quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Avaliação: 5/5
Editora: Darkside, Cortesia
ISBN: 9788594540409
Gênero: Fantasia, Ficção histórica, Jovem Adulto
Publicação: 2017
Páginas: 368
Skoob

Ecos foi um dos livros mais lindos que li este ano. Ele é de tal delicadeza que com certeza irá aquecer seu coração e encantar mostrando o poder transformador da música e como ela pode unir e entrelaçar a vida das pessoas. Recebi o livro em um momento que estava com uma ressaca literária, e sabia que a semana seria conturbada no trabalho, além de ter um TCC da pós para finalizar. Ainda assim, assim que bati o olho nessa edição maravilhosa da DarkSide Books, não teve jeito… tive que iniciar logo a leitura. Com certeza foi uma ótima escolha. A história me envolveu de maneira sem igual e em uma semana eu estava virando a última página. Só não foi em menos tempo por conta das inúmeras outras coisas para fazer.

Lembrando os clássicos contos dos irmãos Grimm, o livro de Pam Muñoz Ryan mistura fantasia a momentos de nossa história, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que os EUA enfrentou nos anos 1930. A linda fábula construída pela autora nos apresenta a três e inesquecíveis personagens. Na introdução do livro, que se passa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial, o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra três irmãs encantadas, aprisionadas por uma bruxa. As irmãs ajudam Otto a encontrar seu caminho e, assim, o menino promete que irá libertá-las, levando consigo uma gaita de boca capaz de promover a transformação na vida das pessoas.

Foto: Camila Tebet/Viagens de Papel

“Drei entregou a ele o pequeno instrumento.

Otto choramingou: ‘Mas é apenas uma gaita’.

‘Ah, é muito mais do que isso!’, disse Eins. ‘Quando a toca, você aspira e expira, assim como faz para manter o corpo vivo. Você já parou para pensar que uma pessoa pode tocar a gaita e passar adiante sua força, sua visão e seu conhecimento?”

Anos se passaram e então, em 1933, na Alemanha, somos apresentados à primeira história. Friedrich é um garoto que sonha em ser maestro, mas, por ter uma mancha no rosto, tem medo de ser ridicularizado. Em meio a sua grande paixão pela música, o garoto vê seu país ser transformado e tomado pela intolerância no governo de Adolf Hitler. Trabalhando como aprendiz em uma fábrica de gaitas, ele se depara com uma muito especial, com um som diferente, único, capaz de fazê-lo esquecer da realidade a sua volta.

A segunda parte da história se passa em 1935, nos Estados Unidos, e nos apresenta os irmãos Mike e Frankie, que moram em um orfanato. Muito unidos, eles temem serem separados e adotados por famílias diferentes. Apesar de todas as provações, eles têm a música como consolo, já que sua avó os ensinou a tocar piano com perfeição. É a música, inclusive, que muda o rumo de suas vidas e faz com que sejam adotados juntos por uma senhora. Entretanto, essa nova realidade é cercada por muito mistério e não significa que tornará a vida dos garotos mais fácil. É aí, então, que uma competição de gaitas surge para ajudar a trazer tranquilidade e segurança para os garotos.

Foto: Camila Tebet/Viagens de Papel

Por fim, conhecemos a pequena Ivy, em 1942, no sul da Califórnia. Ela vive com seus pais, imigrantes mexicanos, enquanto seu irmão luta na guerra, e já está acostumada a mudar-se de estado em estado. Quando por fim está começando a fazer amizades na nova cidade, Ivy e sua família mudam-se novamente, para uma cidade do interior com o intuito de cuidar da propriedade de uma família japonesa. Essa parte da história acontece logo após o ataque dos japoneses a Pearl Harbor. Com isso, os japoneses que viviam nos Estados Unidos passaram a sofrer ataques e foram enviados a campos de concentração. Em meio a esse cenário e o fato de ser segregada na nova cidade por ser parte de uma família de imigrantes, a única esperança e maior companheira de Ivy é a gaita que leva consigo, com um som único, que a ajuda a enfrentar os obstáculos.

Com essas três histórias, Pam Muñoz Ryan mostra o quanto a música tem o poder de transformar nossas vidas, principalmente em momentos em que parece não haver esperança ou quando a intolerância e tempos sombrios passam a tomar conta. Entretanto, mesmo quando as coisas vão mal, é preciso acreditar que tudo vai dar certo. Os personagens construídos pela autora são extremamente cativantes e, desde o início, torcemos para que tenham um final feliz. O fim das três primeiras partes, em que somos apresentados a Friedrich, Mike, Frankie e Ivy, nos deixa com o coração apertado sem saber o que aconteceu com cada um dos personagens. A autora termina cada parte em um ponto crucial de cada história, deixando o leitor ávido e angustiado para saber qual será o desfecho de cada uma dessas pessoas.

Foto: Camila Tebet/Viagens de Papel

É na quarta parte, então, em 1951, em Nova York, que iremos descobrir os rumos que cada um tomou. Aqui, ela entrelaça a vida dessas pessoas de maneira única e finaliza com chave de ouro essa linda fábula. Não poderia ter sido concluído de forma melhor. A autora realmente dá vida aos personagens e faz uma bela homenagem a eles com essa conclusão. Claro que a música, também personagem principal dessa obra, ocupa papel de destaque.

Ecos veio para mim e eu não sabia direito o que esperar dessa história, mas desde suas primeiras páginas fiquei completamente encantada. É o tipo de livro que emociona, provoca diversos sentimentos no leitor, e no fim deixa uma bela mensagem de esperança, tocando o coração com suas inúmeras sutilezas. Não costumo chorar com livros, mas em diversos momentos dessa leitura fiquei com lágrimas nos olhos e eu nem sabia mais se era de tristeza, felicidade ou apenas gratidão, por ser apresentada a uma história tão bonita. Se você gosta de ser transportado e completamente envolvido por novas histórias, dê uma chance a esse livro e seja transformado também.

Foto: Camila Tebet/Viagens de Papel

Nota sobre a edição

Ia quase esquecendo de falar sobre a edição do livro. Quem conhece a DarkSide Books sabe o quanto suas edições são maravilhosas e tornam a experiência literária ainda melhor. Mas, mesmo que isso seja comum nos livros da editora, não posso deixar de mencionar o quanto o livro é lindo externamente! Em capa dura, nas cores roxo e laranja neon, a ilustração traz uma representação da floresta onde Otto se perdeu, e traz também a gaita presente na história. Por dentro, o livro é ainda mais bonito e cada elemento, cuidadosamente pensado, ajuda na imersão do leitor na história. É notável o cuidado que a DarkSide Books tem em proporcionar a melhor experiência para seus leitores.

 

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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