segunda-feira, 10 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5
EDITORA: JOSÉ OLYMPIO, CORTESIA ISBN: 9788503013123 GÊNERO: CONTOS, CRÔNICAS, CLÁSSICO
PUBLICAÇÃO: 2017
PÁGINAS: 96 SKOOB

Cenas londrinas é um dos últimos lançamentos no Brasil escrito pela Virgina Woolf. O livro é uma coletânea de ensaios publicados originalmente na revista Good Housekeeping. A autora os escreveu na primavera de 1931, e eles foram publicados bimestralmente a partir de dezembro daquele ano e no decorrer de 1932. Com a inclusão da sexta cena, “Retrato de uma londrina”, os seis ensaios sobre a vida de Londres foram publicados juntos pela primeira vez. As primeiras cinco vinhetas foram reunidas antes – na América, por Frank Hallam, numa edição limitada, apenas 750 exemplares (1975), e, no Reino Unido, pela Random House (1982), sob o selo da Hogart Press, que os próprios Leonard e Virginia Woolf fundaram em 1917.

Como o próprio título já sugere, acompanhado de algumas notas do editor que facilitam o entendimento do leitor para com o livro, Cenas londrinas traz reflexões da autora sobre alguns lugares ou experiências ocorridas pelas ruas de Londres. Perpassa grandes homens, mas também cidadãos comuns, oferecendo ao leitor visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas.

Já conhecia o trabalho de Virginia por “Flush”, a biografia de um Cocker spaniel, mas tenho curiosidade em ler outros livros seus, como é o caso de “Um teto todo seu” e uma de suas obras primas, “Orlando“. A proposta de “Flush” é um tanto diferente do que estamos acostumados a ver, porque vemos toda a história se desenrolar sob o ponto de vista de um cachorro. Da mesma maneira que com ele, em Cenas londrinas temos a narrativa característica de Virginia que, para quem não está acostumado ou aberto a novas possibilidades, pode estranhar.

O livro é relativamente curto, além de a edição possibilitar que seja lido em poucas horas. Falando em edição, o jogo de cores utilizado na capa chama a atenção, dando um toque especial e lembrando outros livros publicados pela editora, como é o caso de “Primeiros contos“, de Truman Capote. Em termos de conteúdo, a proposta da autora é algo que merece ser destacado, porque acaba dando maior ênfase a lugares específicos, pensando a relação que as pessoas estabelecem com aquele lugar, como é o caso de abadias e catedrais. Desde padres e cidadãos comuns até pessoas famosas, que passam por aquele lugar e atribuem a eles determinado valor. E imbuído disso, reflexões sobre o próprio cotidiano londrino.

Apesar dos textos serem independentes entre si, a junção deles em um único livro faz sentido, dando a impressão que foram realmente pensados dessa maneira. Como disse anteriormente, a narrativa pode ser estranha à primeira vista, mas acredito que esse livro seja um bom ponto de partida para quem tiver interesse em conhecer o trabalho da autora antes de se aventurar a ler outros livros. Tendo em vista que se passa no início do século XX, Virginia nos faz querer viajar para Londres, sentir e ter todas essas sensações e impressões.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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