terça-feira, 24 de janeiro de 2017

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA ISBN: 9788535928013 GÊNERO: Suspense PUBLICAÇÃO: 2016  PÁGINAS: 200  SKOOB

AVALIAÇÃO: 5/5
EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS, CORTESIA
ISBN: 9788535928013
GÊNERO: Suspense PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 200
SKOOB

Ian McEwan é um premiado autor britânico, que escreveu, dentre outros livros,” Reparação” e “A balada de Adam Henry”. Em Enclausurado, sua mais recente obra lançada, o autor abusa da verossimilhança ao criar um narrador nem um pouco convencional: um feto. Para quem já havia conhecido outras histórias do autor, como foi o meu caso com a de Adam Henry, sabia muito bem do que o autor era capaz. Naquele romance, Ian já provara saber lidar com assuntos um tanto diferentes do habitual e criar uma atmosfera fascinante e um tanto incômoda, diga-se de passagem. Em Enclausurado, isso não é diferente e o que podia parecer impossível ganha ares de realidade num romance brilhante.

Um feto, que não sabemos o nome nem quem é, vê sua futura mãe, Trudyen, planejar junto com o amante, Claude, a morte de seu pai, John, que por sinal é irmão de Claude. Além de ser o pai do bebê, o alvo do crime é um poeta decadente, porém herdeiro de um imóvel valioso. O que a princípio parece apenas um romance policial se torna muito mais a partir do momento que a história ganha o ponto de vista do feto. Apesar de ser apenas o que é, o feto tem dimensão do que acontece e muito mais: sabe qual a situação política no mundo em que vive e até arrisca emitir alguns comentários sobre vinho e guerra no Oriente Médio. Além disso, é em vários momentos um tanto irônico e sarcástico, principalmente diante da situação em que está colocado. O que o autor acaba gerando no leitor é uma expectativa para saber se o casal vai conseguir colocar seu plano em prática e escapar da polícia.

Quando peguei Enclausurado pra ler, imaginava um romance devagar e com uma narrativa um tanto truncada. Apesar disso, a curiosidade era maior, uma vez que nunca tinha visto algo desse tipo. Assim que iniciei a leitura, encontrei uma narrativa atrativa, a qual não conseguia parar de ler. O autor soube criar uma atmosfera totalmente diferente, a qual temos um narrador ausente e presente ao mesmo tempo. Por um lado, ele não está com sua presença em carne e osso na trama, mas tem dimensão do que acontece e do que estão planejando. Esse jogo de situações cria no leitor uma sensação de angústia, pois é como se o leitor olhasse pelo ponto de vista do feto e estivesse cego, pois ambos não tem noção de como é o mundo real. Não sabe que características teriam Trudy, Claude ou qualquer outro personagem. Apenas sabe que eles existem.

Além disso, um ponto extremamente positivo no desenrolar da história foi algumas cenas criadas pelo autor, onde ele abusa da imaginação e da verossimilhança. O feto sabe que Claude não é uma boa pessoa, logo, tem certos receios em relação ao amante de sua mãe. Um deles, por exemplo, é quando ele e sua mãe acabam transando. Por algum motivo, o feto acredita que o esperma do tio pode lhe infectar, tornando-o estúpido. Da mesma maneira, quando os dois transam na posição papai e mamãe, gera no pequeno o medo de ser esmagado. Isso traz angústia e uma certa repulsa por parte do leitor, mas ao mesmo tempo o autor sabe jogar, fazendo com que queiramos saber o final da história.

Terminei Enclausurado um pouco mais rápido que pretendia e me surpreendi mais uma vez com o autor, fazendo com que este se tornasse um querido na estante. Para quem não conhece a obra dele, esta é uma ótima oportunidade para ler e se apaixonar. O desfecho é um tanto previsível, mas não deixa nada a perder. Na minha opinião, acabou de uma maneira um tanto surpreendente, mas no ponto certo da história. Com o final dessa leitura, fiquei ainda mais curioso para conhecer uma de suas mais conhecidas histórias, Reparação, que por sinal já está a minha espera aqui na estante.


Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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