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AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: SUMA DE LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788581050737 GÊNERO: ROMANCE, FICÇÃO HISTÓRICA, SUSPENSE PUBLICAÇÃO: 2012 PÁGINAS: 248 SKOOB

Desde que lançou seu primeiro livro alguns anos atrás aqui no Brasil eu me tornei fã de carteirinha de Carlos Ruiz Zafón, autor que se tornou um de meus favoritos da vida inteira. É cozafm imenso prazer que finalmente concluí a trilogia O cemitério dos livros esquecidos, composta por “A sombra do vento” (primeiro e meu favorito), O jogo do anjo”, e o objeto desta resenha, O prisioneiro do céu. Vale mencionar que os livros não seguem uma ordem cronológica que faça sentido, e como tal, podem ser lidos na ordem que o leitor decidir. Eu, particularmente, li na ordem dos lançamentos, mas acredito que não tenha afetado a maneira como vi as obras já que se tratam de histórias diferentes, em tempos diferentes, interligados apenas pelos mistérios e memórias que as rondam.

Neste volume voltamos aos personagens do primeiro livro da trilogia, Daniel Sempere e Fermín, de longe os personagens mais incríveis da literatura, cativantes mesmo nos seus piores momentos. Amigos há anos, Daniel e Fermín possuem uma história entrelaçada por eventos misteriosos, principalmente agora que um antigo conhecido de Fermín surge trazendo com ele memórias que o próprio gostaria de esquecer e ameaçando o grande segredo de sua vida. Dessa maneira, a perspectiva do livro é intercalada entre Daniel, que é a ponte entre passado e presente, e Fermín, que nos conta sua vida, suas memórias, repletas de raiva, medo e sofrimento.

O cenário para todo o mistério trazido na história é a Barcelona da guerra, devastada por uma que já aconteceu e ameaçada por uma que ainda está por vir – a Segunda Guerra Mundial. Sendo assim, além de toda a tensão causada pelos segredos dos personagens, temos ainda os jogos de poder causados pela iminência das batalhas. O autor explora todo o contexto de depredação que a guerra causa, toda a discriminação, o autoritarismo e os jogos políticos.

Como sempre digo quando me refiro às obras de Zafón, o que destaca o autor é a escrita tão peculiar e fascinante que ele tem. Ele tem uma forma única de juntar as palavras que nos fascina, nos prende na primeira linha e nos cerca em seus emaranhados de mistério e sabedoria e imprevisibilidade. A genialidade do autor está na sua escrita – ou talvez também esteja na história, no modo como ele a desenvolve, entrelaçando memórias, personagens e eventos aparentemente aleatórios. No modo como parece que se mantém em uma balança, sempre equilibrado, com as doses certas de bom humor, romance, mistério, drama e aventura.

Zafón cria algo completamente único em um cenário bem explorado, nos mostrando personagens complexos, com ligações intensas e profundas. Aliás, os personagens de Zafón figuram o topo da minha lista de personagens favoritos. Amo como ele consegue criar personagens únicos, reais, cativantes com todos os seus sofrimentos, arrependimentos, erros e anseios.

De um modo geral, O prisioneiro do céu não é um livro de leitura fácil, como nenhum dos livros de Zafón é. Mas mesmo assim, sua narrativa flui, envolve e fascina o leitor com toda sua peculiaridade. Sua história é muito bem contada, muito bem desenvolvida e surpreende o leitor a cada esquina, a cada evento que interliga outros eventos que nem imaginaríamos ter algo em comum. Seus personagens são únicos e brilhantes a seu modo, e não tem como não nos apaixonar por cada um deles.

Em suma, O prisioneiro do céu é para leitores apaixonados pela escrita, pelo prazer de ler algo bem criado, algo diferente e, por isso mesmo, fascinante.


Conheça os outros títulos da série O cemitério dos livros esquecidos:

1. A sombra do vento (2007)

2. O jogo do anjo (2008)

3. O prisioneiro do céu (2012)

4. O labirinto dos espíritos (2016)


Sobre o autor
Larissa Gaigher

Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro
Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.



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