quinta-feira, 18 de maio de 2017

Avaliação: 4/5
Editora: Bertrand Brasil, Cortesia
ISBN: 9788528620726
Gênero: Biografia, Não Ficção Publicação: 2017
Páginas: 240
Skoob

 

A primeira coisa que me chamou a atenção em Charlotte, de David Goenkinos, foi a capa, uma pintura intensa da artista Charlotte Salomon. Eu não conhecia nada a respeito de sua vida e de sua obra, mas fiquei curiosa para saber mais a respeito e, agora, depois de finalizada a leitura, fico feliz de ter feito isso. Foenkinos conta a história da pintora de uma forma completamente diferente. Com uma estética de prosa poética, utilizando uma frase por linha, ele traz ainda mais profundidade para a história que se propõe a contar.

Charlotte é um livro que apresenta a história dessa artista que, infelizmente, passou por momentos muito difíceis em sua vida, que terminou no campo de concentração de Auschwitz. O livro começa contando a história de como ela recebeu esse nome. Em homenagem a uma tia que, por conta da depressão, suicidou-se. O autor, então, passa a narrar as dificuldades da menina, que mais tarde também sofreu com o suicídio da mãe.

Já mais velha, Charlotte se viu obcecada pela madrasta Paula, uma grande cantora da época. Foi por meio de Paula que a jovem conheceu Alfred, por quem se apaixonou completamente. Entretanto, Alfred não dava indícios de que gostaria de manter um relacionamento sério, e seus encontros eram quase sempre às escondidas. Em meio a isso, os ideais de Hitler ganhavam força na Alemanha e a Segunda Guerra Mundial se aproximava. Charlotte e sua família eram judeus e tiveram que se separar para que pudessem se salvar. A garota, a contragosto, foi se refugiar na França, onde estavam os avós.

Por anos, ela não teve notícias do pai, da madrasta e de Alfred, sofrendo por não saber o que estava acontecendo no outro país. Além disso, o local onde morava estava cada vez mais inseguro. Para fugir um pouco de sua loucura particular, Charlotte buscou refúgio na pintura. Desde jovem ela tinha aptidão para essa arte e todos a sua volta sabiam que ela era um gênio. O período em que mais produziu foi quando esteve na França, enquanto passava por uma época de instabilidade.

Mesmo refugiada em outro país, a situação foi ficando cada vez mais tensa e Charlotte não teve mais como fugir. Denunciada por uma vizinha, ela e o marido, Albert, foram presos e levados ao campo de concentração de Auschwitz. Charlotte, grávida, viu seu fim chegar sem deixar de lado a esperança.

Quando eu peguei este pequeno livro para ler, não estava esperando uma história tão intensa e arrebatadora. Aprendi muito com Charlotte durante a leitura e me emocionei por ela e por tantas vidas perdidas injustamente, em um momento tão cruel de nossa história, marcado pelo preconceito e pela intolerância. É muito triste pensar que tantas pessoas tiveram suas vidas interrompidas, de formas tão terríveis. Atualmente, é difícil pensar que isso realmente aconteceu.

O livro de Foenkinos fala sobre a vida de Charlotte antes de chegar ao campo de concentração. Mostra quem ela realmente foi, seus medos, anseios, paixões. Seu incrível talento para a arte. Representa o que poderia ter sido e, infelizmente, não foi. A forma como o autor decidiu contar a história em um primeiro momento me assustou. Achei que não daria certo. Mas, depois de algumas páginas, percebi que foi o melhor formato escolhido. Trouxe intensidade à uma história que merece ser contada, a uma mulher que merece ser conhecida.

Nunca é fácil ler sobre esse assunto tão forte, pesado. Mas é essencial para que possamos aprender com os erros do passado e nunca mais cometer essas atrocidades. É uma lição de humanidade, necessária a qualquer época. O livro é curto, possui 240 páginas. Aqui, o autor não traz uma biografia completa da autora, cheia de detalhes, mas apresenta sua vida de uma forma bem diferente, cheia de poesia. Logo que terminei a leitura busquei mais informações sobre a vida de Charlotte e sua obra. Recomendo que você também faça isso e descubra ainda mais as nuances dessa grande artista.

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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