Monteiro Lobato nasceu no dia 18 de abril de 1892, na cidade paulista de Taubaté. Por causa de seus muitos livros infantis, sendo o primeiro lançado em 1920, revolucionou a escrita infantil nacional com seus personagens e aventuras no “Sítio do Picapau Amarelo”, que são tão conhecidos pelas crianças ainda no século XXI. Por esse motivo, a data de seu nascimento foi escolhida para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil.

Depois de Monteiro, muitos escritores marcaram e ainda marcam esse nicho literário, alguns não nasceram no Brasil, mas vivem aqui há tempo suficiente para lançar livros no mercado nacional, outros nem são tão conhecidos, mas suas obras marcaram minha trajetória de algum modo.

Como grande apreciadora do gênero infantojuvenil, escolhi apenas 15 títulos que gosto muito, mas que mostra a riqueza e diversidade nacional:

1. Camilão, o comilão, de Ana Maria Machado (Editora Salamandra)

Muito difícil escolher apenas um livro de Ana Maria Machado, gosto de muitos. Esse título é bem divertido, mostra que o porco Camilão adora inventar desculpas e pedir comida para seus amigos. Através dos números de 1 a 10, vamos contando a quantidade de coisas que ele consegue juntar de forma mirabolante em sua cesta.  Quando o final parece óbvio, surpreende. Camilão pode ser preguiçoso, sem dúvida, mas tem um bom coração. É impossível não amar nosso amigo Camilão!

2. Era uma vez um gato xadrez, de Bia Villela (Editora Moderna)

Primeiro livro de poemas que me cativou completamente, impossível não ficar repetindo as rimas. Cada gato de um jeito, com uma cor e uma aprontação diferente. Os desenhos são feitos com linhas ou curvas simples, cores sólidas e chamativas. A escrita está em caixa alta.

“Era uma vez um gato xadrez, caiu da janela, foi só uma vez. Era uma vez um gato amarelo, esqueceu-se de comer, ficou meio magrelo. Era uma vez um gato laranja, ficou doente e só queria canja. ”

3. A casinha do tatu, de Elza Sallut (Editora Moderna)

O tatu é muito trabalhador e com esforço compra um terreno ao lado da dona raposa, porém, quando ela vê que a casinha que seu vizinho está construindo é simples e humilde, se irrita. Cheia de orgulho e desdém, por morar em um palacete digno de um rei, dona raposa vai pedir ajuda ao leão para solucionar esse grande problema. O que a raposa não esperava era receber uma lição de vida que a faz rever seus conceitos. Recomendadíssimo para todas as idades por ensinar moral.

4. Umbigo indiscreto, de Eva Fur (Editora Moderna)

Eva Furnari é escritora e ilustradora, nessa obra pôs em prática seus dois grandes talentos para nos apresentar um país maluco chamado Bolofofolândia. Nele, o que o povo mais gosta é de fazer festas estranhas para apreciar tanta gulodice esquisita. Numa dessas festas-baile, a do Chocolate Escarlate, Bunza conhece Pelúcia e logo começa a fazer perguntas sem fim para exaltar-se, deixando Pelúcia cada vez mais constrangida por ter uma vida simples e sem muitos regalos. Porém um incidente faz com que o vestido de Bunza se rasgue, expondo seu umbigo, é nesse ponto que tudo muda. Só um detalhe, para explicar um pouco a história, o umbigo dos bolofofos muda de cor conforme o sentimento predominante. O que será que Bunza estava sentindo?

5. Pinote, o fracote, janjão, o fortão, de Fernanda Lopes de Almeida (Editora Ática)

Apesar de ser um livro escrito há mais de 20 anos, continua muito atual. Janjão é um garoto forte e aproveita dessa sua qualidade para mandar e desmandar abusivamente de seus colegas, muitas vezes em brincadeiras pela vizinhança de mau gosto, maltratando os animais e invadindo pomares. Ao contar piadas e obrigar seus amiguinhos a rir, percebe que Pinote, o mais fraquinho do grupo não está rindo, ao tentar fazer valer sua posição de Rei dos Piratas, Pinote dá uma resposta que desestabiliza o grandão.

6. A caixa maluca, de Flávia Muniz (Editora Moderna)

Uma história divertida, que mostra de forma rimada o que aconteceu quando uma caixa caiu do céu no meio da floresta. A curiosidade geral faz com que suposições sejam feitas, dando início a uma discussão entre os bichos. Quando enfim o leão resolve reivindicar seus direitos de rei, socos, pontapés, patadas e muita confusão. Um dos animais, se aproveitando da briga, desaparece com a caixa e consegue descobrir seu conteúdo. É uma história curta que é recebida de formas diferentes pelos leitores. Já vi gente rindo no final, como outros que ficaram pasmos com a surpresa. O que afinal tem na caixa?

7. Cada bicho em seu lugar, de Elza Sallut (Editora do Brasil)

Estereótipos são trabalhados de forma espetacular nesse livro de Jonas Ribeiro. A família dos porcos era um exemplo de educação, higiene e limpeza, sendo o chiqueiro onde moravam bem organizado, cheiroso e acolhedor, já a fazenda onde a família dos humanos vivia era uma bagunça só, faltava comida, o mato crescia sem parar e nada estava no devido lugar. Um dia, quando os moradores da fazenda visitam o chiqueiro, ficam surpresos com tamanha arrumação e recepção, logo propõem trocarem de residência, porém não adianta morar em local limpo se não se dispuser a realizar a manutenção.

8. A zebrinha preocupada, de Lúcia Reis (Editora FTD)

Uma zebrinha com listras horizontais se sente triste por ser diferente das demais zebras. Quando conhece uma zebra com quadrados marrons, ao invés de manchas, imediatamente se tornam amigas. Numa das suas conversas, a zebrinha conta sua terrível angústia. E agora? Qual será a reação da tranquila e feliz girafa? Algumas vezes nossos problemas e preocupações parecem muito maiores do que realmente são. Essa história irá mostrar a você como é importante ter um bom amigo na hora certa e como vale a pena ouvir o que os verdadeiros companheiros têm para nos dizer.

9. A coisa, de Taís Serafim Souza e Edu Serafim Souza (Editora Luz e Vida)

Na minha infância sempre gostei da gama de produtos com as famosas formiguinhas chamadas de Smilinguido, marcadores de páginas, cartões de aniversários, colantes, chaveiros, agendas, camisetas, revistas de atividades… A ilustradora desses pequenos personagens gospel foi Márcia D´Haese, com o passar do tempo outros desenhistas passaram a participar desse processo, além de diversos autores, já que as Formigamigas viraram roteiros de livros e até animações. Nessa engraçada e divertida aventura, Forfo fica preocupado porque seu nariz está esquisito, vermelho. O livro contém o meio móvel, focando exatamente no nariz de Forfo. Esse título faz parte de uma coleção de minilivros (10X10 cm) que trazem pequenas lições práticas de vida, que ajudam a formar o caráter da criança positivamente.

10. O reizinho do castelo perdido, de Mauricio de Sousa (Editora Melhoramentos)

Esse livro foi realizado com a fantástica parceria de dois monstros da literatura infantil nacional, Maurício de Sousa e Ziraldo. Nessa obra, Maurício escreveu e Ziraldo ilustrou, porém no livro “Maior anão do mundo” (esse não li ainda), foi feito o contrário.  Havia um povo de um reino que vivia muito feliz e tranquilo, governado por um rei igualmente feliz e tranquilo. O reizinho conversava diretamente com seus súditos, avaliando seus desejos e suas necessidades. Mas, por um capricho de seus ministros, o amado rei é afastado dos súditos e levado para morar num castelo distante. Essa história trata de política de uma forma tão simples e clara que encanta, apaixonada pela história e as ilustrações, em breve quero reler esse título.

11. Meia palavra não basta, de Maurício Veneza (Editora Atual)

Telefone sem fio. Essa história é muito engraçada e retrata através da bicharada um pouco da curiosidade que cada um de nós tem. Uma confusão se inicia quando o tamanduá pergunta ao guaxinim aonde ele vai correndo pela floresta, porém da resposta, só ouve o final eiro, supõe que o assunto é dinheiro e sai correndo também. A história se repete com cada animal que vê o guaxinim passar apressado. O cachorro do mato entende bombeiro e imagina um incêndio na mata. O sapo pensa que se trata do nome de um jogo, e a ema, que alguém tropeçou e está ferido.

12. As centopeias e seus sapatinhos, de Milton Camargo (Editora Ática)

A Centopeia acorda cedo, prepara o café da manhã com capricho para sua filha, saem arrumadas e protegidas do sol forte para ir à loja da dona Joaninha. Lá são muito bem recebidas e Centopeinha começa a experimentar os sapatos, dona Joaninha sobe e desce as escadas onde está localizado seu estoque diversas vezes para atender a demanda, pode parecer fácil ser uma vendedora de sapatos, mas não quando a cliente tem cem pares de pés… O final arranca risadas.

13. A princesa que tudo sabia menos uma coisa, de Rosane Pamplona (Brinque-Book)

Amo história de princesas e essa é muito, muito, muito boa. Uma princesa extremamente inteligente e que possui resposta para todas as perguntas do mundo, se recusa a aceitar algum dos pedidos de casamento feitos através de seu pai. Porém, com a insistência de seus pais para que casasse logo e desse a eles um herdeiro ao trono, ela aceitou casar com um príncipe que conseguisse fazer uma pergunta que ela não conseguisse responder, então o rei aceitou a ideia e como conhecia muito bem sua filha, propôs que cada pretendente tentassem a sorte durante trinta dias, assim, uma gigante fila formou-se em frente ao castelo. Adivinhas, charadas, enigmas, perguntas e mais perguntas, umas até muito interessantes, como: Quantas estrelas existem no céu? Qual é o dia de São Nunca? Porém a princesa não era apenas inteligente, mas muitíssimo sagaz, respondia com sabedoria cada questão…. Mas um jovem vindo de longe descobriu a única pergunta que ela não sabia responder. Que pergunta era essa?

14. No tempo em que a televisão mandava no Carlinhos, de Ruth Rocha (Editora Salamandra)

Carlinhos estava cansado de ter tantos apelidos na escola por causa de seu excesso de peso. Como ele gostava muito de assistir televisão e comprar todas as gordices que eram anunciadas, quando vê o anúncio do novo produto, o Gororoba 2000, comprou escondido de seus pais. Ao fazer uso do produto, as consequências são desastrosas! A história alerta sobre os perigos da mídia para o público infantil.

15. Um bichinho só pra mim, de Sônia Barros (Quinteto Editorial)

O sonho de toda criança é ter um bichinho de estimação. Porém, como acontece com muitas delas, os pais não permitem nenhunzinho. Como lidar com essa decepção? Uma história gracinha, toda em versos rimados, um desabafo que mexe com o leitor, principalmente se vive a mesma situação.

Há algum título – infantil ou infantojuvenil –, que vocês sentiram falta nesta lista? Conte para nós nos comentários. 😀

Sobre o autor
Nara Dias 31 anos (22/12) – São Paulo Pós graduada na USP em Ética, valores e cidadania na escola, atua como professora de informática e robótica para crianças de 4 a 11 anos. Também com especialização em Libras - Língua Brasileira de Sinais, participa da comunidade surda da região onde mora, na Baixada Santista. Seu perfil no Skoob com mais de 1200 livros lidos, mostra sua paixão pelo gênero infanto-juvenil, onde capa, ilustração e tipo de impressão interferem muito em suas escolhas.


Deixe uma resposta

  1. quinta-feira, 20 de abril de 2017.

    Acho que ligar o dia Nacional do Livro Infantil a monteiro Lobato é infeliz, ele odiava negros, a ponto de trocar cartas com o Ku Klux Klan. em uma das cartas, ele diz a seguinte frase: “País de mestiços onde o branco não tem força para organizar uma Kux-Klan, é país perdido para altos destinos.”.
    Como eu vou dizer para uma criança negra e/ou índia que o cara que homenageiam no dia Nacional do Livro Infantil, odiava o que elas representam?

  2. sexta-feira, 21 de abril de 2017.

    Oi, tudo bem?
    Que blog mais lindo, adorei demais aqui <3 Adorei sua iniciativa de postagem, gostei muito das obras mencionadas, algumas eu até já conhecia, outras não, mas tem uns livros encantadores ainda para serem listadas, sabe a Editora Biruta? Então, eles lançam uns livros bem bacanas que trazem até mesmo a história do Brasil, como exemplo a ditadura militar, que no caso esta obra é minha leitura atual, chamada "PISCINA, JÁ!". Depois confere lá 🙂

  3. sexta-feira, 21 de abril de 2017.

    Acho muito muito importante inserir a leitura no cotidiano das crianças desde muito cedo. E admiro muito os autores infantis porque a missão deles é muito importante, criar novos leitores.
    Amei a seleção! Parabéns pelo post!

  4. sexta-feira, 21 de abril de 2017.

    Muito boa a sua lista, Nara. Os livros infantis são de grande encanto e é muito importante incentivar os pequenos a gostarem de ler. Parabéns pelo blog, beijos

  5. sábado, 22 de abril de 2017.

    Olha, que legal !!! Achei ótimas as indicações de leitura. Muito boa a iniciativa de comemorar essa data e não deixar passar em branco. Lembro dos livros que li na infância e que me marcaram bastante. Vale compartilhar, bjooo

  6. domingo, 23 de abril de 2017.

    Oi Nara, sua linda, tudo bem?
    OMG!!! Eu li as centopeias e seus sapatinhos!!! Nossa, faz tanto tempo. Esse livro é maravilhoso, engraçado, nunca esqueci dele e eu era bem novinha, risos… Eu não sou mais criança, mas fiquei louca aqui pelas suas indicações. Todos eles parecem ser excelente, vou anotar suas dicas. Adorei seu post!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

  7. quinta-feira, 27 de abril de 2017.

    Olá!

    Amei o seu post e já quero todos os livros! Sou apaixonada por literatura infantojuvenil, inclusive tenho um projeto bem bacana no meu blog. A grande maioria dos livros eu não conhecia ainda, mas já anotei sua dica. Post perfeito!
    <3

  8. segunda-feira, 15 de maio de 2017.

    Olá!
    Amei o post. Falamos muito em livros para jovens e adultos, mas esquecemos das nossas crianças. Todas as dicas são maravilhosas e já anotei algumas para ler com o meu filho. Quero colocar o hábito de ler nele para que ele cresça uma criança amando os livros.
    Beijinhos!

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