domingo, 2 de abril de 2017

AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: INTRÍNSECA, CORTESIA ISBN: 9788551001394 GÊNERO: THRILLER, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2017 PÁGINAS: 336 SKOOB

Se te oferecessem a oportunidade de morar em uma casa incrível, mas tendo uma lista de regras pré-estabelecidas que controlariam sua maneira de viver, você aceitaria? Antes, você precisa compreender que ao mudar-se para Folgate Street seu estilo de vida mudará drasticamente, essa casa tem alta tecnologia, recursos incríveis e é totalmente minimalista, imagine-se em outro mundo, uma casa alto padrão. Pense um pouco, não precisa responder agora, reflita por uns instantes e depois me diga sua decisão, afinal essa casa é única e maravilhosa. Essa é a proposta que cai no colo das nossas protagonistas, Jane e Emma, duas mulheres que precisam de mudança em suas vidas, nesta oferta irrecusável elas encontram a oportunidade de recomeçar.

Há pouquíssimo tempo, Jane sofreu uma grande perda e, na tentativa de deixar o passado para trás, ela acaba se empolgando com a oportunidade de morar no nº. 1 da Folgaça Street, uma casa espetacular projetada por um famoso arquiteto. Só que para viver nessa casa, Jane precisa passar por um rigoroso processo de seleção, se aprovada ela deverá cumprir uma lista de regras absurdas, como por exemplo, N-A-D-A de lixeiras, almofadas, mobílias,  livros (OMG! Livros N-Ã-O, como assim?) e por aí vai. São muitas regras sem nexo, são mais de duzentas exigências de não faça isso ou aquilo. Complicado, né? Mas, se você for capaz, eis uma grande oportunidade. Apenas siga as R-E-G-R-A-S.

Apesar de todas essas restrições, Jane não se deixa intimidar e decide que essa é a oportunidade de seus sonhos, e se necessita ser uma moradora modelo, ela será. E assim, Jane se esforça e consegue a vaga de nova inquilina, só que após a mudança ela desconfia que algo estranho esteja ocorrendo na casa, depois de algumas pesquisas ela descobre que a antiga inquilina, uma mulher chamada Emma, morreu de forma misteriosa lá. A partir dai, acompanhamos Jane na sua busca pela verdade e porquê dela e Emma terem tanto em comum.

Quem era ela, um thriller psicológico, narrado em primeira pessoa e com os capítulos divididos entre Jane (no presente) e Emma (no passado), escrito pelo autor JP Delaney e publicado pela Editora Intrínseca, nos insere em uma história complexa e cheia de mistérios. À medida que vamos conhecendo as protagonistas, conseguimos entender o porquê da necessidade delas de recomeçarem e também a forte ligação que possuem com a casa.

“Já me sinto estranhamente apegada ao belo vazio que cito na minha resposta. Vamos largar tudo, digo com impaciência. Vamos começar de novo.”

JP Delaney fez um ótimo trabalho neste livro. A história nos prende logo no início, e apesar de ser uma leitura mais densa é aquele tipo de livro que você não consegue largar e acaba lendo rápido demais, sabe? Os personagens, principalmente as protagonistas, são uma das melhores características do livro, o autor construiu protagonistas completas, elas são cheias de camadas e possuem personalidades marcantes, além disso são unilaterais e mulheres que não se encaixam nas formas de mocinha ou vilã e para uma enredo rico em mistério, isso é um grande acerto.

Falando nisso, mistério é o que não falta em Quem era ela. Tudo nesta história tem quês e porquês, desde a construção da casa, a relação do arquiteto e dono da casa com as inquilinas, as motivações dos personagens e, claro, a morte de Emma. São tantas perguntas que se formam em nossa mente no decorrer da leitura que é impossível parar de ler antes de conseguir as respostas.

Mesmo com tantos acertos, o autor acabou me decepcionando no desenvolvimento de um personagem extremamente importante na história. O arquiteto Edward Monkford, o responsável pelo projeto da casa, foi pouco desenvolvido e não teve muita profundidade. A história do personagem nos é apresentada, mas eu senti que precisava de muito mais, o livro tem tanta reviravolta que alguns fatos relacionados a Edward acabaram se perdendo ou sendo trabalhados de uma maneira superficial demais.

Deixando esse pequeno detalhe de lado, Quem era ela é um thriller muito bom que nos faz refletir sobre a necessidade que temos por controle, como as perdas são encaradas de diferentes maneiras por cada um de nós e como recomeços são importantes e essenciais em nossas vidas. Leitura recomendadíssima!

Sobre o autor
Tayara Olmena Estudante que tomou gosto pela leitura aos 12 anos de idade depois que leu "A marca de uma lágrima" do escritor Pedro Bandeira. Costuma ler de tudo, mas ainda torce o nariz para o romance. Além de ler, também é viciada em séries e filmes, e não perde a oportunidade de maratonar sua série favorita.


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