segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535924787
GÊNERO: DISTOPIA, FICÇÃO CIENTÍFICA
PUBLICAÇÃO: 2014
PÁGINAS: 521
SKOOB

Todas as redes sociais que você faz parte agora estão interligadas e o perfil único por usuário mantém todos informados sobre o seu dia a dia e, o mais importante, sua verdadeira identidade. Esse é o trabalho do Círculo.

Num futuro não tão distópico assim (vocês vão ver, rs), a empresa Círculo conseguiu realizar essa façanha. Além de se tornar o local mais tecnológico e legal de se trabalhar do mundo, eles prestam um serviço à humanidade: o acesso facilitado e real de informações. O círculo tem à sua frente a gangue dos quarenta, que são como a diretoria executiva da empresa: reuniões secretas e decisões são feitas com esse grupo. A liderança vem dos três membros fundadores, que são as mentes por trás de toda a magia e principais empreendimentos da empresa.

É nesse mundo que Mae Holland, recém-formada, acaba de entrar. Depois de passar meses com uma rotina simplória numa empresa que não valorizava seu potencial, sua amiga Annie (super influente no Círculo) consegue uma entrevista para que Mae tente ingressar na empresa.

Quando Mae é contratada, descobre as diferenças de seu novo local de trabalho logo nos primeiros dias: cada funcionário tem um ranking de pontuação e popularidade. Crescer na empresa depende muito de cada um.

Seu primeiro departamento é na Experiência do Cliente, uma espécie de SAC. Pode até parecer bobo, mas todas as empresas precisam de um atendimento ao cliente e o diferencial aqui é que o objetivo é chegar sempre em 100% de satisfação do cliente. No início Mae não consegue, mas é incentivada e acompanhada para conseguir, tendo feedbacks constantes.

Lembra do ranking de pontuação que eu falei? Pois bem, ele depende vários tipos de pontos, como coisas que se compartilha, por exemplo. Tudo que você faz deve ser compartilhado. Se você não compartilha, nega aos outros o conhecimento e/ou a vivência/experiência que você teve, ou seja, é um egoísta. A intenção do círculo é expandir esses valores para sociedade. Todos devem se integrar a essa ideologia. Há uma cobrança constante em relação a isso.

“Como todos aqui no Círculo sabemos, a transparência leva à paz de espírito.”

No primeiro final de semana Mae vai para casa ficar com a família. Sua volta na empresa na segunda-feira é cercada de questionamentos: ela saiu do campus às 23h de sexta-feira e sumiu? O que ela estava fazendo? A pessoas não sabem, pois ela não tem o costume de compartilhar as coisas. É como se sua vida fosse um mistério.

“Segredos são mentiras
Compartilhar é cuidar
Privacidade é roubo”

Mae preza muito seu trabalho. Ela se sente plena no Círculo, onde seu talento é visto e ressaltado o tempo todo. Aparentemente Mae quer fazer carreira na empresa e começa a executar com afinco todas as informações que lhe passam para que isso ocorra. Em outras palavras, ela vira uma pessoa que compartilha tudo, responde todas as mensagens e e-mails que recebe e dá retornos para todo mundo. Inclusive, é uma das primeiras a utilizar uma câmera em período integral, aberta para que todas as pessoas do círculo possam ter acesso a tudo que ela faz: sendo transparente.

Em suma, o livro entra em diversos temas que são bem polêmicos na era da internet. Mas não responde eles. O objetivo é inquietação e reflexão: até onde vai o direito de privacidade; tanta tecnologia não acaba atrapalhando de vivermos de verdade; o quanto a tecnologia influencia nosso estilo de vida (e pode nos deixar paranoicos também); o vício ou necessidade constante de estar conectado; e o quanto é bom ou ruim ter todas as nossas informações expostas para todo mundo (e o mais importante, nas mãos de uma empresa).

Os planos do Círculo é ter informações sem limites de tudo e todos. Não basta colocar mini câmeras em lugares públicos para se ter informação em tempo real! Implantar a mini câmera na pessoas para que todos possam ver o que ela faz em tempo real e ser transparente é um dos objetivos principais. Eu disse que era polêmico! Até onde devemos manter nossa privacidade? Mas o quanto isso seria benéfico?!

