quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018.

    Ah, esse livro é destruidor. O filme também! Mas, ao mesmo tempo tem sua parte bonita. Eu ainda não tinha conhecimento dessa nova capa pela Seguinte, já posso dizer que entrou para a lista. Simplesmente linda!

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