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Avaliação: 5/5 Editora: nVersos, Cortesia ISBN: 9788584440030 Gênero: Não Ficção, Crítica Literária Publicação: 2015 Páginas: 288 Skoob

O livro Machado de Assis – do folhetim ao livro é resultado da pesquisa de doutorado de Ana Claudia Suriani, realizada entre 2003 e 2007. Para quem não sabe, a autora é professora de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa, na University College London. É doutora em Letras Modernas e mestre em Literatura Europeia pela Universidade de Oxford e mestre em Teoria e História Literárias pela UNICAMP. Tem pesquisas na área de literatura, trabalhando com Machado de Assis, como é o caso deste livro, mas também sobre Artur Azevedo, Joseph Conrad e sobre a relação entre literatura, moda e imprensa.

Nessa pesquisa, a autora procurou perceber em que medida há mudanças no trato do livro “Quincas Borba”, de Machado de Assis. “Quincas Borba“, um dos mais conhecidos personagens machadianos, apresentado pela primeira vez em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ganha nesse livro uma participação mais especial, e junto dele, o “Humanitismo” – uma sátira às teorias evolucionistas em voga de sua época. O romance tem como ponto de partida quando “Quincas Borba“, que prestes a morrer, nomeia como único herdeiro Rubião, um humilde professor interiorano. De posse da fortuna, ele parte para o Rio de Janeiro em busca de status, sem, no entanto, estar preparado para enfrentar os meandros da política, o poder da sedução e a traição, misérias da condição humana de que Quincas falava.

Para elaboração de sua análise, a autora se utilizou das edições críticas do livro, considerado por ela um dos romances mais importantes do autor, cuja produção criativa e publicação são as mais problemáticas dentro do contexto ao qual Machado estava inserido. “Quincas Borba” foi originalmente publicado entre 1886 e 1891 na revista A estação, um periódico de moda e entretenimento. Depois, saiu em formato de livro pela editora B. L. Garnier em 1891.

O argumento de Ana Claudia é de que “Quincas Borba” é o ponto de virada na relação de Machado com o folhetim, ou seja, com o formato de publicação mais corriqueiro no século XIX. Nesse sentido, o livro apresenta uma grande inovação em relação à forma artística. No que diz respeito ao processo criativo, “Quincas Borba” cede e desobedece as injunções do folhetim no que diz respeito não somente à sua estrutura narrativa, mas também aos temas que explora.  O texto em formato de folhetim apresenta uma unidade em si, possuindo início, meio e fim, sendo bem-sucedido no cumprimento de sua função mais imediata: entreter os assinantes da revista. De certa maneira, pelo número da tiragem da revista, pode se supor que o livro tenha proporcionado alguma experiência de leitura, diferente, no entanto, da experiência do leitor do livro.

Além disso, outro ponto que permeia a leitura e escrita da autora é o suporte. “Quincas Borba” foi publicado em dois momentos. Primeiro em folhetim e em segundo como livro completo. De certa maneira, é claro que os suportes diferentes propõem leituras diferentes, uma vez que no primeiro a leitura era mais seriada e a segunda mais rápida. O envolvimento e a expectativa também mudavam, de certa maneira. Enquanto livro, houve um trabalho de reescrita do romance por parte do próprio Machado, uma vez que tinha preocupação com a organização do enredo e com o sentido que ele ganharia em volume. De modo geral, para quem gosta da temática, é uma leitura agradável, bem organizada e bem interessante. Recomendo!

Sobre o autor
Lucas Kammer Orsi
Lucas Kammer Orsi Estudante de História. Vê nos livros uma maneira de fugir da realidade e encontrar um pouco de aconchego do cotidiano tão corrido. Potterhead, se emociona fácil com romances, mas não deixa de lado um bom suspense, de viver uma aventura e dá gargalhadas com um chick-lit. Está sempre com suas séries atrasadas, mas isso não o impede de sempre começar mais uma. Amante da música pop, é grande fã de Taylor Swift.


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