sexta-feira, 8 de setembro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: GLOBO ALT ISBN: 9788525063151 GÊNERO: ROMANCE, JOVEM ADULTO, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 208
SKOOB

Vitor Martins é um booktuber que cativa seus inscritos falando sobre leituras e coisas aleatórias do dia a dia, até o dia em que decide expor um outro lado seu: o de escritor. Daí nasceu Quinze Dias, primeiro livro do autor, que chegou às livrarias nos últimos meses pela selo Globo Alt. Desde o anúncio do livro estava com vontade de fazer a leitura, apesar de só ter conseguido agora. E mesmo assim não me arrependi: só fiquei com gostinho de quero mais.

Numa mesma estética de David Levithan, o autor conta a história de Felipe, um garoto do Ensino Médio que é gordo. Por causa de sua condição, o garoto sofre perseguição no seu colégio, onde os estudantes o chamam dos mais horríveis apelidos. Tudo que Felipe quer são as férias de julho, porque serão quinze dias onde ele poderá se esconder do mundo de fora e apenas assistir suas séries favoritas e tutoriais no Youtube de coisas que nunca irá colocar em prática. Doce ilusão! Às vésperas de seu sonho começar, sua mãe avisa que a vizinha decidiu deixar seu filho passando as férias junto a eles. Um pequeno detalhe: o vizinho é Caio, por quem Felipe tem uma paixonite desde a mais tenra adolescência. Quando crianças, os dois se divertiam na piscina, até o dia em que Felipe começou a sentir vergonha do próprio corpo e decidiu não ir mais. Mas e agora, o que fazer? Como lidar com os sentimentos pelo vizinho e ainda aproveitar as férias da melhor maneira o possível?

Quinze Dias é o tipo de leitura que você sabe que vai gostar antes mesmo de começar. Talvez fossem os comentários já vistos e lidos sobre a história ou até mesmo a própria sinopse em si, a história de Felipe e Caio se mostrou tão agradável de ler que terminei o livro querendo mais e mais. Pode-se dizer que o livro seja clichê, e concordo plenamente. Mas, por outro lado, Vitor Martins coloca em cena um protagonista tão próximo do cotidiano que é impossível não se identificar com seus dramas ou conflitos. Muitas pessoas já passaram pelo que Felipe passou. Eu próprio já passei no colégio. Mas acredito que a maneira com a qual Vitor conduz a história mostra que é possível superar medos e obstáculos. Que é possível se compreender e se aceitar. E isso que torna o livro tão especial, com uma mensagem tão bonita.

Da mesma maneira que nos identificamos com o protagonista, nos afeiçoamos com os personagens secundários. É impossível não se divertir com a mãe de Felipe, que trabalhava num escritório de contabilidade mas largou o emprego para se dedicar à pintura. Ou então Beca, melhor amiga de Caio e a pessoa mais divertida que alguém poderia ter em sua vida. Ou até mesmo Melissa, que apesar do seu jeito mais meigo de ser, ainda assim era uma boa amiga. E cada um, a sua maneira, contribui para a história ficar ainda mais envolvente e divertida. A leitura flui de tal maneira que quando vê, você está no final. As situações colocadas pelo autor tornam quem lê tão íntimo da história que é como se conhecêssemos os personagens de longa data.

Além disso, o livro possui uma série de referências do mundo pop, tais como musicais clássicos, uma boia de flamingo chamada Harry Styles e uma mensagem retirada de “O mágico de Oz“. Há momentos mais descontraídos, mas também mais reflexivos. É desses últimos que conseguimos tirar os ensinamentos que podem servir para a vida de cada um. Coragem e perseverança antes de tudo. E, com certeza, assim como o autor anuncia nos agradecimentos, o sentimento maior é de poder ler um romance LGBT de uma maneira tão sensível e delicada, características presentes na narrativa de Vitor. Que iniciativas assim perdurem por um longo tempo e que cada vez mais livros assim ganhem espaço nas livrarias e nas estantes dos leitores! Não preciso nem dizer que o livro se tornou um dos queridinhos do ano e que recomendo a todos a leitura.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


Deixe sua opinião

Seu email não será publicado.



*

Comentários no Facebook