“Tudo que acontece será conhecido”

Convencimento é tema geral. No livro não consegui amar a Mae… ela é muito a representação da sociedade: isso me convence fácil. Ela nunca se impõe, mesmo que as situações estejam acabando com suas amizades, família etc.

Sobre o Filme:

O filme estreiou no Brasil sem muitos  holofotes, mesmo contando com um super elenco. Não vou me estender sobre os personagens por conta de spoilers, mas a Mae é a queridinha da Emma Watson, super aclamada por seu papel como Hermione em todos os filmes da saga Harry Potter, entre outras atuações que, eu sou suspeita para falar, ela arrasa.

Antes de mais nada gostaria de confessar que assisti ao filme primeiro. À convite da editora Companhias das Letras, tive acesso a pré-estreia no Cinemark do Shopping Iguatemi, aqui em São Paulo. Foi uma noite agradabilíssima!

Eu gostei muito do filme e ele me fez querer ler o livro: os personagens são marcantes mesmo que o filme não tenha tratado todos os conflitos e nem enfatizado tanto a questão do uso abusivo da tecnologia como no livro.

No filme foi fácil de ver que alguns personagens ilustram algumas características sociais que vemos muito na atualidade, por exemplo o Marce, amigo de infância e quase que um pretendente da Mae: ele é a resistência, o não conectado. É tipo aquele cara das teorias, que se nega a fazer ter uma conta em uma rede social, tem um e-mail porque é obrigado.

Mae: “Vamos combinar alguma coisa… Te mando uma mensagem.”
Marce: “Podemos fazer isso agora, já que estamos aqui…”

A Mae é como aquelas pessoas que recebem uma informação e já acomodam para aceitá-la plenamente sem questionar, tornando-a uma verdade suprema, de forma que qualquer um que falar contra essa verdade está errado e é um retrógrado.

A Mae do filme é mais fácil de tentar gostar do que a do livro. No filme não há tanto dela querendo crescer a qualquer custo e impressionar as chefias, tanto imediata quanto às maiores; nem se submeter, como ela faz diversas vezes, para poder agradar, para ser popular e para alcançar seus objetivos; isso aparece mais no livro.

No filme há um enfoque maior quando a Mae passa a ter sua própria câmera ligada. Sua rotina, mesmo normal e sem graça, parece um show, milhões acompanham e tem algo a comentar sobre… Parece algo que você conhece? rs

E os discursos retóricos e absolutos dos fundadores e seguidores do Círculo são como uma lavagem cerebral. É quase como: se você não está com a gente, está contra a gente.

Quem está dentro do círculo está em segurança.

Os finais são bem diferentes! Ah, são sim! Vale muito a pena ver os dois! Depois deem uma comentada aqui qual foi o mais surpreendente.

E claro que eu vou deixar o trailer aqui, para aumentar a vontade de assistir.

Curiosidade: o símbolo da capa do livro é um C no centro de uma espécie de labirintos. 

O desenho lembra bastante o símbolo budista ‘Nó Infinito’ que, em teoria, lembra os seguidores que todos os acontecimentos e seres presentes no universo estão inter-relacionados. Coincidência?

 

E uma dica:
Se você gosta desse tema de tecnologia versus sociedade: Black Mirror, uma série do Netflix, de um futuro não tão distópico assim, tem uns episódios muito bons sobre.

Houveram muitas críticas desse filme comparando com a série Black Mirror. Para mim são duas coisas diferentes e ambas altamente boas para serem debatidas.

Dica máster: Comecem pelo 1º episódio da 3ª temporada (não se preocupem, os episódios não são sequenciais).

Sobre o autor
Janaína Rodrigues
Janaína Rodrigues Uma sonhadora nata, encantada com a magia que pode ser encontrada no mundo real. Super apaixonada por livros, quadrinhos e séries... Hum... fanática por animação e amante entusiástica de manifestações artísticas. Pedagoga, professora de informática, virginiana, Grifinória e, claro, divergente. Mais ou menos por ai...


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