terça-feira, 5 de dezembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: ROCCO ISBN: 8532520669 GÊNERO: DISTOPIA, FICÇÃO CIENTÍFICA, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 368 SKOOB

Quando começaram a ser divulgadas imagens de uma nova série que prometia chocar os telespectadores com sua história forte e avassaladora, eu fiquei muito interessada logo de cara. Apesar de não saber muita coisa sobre a trama, logo me vi extremamente ansiosa para poder assistir, e quando descobri que se tratava de uma adaptação de um livro, minha vontade de assistir aumentou significativamente. Como sempre costumo fazer, comecei a procurar o livro e para minha alegria, vi que a Editora Rocco estava lançando uma nova edição da história, com uma capa lindíssima; não deu outra, tive que comprar e com certeza foi uma das melhores aquisições que já fiz.

Narrado em primeira pessoa pela nossa protagonista, o título O conto da Aia, escrito pela autora Margaret Atwood, nos introduz em uma sociedade onde as mulheres perderam todos os seus direitos. Na República de Gilead, onde antigamente se encontravam os Estados Unidos, as leis são extremamente severas, e as condutas são baseadas no Antigo Testamento. Devido a graves problemas, a maioria das mulheres acabou se tornando estéril, a as poucas que ainda são férteis tiveram que abrir mão de suas famílias para servir com apenas um único propósito: procriar.

Chamadas de Aias, essas mulheres são designadas à famílias importantes, onde são obrigadas a manter relações com seus comandantes com o intuito de gerar filhos para essas famílias. E a nossa protagonista, Offred, é uma dessas Aias, e vive presa nessa realidade onde ela luta diariamente para se manter sã, com a esperança de encontrar seu marido e sua filha, com quem ela perdeu o contato após ser obrigada a servir nessa realidade doentia.

“Nenhuma esperança. Sei onde estou, e quem sou, e que dia é hoje. Esses são os testes, e estou sã. A sanidade é um bem valioso; eu a guardo escondida como as pessoas antigamente escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir ter o suficiente, quando chegar a hora.”

Das muitas coisas que me chamaram a atenção neste livro, uma das melhores com certeza foi o universo criado pela autora. Margaret Atwood conseguiu criar algo muito real e que poderia realmente acontecer, e isso é muito assustador. Vemos aqui uma sociedade que está se encaixando em uma nova realidade, e conseguimos sentir a dor dessa transição, já que muitas ações consideradas normais, nessa nova realidade se tornaram crimes cabíveis a punições severas.

É impressionante o impacto que uma boa história pode causar, pois lendo este livro fica impossível não traçar semelhanças com nosso mundo e com os acontecimentos que vemos no dia a dia. A dor é real, e o grito fica entalado na garganta ao ver as pessoas presas nesses papéis tão cruéis e tão injustos. Eu senti a dor da Offred, senti o desespero dela e também senti agonia por vê-la começando a achar normal esse novo jeito de viver, é desesperador constatar que nos acostumamos a humilhações quando elas começam a virar rotina.

“Mas é nele que estou, não há como escapar disso. O tempo é uma armadilha e estou presa nele. Tenho que esquecer meu nome secreto e todos os caminhos de volta. Meu nome agora é Offred, e aqui é onde vivo.”

Tudo aqui é muito forte e possui uma mensagem, onde vamos parar se continuarmos assim? Onde vamos parar se continuarmos deixando pessoas tomarem decisões sobre a maneira como devemos viver? O movimento e a luta pelos nossos direitos e pela igualdade é algo importante demais, e ao ler uma obra na qual as pessoas estão morrendo e sofrendo por ser quem são, fica ainda mais evidente a importância da nossa luta diária pela igualdade.

Acho que já me alonguei demais e acabei fugindo do assunto principal que é falar sobre este livro, me desculpem o textão mas é que realmente O conto da Aia nos faz pensar demais sobre os caminhos que a nossa sociedade está tomando. Eu aplaudo a autora por ter tido a coragem de criar algo tão poderoso assim. E acho que a leitura deste livro deveria ser obrigatória.

Para quem se interessou por este título, eu recomendo que, além de lerem o livro, também assistam a série que foi baseada nele. Com o nome de The Handmaid’s Tale, a série é protagonizada pela excelente atriz Elisabeth Moss, que dá a vida a personagem Offred. A série está tão bem feita que recentemente ganhou vários Emmy’s, dentre eles o de melhor série dramática, e o de melhor atriz em drama para Elisabeth Moss.

Assista o trailer:

Fica a aqui a minha recomendação dessa história incrível, que merece toda a atenção e todos os elogios possíveis.

Blessed be the fruit.

Sobre o autor
Tayara Olmena Estudante que tomou gosto pela leitura aos 12 anos de idade depois que leu "A marca de uma lágrima" do escritor Pedro Bandeira. Costuma ler de tudo, mas ainda torce o nariz para o romance. Além de ler, também é viciada em séries e filmes, e não perde a oportunidade de maratonar sua série favorita.


Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: