AVALIAÇÃO: 4/5 EDITORA: PLATAFORMA21, CORTESIA ISBN: 9788576839712 GÊNERO: FANTASIA, ROMANCE, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 328 SKOOB

A maldição do vencedor é o primeiro livro da trilogia Vencedor, escrito por Marie Rutkoski e lançado pelo selo Plataforma21, da V&R Editoras. Confesso que já estava ansiosa por esse lançamento desde antes de saber que viria pro Brasil, e sem dúvidas foi uma leitura surpreendente!

Neste primeiro volume somos apresentados ao universo de guerra criado por Marie: De um lado temos os valorianos, um povo que valoriza a guerra (e é expert nela), que é ganancioso e sedento por poder e escraviza os povos conquistados. Do outro lado temos os herranis, um dos povos conquistados pelos valorianos, um povo que era rico e cheio de tradições e cultura, mas que tiveram tudo tirado deles, ao escolherem a escravidão ao invés da morte.

Kestrel é uma adolescente, filha do poderoso general valoriano, Trajan que deseja mais do que tudo na vida a liberdade de fazer as próprias escolhas, mas que tem a sua frente apenas dois caminhos: se tornar um soldado do pai ou casar aos 20 anos – duas coisas que ela não quer absolutamente. Em um ato impulsivo durante um de seus passeios à cidade, Kestrel acaba arrematando em um leilão um escravo herrani: Arin. O novo escravo de Kestrel é um herrani orgulhoso, que guarda muitos segredos e esse mistério que o cerca acaba por despertar certo interesse em Kestrel conforme ela vai percebendo que ele esconde muitas coisas.

O fato é que nenhum dos dois é o que parece ser, e mesmo contra todas as expectativas eles acabam criando uma conexão e uma cumplicidade. Mesmo assim, eles sabem das responsabilidades que têm perante seus respectivos povos, e em meio a um cenário de guerra, travam uma luta interna sobre o que é certo ou errado, sobre onde deve estar a lealdade deles.

O primeiro ponto positivo do livro é o universo criado: amei a forma como a autora explorou essa diferença entre povos, como ela conseguiu transmitir tão bem esse sentimento de injustiça do povo herrani ao ter seu território, suas casas e etc, tomados tão grosseiramente de si. Adorei ainda mais que os personagens sabem exatamente o jogo que estão jogando. Eles dançam conforme a música e vão mostrando as cartas que têm na manga aos poucos, nos revelando seus segredos e planos. Isso faz com que a trama tome rumos surpreendentes.

Além disso, A maldição do vencedor é um dos poucos livros, a meu ver, que conseguiu juntar romance e fantasia de uma forma tão harmônica. Kestrel e Arin têm um nítido interesse um no outro, mas é algo que começa com curiosidade, afinal Arin não é um escravo comum assim como Kestrel não é a valoriana sedenta por guerra que deveria ser. Mas ao longo das páginas vamos percebendo como a relação entre eles vai mudando sutilmente, aos poucos, com um ritmo bem montado. É uma coisa que vai crescendo gradualmente.

Uma coisa que eu amei, que foi um dos pontos que mais me agradou no livro, foi como a autora explorou os personagens, como ela desenvolveu esse jogo que eles jogam ao longo do livro. Kestrel é surpreendente, sempre pensando, sempre calculando: é uma estrategista nata, a que seu pai tanto deseja para seu exército, mas que prefere usar esse sua qualidade para seus próprios planos. Enquanto isso Arin é um personagem nada comum: é extremamente inteligente, culto e, surpreendentemente, gentil e nobre.

Os conflitos políticos desenvolvidos ao longo do livro também são muito bem pensados e tornam a história ainda mais interessante. São muitos jogos de poder, traições, mentiras, decisões que podem significar a vida ou a morte, a paz ou a guerra.

A narrativa é fluida e ágil, mas mesmo percebendo isso, ainda não consegui me conectar totalmente à história no começo. Não sei se por conta da narrativa ou por não sentir uma ligação com a protagonista, mas alguns bons capítulos se passaram antes que eu me sentisse realmente dentro da história e começasse a virar página atrás de página até saber o desfecho.

Em linhas gerais, A maldição do vencedor é um livro surpreendente, com um enredo bem elaborado, reviravoltas surpreendentes e um potencial enorme. Os protagonistas são cativantes, e o romance é apenas um algo a mais à história. Terminei ansiosa por saber como esse jogo vai terminar!

Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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