sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

suzy-e-as-aguas-vivas-capa-viagens-de-papel

AVALIAÇÃO: 5/5 EDITORA: VERUS,CORTESIA ISBN: 9788576865377 GÊNERO: FICÇÃO REALISTA, JOVEM ADULTO PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 223 SKOOB

Suzy acabou de perder a melhor amiga – ou ex-melhor amiga, já que antes de sua morte as duas não andavam muito bem uma com a outra (fato que faz com que Suzy se sinta culpada) – e decidiu parar de falar, já que não tinha nada realmente importante para dizer. Seu foco se tornou outro: descobrir a verdadeira causa da morte de Franny, já que é impossível que ela tenha se afogado, até porque era uma ótima nadadora. Determinada, Suzy mergulha em profundas pesquisas até descobrir a existência de uma água-viva cujo veneno é mortal e se determina a provar que sua teoria é verdadeira.

Fiquei surpresa ao começar o livro e constatar que Suzy tinha apenas 11 anos e estava enfrentando um momento onde tudo que ela conhece está desmoronando a sua volta. Acreditem ou não, eu peguei esse livro pra ler sem saber exatamente do que se tratava, fui mais pela hype que ele teve quando lançou no exterior e por saber se tratar de um gênero que gosto. Felizmente, me surpreendi muito com a leitura e com a sensibilidade transmitida pela protagonista, mesmo ela sendo tão nova e estando em um fase tão diferente da minha.

Suzy é uma protagonista realmente encantadora. Entrando na adolescência, ela está começando a enfrentar aquela fase onde tudo muda, quando deixamos de ser crianças e meio que perdemos aquela inocência. Quando parecemos tomar consciência que somos meninas (ou meninos), e passamos a nos importar mais com coisas como roupas, maquiagens e impressionar meninos e paixonites e deixamos mais de lado as brincadeiras mais simples. Só que pra Suzy, tudo ainda se mantém na mesma: ela ainda prefere seu estilo menos arrumado e sua curiosidade por fatos aleatórios e estranhos.

Ela é aquela menina que sofre bullying por não querer ser igual, mas que se mantém sendo quem é, sem se importar com opiniões alheias. Ela se mantinha firme com sua família ao seu lado e sua melhor amiga. Até que seus pais se separam e Franny morre quando ainda estavam brigadas, deixando-a sem saber o que fazer, perdida em meio a um mundo em que ela não conhece nada. Sua válvula de escape se tornam as águas-vivas e ela busca aprender tudo que pode sobre esses seres, como se eles fossem ter todas as respostas de que ela precisa.

Acredito que o mais interessante do livro é a visão de mundo que Suzy nos apresenta. Por se tratar de uma criança e a narrativa ser em primeira pessoa, vemos tudo através de olhos que vêem o mundo de uma maneira mais pura, mais inocente e eu diria até mais otimista, pois em diversos momentos, mesmo na situação em que estava, era Suzy quem nos confortava com sua força e sua vontade de recomeçar. É um processo de amadurecimento incrível que ela passa, tendo que se adaptar a uma situação completamente adversa, tendo que aprender a lidar com perda e morte e luto. E em meio a isso, uma garotinha de apenas 11 anos nos dá enormes lições de vida, lições sobre aceitação,  superação, amizade, família e recomeços.

Outro ponto bem interessante foi a originalidade da trama. Ali Benjamin soube entrelaçar perfeitamente as teias que formam o enredo. O plot principal é permeado de curiosidades científicas sobre águas-vivas que dão um tom poético e fantasioso ao livro, mas que encaixa perfeitamente na história e a enriquece muito mais.

Suzy e as águas-vivas é uma leitura fácil, rápida, envolvente e muito singular. Não por causa dos temas abordados – embora esses sejam também grandes atrativos – mas pelo modo como foram abordados, de forma tão única, tão original e ao mesmo tempo tão sensível e verdadeira. É um livro muito marcante, que nos faz repensar muitas coisas e nos cativa além da conta. Está mais do que recomendado pra todo mundo!


 

 

Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


Deixe uma resposta

  1. quarta-feira, 4 de janeiro de 2017.

    Adorei a resenha, já quero ler o livro….

Comentários no Facebook

%d blogueiros gostam disto: