AVALIAÇÃO: 2/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928105 GÊNERO: ENSAIO, NÃO FICÇÃO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 168 SKOOB

A forma bruta dos protestos foi um livro que caiu nas minhas mãos ao acaso. Não estava esperando ele. No entanto, quando vi do que se tratava, fiquei extremamente curioso; afinal, é impossível não se envolver com a situação política do país. Porém, o que pode ser algo extremamente positivo também pode não ser. Por se tratar de um assunto tão recente e que está a todo instante vindo a tona, o livro pode pecar em alguns aspectos e deixar a desejar. Mesmo assim, decidi dar uma chance a ele e ver no que dava.

O jornalista Eugênio Bucci se aventura a realizar uma análise sobre as manifestações de junho de 2013, que se alastraram em todo o país, indo até 2016, quando acontece o “Impeachment” contra a presidente “Dilma Rousseff”. Buci se debruça a pensar aquelas passeatas como algo que culminou no processo contra a presidente. As manifestações pegaram o governo de tal maneira que este não soube como reagir. O próprio autor afirma que não havia uma causa específica para tal ocorrência, fazendo com que grupos sociais que não tinham o hábito de se envolver em tais atividades fossem para as ruas. Junho de 2013, para o autor, é como uma ruptura nas fronteiras da política para configurar um acontecimento que se impôs no campo da cultura, mas com potencial de transformar também a cultura política.

As manifestações tornaram a ocorrer em 2014, durante a abertura da “Copa do Mundo”, no Brasil, quando a presidente foi vaiada em pleno estádio, mas também em 2015, quando parcela da população foi para as ruas trajando uniformes da CBF, tirando fotos e selfies e colocando nas redes sociais. Todos esses atos são objetos de análise pro jornalista. Porém, aqui começa o meu problema com o livro. Como afirmei no início da resenha, trabalhar com um assunto tão recente pode parecer um pouco arriscado, pois não conseguimos ter uma maior dimensão de análise crítica. E talvez tenha sido o que mais tenha desgostado nele. Não que seja um livro ruim. Chamei e torno a chamar a atenção para a ousadia do autor em pegar o tema, mas acredito que faltou uma reflexão mais crítica. Tive a impressão que não havia uma sincronia entre os capítulos, ao mesmo tempo em que senti a falta de uma opinião mais amplificada sobre o assunto. Entendo que o autor possui um posicionamento, mas acredito que para tornar o livro ainda mais rico era necessário mostrar ao leitor outras possibilidades.

Da mesma maneira que ocorre com sua opinião crítica, ocorre ao mostrar os fatos. Buci acaba por mostrar apenas a partir de determinado veículo, que seria a imprensa, deixando de lado outros materiais que poderiam ser tão importantes quanto. E acredito que isso acaba influenciando no ponto anterior abordado. Além disso, outra característica que tornou a leitura um pouco confusa foi o uso da teoria para a análise do acontecimento. Houve momentos do livro que o autor traz teóricos importantes para pensar linguagens, signos e tantos outros assuntos que o mesmo julga importante, mas na hora de fazer uma aplicabilidade no que ele quer tratar, torna-se incompreensível para o leitor.

Por se mostrar um livro pioneiro, como a própria capa diz, acredito que haveria possibilidades de torná-lo muito mais rico e reflexivo. Terminei a leitura sem saber realmente qual era a proposta do autor, o que me deixou incomodado. De qualquer maneira, aviso que esta é a minha opinião. Talvez, se você se interessar pelo tema, A forma bruta dos protestos possa ser uma excelente opção.

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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