domingo, 9 de abril de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: RECORD ISBN: 9788501025432 GÊNERO: POLICIAL, SUSPENSE, CLÁSSICO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 462 SKOOB

O poderoso chefão é um romance publicado em 1969, escrito por Mario Puzo e adaptado para o cinema em 1972, com direção de Francis Ford Coppola.

O romance conta a história da família Corleone, uma das cinco grandes famílias de Nova York que comandava o tráfico na região. No caso deles, eles tinham o poder com o negócio de azeite, jogos e também influência grande sobre a política. As relações de afetividade italiana são minuciosa e intensamente descritas durante todo o romance. A demonstração de poder com o Padrinho, Don Corleone, com as respectivas pessoas que trabalhavam para ele, como Tessio e Clemenza, foram fiéis do início ao fim.

Pode-se dizer que este livro é um dos mais bem elaborados e escritos do último século. É um clássico, e a capacidade de Puzo em ditar e controlar o ritmo da história é sensacional. No primeiro capítulo, com 64 páginas, boa parte das relações que vão durar durante todo o romance já estão apresentadas e exemplificadas.

O livro começa com um agente funerário, Amerigo Bonasera, pedindo ajuda ao seu querido Padrinho. Sua filha havia sido espancada pelo namorado e mais um amigo, e ele dizia que estava procurando justiça – e que não havia ninguém melhor que o Padrinho para se procurar justiça. A resposta de Don Corleone revela sua personalidade desde o início. Ele nega ajuda a Amerigo, porque diz que não pode matar dois jovens que não mataram sua filha. Ele poderia arranjar pessoas para “darem um jeito” neles, e, em troca, tudo o que o Padrinho pediu a Amerigo foi: a amizade.

Era assim que Don Vito Corleone trabalhava todo o tempo. Foi assim que ele conquistou todo seu poder, todo seu império, toda sua família. Ainda neste primeiro capítulo, capítulo em que se passava o casamento de sua filha, o Don recebeu mais algumas pessoas. Uma delas era seu afilhado, o famoso cantor Jhonny Fontane, que também era ator e que procurou seu padrinho para pedir ajuda; ele queria entrar no elenco do próximo filme que seria dirigido por Woltz.

Os próximos capítulos só demonstram ainda mais o poder da família Corleone, a personalidade de Don Corleone e o contexto social de Nova Iorque na época. Dois capangas de Don espancam os jovens que haviam maltratado a filha de Amerigo Bonasera. O diretor Woltz, depois de ter negado oferecer o papel de Jhonny Fontane a Tom Hagen, o consigliere (braço direito de Don) da família, acorda com a cabeça de seu cavalo de 600 mil dólares na sua cama. Só a cabeça.

A habilidade de Puzo em transcrever a história a partir de vários pontos de vista também é brilhante. Todos capítulos são narrados em terceira pessoa, com narrador onisciente; alguns através do ponto de vista de Don, outros com seus filhos, como Michael, Sonny e Fredie, ainda há capítulos escritos com pontos de vista de Amerigo Bonasera, Tom Hagen, Clemenza, Jhonny Fontane entre outros. Essa é uma característica importante do romance porque nos possibilidade enxergar a história a partir de várias interpretações. É claro que Puzo usa os protagonistas para escrever capítulos essenciais da obra, como por exemplo, quando, ainda nas primeiras cem páginas do livro, Don Corleone é baleado pelos capangas de uma outra família da região. O capítulo é narrado através do ponto de vista de Michael Corleone, que no filme foi estrelado por Al Pacino, e que era o único dos seus filhos que não queria seguir o negócio da família. Don recebeu os tiros porque negou ajuda política à família Tattaglia, que queria começar com o tráfico de entorpecentes.

Além disso, percebe-se que Puzo tem uma noção genial sobre o ritmo em que a obra se deve seguir. Depois de aproximadamente 150 páginas de mortes, brigas e discussões, Puzo resolve diminuir o ritmo e mudar o foco da história. Ele passa a focar na vida de Jhonny Fontane, por exemplo. Tudo para diminuir o ritmo intenso da trama. Ele sabia que o leitor precisava de uma trégua, pois foram 150 páginas de pura adrenalina.

Outra característica essencial de Puzo, que foi adaptada por Copola com muita habilidade, foi as histórias anteriores dos personagens. Em algumas partes do livro, depois de ter apresentado grande parte dos personagens, Puzo volta ao tempo e descreve fatos que ocorreram no passado desses personagens. Isso faz com que nós peguemos mais afinidade com eles, ou que nos importemos mais, ou até mesmo odiemos mais. Isso é importante, e da credibilidade na narração, principalmente pelo fato de Puzo usar vários pontos de vista para narrar o romance.

Tanto Mario Puzo, quanto Francis Ford Coppola, eram conhecedores extremos da máfia italiana. Podemos ter certeza desse fato. Uma coisa que também me chamou muito a atenção foi o fato de a narração de Puzo não ser cronológica. Enquanto muitos romancistas narram certa parte da história cronologicamente, até se alcançar o clímax, Puzo faz exatamente o oposto. Ele começa com um fato aparentemente se importância, para, no final do capítulo, chegar com uma notícia bombástica. Isso é interessante porque faz o leitor querer ler o próximo capítulo, para tentar entender ou descobrir porque de fato aquilo aconteceu, e eu posso garantir; Mario Puzo não me decepcionou nenhuma das vezes que fez isso. Toda vez que ele terminou com uma notícia bombástica um capítulo, no outro ele retornou no tempo e explicou porque de fato aquilo aconteceu.

Coppola, por sua vez, tratou de dar linearidade à obra. Muitas pessoas dizem que a adaptação de Coppola foi melhor do que a obra de Puzo em si, e, sinceramente, eu realmente não sei o que é melhor nessa história toda. Puzo tem uma capacidade narrativa espetacular e Copola adaptou o filme de uma maneira tão fiel, com tamanha habilidade, que fica complicado decidir qual dos dois é melhor. As cenas que eram narradas de forma não cronológica, Copola tratou de pôr em ordem e as pôs MUITO bem. Os atores foram sensacionais. Concorram à vários prêmios e ganharam alguns Óscar. Se não me falha a memória, o ator que interpretou Don Corleone ganhou como melhor ator.

De qualquer forma, depois que Don recusa ajuda à família Tattaglia e é baleado por seus capangas, Michael Corleone decide começar a ajudar sua família. Alguns capítulos depois ele se encontra com o chefe da família, Solozzo, e um capitão corrupto da polícia, para decidir o que realmente deveria ser feito com toda aquela situação desconfortável.

Foto: Divulgação / Viagens de Papel

 

Por Caio César Domingues

Sobre o autor
Viagens de Papel O blog Viagens de Papel foi criado em 22 de janeiro de 2013 com o intuito de promover diálogo sobre literatura, paixão que todos os autores do projeto têm em comum. Através de resenhas, lançamentos, listas, dicas e variadas matérias, queremos que você sinta-se em casa e aprecie o conteúdo nosso conteúdo! =)


Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: