quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Avaliação: 3,5/5 Editora: Companhia das Letras, Cortesia ISBN: 9788535928167 Gênero: Crônicas Publicação: 2016 Páginas: 182 Skoob

Avaliação: 3,5/5
Editora: Companhia das Letras, Cortesia
ISBN: 9788535928167
Gênero: Crônicas
Publicação: 2016
Páginas: 182
Skoob

Quem acompanha o blog sabe que gosto muito do autor Gregorio Duvivier. Já tive a chance de conferir o artista nos palcos, nos vídeos para o youtube e nos cinemas, mas uma de suas facetas que mais gosto é a literária. Em 2016, o autor lançou Caviar é uma ova, sua nova coletânea de crônicas, publicadas semanalmente na Folha de S. Paulo. Diferente de Put Some Farofa, que reunia também esquetes do Porta dos Fundos, aqui há apenas os textos escritos para o jornal.

Em 184 páginas, Duvivier discorre sobre os mais diversos assuntos, tendo sempre fatos do cotidiano como inspiração. Ele fala sobre política, infância, memórias, amor, música, entre outros temas, sempre com muita naturalidade e uma escrita descontraída. Em seus textos, há sempre toques de ironia e críticas à sociedade. A crônica “Serhumanidade”, que serve de inspiração para o título do livro, inclusive, é uma das melhores. Sempre criticado pela sua posição política – de esquerda, o autor responde a todos aqueles que o chamam de “esquerda caviar”.

“Para começar, caviar não me representa – nunca vi, nem comi, eu só ouço falar. Esquerda caviar é uma ova – literalmente. Entendo a metáfora, mas acho que não se aplica a essa nova esquerda hipster que vocês tanto odeiam. Melhor seria Esquerda Maionese Trufada. Esquerda Cerveja Artesanal. Esquerda Bicicleta de Bambu. Aí sim: esse cara sou eu. Ou, para ser sincero, nem aí”.

Eu, como tendo para o mesmo lado, o da esquerda, sempre me identifico com os textos do autor e com suas críticas. Provavelmente ele será julgado justamente por isso e muitas pessoas nem irão ler o livro por questões políticas. Mas, mesmo que você não tenha o mesmo posicionamento, abra sua mente e dê uma chance ao livro. Com certeza, será uma grande experiência de diálogo e é sempre importante ouvir outras opiniões.

Como as crônicas foram escritas desde 2013, elas compreendem um período político de muitas mudanças e extremamente importante para o país. Por isso, grande parte das crônicas falam sobre esse assunto. Mesmo que tenham sido escritas a partir de episódios específicos, elas continuam bem atuais e é possível desdobrá-las para inúmeras outras situações.

Mas este não é um livro apenas sobre política. O autor também revela partes importantes de sua vida, comovendo e divertindo o leitor em diversos trechos. Ele fala sobre Clarice, no controverso texto “Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice”, em que fala sobre um amor inesquecível e conta o quanto aprendeu com ela. Quando o texto foi publicado na Folha, gerou muita repercussão e muitos disseram que ele estava apenas se aproveitando do lançamento do filme “Desculpe o transtorno”, em que ele e Clarice fazem parte do elenco. Claro que foi uma excelente jogada de marketing, mas é impossível negar que há muito sentimento no texto.

Uma das crônicas mais bonitas do livro e que revela muito sobre o autor e sua família é “O que é que ele tem”. Um lindo relato sobre seu irmão João, que tem a rara síndrome de Epert. No texto, Duvivier fala sobre diferenças, sobre o quanto aprendeu com o irmão mais velho e sobre a força e a garra de sua mãe Olivia, que inclusive lançou um livro falando sobre o filho, com o mesmo nome da crônica de Gregorio.

O livro possui textos muito bons, que mais uma vez provam o quanto o autor é habilidoso com as palavras e sabe falar tanto de temas polêmicos quanto de assuntos mais amenos. Em suas crônicas há ironia, críticas e também há muita paixão. Os textos são rápidos de ler e fluem muito bem, mas esse é um livro que deve ser lido aos poucos, degustado sem pressa. Se der uma chance, você não irá se arrepender.

“Qual é o papel do opressor na luta do oprimido? Não faço a menor ideia – mas a discussão me fascina. Suspeito que a palavra-chave seja empatia. Sentir dor pela dor do outro é o que nos faz humanos – também é o que nos faz ser chamados de hipócritas, demagogos, esquerda-caviar. Humanidade é um crime imperdoável.”

“No entanto, independentemente da droga ou da ideologia consumida (e da certeza de que toda ideologia é uma droga), me espanta quando classificam de esquerdistas pautas tão universais quanto a equidade de gêneros e raças, o direito da mulher ao aborto, o direito universal à moradia, à saúde ou à educação. Ser contra a garantia desses direitos universais não é posição política, é falta de serhumanidade.”

Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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