sexta-feira, 23 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788556510259 GÊNERO: TERROR PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 376 SKOOB

Minha experiência com Stephen King se resume a oito ou oitenta. Ou li livros que realmente me prenderam, como foi o caso de O iluminado, ou então foi aquela leitura enfadonha e sem graça, como ocorreu com Joyland. Apesar disso, o autor é cultuado em muitos lugares por sua versatilidade, pelo seu senso de horror aflorado e pelas tramas inesquecíveis. Cujo foi um dos últimos livros publicados no Brasil, apesar de ter sido publicado primeiramente já há alguns anos. A edição brasileira é um espetáculo a parte, com capa dura e em alto relevo, fazendo com que me apaixonasse por ela desde o primeiro instante.

Na pequena cidade de Castle Rock, o serial killer Frank Dodd está morto e todos os habitantes podem ficar em paz novamente. Frank, que aterrorizou o local por anos, agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet todas as noites. Enquanto isso, nos limites da cidade, Cujo, um são-bernardo de noventa quilos que pertence à família Camber, se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde acaba sendo mordido por um morcego raivoso. A sua transformação acaba tornando-se o pior pesadelo de Trad Trenton e de sua mãe, além de destruir a vida de todos à sua volta.

Sabe aquele tipo de livro que é como se embarcássemos numa montanha-russa e só paramos quando chegamos ao final? Que dá uma série de voltas e loopings, fazendo o coração bater mais forte? Cujo é exatamente esse tipo de livro! Já havia iniciado a leitura, chegando quase às primeiras cem páginas até que peguei para dar sequência e quando vi já estava na reta final da história. Quando afirmam que Stephen King tem o dom de prender e construir personagens marcantes, sou obrigado a concordar. As histórias particulares são bem marcantes e delineadas, fazendo com que os personagens se tornem algo a mais. E as próprias relações tecidas entre eles são muito bem exploradas. Apesar disso, senti uma falta de entrelaçamento entre os próprios personagens. O autor constrói núcleos, mas acaba não os interligando.0000

Se o livro é tão viciante, por que quatro estrelas? Então, da mesma maneira que senti falta dos entrelaçamentos dos núcleos, senti falta de um começo, meio e fim. A sensação que tive quando li Cujo foi como se fosse um recorte de algo muito maior. E isso leva diretamente ao que apontei no parágrafo acima. Os núcleos são separados, são marcados por histórias particulares, mas não há uma ligação com o que posso dizer de um fio condutor central. Claro que tenho noção que isso seria a transformação de Cujo no que posso chamar de monstro, mas ainda sim senti falta de um embasamento maior por parte do autor. Um fator possível talvez seja o recorte temporal em que se passa a história. Pelo que percebi, a narrativa se passa num intervalo de duas semanas no máximo. Não que fosse necessário um tempo maior, mas talvez aproveitar esse pequeno intervalo para costurar melhor a história em si. Além disso, a sinopse aponta a existência de Frank Dodd na história, o que me levou a pressupor uma presença marcante do mesmo, o que não ocorreu.

Apesar das críticas, o autor sabe muito bem conduzir a história. Em alguns momentos, dava pistas do que aconteceria nos próximos capítulos, fazendo com que fossemos adiante. Não obstante, a tensão criada em torno de um conflito central foi algo que me cativou imensamente, fazendo querer saber qual seria o desfecho. Nesse sentido, King utiliza a técnica de um jogo de cenas e sequências, tornando a leitura ainda mais viciante. Ao mesmo tempo em que estamos numa cena, já estamos num outro núcleo e queremos voltar à cena anterior e assim por diante. E ainda por cima, a situação que ele coloca os personagens principais causa um misto de sensações internas, não sabendo bem definir o que realmente está acontecendo. Se é ódio, se é repulsa ou medo mesmo. Ele não tem papas na língua nem pena dos personagens.

O desfecho deixou a desejar, mas possivelmente era o único cabível para a situação. Acredito que pelo fato de ficarmos tão tensos e ansiosos durante o desenrolar da leitura faz com que criemos expectativas desnecessárias quanto ao final. Como se esperássemos algo brilhante e totalmente fora do normal. Ainda assim, terminei o livro num sentimento de euforia e esgotamento, de tal envolvido que me vi. Isso me leva a querer ler mais livros do autor, o que espero fazer o quanto antes. Ah, e ter coragem para ver os filmes baseados nas histórias!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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