quinta-feira, 3 de agosto de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788581052779 GÊNERO: BIOGRAFIA, AUTOBIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2015 PÁGINAS: 256 SKOOB

Grandes escritores possuem uma aura em torno de si que nunca paramos para pensar que são seres humanos iguais a gente. Lemos suas histórias e os conhecemos por meio de seus personagens e tramas. Stephen King é um exemplo disso. Autor cultuado no mundo todo por suas histórias de terror, King é mestre em contar histórias e criar tensões que eu pelo menos, nunca havia parado para pensar como conseguia. Até conhecer o presente livro. Sobre a escrita é um livro totalmente diferente de tudo que ele já escreveu e mostra outro lado do autor.

Stephen King pensa o próprio ofício de escritor, entremeando com suas memórias e vivências. Num primeiro momento, intitulado “Currículo”, o autor faz um retrospecto de toda a sua vivência, onde podemos conhecer momentos decisivos em sua vida, que acabaram influenciando na figura que ele é hoje. Sua infância, adolescência e o casamento com Tabitha, sua atual esposa, são alguns dos elementos que perpassam as páginas do livro e que trazem ao leitor uma dimensão mais íntima de quem escreve. Não tem como não se envolver e se emocionar no momento em que o autor conta quando jogou fora as páginas de “Carrie, a estranha“, Tabitha as resgatou e o incentivou a continuar a escrita. Isso até o momento em que consegue publicar. Não tem como não conhecer momentos difíceis de sua vida e que influenciaram a escrever grandes sucessos, como “Misery“, e não conseguir ler o mesmo com um olhar diferente.

O segundo e terceiro momentos, intitulados “Caixa de Ferramentas” e “Sobre a escrita”, são desenvolvidos no âmbito da prática da escrita. Mas se você imagina um manual de como escrever, ou uma sequência de regras, está enganado. O autor utiliza uma linguagem que torna a leitura muito mais atrativa e até divertida, arrancando algumas risadas do leitor. É como se fossem sessões de conversa com um velho conhecido. Se tiver algo a criticar, vai lá e critica. Como por exemplo, King acha o uso de advérbios na escrita totalmente desnecessário, ao mesmo tempo em que não confia em textos que são escritos em voz passiva. Além disso, elenca uma série de pontos que ele julga necessário para a escrita de um romance, como pesquisa, diálogos, pano de fundo, a existência de um leitor ideal e quantas revisões são necessárias em um romance. Segundo ele, grandes histórias podem nascer de uma simples pergunta: e se uma mãe e um filho ficassem presos num carro por causa de um cão raivoso?

Por fim, e não menos importante, “Sobre a vida” narra um momento de sua existência que marcou profundamente a sua carreira de escritor. Diante de tudo isso, acredito que o propósito do livro, e que funcionou muito bem, é tornar ele mesmo como um ser humano. Tirá-lo do pedestal. Colocar ele como um velho amigo, que tem dificuldades como qualquer outra pessoa. Não quer dizer que, por ser um grande escritor, ele não tenha bloqueio criativo. Que muitas vezes não consegue acreditar no próprio trabalho. Que precisa de uns puxões de orelha da própria mulher quando necessário.

Sobre a escrita é muito mais que um simples manual de escrita, ajuda a conhecer o homem por trás do mito. E, querendo ou não, acredito que se seguirmos todas as dicas dadas pelo autor, é possível que se escreva um bom romance.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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