quarta-feira, 12 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535921939 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, LGBT
PUBLICAÇÃO: 2012
PÁGINAS: 302 SKOOB

O pacifista nos conta a trajetória de Tristan Sadler, um jovem homossexual de origem humilde, cuja dificuldade de aceitação do pai por sua opção sexual o obriga a sair de casa e a alistar-se ao exército aos 17 anos. Após o confinamento, nosso protagonista conhece Will Bancroft. Os dois são amigos, amantes e ao mesmo tempo inimigos. A relação entre eles é ambígua e se deteriora durante a guerra. Entre idas e vindas, Will falece. Algum tempo depois, Tristan vai em busca da irmã de seu amigo, entrega as cartas deixadas por Will e lhe revela um grande segredo.

A história se desenvolve na Inglaterra de 1916, sediada na Primeira Guerra Mundial. A narrativa aborda os horrores da guerra, no entanto, o foco está nas experiências de vida de dois jovens soldados nas trincheiras, o romance que se instaurou entre eles, a dificuldade de esconderem suas verdadeiras identidades e a busca por compreensão e redenção. Nesta época, o preconceito se faz presente, porém de modo mais abrangente e aterrorizador. Muito se fala da homossexualidade e as barbáries cometidas por indivíduos incapazes de respeitar a diversidade e a opção de vida de seus semelhantes. Não são poucos aqueles que são extremamente conservadores e ditadores da moral e dos bons costumes. Boyne não poupa palavras para demonstrar o quanto a guerra e o preconceito são igualmente sangrentos e cruéis.

A questão histórica no livro, como nas demais obras de Boyne, é muito bem ambientada e situada, as descrições são ricas e precisas. O desenvolvimento dos personagens não deixa a desejar, a história é detalhista e os sentimentos ali impregnados são palpáveis, a sensação de medo e sofrimento é, por vezes, esmagadora. O livro é dividido em flashbacks, o que acontece no presente e o que aconteceu no passado se entrelaçam para entendermos os conflitos vividos pelo protagonista, a narrativa em primeira pessoa também favorece o desenrolar da história.

Até o presente momento, esta foi minha melhor leitura do ano. Não a favoritei por  alguns motivos que não vou elencar aqui, mas ainda é a melhor. Este é o terceiro título que leio do autor, o escolhi pois não é tão comentado quanto os demais, apesar de se tratar de uma ficção histórica mesclada com romance LGBT, ainda sinto certo desconforto ao pegar um título deste gênero para leitura, na minha visão o tema é muito delicado e é necessário que saibamos como falar dele,  fiquei um tanto receosa de como o autor traria essa temática pra dentro da história. E para minha surpresa, o livro me cativou, a história é forte e impactante, incomoda em alguns trechos, mas não pelo conteúdo, mas pelas múltiplas faces que a discriminação pode atingir.

Algo é certo, o sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra. Muitos morreram por isso, enquanto outros, ao retornarem para casa, precisaram se confinar no silêncio e viver de acordo com os preceitos sociais, como homens fossem apenas heróis de guerra, patriotas, esposos e pais exemplares. Foi necessário que reprimissem a própria natureza para não sofrerem as consequências.

A mensagem contra o preconceito e o respeito pelas diferenças mantêm seu poder do início ao fim, e Boyne provou sua capacidade de recriar fatos históricos com maestria e o tornando atraente para o leitor. O pacifista é um ótimo livro, pois traz um enredo complexo e interessante, seu teor e crítica social é totalmente válido e atual.

Por fim, este livro oferece uma perspectiva da Primeira Guerra Mundial que vai muito além das histórias habituais de soldados, batalhas e combates, é uma lição de vida, trata-se da história que ajudamos a construir e os itens que adicionamos à nossa própria bagagem ao longo do caminho. De modo geral, o livro é excelente e merece ser apreciado por todos.

Sobre o autor
Patrícia Oliveira Patrícia Oliveira, 25 anos (07/01) – São José/SC. Acadêmica de Direito, leitora assídua e blogueira. Lê de tudo um pouco, seus gêneros literários favoritos são romance histórico, época e contemporâneo, thriller psicológico, fantasia épica e clássicos. Sempre cultivou a ideia de criar um blog, onde pudesse compartilhar sua opinião. Quando não está fazendo tarefas cotidianas, geralmente está divertindo-se na companhia de seus bichos de estimação. Curte séries, filmes de comédia romântica e animes, mas sua grande paixão é a literatura.


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