sexta-feira, 3 de março de 2017

Trilogia Gemma Doyle, de Libba Bray

“O poder muda tudo até que fique difícil dizer quem são os heróis e que são os vilões.” p.317 

– Doce e  distante

A Editora Rocco foi a responsável pela publicação da trilogia “Gemma Doyle” no Brasil. O primeiro livro, intitulado Belezas perigosas, li a quase uma década, na época eu estava no 2º ano do Ensino Médio. A obra para mim tem um significado muito especial e traz boas recordações. É engraçado que eu tenha lido o último volume, Doce e distante, só agora. Já o segundo volume, Anjos rebeldes, li logo após o lançamento.

A história é ambientada na Era Vitoriana e aborda de modo simples o esplendor da época. A trama se centra nas jovens damas que são enviadas pelas famílias a um internato para que sejam educadas e preparadas para sua apresentação a sociedade. Tudo se inicia quando Gemma Doyle, uma moça de 16 anos, é enviada para a Academia Spence após a misteriosa morte de sua mãe, do modo como ela sempre quis. Anteriormente, ela vivia livre e longe das exigências da sociedade londrina em Bombaim, na Índia.

Gemma é atormentada por visões que parecem vívidas e reais. Não demora e ela descobre que pode entrar nos Reinos e com a ajuda da magia é capaz de transformar tudo a sua volta, acredita que pode melhorar aquilo que não está bom – as falhas, as imperfeições e tudo mais que esteja danificado aos seus olhos -, embora isso tenha um preço e a ilusão não dure o bastante.

No internato, Gemma conhece Felicity, Pipa e Ann, eis que as moças se tornam inseparáveis. Sempre que possível elas fogem e vão para os Reinos. Embora tudo seja lindo e maravilhoso, elas ignoram o perigo e a escuridão que lhes rodeia.

A relação entre Gemma e as amigas é ambígua, a amizade delas é movida por um forte vínculo – a magia, mas há momentos tensos e algumas intrigas. Elas estão unidas por segredos e ciúmes tanto quando pela genuína afeição. Libba Bray nos presenteia com personagens bem desenvolvidos e humanos, mostra-nos suas falhas e o crescimento através delas.

A Ala Leste do internato está interditada há alguns anos. Houve um incêndio e Eugênia Spence, a diretora, se sacrificou para salvar Mary e Sarah que selaram um pacto com as criaturas das Terras Invernais, um dos domínios dentro dos Reinos. Todos acreditam que elas estejam mortas, mas ambas sobreviveram e assumiram novas identidades (se ficaram curiosos, recomendo que leiam).

Outros personagens que aparecem nos três volumes e desempenham um importante papel na trama são a Sra. Nightwing, a atual diretora, e a Sra. Moore, uma das professoras, ambas fazem parte da Ordem, assim como Sarah e Mary, mais tarde Gemma também é convida a se juntar, no entanto, não as amigas. Já nesta parte da história, Pippa vive nos Reinos e precisar escolher seu caminho. Enquanto as demais permanecem no internato e seguem com suas vidas.

Circe, a inimiga e um antigo membro da Ordem, deseja dominar toda a magia e é responsável por muitos dos acontecimentos deploráveis que acompanhamos ao logo da leitura, desde manipulações e até mortes.

Gemma sabe que tem muitas perguntas sem respostas, o internato guarda muitos segredos, mas ela sente como se tudo estivesse ligado de alguma forma e está disposta a desvendá-los.

Ao longo da trama Gemma se vê dividida entre dois rapazes, Kartik, um jovem cigano indiano e membro dos Rakshanas, e Simon Middleton, filho de um visconde. Gemma tem seu tempo com cada um deles, embora Kartik seja um personagem muito mais importante para o desenrolar da história.

A vida de Gemma fora dos Reinos e da Academia Spence é singular e monótona, ela acompanha a monarca da família, a avó, nas visitas sociais, bem como tem uma relação mais distante do pai e do irmão, embora se preocupe e os ame muito.

Bem, de modo resumido, é isso. Algo que gostei bastante foi a combinação cultural utilizada por Libba Bray, que nos trouxe um pouco da Índia Colonial à Londres do século XIX, criando um cenário original e único. Libba Bray possui uma escrita sofisticada e exige que o leitor preste atenção e, às vezes, sinta as emoções e apreensões dos personagens. Os acontecimentos mais previsíveis eram seguidos por algo totalmente inesperado, é impossível que o leitor se sinta entediado durante a leitura, a autora não decepcionou com tantas surpresas.

Em geral, a leitura foi agradável e prazerosa. O último volume – Doce e distante -, é bem grosso, possui 686 páginas, no entanto, a leitura manteve um ritmo fluído e compreensível. Libba Bray soube dosar as informações dos volumes anteriores de modo que não me senti nem um pouco perdida durante a leitura. A trilogia “Gemma Doyle” é encantadora, uma fantasia que mescla romance, aventura e magia, unida ao glamour da Era Vitoriana.

Sobre o autor
Patrícia Oliveira Patrícia Oliveira, 25 anos (07/01) – São José/SC. Acadêmica de Direito, leitora assídua e blogueira. Lê de tudo um pouco, seus gêneros literários favoritos são romance histórico, época e contemporâneo, thriller psicológico, fantasia épica e clássicos. Sempre cultivou a ideia de criar um blog, onde pudesse compartilhar sua opinião. Quando não está fazendo tarefas cotidianas, geralmente está divertindo-se na companhia de seus bichos de estimação. Curte séries, filmes de comédia romântica e animes, mas sua grande paixão é a literatura.


Deixe uma resposta

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: