AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: GUTENBERG ISBN: 9788582354537 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 368 SKOOB

Às vezes, a história pode sair toda errada… Afinal, não é fácil ser rainha. E ela pode perder a cabeça.

Minha Lady Jane entrou na wishlist nos últimos tempos, depois de todo um burburinho que surgiu em torno do livro antes mesmo de ser lançado no Brasil. No universo booktube, o livro era comentado, e muito bem, diga-se de passagem. Quando fui ler a sinopse, não restou dúvidas: eu precisava ler o livro. Imagine a Inglaterra no século XVI, num contexto de dinastia Tudor, cercada com toda a pompa de reis e rainhas, mas também com criaturas mágicas. Pois é, hoje vamos falar de uma nova versão da história da rainha Jane Grey.

Inglaterra, século XVI, dinastia Tudor. O jovem Rei Eduardo VI está à beira da morte, e o destino do país é incerto. Para evitar que o poder caia em mãos erradas (leia-se: nas mãos de Maria Sangrenta), Eduardo é persuadido por seu conselheiro a nomear Lady Jane Grey, sua prima e melhor amiga, como a legítima sucessora. Aos 16 anos, a garota está em um relacionamento sério com seus livros até ser surpreendida pela trágica notícia de que terá de se casar com um completo estranho, que por sinal tem um talento que simplesmente esqueceram de contar a ela: a habilidade de se transformar em cavalo. Ah, e além disso, está prestes a se tornar a nova Rainha da Inglaterra! Da margem ao centro de um conflito político, Jane suspeita de que sua coroação na verdade esconde um grande plano conspiratório para usurpar o trono. Agora, ela precisa definitivamente manter a cabeça no lugar se… bem, se não quiser literalmente perder a cabeça.

A proposta de Cynthia, Brodi e Jodi era simplesmente maravilhosa e totalmente original. Para quem não sabe, sou formado em História e um dos períodos favoritos de se estudar é justamente a dinastia Tudor. Já conhecia a história de Jane e saber que ela está ganhando espaço num YA contemporâneo fez apenas com que eu ficasse ainda mais empolgado com a leitura. Ou seja, a expectativa para o livro era alta. Talvez esse tenha sido um pouco o meu erro, porque quando me deparei, encontrei algo totalmente diferente.

Para situar os perdidos na história e compreender melhor o livro, Lady Jane Grey nasceu em 1537, sendo filha da sobrinha real de Henrique VIII, Frances, e seu marido, Henry Grey, Marquês de Dorset. Aos 15 anos de idade, Jane foi forçada a casar-se com Guildford Dudley, um jovem de 18 anos, filho da principal figura do Conselho Privado do Rei, John Dudley. Frances acreditava que o casamento elevaria Jane ao status de herdeira do agonizante rei protestante Edward VI. Semanas depois, Edward de fato legou à Jane seu trono, em lugar de sua irmã católica Mary. Jane então, fora obrigada a aceitar, embora tenha protestado entre lágrimas que Mary era a pretendente legítima.

Assim, aos 16 anos, Jane foi levada até a Torre como rainha. Nove dias depois, Mary Tudor destronou a jovem, aprisionando-a na torre onde ela reinara. Julgada e condenada por traição, Jane permaneceu como prisioneira, esperando por perdão, até que seu pai liderou uma rebelião fracassada contra Mary. Embora ela não tivesse nada a ver com a rebelião, Jane foi decapitada em 12 de fevereiro de 1554, uma “usurpadora inocente”. E é com base nessa história que Cynthia, Brodi e Jodi dão outro protagonismo a rainha. Um pouco menos trágico e mais divertido, diga-se de passagem.

A narrativa das autoras é carregada de um bom humor e um certo mistério, fazendo com que o leitor siga adiante na leitura. Desde o início elas deixam claro para o leitor que é apenas a versão das muitas possíveis histórias da rainha. Por outro lado, pelo fato de sabermos tratar-se de um período histórico e de personagens que realmente existiram, o leitor acaba que assumindo um pacto de leitura próximo, fazendo com que nos identifiquemos ainda mais com a história. Porém, as autoras poderiam muito bem ter se utilizado disso para criar uma história mais bem amarrada e desenvolvida. Quando realizei a leitura, tive a impressão de ser um pouco rasa, carente de aprofundamento. Digo em questão de escrita mesmo.

Por mais que a narrativa tenha um certo quê de humor, ainda assim em alguns momentos ela poderia ter mais profundidade, fazendo com que sentíssemos as tensões dos personagens. E as autoras tinham pano para manga para realizar isso. Os próprios acontecimentos induziam a isso. Se eu contasse para uma pessoa o enredo da história, provavelmente ela ficaria animada para conhecer. Mas o que aconteceu? Quando havia um momento que o coração poderia bater mais rápido, a história ficava naquele ritmo um tanto monótono. Senti falta daquela emoçãozinha que a gente tanto gosta! Apesar disso, as autoras constroem personagens um tanto cativantes, como o Gifford, a própria Jane, Eduardo e Grace. O desfecho é previsível, o que não torna o livro menos importante, mas deixou a desejar mais uma vez pelos motivos que destaquei acima. No ápice do livro o clima fica morno e nem se movimenta.

Minha Lady Jane ganhou meu coração pela proposta do livro e o jogo que as autoras fizeram entre fantasia e história. Arrisco dizer que a história tem potencial para ganhar outras dimensões, como uma possível série ou filme (e gostaria bastante que o livro fosse para as telonas!). Infelizmente não se tornou meu favorito (e queria muito que isso acontecesse), mas de qualquer maneira recomendo a leitura, para aqueles que desejam embarcar no mundo da história e dar boas risadas com um rei que se transforma em cavalo e numa rainha que se transforma em furão!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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