quinta-feira, 6 de julho de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: QUADRINHOS NA CIA, CORTESIA ISBN: 9788535921311 GÊNERO: HQ PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 672 SKOOB

Habibi entrou na minha lista de leituras por causa do nome do autor. Craig Thompson escreveu a incrível  HQ  ““Retalhos”, que me encantou demais e logo se tornou um daqueles nomes que, assim que lançam algo, eu estou indo atrás.

Esta HQ tem uma pegada completamente diferente de “Retalhos” e traz um retrato da cultura árabe. Isso pode causar estranhamento no início, pois a grande maioria de nós não está acostumada com muitas histórias assim, mas o autor obteve sucesso em contextualizar a obra e em torná-la agradável para qualquer um.

Somos apresentados à Dodola e Zam. Ambos são escravos e por meio das reviravoltas da vida acabam se juntando e criando um laço muito forte. Porém, a trama se desenrola mesmo após a separação dos dois. Cada um é levado para um caminho diferente e segue sua vida. Ela, forçada a ser prostituta e ele, se tornando eunuco. Mesmo estando distantes, ou, na verdade, até que próximos, como o leitor tem noção durante a leitura, eles não se esquecem e sempre mantêm em sua mente a falta que o outro faz.

A HQ é extremamente cruel com o leitor e triste. Você irá se apegar aos dois e sofrer com os acontecimentos aos quais eles são submetidos. O autor não tem pena de quem está lendo, e muito menos dos dois protagonistas.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Papel

Contrastando com isso – ou, talvez, ainda mais evidenciada por causa desse fator – está a beleza da obra e a mensagem que ela passa. A situação triste dos personagens não é usada como forma de apelação para tornar a história emocionante. Craig Thompson sabe dosar tudo na narrativa e usar todos esses elementos a favor da boa construção do produto final.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Pape

O traço de Craig Thompson é belíssimo. Ele desempenha ideais incríveis com desenhos que tomam páginas inteiras e que casam muito bem com o sentimento que ele quer passar. Ao falar de amor, ele demonstra, vazando a ilustração pelas páginas, como aquilo inunda os personagens.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Pape

Isso vai da vivência de cada um, mas, mesmo se tratando de uma HQ com elementos de uma cultura muito diferente da nossa, a leitura se torna chata por isso. O autor retrata tudo de forma que seja atraente para o leitor, mesmo para aquele que nunca tenha lido nada parecido.

Foto: Lucas Zeferino/Viagens de Pape

Habibi tem esse potencial: de ser algo diferente de tudo que você possa já ter lido. Isso por todos os elementos citados: a história diferenciada, a sensibilidade do autor em contá-la e também por causa do traço aplicado, que se destaca perto de outros quadrinhos. Leitura mais do que recomendada, envolvente, emocionante e que vai te prender pelo decorrer de todas as mais de seiscentas páginas.

Sobre o autor
Lucas Zeferino


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