AVALIAÇÃO: 4,5/5 EDITORA: BERTRAND, CORTESIA ISBN: 9788528620603 GÊNERO: YOUNG ADULT, SICK-LIT PUBLICAÇÃO: 2016 PÁGINAS: 318 SKOOB

AVALIAÇÃO: 4,5/5
EDITORA: BERTRAND BRASIL, CORTESIA
ISBN: 9788528620603
GÊNERO: SICK-LIT, JOVEM ADULTO
PUBLICAÇÃO: 2016
PÁGINAS: 318
SKOOB

O herói improvável da sala 13B nos conta a história de Adam que é um adolescente de 15 anos que além de sofrer com a pressão de se auto descobrir que todo adolescente passa por essa época de sua vida, ele sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) que o faz frequentar a sala 13B – um grupo de apoio para jovens com os mais diversos problemas. Lá ele conhece Robyn, a garota por quem se apaixona e que o impulsiona a ser melhor, a se curar e se tornar o herói dela. O grupo de apoio que frequentam acaba por aproximar os dois, forjando uma bela amizade, mas a medida que o relacionamento deles progride, parece que o estado psicológico de Adam só piora..

Confesso que não sou uma dessas fanáticas por sick-lit – aqueles livros cujos temas são personagens doentes -, mas sempre tive curiosidade de ler algum, justamente pra ver como seria a perspectiva de alguém com esse tipo de doença e O herói improvável da sala 13B me proporcionou a melhor das experiências nesse quesito. É, ao mesmo tempo, interessante e agoniante acompanhar um personagem com esse transtorno. O medo presente e o modo como funciona a mente e os pensamentos de Adam são algo único, que dificilmente vamos compreender se não vivermos na pele, mas que mesmo assim sentimos de maneira vívida durante a leitura. Pra mim, esse foi o ponto alto do livro, poder ter essa experiência de, de certa maneira, vivenciar com tanto realismo o TOC – mesmo que em alguns detalhes fosse improvável que acontecesse da maneira como acontece, algo que vou explicar mais a frente.

A leitura, apesar de ser fluida e até bem dinâmica, é um tanto angustiante. Acompanhar cada um dos surtos de Adam, cada uma de suas dificuldades é agoniante para o leitor. Principalmente se considerarmos que sua doença advém da negligência de sua família. São tantos os pesos que são colocados sobre os ombros de um menino tão jovem que é óbvio que alguma coisa ia dar errado. Ter que lidar com uma mãe problemática, um irmão com problemas de ansiedade e um pai completamente ausente estressa Adam a tal ponto que sua válvula de escape se torna o TOC. Essa é a parte que parece mais surreal pra mim, pois não é possível que ninguém da família cuide do menino, parece que ele lida com tudo sozinho e ele quem tem que cuidar dos outros, mesmo na situação em que se encontra. Mesmo assim, é incrível como um menino com tantos problemas, tantos fardos pra carregar ainda se importe e se esforce para ajudar aos outros. Ele mesmo precisava de ajuda, mas sempre que podia era quem ajudava.

O personagem foi brilhantemente construído ao longo da trama. Esse é o segundo ponto mais alto do livro. Ver o crescimento de Adam ao longo da história é gratificante, toda a força que adquire é simplesmente incrível. E não é só ele, a autora trabalha bem todos os personagens secundários, embora eu ainda ache que ela poderia ter dado mais atenção a alguns detalhes do contexto, do pano de fundo da história, e menos ao romance que se desenrola ente Adam e Robyn. Pareceu-me que faltou alguma coisa com relação a isso, que la poderia ter explorado um pouco mais o que estava à volta de Adam. O próprio romance, embora tenha tido um pouco de foco demais para o meu gosto, também é bem desenvolvido, com uma naturalidade e um timing excelentes.

A narrativa da autora é em terceira pessoa, embora focada apenas em Adam e, como mencionei, é bem fluida apesar do tema delicado e da carga dramática contida na história. Confesso que precisei de algumas pausas para lidar com a intensidade de algumas cenas, mas isso está mais ligado a parte emocional do que com problemas na escrita, que na verdade achei bem estruturada. Fico até surpresa que, em sua maioria, a autora conseguiu manter certa leveza apesar do tema.

De um modo geral o livro vale muito a pena ser lido, mesmo que apenas pela experiência diferente de vivenciar um transtorno psicológico tão de perto. O herói improvável da sala 13B fala mais do que sobre TOC – apesar de enfatizar a importância de lidarmos com isso de maneira séria -, fala sobre ambiente familiar, sobre superação e crescimento, sobre motivação, sobre medos e coragem. É uma leitura incrível, que apesar de seus pequenos defeitos, nos faz pensar e nos proporciona uma experiência diferente de tudo. Não é um livro que todos vão gostar, mas que eu sem dúvidas diria que pelo menos tentem, pois vale a pena.


Sobre o autor
Larissa Gaigher Larissa Gaigher, 19 anos (12/06) – Rio de Janeiro Estudante de administração e química, leitora ávida e blogueira por paixão. Embarcou no mundo da literatura quando tinha 10 anos e nunca mais saiu de lá. Apaixonada também por música, séries e filmes. É uma geminiana típica, sempre faz muitas coisas ao mesmo tempo e muda de ideia várias vezes, tanto que não consegue definir um gênero favorito. Carioca da gema, tem 19 anos, adora uma boa praia, muita comida e diversão.


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  1. quinta-feira, 6 de outubro de 2016.

    Oi Larissa, gostei da resenha e gosto do gênero exatamente por mostrar uma história fictícia centralizada num personagem com algum tipo de dificuldade… Li vários assim e esse já faz parte da lista dos próximos. Obrigada pela dica.

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