quarta-feira, 21 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 2,5/5 EDITORA: GERAÇÃO EDITORIAL, CORTESIA ISBN: 9788581303598 GÊNERO: BIOGRAFIA, MEMÓRIAS, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 368 SKOOB

A dramática historia do surfista brasileiro condenado a morte por traficar drogas

Nevando em Bali não foi exatamente um livro que tenha me agradado. Quando o recebi para leitura, fiquei com um pé atrás sem saber muito bem o que esperar dele. O livro prometia uma temática polêmica, aliada a um jornalismo investigativo, próximo de algo que se faz em programas como Profissão Repórter, da Rede Globo. Apesar disso, o que poderia ter sido uma leitura diferente e problemática acabou se tornando algo cheio de voltas que não havia um maior desenvolvimento.

Depois de escrever best-sellers como Hotel Kerobokan, Kathryn Bonella explora os incríveis segredos da ilha de Bali, onde um surfista brasileiro foi condenado à morte por traficar drogas. O que pode parecer um paraíso para quem vê imagens ou filmes sobre a ilha, acaba se mostrando um palco perfeito para a realização de tráfico de drogas, festas, sexo e muita bebedeira. Kathryn explora esse universo por meio de entrevistas com traficantes, unindo nesse livro histórias e narrativas sobre o cotidiano dos mesmos. Seu ponto de partida é Rafael, jovem apaixonado por surfe que vê no mundo das drogas uma oportunidade para crescer na vida de maneira mais tranquila. Unindo a isso, a jornalista vai tecendo os meios, tentando alcançar um universo mais amplo que circunda a ilha paradisíaca.

Não é de hoje que o tema tráfico de drogas é algo recorrente nas mídias ou em narrativas cinematográficas. Histórias de máfias e grandes traficantes é um recurso que geralmente atrai público, alcançando grande popularidade. Nevando em Bali não foge a regra. Fica aqui o primeiro ponto que me causou certo preconceito quanto ao mesmo. Por mais que fossem histórias reais, a narrativa em si ficou algo próximo a um roteiro de filme de cinema, no qual podemos muito bem supor o final logo nas primeiras páginas. Da mesma maneira, faltou um quê de realidade no meio da escrita, que pudéssemos ter dimensão de que aquilo realmente acontecera.

Não seria a pior coisa, afinal, o livro tem uma narrativa fluida, o que facilita a leitura, se não fosse pelo fato de que as histórias que a autora se propõe a reconstituir acabam se repetindo, tornando o livro cansativo. Da mesma maneira, o tamanho do mesmo não é necessário, podendo ser muito bem encurtado e mais objetivo.00

Além disso, outra coisa que me incomodou foi a postura da jornalista em relação ao seu objeto. Nesse ponto em específico é necessário dizer que minha opinião parte do princípio de que quem se envolve com esse tipo de atividade é porque realmente quer. Afinal, com as informações vindas a todo instante, em qualquer meio, você sabe exatamente os riscos e os problemas do mundo das drogas. No entanto, a autora deixou a entender que esse tipo de atividade foi algo necessário na vida dos traficantes, pois por serem de uma situação econômica desfavorável, acabaram se metendo nisso. Deixo o questionamento no ar: será que indivíduos assim gostariam de trabalhar de segunda a segunda num trabalho digno? Claro que é muito mais fácil você ganhar meio milhão de dólares num tráfico de cocaína do que ganhar um salário mínimo trabalhando honestamente. Mas, como já sabemos, toda causa gera uma consequência.

Talvez esse último ponto me fez ter uma relação difícil com a leitura do livro. Terminei o mesmo aos percalços, mas não conseguindo ter uma dimensão positiva. O final acaba sendo previsível, o que não o torna melhor ou pior. Acredito que se fosse um pouco menor, a leitura teria fluido ainda mais e a avaliação poderia ser um pouco maior. Não será o tipo de leitura que recomendarei, mas se alguém tiver interesse, fique a vontade.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi

Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.



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  1. terça-feira, 27 de junho de 2017.

    Oiii Lucas…
    Curti o blog.. vou dar uma fuçada e ver se acho boas indicações de livros para ler!!

    Beijos

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