Avaliação: 4/5
Editora: Seguinte, Cortesia
ISBN: 9788555340123
Gênero: Ficção histórica, Jovem Adulto
Publicação: 2016
Páginas: 225
Skoob

John Boyne é um autor que sempre me surpreende com suas histórias, sempre muito tocantes. No ano passado, uma das minhas leituras favoritas, “Um ano de solidão“, foi de sua autoria. Outro livro que gosto muito do autor é “O menino do pijama listrado“. Agora, em O menino no alto da montanha, ele volta a colocar como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Ainda que não seja tão emocionante quanto as outras, essa história também é muito bem construída, falando sobre o quanto o poder é capaz de corromper as pessoas.

Em 225 páginas, Boyne nos conta a história do pequeno Pierrot Fischer, um garoto que vive com os pais na França. Já pequeno, ele tem um vislumbre dos horrores da guerra. O pai, alemão, sempre falava o quanto era importante servir ao próprio país, mas em casa agia de forma violenta, que a mãe, francesa, atribuía às batalhas. Na cidade em que morava, ele também tinha um grande amigo, o judeu Anshel Bronstein. Inseparáveis, eles viviam contando histórias um ao outro.

Uma série de tristes acontecimentos fazem com que Pierrot se torne órfão de pai e mãe. O mais próximo que ele tem de família é Ansel e sua mãe, que não podem cuidar dele por muito tempo, já que sofrem com a falta de dinheiro. Dessa forma, o pequeno é encaminhado para um orfanato, mas logo sai de lá quando sua tia Beatrix fica sabendo do que aconteceu e leva o menino para morar com ela.

Beatrix é governanta em uma mansão no alto das montanhas alemãs. Logo ao chegar na casa, aos sete anos, ele passa a ser chamado de Pieter e sua tia o orienta que nunca mencione o amigo Anshel nas dependências da casa. Pierrot ainda era muito novo, mas logo ficaria sabendo a quem pertencia a mansão: Adolf Hitler.

Conforme os anos passam, vamos acompanhando o crescimento de Pierrot e sua aproximação com o Führer, ao mesmo tempo em que a Segunda Guerra Mundial tomava forma na Europa. O menino, cego pela atenção e pela tomada do poder, logo passa a agir de forma autoritária e desumana, ao mesmo tempo em que finge não ver as atrocidades arquitetadas naquela casa.

Assim como em seus outros livros, John Boyne escreve de maneira muito fluída e envolvente, mesmo trabalhando com uma temática mais pesada. Neste livro, a Guerra é contada a partir de uma outra perspectiva. Em primeiro plano está Pierrot, e conforme os anos vão passando acompanhamos suas inseguranças, mudança de atitudes e a forma como deixa sua inocência de lado, assim como memórias da infância, e é influenciado por ideais nazistas, sempre vislumbrado pelo poder e articulação de seu Führer.

O autor constrói o menino Pierrot de forma que é muito fácil ficar com raiva de suas atitudes, ao mesmo tempo em que traz o questionamento de que tudo isso faz parte do ser humano e que o poder é uma arma muito perigosa. A premissa da história é muito boa e não há muitas surpresas durante a leitura, mas ela traz reflexões muito pertinentes. Fala sobre o que é se tornar adulto e como é se deixar levar por más influências, muitas vezes deixando de lado o jeito puro, inocente.

Terminei a leitura muito rápido, fiquei realmente envolvida com a história. Mas aqui senti que faltou algo. Fiquei esperando que o autor explorasse mais a relação de Pierrot com o amigo Anshel, mas isso acontece apenas nas últimas páginas, de forma muito rápida. A amizade poderia ser aprofundada de várias outras formas, trazendo ainda mais questionamentos para a obra. Mesmo que falhe nesse ponto e não seja tão emocionante quanto outros livros do autor, O menino no alto da montanha traz uma boa história e é uma oportunidade de visualizar a guerra sob outra perspectiva.

 

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


Deixe sua opinião

Seu email não será publicado.



*

Comentários no Facebook