quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ROCCO, CORTESIA ISBN: 978853252352 GÊNERO: FICÇÃO HISTÓRICA, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 496 SKOOB

Margaret Atwood foi um dos nomes mais comentados no ano de 2017. Foi ao longo desses meses que tivemos a exibição de The Handmaid’s Tale, adaptação televisiva de sua obra O conto da aia. A série, que estreou pelo canal Hulu, foi sucesso de crítica e levou diversos prêmios, dentre eles o Emmy. Pouco tempo depois, uma nova série chega, desta vez pelo canal Netflix, baseada em outra obra de Margaret: Vulgo Grace. Dos dois livros, o segundo era o que mais me chamara a atenção e foi por onde comecei a mergulhar nesse universo da autora.

Em 1843, Grace Marks, uma empregada doméstica de 16 anos, foi julgada no Canadá pelo assassinato de Thomas Kinnear, seu patrão, e Nancy Montgomery, governanta da casa e amante de Thomas. O julgamento sensacionalista chegou às manchetes de todo o mundo, e o júri a declarou culpada. A opinião pública, no entanto, permaneceu ferozmente dividida em relação à Grace: ela era uma mulher desprezada que descontou sua ira em duas vítimas inocentes, ou era também uma vítima, envolvida involuntariamente em um crime? Alegando não ter nenhuma memória do que aconteceu, Grace passou seus anos seguintes em uma variedade de prisões e asilos, onde era exposta como uma atração bizarra. Em seu esforço para descobrir a verdade, o Dr. Simon Jordan, um jovem médico estudioso de doenças mentais, faz visitas constantes à jovem prisioneira e, em um misto de simpatia e incredulidade, utiliza as ferramentas então rudimentares da psicologia para chegar cada vez mais perto do que realmente aconteceu.

Vulgo Grace foi um dos mais livros mais diferentes que já li nos últimos tempos. Baseando-se em uma história real do período, Margaret escreveu uma história envolvente, que deixa o leitor na curiosidade ao longo de pouco mais de quinhentas páginas. Não vou dizer que seja um livro fácil de ler, pelo contrário. Sua narrativa é densa, o que torna a leitura muitas vezes lenta e difícil de se concentrar. Isso se deve muitas vezes à falta de diálogos e à demora em ter acontecimentos. Porém, a autora sabe criar uma atmosfera do contexto que possibilita que crie um sentimento de expectativa no leitor pelo que vai acontecer.

Grace é uma personagem complexa, que não conseguimos ter opinião completa sobre ela. A autora a constrói de maneira totalmente arbitrária, mas deixando aberta a posicionamentos livres. Conforme vamos avançando na leitura, conseguimos ter dimensão de sua história, o que possibilita que entremos em seu imaginário e que possamos assim fazer um julgamento sobre ela. O assassinato é algo que se torna recorrente, mas Margaret se utiliza de técnicas para fazer com que outras coisas tenham igual importância. Conhecemos a jornada da personagem desde a infância até o momento em que chega na casa onde acontecerá o tão famoso crime. Os altos, os baixos, a relação conturbada com o pai, a importância da figura de Mary na vida de Grace, entre outros. E aqui entra a figura de Simon, o médico.

Diferente de tantos outros médicos que tentaram abordagens com Grace, Simon prefere partir de coisas banais do dia a dia, como entregar uma maçã para a paciente e a partir daí deixar que ela fale. São as lembranças e memórias que farão totalmente a diferença no processo de entender o que aconteceu. E ao mesmo tempo que conhece Grace, Simon acaba mudando, estabelecendo uma relação próxima com sua paciente.

O contexto é propício, uma vez que permeia uma série de discussões presentes na história, como a questão da mulher, o desenvolvimento da ciência (e nisso o surgimento de novos tratamentos médicos), a questão da honra e a imprensa como um importante veiculador de notícias. Para completar a atmosfera e dar um ar mais verídico a história, há a presença de notícias, poemas referentes ao crime e a acusação de Grace. Do mesmo modo, a narrativa é compartilhada entre Grace e Simon, mas também por outros personagens, não tão centrais na história. O livro vai num ritmo contínuo até chegar no ponto máximo da história, que se mostrou um tanto diferente do esperado, mas não menos importante. De qualquer maneira, indico o livro para aqueles que estão dispostos a sair de sua zona de conforto e conhecer algo novo. Quero, assim que der, ler O conto da Aia e assistir ambas as séries, que são muito bem produzidas.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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