AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788573026481 GÊNERO: FANTASIA, TERROR
PUBLICAÇÃO: 2007
PÁGINAS: 416
SKOOB

Atenção: essa resenha pode conter spoilers do volume anterior!

Após a leitura do primeiro volume da série “A Torre Negra” confesso que, apesar de ter amado o livro, simplesmente precisei de um tempo para digerir os acontecimentos confusos da introdução à grande aventura de Roland em busca da misteriosa Torre Negra e adiei a leitura de sua sequência, em parte com receio de acabar sendo uma leitura cansativa. Por esse motivo, optei por fazer uma leitura mais lenta desse segundo volume – A escolha dos três – e, surpreendentemente, foi difícil me ater a essa decisão. O fato é que a escrita do autor é tão viciante, e evoluiu tanto de um volume para o outro, que se torna impossível largar a história.

Em A escolha dos três nos deparamos com Roland seguindo uma nova etapa de sua busca pela Torre Negra. Após o “confronto” com o homem de preto no volume anterior, ele desperta em uma praia deserta, com monstros aos quais chama de “lagostrosidades” o atacando. Durante o ataque desses monstros, Roland acaba ferido, perdendo dois de seus dedos da mão e correndo sério risco de vida por conta do veneno das criaturas. Sem saída dessa situação, Roland começa a definhar de dor e parece esse ser seu fim, mas eis que surge uma estranha porta no meio da praia que, ao ser aberta, leva diretamente para a mente de Eddie Dean: um jovem viciado em drogas que se encontra em um avião transportando cocaína colada ao corpo – em um mundo que Roland não conhece. Esse é o primeiro dos três companheiros de jornada d’O pistoleiro que vamos conhecer nesse volume. Os outros dois são uma mulher esquizofrênica que tem as pernas amputadas, e um assassino em série.

Essas pessoas foram predestinadas a cruzar seu caminho com o de Roland, tal qual o Homem de Preto previu nas cartas de tarô. Embora eles não sejam pessoas “comuns”, todas eles contribuem, à sua maneira, na busca do protagonista pela Torre Negra.

A primeira coisa que tenho a dizer sobre esse livro é que, embora ele ainda não possa ser considerado um livro leve e de leitura fácil, não existe aquela permanente sensação de confusão que o primeiro volume da série causa ao leitor. A leitura ainda é um tanto cansativa sim, e demanda bastante atenção do leitor por não ter uma narrativa tão clara e objetiva, mas a história em si é fantástica e o autor consegue nos fisgar tão bem que mesmo com esses detalhes não queremos abandonar a leitura.

Há toda uma mudança de universo nessa parte da história. Se antes acompanhávamos Roland em um mundo meio medieval com referências do faroeste, agora é interessante ver como ele lida com o mundo tal como conhecemos e lidando com personagens icônicos como os que nos são apresentados.

Aliás, o mais interessante desse livro são os novos personagens que são introduzidos na trama. É no mínimo interessante a escolha de companheiros de Roland. Um drogado, uma esquizofrênica e um assassino não são os personagens mais comuns, mas acredito que é exatamente esse fato que os torna tão fascinantes. Adoro isso do autor de explorar a verdade nua e crua das coisas, mostrá-las como são de verdade, sem nenhuma máscara: é a vida como ela é. Sem falar no fato de que muitos dos pontos abordados no livro são uma referência a vida do próprio autor.

A escrita de King é ainda mais instigante nesse volume. Apesar de eu não ver nada de concreto acontecer no que tange à jornada do protagonista em busca da Torre (o que é um tanto frustrante para os impacientes e curiosos de plantão como eu), a escrita do autor por si só é tão envolvente e gostosa que continuamos a leitura sem querer parar.

Ainda ficam inúmeras questões a serem respondidas e continuamos saindo um tanto confusos ao fim do livro, mas senti uma melhora muito grande do primeiro volume para esse, e isso considerando que eu gostei do primeiro volume. O único contra que realmente posso citar é que a única coisa que realmente acontece é a introdução de novos personagens – extremamente interessantes – à trama, mas as coisas que queremos saber (sobre Roland, seu passado e a Torre Negra) ainda ficam por ser respondidas.

De um modo geral, esse segundo volume consegue ser ainda melhor que o primeiro. Os personagens são complexos e fascinantes, a escrita do autor é fantástica e a história por si só é muito boa. A única questão que fica são as respostas que buscamos e que parece que nunca serão dadas, rs.


Conheça os outros títulos da série A Torre Negra:

1.  O pistoleiro (2004)

2.  A escolha dos três (2007)

Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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