sexta-feira, 14 de outubro de 2016

o-orfanato-da-srta-peregrine-para-criancas-peculiares-filme-viagens-de-papelVou começar esse texto já deixando um aviso bem claro – que reflete a minha opinião, é claro: a representação de O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares que você verá nas telas é algo muito diferente da experiência vivida no livro escrito por Ramson Riggs. Por isso, existem duas avaliações possíveis para o resultado final da adaptação: a avaliação cinematográfica por si só, e a avaliação considerando a história que a originou. Já quero deixar claro que a minha insatisfação com o filme se originou desse segundo quesito, e que, para os que não levam tanto em consideração as semelhanças – ou falta delas – entre um e outro, pode ser que tenham um olhar diferente sobre o filme.

A adaptação do livro de Ramson Riggs começa nos apresentando Jake: um garoto que viveu pelas histórias de crianças com habilidades especiais e monstros do avô e que por isso sofreu bullying na escola – o que o levou a desacreditar no ícone que ele tinha de vida. Quando perde seu avô de forma trágica – e misteriosa – todos o levam a crer que ele ficou traumatizado, e que as circunstâncias esquisitas que ele presenciou na morte do avô eram apenas fruto de sua consciência. Porém, incentivado por seu terapeuta, ele decide seguir as últimas pistas deixadas por seu avô, indo ao antigo Orfanato da Srta. Peregrine, no qual o mesmo viveu.

Foto: O lar das crianças peculiares (Divulgação)

Foto: Divulgação / Cena do filme “O lar das crianças peculiares”.

Lá, somos apresentados aos peculiares, crianças com habilidades especiais, que vivem escondidos em uma fenda do tempo no Orfanato da Srta. Peregrine. O roteiro nos leva a conhecer cada um e sua habilidade brevemente, nos introduzindo ao universo criado pelo autor para então seguir à trama central: o perigo que corre nas mãos dos etéreos e os planos que eles possuem.

Não vou me estender muito na trama, afinal não quero dar spoiler e quem já conhece a história sabe o que se desenrola a partir daí. O que quero focar é o que o filme foi transformado em algo totalmente diferente do que eu li. Primeiro o tom do filme é outro: mesmo em se tratando de Tim Burton e sua predileção pelo bizarro, o filme ficou bem infantil, com cara de sessão da tarde e que, eu confesso, eu não via a hora de acabar. Sim, existem algumas cenas mais bizarras que são características do cineasta, mas senti falta daquela coisa mais gótica e sombria dele. Sei que o livro por si só é meio infantil também, mas o autor explora coisas diferentes – como o drama das crianças, da guerra e o perigo que correm de morrer – que não são inclusas no filme, e quando são, apenas são exploradas superficialmente.

Foto: O lar das crianças peculiares (Divulgação)

Foto: Divulgação / Cena do filme “O lar das crianças peculiares”.

A relação de Emma com o avô de Jake e o próprio Jake não é nada explorada, e o que fizeram com ela no final é totalmente absurdo considerando a história original. A questão da fenda do tempo e do que acontece aos peculiares fora delas é muito mal aproveitada, enfim, são questões e personagens desperdiçados no longa.

Além disso, há alterações que simplesmente não fui capaz de entender. Sei que adaptações no geral exigem que algumas mudanças sejam feitas – é simplesmente impossível colocar 300 páginas em duas horas -, mas o que vi aqui foram coisas totalmente desnecessárias. Há troca de poder entre personagens, interações entre eles que não existiam, o próprio vilão é outro, e para coroar há MUITAS cenas que sequer existiam no livro e que mudaram totalmente a história. Eu simplesmente fiquei a todo momento me perguntando “o que que está acontecendo aqui?”, “o que fizeram com esse filme?”, “mas isso não tinha no livro”. Foi um desastre total.

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Foto: Divulgação / Cena do filme “O lar das crianças peculiares”.

Acredito que a intenção não seja nem fazer uma continuação do filme – afinal o roteiro já comeu o que aconteceria na sequência do livro e deu um final totalmente diferente e inesperado à história. Não há gancho algum para uma continuação e ainda não decidi se isso é bom ou ruim.

No geral, o filme é interessante para quem não conhece a história do livro, ou não se importa mesmo em ver algo diferente do que leu – porque eu garanto que as mudanças são bem drásticas. Também não vá esperando a bizarrice de Tim Burton, neste longa ele preferiu adquirir um tom maior de diversão e infantilidade, que garante certo entretenimento para o público mais jovem.

 

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Foto: Divulgação / Cena do filme “O lar das crianças peculiares”.

O filme, tirando a questão de se tratar de uma adaptação, tem grandes chances de agradar ao público em geral (como eu disse, para aqueles que não se importam ou não conhecem o livro). A fotografia do filme é boa, e embora tenha algumas falhas de roteiro, a trama segue um ritmo eletrizante e envolvente. As únicas questões que acredito que prejudiquem são o desperdício de personagens e questões mal desenvolvidas – que mesmo sendo diferentes das contadas no livro, garantiriam um filme de maior qualidade.

Mesmo estando insatisfeita com a adaptação que vi, eu ainda indico que vocês assistam ao filme, pois o que realmente me irritou foi a falta de semelhança com o livro, mas fora isso o longa está bem razoável, dá para agradar ao telespectador menos exigente. São duas horas de uma fotografia incrível e uma trama mal aproveitada, mas divertida, direcionada especialmente ao público jovem, por seu tom mais infantil.

Assista ao trailer:


FICHA TÉCNICA

Título original: Miss Peregrine’s Home For Peculiar Children

Direção: Tim Burton

Gênero: Fantasia, Aventura

Duração: 127 minutos

Classificação: 12 anos

País: EUA

Nota: 5/5


 

Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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