Avaliação: 3,5 Editora: Record, Cortesia ISBN: 9788501097385 Publicação: 2016 Páginas: 406 Skoob

Avaliação: 3,5
Editora: Record, Cortesia
ISBN: 9788501097385
Gênero: Biografia, Memórias , Não Ficção Publicação: 2016
Páginas: 406
Skoob

Quem tem interesse pela Segunda Guerra Mundial ou então tem admiração pela garota judia Anne Frank, que virou símbolo de luta e representou os horrores da perseguição e da guerra, A história da família de Anne Frank é uma boa leitura de complemento para quem quer se aprofundar na temática. Aqui, a autora Mirjam Pressler, com colaboração de Gerti Elias, traz histórias de três gerações da família Frank, representando o período antes da guerra, o período da perseguição e o pós guerra, que se seguiu com a publicação do diário de Anne.

A primeira parte, “Alice Frank, nascida Stern (1865-1953)”, traz a história da avó de Anne. Essa parte é a mais arrastada do livro, porque quase não fala sobre Anne Frank, mas é fundamental para entender a história da menina. Conta um pouco da vida de Alice, que se casou com Michael Frank e teve quatro filhos: Robert, Helene, Herbert e Otto. O livro foi construído com base em mais de seis mil cartas que foram encontradas no sótão de Alice. Elas foram achadas por Gerti Elias, que se casou com Buddy, filho de Helene. Com base nas correspondências, foi possível reconstruir a história da família.

As coisas começam a ficar mais interessantes e a leitura a fluir melhor quando chega a segunda parte, que fala sobre “Helene Elias, nascida Frank (1893-1986)”. Apesar de falar sobre a história da tia de Anne, o pano de fundo é muito importante, pois é aqui que a Segunda Guerra começa a se desenrolar e aos poucos vamos vendo, do ponto de vista da família, o que aconteceu com a família de Otto, que na época morava na Holanda. Helene morava com a mãe, o marido e os filhos na Suíça, onde os efeitos da perseguição aos judeus não tiveram tanto impacto. Preocupados com Otto, eles passaram a receber cada vez menos cartas de sua família e perceberam, nas entrelinhas, que eles haviam buscado um esconderijo.

Quando a guerra enfim acaba, a busca por notícias torna-se incansável e é um alívio muito grande quando eles recebem um telegrama com notícias de Otto. Infelizmente, logo ficam sabendo que sua esposa, Edith, e as meninas Anne e Margot, não sobreviveram aos campos de concentração. Essa parte do livro é muito intensa, pois demonstra os efeitos da guerra e a dificuldade de Otto reconstruir sua vida após passar por todos esses horrores e perder sua família. Essa é só uma das famílias que tiveram suas vidas destruídas pelo holocausto. Aqui, foca-se muito na reação da família Frank, que em outro país não imaginava a proporção que a perseguição tinha tomado e fica muito chocada ao descobrir histórias, números e relatos de sobreviventes.

A terceira parte da obra também é muito importante, pois é a partir da visão de “Buddy Elias (1925-2015)”, primo de Anne, que acompanhamos o processo de publicação do diário. Buddy é a terceira geração dessa família e apesar de construir uma bem-sucedida carreira como ator, sempre pensava nos horrores que caíram sobre sua família e as palavras de Anne estiveram sempre presentes em sua vida. Conforme acompanhamos sua vida, vemos a relação próxima do sobrinho com o tio Otto, e como ele decidiu publicar o diário da filha. Otto assumiu isso como uma missão de vida, uma forma de mostrar para o mundo a maturidade de Anne ao escrever sobre os horrores da guerra na perspectiva de uma menina que teve sua adolescência e sua vida roubadas.

No começo, o livro conta, foi muito difícil achar alguém disposto a publicar o diário. Desde o início, percebe-se a intenção de Anne de querer ser publicada, já que foram encontradas duas versões do diário – a segunda com nomes alterados, revisada, com novos comentários ou partes excluídas. A partir do momento em que o livro virou best-seller, foi publicado em vários idiomas, além de ser sido adaptado para o teatro e para o cinema. Anne Frank virou símbolo de uma luta e de uma época marcada por horrores e intolerância. É incrível o quanto ela ainda está presente e como continua inspirando as pessoas com suas palavras. O legado deixado por ela é infinito e persiste com a Fundação Anne Frank, criada por seu pai.

A leitura deste livro traz uma perspectiva diferente sobre a menina e sobre a guerra. A partir do ponto de vista de seus familiares, nos tornamos ainda mais íntimos da família Frank e de Anne. Como a leitura é muito informativa, trazendo muitos dados e falando sobre a vida daquelas pessoas, é um pouco cansativa, não fluindo tão bem, mas ainda assim importantíssima para quem tem interesse pela temática. A obra traz também muitas imagens da família, que ajudam a compreender os fatos e representam os principais acontecimentos.

A história da família de Anne Frank traz um registro comovente e emocionante, que representa a vida de muitas das famílias que tiveram suas vidas transformadas após um ato de intolerância e perseguição. O registro serve para nunca nos esquecermos das atrocidades vividas na época, mas também para refletirmos e repensarmos nossos atos, para que isso nunca mais se repita.


Sobre o autor
Camila Tebet
Camila Tebet Camila Tebet, 24 anos (05/06) – Paraná Jornalista, tem a literatura como uma de suas paixões. Acredita que os livros têm o poder de transformar e falar sobre essa arte é um de seus passatempos favoritos. Entre os seus livros favoritos estão "Harry Potter" (é claro), "Na Natureza Selvagem", "Orgulho e Preconceito" e "A Menina Que Roubava Livros". Também é apaixonada por séries, cinema e fotografia. Escreve também para o site www.expressocultural.com.


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  1. terça-feira, 20 de dezembro de 2016.

    Fiquei bastante interessada, adoro relatos reais!

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