terça-feira, 14 de novembro de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: RECORD, CORTESIA
ISBN: 9788501080691
GÊNERO: ROMANCE, ROMANCE HISTÓRICO, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 504
SKOOB

Originalmente publicado em 1848, A senhora de Wildfell Hall de Anne Brontë,  é um romance que traz em sua narrativa uma temática mais séria. A obra trata sobre o relacionamento abusivo e a dificuldade da mulher em superar os traumas deixados por esse tipo de relação, o clássico da literatura inglesa  ainda aborda a omissão da mulher perante a sociedade, sendo essa sempre induzida a obedecer às convenções sociais. Brontë trata do assunto através da protagonista Helen Grahan, uma mulher forte e independente que passa a comandar a própria vida, após os percalços passados em seu casamento.

O livro conta com cinquenta e três capítulos curtos, onde se observa o desenvolvimento da narrativa sob a ótica feminina e masculina em primeira pessoa. Em determina parcela é Gilbert Markham quem narra sua história para um amigo através de cartas. Na história, o jovem de vinte e poucos anos mora com a mãe e dois irmãos mais novos: Rose e Fergus. Vizinho à família há uma propriedade rural caindo aos pedaços conhecida por Widfell Hall, qual pertence ao Sr. Lawrence. Esse casarão é alugado e ocupado por uma bela jovem de vinte e poucos anos que fazia questão de mostrar sua viuvez, Helen Graham, e seu filho Arthur, além da criada que a acompanhava, Rachel.

Ao chegar à propriedade de Wildfell Hall, a Sra. Helen Graham gera grandes especulações e comentários maliciosos por parte dos moradores locais, em especial das Srta. Jane Wilson e Sra. Wilson. “As duas tentaram de tudo para descobrir quem ela é, de onde veio e tudo mais”, porém, nenhuma das artimanhas empregadas foram suficientes para desenterrar os segredos da Sra. de Widfell Hall.

Gilbert apaixona-se por Helen que resiste ao sentimento do rapaz, ele por sua vez não entende o motivo de tanta resistência, então, para que ele não dê ouvidos aos rumores que correm pela cidade, Hellen acaba cedendo seu diário para que ele leia e entenda sua situação, bem como seu comportamento. Ao lê a narrativa da amada, ele compreende o quanto a jovem sofreu (e ainda sofre) devido ao infeliz matrimônio. Neste momento temos os fatos apresentados por Hellen a partir de seu diário e a vida em Londres.

Outro personagem de destaque no romance é o pai do Arthur, primeiro marido de Helen, um sujeito alcoólatra e de conduta abominável que não sentia amor nem pelo próprio filho e que com atitudes machistas fez da vida da esposa um inferno sem fim. No diário de Helen, é relatada a decisão da jovem de abandonar tudo em nome da proteção do filho. A temática trabalhada por Brontë e o protagonismo feminino faz com que a obra seja considerada o primeiro romance feminista publicado.

A história se passa na Era Vitoriana, o romance tem início em 1847, mas se intercala com passagens ocorridas entre os anos de 1821 a 1830 e retoma ao tempo presente.  Grande parte da obra gira em torno da vida da heroína: sua relação com passado sombrio e a promessa de um novo amor, Hellen só pode recomeçar após resolver os problemas dos quais decidiu fugir e só volta a enfrenta-los com o desenrolar da trama.

A senhora de Wildfell Hall é um romance atípico, Brontë desenvolve a história com temas atuais e extremamente polêmicos à época que obra foi escrita e publicada. O enredo nos mostra, a princípio, o amor como feio e defeituoso; o suposto herói como vilão e vice-versa; o que é visto pela sociedade como certo, mas, a partir de uma análise mais aprofundada, vimos que é a vontade da maioria subjugando a vontade de um; e a crença que dias melhores virão até que a situação se torna irreversível.

Depois que os problemas da protagonista são resolvidos, ela e Gilbert finalmente podem ficar juntos, a narrativa se torna menos emotiva e dramática, ganhando certa calmaria e um desfecho apaziguador. A história em si traz muitas reflexões, mas não é muito impactante e com grandes reviravoltas, porém a autora trabalha o casamento sem romantiza-lo… , ainda temos um suposto triângulo amoroso, mas que não segue os moldes tradicionais dos romances românticos, onde alguém sobra e sofre, aqui o amor é  vencido pela realidade e só triunfa anos mais tarde. Brontë nos permite enxergar as imperfeições dos personagens, o que os torna muito mais humanos e próximos do leitor, dando maior veracidade à trama.

Sobre o autor
Patrícia Oliveira Patrícia Oliveira, 25 anos (07/01) – São José/SC. Acadêmica de Direito, leitora assídua e blogueira. Lê de tudo um pouco, seus gêneros literários favoritos são romance histórico, época e contemporâneo, thriller psicológico, fantasia épica e clássicos. Sempre cultivou a ideia de criar um blog, onde pudesse compartilhar sua opinião. Quando não está fazendo tarefas cotidianas, geralmente está divertindo-se na companhia de seus bichos de estimação. Curte séries, filmes de comédia romântica e animes, mas sua grande paixão é a literatura.


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