segunda-feira, 5 de junho de 2017

AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA ISBN: 9788551001028 GÊNERO: ROMANCE, THRILLER, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 304 SKOOB

A viúva foi aquele livro que me conquistou pela sinopse, prometendo ser um thriller intenso e remetendo a temáticas já conhecidas de outras histórias, como foi o caso de “Garota exemplar” e “A mulher misteriosa“, também publicados no Brasil pela Editora Intrínseca. A parte gráfica do livro é algo que merece destaque, tanto pelo jogo de cores, envolvendo preto e azul na capa, mas também pelas páginas em tons escurecidos. Infelizmente, o que poderia ter se tornado o thriller do ano acabou pecando em vários aspectos.

Jean Taylor acabou de perder o marido e se torna o centro das atenções da mídia local. Afinal, todos querem saber se o marido era realmente um monstro, conforme diziam. Ao longo dos últimos anos, a mulher manteve muitos segredos para si, sem saber em quem podia confiar. Nunca se sentiu atraente, tinha baixa autoestima, até o dia em que Glen apareceu em sua vida. Aí tudo mudou.

Casou-se jovem e sua vida se resumia ao trabalho como cabeleireira. Sua vida não era muito movimentada como as de outras pessoas que conhecia, mas pelo menos ela tinha Glen. No início do casamento, tudo era perfeito, até o dia em que as coisas começaram a desandar. Jean não sabe bem o que aconteceu, mas quando menos viu, tudo mudou mais uma vez. E para pior. Agora que o marido morreu, só ela detinha a verdade dos fatos.

Digo primeiramente que não é a toa que a sinopse acima é meio confusa. Isso dá margem ao leitor para querer saber mais a respeito dos acontecimentos. E mesmo que houvesse mais informações, perderia a graça de juntar todas as peças do quebra-cabeça, como aconteceu comigo.

O ponto de partida da história é instigante e desperta interesse do leitor. Começamos no ano de 2010, com a morte de Glen e a recuperação de Jean. Em poucos capítulos, já voltamos ao passado para começar compreender o que realmente aconteceu para chegarmos à situação atual. E esse é o primeiro ponto que poderia ter sido algo positivo mas que no final das contas não alterou muita coisa no desenrolar história.

Em livros como “Garota exemplar“, o jogo entre passado e presente nos permite fazer um jogo duplo, deste modo é possível compreender o clímax a narrativa, bem como todo o percurso até o desfecho. E no meio do caminho juntamos todas as peças para chegar ao final e ao ápice. A viúva pecou um pouco quanto a esse quesito, aqui faltou um pouco mais de emoção. Nas primeiras cem páginas o leitor já sabe todo o desfecho, apesar de ter a esperança que algo mude, que aconteça alguma reviravolta. Não é bem assim.

Outra questão que me incomodou foi a construção da protagonista. Eu tinha uma teoria sobre o desenrolar da história. Apesar de não ter se concretizado, esperava uma protagonista mais condizente com a trama proposta, alguém traumatizado pelo que passou. Esperava uma tensão maior pela própria narrativa, até pelo fato de ser em primeira pessoa. Sinceramente, não consegui discernir se Jean era uma pessoa com boas ou más intenções. Talvez possa ter sido intenção da autora, mas não me convenceu muito.

Não é um livro ruim, mas poderia ser melhor. Apesar da estrutura narrativa, os elementos que a autora utiliza para construir a história merecem destaque, além de ser algo que eu nunca tinha lido anteriormente. Ela aborda um tema diferente, válido de ser discutido na sociedade e que muitas vezes é deixado de lado. Além disso, vale comentar a troca de narradores, que se dividem entre Jean, Kate, a repórter, Bob, o detetive, e Glen. Apesar disso, apenas os capítulos narrados por Jean é em primeira pessoa, os demais são em terceira pessoa. Na minha opinião, se todas as narrações fossem em primeira pessoa, o livro seria muito mais intenso.

O que poderia ser uma trama bem densa, que explora sentimentos humanos e personalidades e deixa qualquer um confuso, acabou sendo um suspense mais leve. Não que seja ruim. O livro é bom, a leitura é fluida e cativa. Só acredito se a autora tivesse desenvolvido mais a historia, com certeza, seria o livro do ano. Talvez, eu tenha criado muitas expectativas e me deparei com algo totalmente diferente. Apesar disso, indico e recomendo!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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